{"id":1104,"date":"2013-02-13T09:15:53","date_gmt":"2013-02-13T09:15:53","guid":{"rendered":"https:\/\/paroquiaqueijas.net\/site\/?p=1104"},"modified":"2026-04-18T08:45:32","modified_gmt":"2026-04-18T08:45:32","slug":"discurso-de-bento-xvi-na-universidade-qla-sapienzaq","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/paroquiaqueijas.net\/portal\/discurso-de-bento-xvi-na-universidade-qla-sapienzaq\/","title":{"rendered":"Discurso de Bento XVI na Universidade &#8220;La Sapienza&#8221;"},"content":{"rendered":"<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignright wp-image-1103\" style=\"margin: 0px 0px 0px 8px; float: right;\" src=\"https:\/\/paroquiaqueijas.net\/portal\/wp-content\/uploads\/2013\/02\/Bento02.jpg\" alt=\"Bento02\" width=\"500\" height=\"309\" srcset=\"https:\/\/paroquiaqueijas.net\/portal\/wp-content\/uploads\/2013\/02\/Bento02.jpg 647w, https:\/\/paroquiaqueijas.net\/portal\/wp-content\/uploads\/2013\/02\/Bento02-300x185.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/>Texto que o Papa Bento XVI tinha preparado para a visita \u00e0 Universidade de Roma &#8220;La Sapienza&#8221;, prevista para o dia 17 de Janeiro, e depois anulada em 15 de Janeiro de 2008.<\/p>\n<hr \/>\n<p>Magn\u00edfico Reitor<br \/>\nExcelent\u00edssimas Autoridades pol\u00edticas e civis<br \/>\nIlustres professores e pessoal t\u00e9cnico-administrativo,<br \/>\nQueridos jovens estudantes!<\/p>\n<p>\u00c9 para mim motivo de profunda alegria encontrar-me com a comunidade da &#8220;Sapienza Universidade de Roma&#8221;, por ocasi\u00e3o da inaugura\u00e7\u00e3o do ano acad\u00e9mico. H\u00e1 s\u00e9culos que esta Universidade marca o caminho e a vida da cidade de Roma, fazendo frutificar as melhores energias intelectuais em cada campo do saber. Depois da funda\u00e7\u00e3o querida pelo Papa Bonif\u00e1cio VIII, a institui\u00e7\u00e3o, quer no per\u00edodo em que dependia directamente da Autoridade eclesi\u00e1stica, quer sucessivamente, quando o Studium Urbis se desenvolveu como institui\u00e7\u00e3o do Estado Italiano, a vossa comunidade acad\u00e9mica manteve um grande n\u00edvel cient\u00edfico e cultural, que a coloca entre as mais prestigiosas universidades do mundo. Desde sempre, a Igreja de Roma tem olhado com simpatia e admira\u00e7\u00e3o para este centro universit\u00e1rio, reconhecendo o seu empenho, por vezes \u00e1rduo e cansativo, de investiga\u00e7\u00e3o e de forma\u00e7\u00e3o das novas gera\u00e7\u00f5es. Nestes \u00faltimos anos, n\u00e3o faltaram momentos significativos de colabora\u00e7\u00e3o e di\u00e1logo. Apraz-me recordar, de modo particular, o Encontro Mundial dos Reitores, por ocasi\u00e3o do Jubileu das Universidades, que viu a vossa comunidade ocupar-se n\u00e3o apenas do acolhimento e da organiza\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m e sobretudo da proposta prof\u00e9tica e complexa que era a elabora\u00e7\u00e3o de um &#8220;novo humanismo para o terceiro mil\u00e9nio&#8221;.