
«Algum de vós está doente? Chame os presbíteros da Igreja para que orem sobre ele, ungindo-o com óleo em nome do Senhor. A oração da fé salvará o doente e o Senhor o confortará, e, se tiver pecados, ser-lhe-ão perdoados.» (Tg 5, 14-15)
A Unção dos doentes mostra claramente a solicitude corporal e espiritual do Senhor para com os doentes. A pessoa que está doente necessita de uma peculiar Graça de Deus para que não perca o ânimo na aflição, nem venha a fraquejar na fé, pela falta de confiança no Senhor. (Cf. SUI 5)
Recebendo o Sacramento dos doentes, o enfermo pode suportar melhor, com mais fortaleza, os males que o afligem, e pode vencê-los obtendo a saúde do corpo e renovando-se na sua espiritualidade. Este Sacramento, pela oração feita sobre o doente e com o doente confere se necessário o perdão dos pecados e a consumação da Penitência cristã. (Cf. SUI 5)
Por tudo isso, através da Unção dos Doentes, pede-se ao Senhor que o cristão regresse às suas normais atividades, às suas anteriores ocupações, uma vez que se pede a cura de toda a fraqueza, o sarar de todas as feridas, o alívio de todas as dores da alma e do corpo, o perdão de todos os pecados. (Cf. SUI 77)
O Sacramento da Santa Unção é celebrado sempre que nos for pedido. Basta contactar o Pároco.
(Todos os anos, no Dia Mundial do Doente (11 de Fevereiro) a Paróquia tem por hábito fazer a Celebração Comunitária da Unção dos Doentes.)
Deus eterno e omnipotente,
que tendes em vossas mãos todos os momentos da nossa vida,
recebei as nossas súplicas que vos apresentamos
pelos nossos irmãos doentes,
aliviai-os com o auxílio da vossa misericórdia,
de modo que, recuperando a saúde,
possam dar-vos graças
e todos nos alegremos de os ver sãos e salvos.
Amen.
UNÇÃO DOS DOENTES
Celebrar a Fé em tempo de doença e sofrimento
Recomenda o Apóstolo S. Tiago:
«Algum de vós está doente? Chame os presbíteros da Igreja e que estes orem sobre ele, ungindo-o com óleo em nome do Senhor. A oração da fé salvará o doente e o Senhor o aliviará; e se tiver pecados, ser-lhe-ão perdoados» (Tg 5, 14-15).
A Santa Unção não anuncia nem provoca a morte, mas pede a ajudo de Deus e as melhoras. Por isso não deve nunca ser adiada para o momento de inconsciência ou da morte. Tal atitude revela medo de Deus e impede o doente de celebrar a comunhão com Jesus, salvador e libertador, e de viver os benefícios espirituais deste sacramento. A Unção dos Doentes deve, ainda, ser precedido do sacramento da reconciliação e seguido da comunhão eucarística.
Sacramento de Cura
Um leproso disse a Jesus: «Senhor, se quiseres podes curar-me». Jesus estendeu a mão, tocou-lhe e disse: «quero, fica limpo». No mesmo instante a lepra o deixou e ficou curado (cf. Mc 1, 40-42).
* A cura dos doentes revela que Jesus tornou presente no meio dos homens o amor libertador e salva-dor do Pai.
* Jesus ordenou aos discípulos que curassem os doentes, impondo-lhes as mãos (cf. Mt 16,18).
* E Marcos conta que os Apóstolos «ungiam com óleo muitos doentes e curavam-nos” (Mc 6, 13).
É vontade de Deus que o homem busque o bem da saúde,
prevenindo-a e promovendo-a, e lute contra o sofrimento e a enfermidade.
Com a oração da nossa fé, invoquemos o Senhor e oremos por este nosso(a) irmão(ã):
• Mostrai-lhe, Senhor, a Vossa misericórdia e confortai-o(a) com esta Santa Unção;
• Livrai-o(a) do mal, da tentação e do pecado;
• Aliviai-o(a) de todos os seus sofrimentos;
• Libertai-o(a) da angústia e fortalecei-o(a) na fé;
• Aliviai os sofrimentos de todos os doentes;
• Concedei, Senhor, a Vossa graça a todos os que se consagram ao serviço dos doentes;
• Concedei, Senhor, vida e saúde a este nosso(a) irmão(ã), a quem, em Vosso nome, vamos impor as mãos .
Senhor Jesus Cristo, que, para resgatar os homens e curar os doentes, quisestes assumir a nossa natureza humana, olhai propício para este(a) vosso(a) servo(a), que tanto necessita da saúde da alma e do corpo; estabelecei com o vosso poder e consolai com a vossa ajuda aquele (a) que ungimos em vosso nome com a Santa Unção para que consiga levantar as forças e vencer o mal. Vós que sois Deus com o Pai na unida-de do Espírito Santo. Amén.
A doença não é um castigo de Deus por causa do pecado (cf Jo 9,3), nem tão pouco uma prova que Deus envia para experimentar a fé do crente. É uma ocasião para relançar a vida e redescobrir a fé, um tempo de graça.