<\/p>\n<p>Nesta circunst\u00e2ncia, come\u00e7o por expressar a minha gratid\u00e3o pelo convite que me foi dirigido para falar \u00e0 vossa universidade. Com esta perspectiva em mente, pus-me antes de tudo esta pergunta: O que \u00e9 que pode e deve dizer um Papa numa ocasi\u00e3o como esta? Na minha prelec\u00e7\u00e3o em Ratisbona, falei certamente como Papa mas fi-lo sobretudo enquanto ex-professor daquela minha universidade, procurando unir lembran\u00e7as e actualidade. Mas, \u00e0 universidade &#8220;Sapienza&#8221;, a antiga universidade de Roma, fui convidado a vir precisamente como Bispo de Roma e, por isso, devo falar enquanto tal. Sem d\u00favida, outrora a &#8220;Sapienza&#8221; era a universidade do Papa, mas hoje \u00e9 uma universidade laica com aquela autonomia que, na base do seu pr\u00f3prio conceito constituinte, sempre fez parte da natureza da universidade, que deve estar vinculada exclusivamente \u00e0 autoridade da verdade. Na sua liberdade de autoridades pol\u00edticas e eclesi\u00e1sticas, a universidade encontra a sua fun\u00e7\u00e3o particular, nomeadamente na sociedade moderna, que tem necessidade de uma institui\u00e7\u00e3o deste g\u00e9nero.<\/p>\n<p>Volto \u00e0 minha pergunta inicial: O que \u00e9 que pode e deve dizer o Papa no encontro com a universidade da sua cidade? Reflectindo sobre esta quest\u00e3o, pareceu-me que a mesma inclu\u00edsse outras duas, cujo esclarecimento por si mesmo havia de levar \u00e0 resposta. Com efeito, \u00e9 necess\u00e1rio interrogar-se: Qual \u00e9 a natureza e a miss\u00e3o do Papado? E ainda: Qual \u00e9 a natureza e a miss\u00e3o da universidade? N\u00e3o quero aqui demorar-vos, a v\u00f3s e a mim, com prolongadas indaga\u00e7\u00f5es sobre a natureza do Papado. Uma breve men\u00e7\u00e3o \u00e9 suficiente. O Papa \u00e9 primariamente Bispo de Roma e como tal, em virtude da sucess\u00e3o do Ap\u00f3stolo Pedro, det\u00e9m uma responsabilidade episcopal por toda a Igreja Cat\u00f3lica. A palavra &#8220;bispo&#8221; &#8211; episkopos, cujo significado imediato \u00e9 o de &#8220;sentinela&#8221;, j\u00e1 no Novo Testamento se fundiu com o conceito b\u00edblico de Pastor: \u00e9 algu\u00e9m que olha o conjunto de um ponto de observa\u00e7\u00e3o mais elevado, cuidando do recto caminho e da coes\u00e3o da totalidade. Neste sentido, tal designa\u00e7\u00e3o da sua miss\u00e3o aponta antes de mais para o interior da comunidade crente. O Bispo o Pastor \u00e9 o homem que tem cuidado desta comunidade; \u00e9 aquele que a conserva unida, mantendo-a no caminho para Deus, que foi indicado, segundo a f\u00e9 crist\u00e3, por Jesus e n\u00e3o somente indicado: Ele mesmo \u00e9, para n\u00f3s, o caminho. Mas, esta comunidade da qual o Bispo se ocupa seja ela grande ou pequena vive no mundo; as suas condi\u00e7\u00f5es, o seu caminho, o seu exemplo e a sua palavra influem, inevitavelmente, sobre o resto da comunidade humana inteira. Quanto maior ela for, mais a sua condi\u00e7\u00e3o salutar ou ent\u00e3o uma eventual degrada\u00e7\u00e3o se repercute no conjunto da humanidade. Salta hoje aos nossos olhos, com grande clareza, como as condi\u00e7\u00f5es das religi\u00f5es e como a situa\u00e7\u00e3o da Igreja as suas crises e as suas renova\u00e7\u00f5es influem no conjunto da humanidade. Assim o Papa, precisamente como Pastor da sua comunidade, foi-se tornando cada vez mais tamb\u00e9m uma voz da raz\u00e3o \u00e9tica da humanidade.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, aqui levanta-se imediatamente uma objec\u00e7\u00e3o, ou seja, que o Papa, de facto, n\u00e3o falaria verdadeiramente com base na raz\u00e3o \u00e9tica, mas tiraria as suas conclus\u00f5es da f\u00e9 e, por isso, n\u00e3o poderia pretender a validade das mesmas para quantos n\u00e3o partilham desta f\u00e9. Havemos ainda de voltar a este tema, deixando-o por agora porque se levanta aqui a quest\u00e3o absolutamente fundamental: O que \u00e9 a raz\u00e3o? Como pode uma afirma\u00e7\u00e3o sobretudo uma norma moral demonstrar-se &#8220;razo\u00e1vel&#8221;? Aqui gostaria, brevemente apenas, de relevar que John Rawls, embora negando \u00e0s doutrinas religiosas compreensivas o car\u00e1cter da raz\u00e3o &#8220;p\u00fablica&#8221;, todavia v\u00ea na sua raz\u00e3o &#8220;n\u00e3o p\u00fablica&#8221; pelo menos uma raz\u00e3o que n\u00e3o poderia, em nome de uma racionalidade secularizadamente insens\u00edvel, ser simplesmente desconhecida por aqueles que a defendem. Para al\u00e9m do mais, ele v\u00ea um crit\u00e9rio desta razoabilidade no facto de tais doutrinas derivarem de uma tradi\u00e7\u00e3o respons\u00e1vel e motivada, tendo sido durante um longo per\u00edodo desenvolvidas argumenta\u00e7\u00f5es suficientemente boas em defesa da respectiva doutrina. Nesta afirma\u00e7\u00e3o, parece-me importante o reconhecimento de que a experi\u00eancia e a demonstra\u00e7\u00e3o ao longo das gera\u00e7\u00f5es a base hist\u00f3rica da sabedoria humana constituem tamb\u00e9m um sinal da sua razoabilidade e do seu significado duradouro. Diante duma raz\u00e3o n\u00e3o hist\u00f3rica que procura autoconstruir-se somente numa racionalidade n\u00e3o hist\u00f3rica, a sabedoria da humanidade como tal a sabedoria das grandes tradi\u00e7\u00f5es religiosas deve ser valorizada como realidade que n\u00e3o se pode impunemente lan\u00e7ar para o cesto da hist\u00f3ria das ideias.<\/p>\n<p>Voltemos \u00e0 pergunta inicial. O Papa fala como representante de uma comunidade crente, na qual, durante os s\u00e9culos da sua exist\u00eancia, amadureceu uma determinada sabedoria da vida; fala como representante de uma comunidade que guarda em si um tesouro de conhecimento e de experi\u00eancia \u00e9tica, que se revela importante para toda a humanidade: neste sentido, fala como representante de uma raz\u00e3o \u00e9tica.<\/p>\n<p>Mas agora devemos interrogar-nos: O que \u00e9 a universidade? Qual \u00e9 a sua miss\u00e3o? \u00c9 uma quest\u00e3o colossal, \u00e0 qual mais uma vez me \u00e9 poss\u00edvel tentar responder, em estilo quase telegr\u00e1fico, com algumas observa\u00e7\u00f5es. Penso que se possa afirmar que a verdadeira e \u00edntima origem da universidade esteja na sede de conhecimento, que \u00e9 pr\u00f3pria do homem. Este quer saber o que \u00e9 tudo aquilo que o circunda. Quer a verdade. Neste sentido, podemos ver o questionar-se de S\u00f3crates como o impulso do qual nasceu a universidade ocidental. Penso, por exemplo para mencionar somente um texto na disputa com Eutifrone, que diante de S\u00f3crates defende a religi\u00e3o m\u00edtica e a sua devo\u00e7\u00e3o. A isto, S\u00f3crates contrap\u00f5e a pergunta: &#8220;Tu acreditas que entre os deuses exista realmente uma guerra rec\u00edproca e terr\u00edveis inimizades e combates&#8230; Teremos n\u00f3s, Eutifrone, de afirmar que tudo isto \u00e9 verdade?