A Unção dos doentes é:
• Celebração do amor sanador e salvador de Deus;
• Celebração da fé e da comunhão com a Igreja.
A Unção deve ser:
• Pedida pelo próprio doente;
• Recebida com plena consciência;
O cristão deve pedir a Unção sempre que:
• Se encontre gravemente doente;
• É sujeito a uma intervenção cirúrgica complicada;
• Se encontre debilitado devido a idade avançada.
Pode receber também a Unção:
• Uma criança doente dotada do uso da razão.
• O doente que a tenha recebido, se recaiu depois de convalescença, ou se o estado clínico se agravou;
• O enfermo inconsciente, se se julgar que a teria pedido caso estivesse no pleno uso das suas faculdades.
Ao doente já falecido não é administrada a Unção.
Reza-se por ele para que o Senhor lhe perdoe os seus pecados e o receba no seu Reino.
Pai Santo, olhai com amor para este(a) nosso(a) irmão(ã). É grande a vossa ternura com os pobres e com os enfermos; sois esperança para todos os que Vos procuram; e a vossa misericórdia é infinita para com todos os homens. De tal modo amastes o mundo que lhe enviastes o vosso Filho, e Ele, Jesus Cristo, revelando a vossa imensa bondade, curou os doentes e deu o perdão aos pecadores. Concedei a este(a) nosso(a) irmão(ã) doente paz, fortaleza, conforto e esperança. Derramai sobre ele(ela) o Espírito Santo e inundai-o(a) com aquela vida nova que ele(a) recebeu no batismo. Nós vos pedimos, ó Deus de bondade e da vida, que viveis e reinais pelos séculos dos séculos. Amén
«POR ESTA SANTA UNÇÃO E PELA SUA INFINITA MISERICÓRDIA,
O SENHOR VENHA EM TEU AUXÍLIO COM A GRAÇA DO ESPÍRITO SANTO».
AMEM.
«PARA QUE, LIBERTO DOS PECADOS, ELE TE SALVE,
E NA SUA BONDADE, ALIVIE OS TEUS SOFRIMENTOS».
AMÉN.
Em Deus a vida e a saúde
A vida é relação com Deus e com os outros nossos irmãos. A doença é um mal, uma desarticulação do ser a que é necessário resistir (Enzo Bianchi & Luciano Manicardi, Ao lado do doente. O sentido da doença e o acompanhamento dos doentes, Prior Velho, Paulinas, 2006, p.27). A doença não deriva da vontade de Deus, nem o sofrimento é castigo. Em Deus encontramos vida e saúde. A doença é um atentado à plenitude da vida não só porque implica a diminuição das forças e das capacidades físicas, mas também porque provoca dependências, perturba a vida familiar e afetiva, afasta da vida social e profissional, ameaça a vida, põe em causa a fé (Ibid. p. 37).
É certo que alguns textos do Antigo Testamento sugerem a ideia que a doença e o sofrimento são consequências do pecado, mas essa relação entre doença/sofrimento-pecado é anterior à Bíblia. Tem origem no fundo cultural da humanidade, estando por isso presente em todas as sociedades pagãs. Chama-se o “princípio da retribuição” e tem subjacente o princípio do “olho por olho e dente por dente”. Constitui a primeira tentativa de compreensão da doença e do sofrimento. É ainda hoje, desgraçadamente, a forma de compreensão de muitos cristãos.
Na perspetiva da revelação bíblica, de forma particular nos evangelhos, o princípio da retribuição veicula uma ideia terrível: Deus é visto como adversário ou inimigo do homem, n’Ele não se pode confiar porque é vingativo. Pode-se perguntar: teria Jesus curado alguém se assim fosse?
O que vemos nos evangelhos, pelo contrário, é Jesus, o Médico divino, numa luta permanente contra o mal, atendendo e curando os doentes de suas doenças e sofrimentos. E a cura, que é física mas também social, moral e espiritual, dá aos doentes a possibilidade de viverem integralmente de novo as suas vidas (O caso mais expressivo é o dos leprosos que tinham de viver na margem da sociedade e da vida). No evangelho de S. João, Jesus diz que a deficiência/doença – cego de nascença – não está associada ao pecado e que na cura se revela à glória de Deus (cf. Jo 9, 3). Mateus (Mt 8, 17), ao dizer que Jesus «tomou sobre si as nossas doenças e carregou as nossas dores» (Mt 8,17; Is 53, 4), está a referir-se à luta sem tréguas contra o mal de que as doenças físicas, psíquicas e espirituais parecem ser de alguma forma expressão e metáfora. Por isso Jesus acolhe e cura as pessoas de suas doenças e sofrimentos.
A doença e o sofrimento não são vontade, castigo ou reparação exigida por Deus. A libertação do mal e a recuperação da saúde parecem ser condições para que o homem viva plenamente a sua vida. A atitude de Jesus deve ser também a postura dos que O seguem. Ordenou aos discípulos que, ao anunciar a Boa Nova, curassem e cuidassem também dos doentes. Mais, disse-lhes que a preocupação com os doentes e os frágeis é lugar e critério de encontro com Cristo: “tudo o que fizestes a um dos meus irmãos mais pequeninos, a mim o fizestes” (Mt 25, 40). Se esse mandato se realiza através dos profissionais de saúde, nomeadamente pelos profissionais cristãos, também se realiza na preocupação pastoral da Igreja pelos doentes.