&#8221; (6 b-c). Nesta pergunta, aparentemente pouco devota mas que, em S\u00f3crates, derivava de uma religiosidade mais profunda e mais pura, ou seja, da busca do Deus verdadeiramente divino , os crist\u00e3os dos primeiros s\u00e9culos reconheceram-se a si mesmos e ao seu caminho. Acolheram a sua f\u00e9 n\u00e3o de forma positivista, ou como a via de fuga de desejos n\u00e3o realizados; compreenderam-na como uma dilui\u00e7\u00e3o da neblina da religi\u00e3o mitol\u00f3gica para deixar espa\u00e7o \u00e0 descoberta daquele Deus que \u00e9 Raz\u00e3o criadora e, ao mesmo tempo, Raz\u00e3o-Amor. Por isso, o interrogar-se da raz\u00e3o sobre o Deus maior e tamb\u00e9m sobre a verdadeira natureza e o aut\u00eantico sentido do ser humano era, para eles, n\u00e3o uma forma problem\u00e1tica de falta de religiosidade, mas fazia parte da ess\u00eancia do seu modo de ser religiosos. Por conseguinte, eles n\u00e3o tinham necessidade de diluir ou abandonar o questionar-se socr\u00e1tico, mas podiam, ali\u00e1s deviam, acolh\u00ea-lo e reconhecer como parte da sua pr\u00f3pria identidade a \u00e1rdua busca da raz\u00e3o para alcan\u00e7ar o conhecimento da verdade inteira. Assim podia, ali\u00e1s devia, no \u00e2mbito da f\u00e9 crist\u00e3, no mundo crist\u00e3o, nascer a universidade.<\/p>\n<p>\u00c9 necess\u00e1rio dar mais um passo. O homem quer conhecer; quer a verdade. Esta \u00e9 primariamente algo que diz respeito ao ver, ao compreender, \u00e0 theor\u00eda, como a denomina a tradi\u00e7\u00e3o grega. Mas, a verdade nunca \u00e9 apenas te\u00f3rica. Agostinho, ao estabelecer uma correla\u00e7\u00e3o entre as Bem-Aventuran\u00e7as do Serm\u00e3o da Montanha e os dons do Esp\u00edrito mencionados no cap\u00edtulo 11 de Isa\u00edas, notou uma reciprocidade entre &#8220;scientia&#8221; e &#8220;tristitia&#8221;: o simples saber disse deixa-nos tristes. E realmente quem se limita a ver e apreender tudo aquilo que acontece no mundo, acaba por ficar triste. Mas, verdade significa mais do que saber: o conhecimento da verdade tem como finalidade o conhecimento do bem. Este \u00e9 tamb\u00e9m o sentido do questionar-se socr\u00e1tico: Qual \u00e9 o bem que nos torna verdadeiros? A verdade torna-nos bons, e a bondade \u00e9 verdadeira: tal \u00e9 o optimismo que vive na f\u00e9 crist\u00e3, porque a esta foi concedida a vis\u00e3o do Logos, da Raz\u00e3o criadora que, na encarna\u00e7\u00e3o de Deus, se revelou conjuntamente como o Bem, como a pr\u00f3pria Bondade.<\/p>\n<p>Na teologia medieval, houve uma disputa profunda sobre a rela\u00e7\u00e3o entre teoria e pr\u00e1tica, sobre a justa rela\u00e7\u00e3o entre conhecer e agir uma disputa que n\u00e3o cabe aqui desenvolver. Com efeito, a universidade medieval com as suas quatro Faculdades apresenta esta correla\u00e7\u00e3o. Comecemos pela Faculdade que, segundo a compreens\u00e3o da \u00e9poca, era a quarta: a de Medicina. N\u00e3o obstante fosse considerada mais como &#8220;arte&#8221; do que como ci\u00eancia, todavia a sua inser\u00e7\u00e3o no cosmos da universitas significava claramente que estava colocada no \u00e2mbito da racionalidade, que a arte de curar se encontrava sob a guia da raz\u00e3o, subtraindo-se ao \u00e2mbito da magia. Curar \u00e9 uma miss\u00e3o que exige sempre mais do que a simples raz\u00e3o, mas por isso mesmo precisa da conex\u00e3o entre saber e poder, tem necessidade de pertencer ao campo da ratio. Inevitavelmente levanta-se a quest\u00e3o da rela\u00e7\u00e3o entre pr\u00e1tica e teoria, entre conhecimento e agir, na Faculdade de Jurisprud\u00eancia. Trata-se de atribuir a justa forma \u00e0 liberdade humana, que \u00e9 sempre liberdade na comunh\u00e3o rec\u00edproca: o direito \u00e9 o pressuposto da liberdade, e n\u00e3o o seu antagonista. Mas aqui levanta-se a quest\u00e3o: Como se individualizam os crit\u00e9rios de justi\u00e7a que tornam poss\u00edvel uma liberdade vivida em conjunto e favorecem o ser bom do homem? Nesta altura, imp\u00f5e-se dar um salto ao presente: \u00c9 a quest\u00e3o do modo como se pode encontrar uma normativa jur\u00eddica que constitua um ordenamento da liberdade, da dignidade humana e dos direitos do homem. \u00c9 a quest\u00e3o que nos ocupa hoje nos processos democr\u00e1ticos de forma\u00e7\u00e3o da opini\u00e3o e que, ao mesmo tempo, nos angustia porque problem\u00e1tica para o porvir da humanidade. Na minha opini\u00e3o, J\u00fcrgen Habermas exprime um vasto consenso do pensamento contempor\u00e2neo, quando afirma que a legitimidade de uma carta constitucional, como pressuposto da legalidade, derivaria de duas fontes: da participa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica igualit\u00e1ria de todos os cidad\u00e3os e da forma razo\u00e1vel como s\u00e3o resolvidos os contrastes pol\u00edticos. A prop\u00f3sito da referida &#8220;forma razo\u00e1vel&#8221;, observa ele que a mesma n\u00e3o pode ser somente uma luta por maiorias aritm\u00e9ticas, mas h\u00e1-de caracterizar-se como um &#8220;processo de argumenta\u00e7\u00e3o sens\u00edvel \u00e0 verdade&#8221; (wahrheitssensibles Argumentationsverfahren). \u00c9 uma afirma\u00e7\u00e3o correcta, mas muito dif\u00edcil de transformar em pr\u00e1tica pol\u00edtica. Os representantes daquele p\u00fablico &#8220;processo de argumenta\u00e7\u00e3o&#8221; s\u00e3o predominantemente como sabemos os partidos enquanto respons\u00e1veis pela forma\u00e7\u00e3o da vontade pol\u00edtica. Com efeito, estes ter\u00e3o infalivelmente em vista sobretudo a consecu\u00e7\u00e3o de maiorias e, por conseguinte, olhar\u00e3o de maneira quase inevit\u00e1vel pelos interesses que prometem satisfazer; mas, tais interesses muitas vezes s\u00e3o particulares e n\u00e3o favorecem verdadeiramente a comunidade. A sensibilidade pela verdade acaba incessantemente subjugada \u00e0 sensibilidade pelos interesses. Julgo significativo o facto de que Habermas fale da sensibilidade pela verdade como de um elemento necess\u00e1rio no processo de argumenta\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, voltando assim a inserir o conceito de verdade no debate filos\u00f3fico e pol\u00edtico.<\/p>\n<p>Mas, ent\u00e3o, torna-se inevit\u00e1vel a pergunta de Pilatos: O que \u00e9 a verdade? E como a reconhecemos? Se para isso se remete para a &#8220;raz\u00e3o p\u00fablica&#8221;, como faz Rawls, segue-se necessariamente a quest\u00e3o: O que \u00e9 razo\u00e1vel? Como \u00e9 que uma raz\u00e3o se demonstra verdadeira? De qualquer maneira, sobre esta base torna-se evidente que, na busca do direito da liberdade, da verdade da justa conviv\u00eancia, devem ser ouvidas outras inst\u00e2ncias diversas dos partidos e grupos de interesse, sem com isto querer minimamente contestar a import\u00e2ncia destes. Voltamos assim \u00e0 estrutura da universidade medieval. Ao lado da Faculdade de Jurisprud\u00eancia, havia as