A solicitude pelos doentes, nas paróquias e nos hospitais (pela presença da Igreja no Serviço de Assistência Espiritual e Religiosa) não é um discurso sobre a bondade do sofrimento, de resignação a um destino incogniscível, ou, ainda, um anúncio de libertação, desejada ou não, do corpo. Associada aos cuidados de saúde e tendo em conta as possibilidades e limites da condição humana, a realidade, continua a luta de Jesus pela saúde e pela vida. Mas, para que assim seja, devem os doentes ou seus familiares solicitar os cuidados pastorais da Igreja, na paróquia e, particularmente, no Hospital. Como no tempo de Jesus – eram os doentes que pediam a cura –, também hoje os doentes devem solicitar o conforto pastoral e espiritual da Igreja, a visita do capelão ou assistente espiritual, no Hospital, aos enfermeiros. Tal como Jesus, a Igreja não se impõe. O conforto pastoral e espiritual, no Hospital, é um direito cívico e espiritual dos doentes, e solicitá-lo é defendê-lo.
Pastoral da Saúde, Lisboa
Também no Hospital eu posso e quero viver e celebrar a fé
1. Ao serviço da espiritualidade – O internamento hospitalar não impede a vivência e a prática de fé e culto. Pelo contrário, os hospitais não só reconhecem o direito a uma vida espiritual e prática religiosa livre, como também promovem esse direito e reconhecem os seus benefícios na luta contra o sofrimento. Existe, por isso, nos hospitais públicos um SERVIÇO DE ASSISTÊNCIA ESPIRITUAL E RELIGIOSA (SAER), antes designado de Capelania. Este serviço é regulado pelo Decreto – lei 253/2009. São aí descritos os direitos do doente ao nível da prática religiosa, os direitos e deveres dos assistentes espirituais e o modo de funcionamento do SAER para que, de uma forma organizada e regular, responda às necessidades espirituais e religiosas dos doentes internados.
2. Como aceder ao SAER? – A assistência espiritual e religiosa é um direito do doente, afirmamos. Sendo assim e porque é do seu interesse, é o doente quem tem o dever e o direito de solicitar a visita do assistente espiritual e religioso ou capelão aos enfermeiros de serviço. Deve fazê-lo por si mesmo de viva voz ou por escrito. Não o podendo fazer por si mesmo, devem fazê-lo os familiares ou alguém para ele significativo. Não deve, por isso, o doente ficar à espera que o assistente espiritual ou capelão passe pelas enfermarias ou alguém da capela. O doente deve tomar a iniciativa. Ao fazê-lo, realiza um ato de liberdade; em segundo lugar, afirma os seus direitos; e, em terceiro, garante os direitos de outros doentes crentes desde agora e para o futuro.
3. Para além de ser um direito, a espiritualidade é fonte de saúde – A assistência espiritual e religiosa não é apenas uma questão legal, um direito. A assistência espiritual e religiosa é um direito legal porque a lei reconhece que a espiritualidade e a fé fazem bem à saúde, como dão conta a experiência milenar da Igreja, muitos profissionais e doentes e a investigação científica em muitos artigos. Uma vida espiritualmente rica promove a paz interior, a esperança, o bem-estar e um sentido para a vida. E se é expressão de uma vida saudável, na doença torna-se fonte de saúde para o corpo e para o espírito. Desta forma, para o crente, a assistência espiritual não é apenas um direito, mas é também um dever solicitá-la, pois querer conforto espiritual durante o internamento é uma manifestação de amor, confiança e comunhão com Jesus Cristo, o Médico Divino. Ele nunca fez mal a ninguém e por todos deu a vida. Lutando contra o mal, as doenças e sofrimentos, curava os doentes que dele se aproximavam: «vai, a tua fé te salvou». E, sem espaço para dúvidas, o Apóstolo Tiago, na Bíblia, ordena: «algum de vós está doente? Chame os presbíteros da Igreja e que estes orem sobre ele …». (Tg 5, 15)
4. O que pode esperar o doente do SAER? – O doente pode esperar a visita amiga e fraterno do capelão e voluntários; alguém para conversar, desabafar; o acompanhamento espiritual, se o desejar; a oração dos irmãos e com os irmãos; a leitura e meditação da Palavra de Deus; o aprofundamento da fé, quando o desejar; a celebração dos sacramentos, quando os pedir, nomeadamente da reconciliação, da Eucaristia e da Unção dos doentes; ou o batismo para as crianças ou para quem deseja iniciar o caminho da fé. Através do SAER, também a Igreja se enriquece com o testemunho de fé do doente, com a partilha da sua experiência crente. O capelão, os voluntários e o doente, quando se encontram na visita e/ou reúnem para celebrar a fé, recriam a Igreja, pois se reúnem com e em Jesus.
Pastoral da Saúde, Lisboa