Faculdades de Filosofia e de Teologia, \u00e0s quais estava confiada a investiga\u00e7\u00e3o sobre o ser homem na sua totalidade e, consequentemente, a miss\u00e3o de conservar viva a sensibilidade pela verdade. Poder-se-ia mesmo afirmar que o sentido permanente e aut\u00eantico das duas Faculdades \u00e9 este: serem guardi\u00e3es da sensibilidade pela verdade, n\u00e3o permitirem que o homem seja afastado da busca da verdade. Mas como \u00e9 que elas podem corresponder a esta miss\u00e3o? Trata-se aqui de uma quest\u00e3o pela qual \u00e9 necess\u00e1rio lutar incessantemente sem nunca estar posta e resolvida de maneira definitiva. Estando assim as coisas, nem sequer eu posso oferecer propriamente uma resposta, mas simplesmente um convite para continuarem a caminhar com esta interroga\u00e7\u00e3o a caminhar com os grandes que, ao longo de toda a hist\u00f3ria, lutaram e procuraram com as suas respostas e com a sua inquietude pela verdade, que remete continuamente para al\u00e9m de cada uma das respostas individuais.<\/p>\n<p>Teologia e filosofia formam nisto um par de g\u00e9meos peculiar, n\u00e3o podendo nenhuma das duas desligar-se totalmente da outra e, todavia, cada uma deve conservar a pr\u00f3pria tarefa e identidade. \u00c9 m\u00e9rito hist\u00f3rico de S. Tom\u00e1s de Aquino face \u00e0s diferentes respostas dos Padres, em virtude do seu contexto hist\u00f3rico ter evidenciado a autonomia da filosofia e, juntamente com ela, o direito e a responsabilidade pr\u00f3pria da raz\u00e3o de se interrogar com base nas suas for\u00e7as. Diferenciando-se das filosofias neoplat\u00f3nicas, onde religi\u00e3o e filosofia se encontravam inseparavelmente entrela\u00e7adas, os Padres tinham apresentado a f\u00e9 crist\u00e3 como a verdadeira filosofia, ressaltando ainda que esta f\u00e9 corresponde \u00e0s exig\u00eancias da raz\u00e3o na sua busca da verdade; que a f\u00e9 \u00e9 o &#8220;sim&#8221; \u00e0 verdade, comparativamente \u00e0s religi\u00f5es m\u00edticas que se tinham tornado uma simples rotina. Sucessivamente, por\u00e9m, na \u00e9poca do nascimento da universidade, no Ocidente j\u00e1 n\u00e3o existiam aquelas religi\u00f5es mas somente o cristianismo, e assim era necess\u00e1rio ressaltar novamente a responsabilidade pr\u00f3pria da raz\u00e3o, de modo que n\u00e3o fosse absorvida pela f\u00e9. S. Tom\u00e1s interveio num momento privilegiado: pela primeira vez, os escritos filos\u00f3ficos de Arist\u00f3teles tornaram-se acess\u00edveis na sua integridade; estavam presentes as filosofias hebraicas e \u00e1rabes enquanto espec\u00edficas apropria\u00e7\u00f5es e prolongamentos da filosofia grega. Assim o cristianismo, num novo di\u00e1logo com a raz\u00e3o dos outros que ia encontrando, teve que lutar em favor da sua pr\u00f3pria razoabilidade. Designada &#8220;Faculdade dos Artistas&#8221;, a Faculdade de Filosofia, que at\u00e9 ent\u00e3o tinha sido somente proped\u00eautica \u00e0 teologia, tornou-se agora uma verdadeira e pr\u00f3pria Faculdade, um parceiro aut\u00f3nomo da teologia e da f\u00e9 nela reflectida. N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel aqui demorarmo-nos sobre o fascinante confronto que da\u00ed resultou. Diria que a ideia de S. Tom\u00e1s acerca da rela\u00e7\u00e3o entre filosofia e teologia poderia ser expressa pela f\u00f3rmula encontrada pelo Conc\u00edlio de Calced\u00f3nia para a cristologia: filosofia e teologia devem relacionar-se entre si &#8220;sem confus\u00e3o e sem separa\u00e7\u00e3o&#8221;. &#8220;Sem confus\u00e3o&#8221; significa que cada uma delas deve conservar a pr\u00f3pria identidade. A filosofia deve permanecer verdadeiramente uma busca da raz\u00e3o na pr\u00f3pria liberdade e na pr\u00f3pria responsabilidade; deve ver os seus limites e, precisamente deste modo, tamb\u00e9m a sua grandeza e vastid\u00e3o. A teologia deve continuar a beber num tesouro de conhecimento que n\u00e3o foi inventado por ela, que sempre a supera e que, n\u00e3o podendo jamais ser totalmente esgotado mediante a reflex\u00e3o, por isso mesmo leva o pensamento a come\u00e7ar sempre de novo. Mas, a par do dado &#8220;sem confus\u00e3o&#8221;, vigora tamb\u00e9m o dado &#8220;sem separa\u00e7\u00e3o&#8221;: a filosofia n\u00e3o recome\u00e7a cada vez do ponto zero do sujeito individual que pensa, mas vive no grande di\u00e1logo da sabedoria hist\u00f3rica, que ela, cr\u00edtica e ao mesmo tempo docilmente, acolhe e desenvolve sempre de novo; mas tamb\u00e9m n\u00e3o deve fechar-se diante daquilo que as religi\u00f5es e, de modo particular, a f\u00e9 crist\u00e3 receberam e transmitiram \u00e0 humanidade como indica\u00e7\u00e3o do caminho. V\u00e1rias coisas, ditas por te\u00f3logos ao longo da hist\u00f3ria ou mesmo traduzidas na pr\u00e1tica pelas autoridades eclesiais, foram demonstradas como falsas pela hist\u00f3ria, e hoje confundem-nos. Mas, simultaneamente, \u00e9 verdade que a hist\u00f3ria dos santos, a hist\u00f3ria do humanismo desenvolvido sobre a base da f\u00e9 crist\u00e3 demonstra a verdade desta f\u00e9 no seu n\u00facleo essencial, tornando-a desta forma tamb\u00e9m um paradigma para a raz\u00e3o p\u00fablica. Sem d\u00favida, muito do que dizem a teologia e a f\u00e9 s\u00f3 pode ser assumido no \u00e2mbito da f\u00e9 e, portanto, n\u00e3o pode apresentar-se como exig\u00eancia para aqueles a quem esta f\u00e9 permanece inacess\u00edvel. Ao mesmo tempo, por\u00e9m, resta verdadeiro que a mensagem da f\u00e9 crist\u00e3 nunca \u00e9 somente uma &#8220;comprehensive religious doctrine&#8221;, no sentido de Rawls, mas uma for\u00e7a purificadora para a pr\u00f3pria raz\u00e3o, que a ajuda a ser cada vez mais ela mesma. Com base na sua origem, a mensagem crist\u00e3 deveria ser sempre um encorajamento \u00e0 verdade e, consequentemente, uma for\u00e7a contra a press\u00e3o do poder e dos interesses.<\/p>\n<p>Pois bem, at\u00e9 agora falei somente da universidade medieval, procurando contudo deixar transparecer a natureza permanente da universidade e da sua miss\u00e3o. Nos tempos modernos, abriram-se novas dimens\u00f5es do saber, que, na universidade, s\u00e3o valorizadas sobretudo em dois grandes \u00e2mbitos: em primeiro lugar, nas ci\u00eancias naturais, que se desenvolveram com fundamento na conex\u00e3o de experi\u00eancia com a pressuposta racionalidade da mat\u00e9ria; em segundo lugar, nas ci\u00eancias hist\u00f3ricas e humanistas, nas quais o homem, perscrutando o espelho da sua hist\u00f3ria e esclarecendo as dimens\u00f5es da sua natureza, procura compreender-se melhor a si mesmo. Neste desenvolvimento, abriu-se \u00e0 humanidade n\u00e3o apenas uma medida imensa de saber e poder; mas aumentaram tamb\u00e9m o conhecimento e o reconhecimento dos direitos e da dignidade do homem, e disto podemos apenas sentir-nos gratos. No entanto, o caminho do homem jamais pode dizer-se completo, e o perigo de cair na desumanidade nunca est\u00e1 esconjurado de todo: como se v\u00ea no panorama da hist\u00f3ria actual! O perigo do mundo ocidental para falar somente dele \u00e9 que o homem hoje, precisamente \u00e0 vista da grandeza do seu saber e do seu poder, desista diante da quest\u00e3o da verdade; significando isto ao mesmo tempo que, no fim de contas, a raz\u00e3o cede face \u00e0 press\u00e3o dos interesses e \u00e0 atrac\u00e7\u00e3o da utilidade, obrigada a reconhec\u00ea-la como crit\u00e9rio derradeiro. Dito do ponto de vista da estrutura da universidade: existe o perigo de que a filosofia, deixando de se sentir \u00e0 altura da sua aut\u00eantica miss\u00e3o, se degrade em positivismo; que a teologia, com a sua mensagem dirigida \u00e0 raz\u00e3o, seja confinada na esfera privada de um grupo mais ou menos numeroso. Mas, se a raz\u00e3o ciosa da sua presumida pureza se torna surda \u00e0 grande mensagem que lhe chega da f\u00e9 crist\u00e3 e da sua sabedoria, seca como uma \u00e1rvore cujas ra\u00edzes j\u00e1 n\u00e3o chegam \u00e0s \u00e1guas que lhes d\u00e3o vida. Perde a coragem pela verdade; e deste modo n\u00e3o fica maior, mas menor. Aplicado \u00e0 nossa cultura europeia, isto significa: se ela quiser autoconstruir-se unicamente com base no c\u00edrculo das suas pr\u00f3prias argumenta\u00e7\u00f5es e naquilo que de momento a convence e preocupada com a sua laicidade se separa das ra\u00edzes de que vive, ent\u00e3o n\u00e3o se torna mais razo\u00e1vel nem mais pura, mas desagrega-se e fragmenta-se.<\/p>\n<p>Assim, volto ao ponto de partida. O que \u00e9 que o Papa tem a fazer ou a dizer na universidade? Seguramente, n\u00e3o deve procurar impor de modo autorit\u00e1rio aos outros a f\u00e9, a qual pode ser dada somente em liberdade. Para al\u00e9m do seu minist\u00e9rio de Pastor na Igreja e com base na natureza intr\u00ednseca deste minist\u00e9rio pastoral, \u00e9 sua miss\u00e3o manter desperta a sensibilidade pela verdade; convidar sempre de novo a raz\u00e3o a p\u00f4r-se \u00e0 procura da verdade, do bem, de Deus e, neste caminho, estimul\u00e1-la a entrever as luzes \u00fateis que foram surgindo ao longo da hist\u00f3ria da f\u00e9 crist\u00e3 e, assim, sentir Jesus Cristo como a Luz que ilumina a hist\u00f3ria e ajuda a encontrar o caminho rumo ao futuro.<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">Vaticano, 17 de Janeiro de 2008.<br \/>\nBENEDICTUS XVI<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Texto que o Papa Bento XVI tinha preparado para a visita \u00e0 Universidade de Roma &#8220;La Sapienza&#8221;, prevista para o [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":1103,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"default","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"default","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"set","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[38],"tags":[],"class_list":["post-1104","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-espaco-cultural"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v27.4 - 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