{"id":1107,"date":"2013-02-16T15:28:14","date_gmt":"2013-02-16T15:28:14","guid":{"rendered":"https:\/\/paroquiaqueijas.net\/site\/?p=1107"},"modified":"2026-03-21T15:41:23","modified_gmt":"2026-03-21T15:41:23","slug":"discurso-de-bento-xvi-na-universidade-de-ratisbona","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/paroquiaqueijas.net\/portal\/discurso-de-bento-xvi-na-universidade-de-ratisbona\/","title":{"rendered":"Discurso de Bento XVI na Universidade de Ratisbona"},"content":{"rendered":"<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\" alignright size-full wp-image-1106\" src=\"https:\/\/paroquiaqueijas.net\/portal\/wp-content\/uploads\/2013\/02\/BentoXVI.jpg\" alt=\"BentoXVI\" width=\"300\" height=\"219\" style=\"margin: 2px 0px 0px 7px; float: right;\" srcset=\"https:\/\/paroquiaqueijas.net\/portal\/wp-content\/uploads\/2013\/02\/BentoXVI.jpg 450w, https:\/\/paroquiaqueijas.net\/portal\/wp-content\/uploads\/2013\/02\/BentoXVI-300x219.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/>Encontro com os representantes das Ci&ecirc;ncias<br \/><strong>F&eacute;, Raz&atilde;o e Universidade: recorda&ccedil;&otilde;es e reflex&otilde;es<\/strong><\/span><\/p>\n<hr \/>\n<p>Eminent&iacute;ssimos Senhores Cardeais,<\/span><br \/>Magn&iacute;ficos Reitores,<\/span><br \/>Excelent&iacute;ssimos Senhores Bispos,<\/span><br \/>Ilustr&iacute;ssimos Senhores e Senhoras!<\/span><br \/>\nProvo grande emo&ccedil;&atilde;o neste momento em que me encontro de novo na universidade para dar mais uma li&ccedil;&atilde;o. Ao mesmo tempo, voltam ao pensamento aqueles anos em que, depois dum belo per&iacute;odo no Instituto Superior de Frisinga, comecei a minha actividade de professor acad&eacute;mico na Universidade de Bona. Est&aacute;vamos no ano 1959, vigorava ainda na universidade o antigo regime dos professores ordin&aacute;rios. Nas diversas c&aacute;tedras, n&atilde;o existiam assistentes nem dactil&oacute;grafos, mas em contrapartida havia um contacto muito directo com os estudantes e sobretudo entre os professores. Antes e depois das aulas, encontr&aacute;vamo-nos nas salas dos professores. Os contactos com historiadores, fil&oacute;sofos, fil&oacute;logos e naturalmente entre as duas faculdades teol&oacute;gicas eram muito estreitos. Uma vez por semestre havia o chamado dies academicus, no qual se apresentavam diante dos estudantes de toda a universidade professores de todas as faculdades, tornando assim poss&iacute;vel uma experi&ecirc;ncia de universitas &ndash; realidade esta a que h&aacute; pouco se referiu tamb&eacute;m nas suas palavras, Magn&iacute;fico Reitor &ndash; isto &eacute;, a experi&ecirc;ncia de que, n&atilde;o obstante as m&uacute;ltiplas especializa&ccedil;&otilde;es que por vezes nos tornam incapazes de comunicar entre n&oacute;s, formamos um todo e trabalhamos no todo da &uacute;nica raz&atilde;o com as suas v&aacute;rias dimens&otilde;es, encontrando-nos assim unidos tamb&eacute;m na responsabilidade comum pelo recto uso da raz&atilde;o &ndash; esta realidade tornava-se uma experi&ecirc;ncia viva. A universidade era, sem d&uacute;vida, orgulhosa tamb&eacute;m das suas duas faculdades teol&oacute;gicas. Via-se claramente que tamb&eacute;m estas, interrogando-se sobre a razoabilidade da f&eacute;, realizam um trabalho que necessariamente faz parte do &laquo;todo&raquo; que &eacute; a universitas scientiarum, embora nem todos pudessem partilhar a f&eacute;, da qual os te&oacute;logos se esfor&ccedil;avam por mostrar a correla&ccedil;&atilde;o com a raz&atilde;o comum. Esta coes&atilde;o interior no cosmos da raz&atilde;o nunca foi turbada, nem mesmo certa vez quando correu a not&iacute;cia de que um dos colegas tinha dito que, na nossa universidade, havia um facto estranho: duas faculdades que se ocupavam duma realidade que n&atilde;o existia, ou seja, de Deus. Ora, mesmo em presen&ccedil;a dum cepticismo t&atilde;o radical, permaneceu indiscut&iacute;vel a convic&ccedil;&atilde;o de que, no conjunto da universidade, continua a ser necess&aacute;rio e razo&aacute;vel interrogar-se sobre Deus por meio da raz&atilde;o e que isto se deve fazer no contexto da tradi&ccedil;&atilde;o da f&eacute; crist&atilde;.<\/span><\/p>\n<p>Tudo isto me voltou &agrave; mente, quando recentemente li a parte &ndash; publicada pelo professor Theodore Khoury (M&uuml;nster) &ndash; do di&aacute;logo que o douto imperador bizantino Manuel II Pale&oacute;logo teve com um persa erudito sobre cristianismo e isl&atilde;o e sobre a verdade de ambos, talvez durante os acampamentos de inverno no ano de 1391 em Ankara.[1] Presumivelmente ter&aacute; sido o pr&oacute;prio imperador que depois, durante o ass&eacute;dio de Constantinopla entre 1394 e 1402, escreveu este di&aacute;logo; deste modo se explicaria por que aparecem os seus racioc&iacute;nios referidos de forma muito mais pormenorizada que os do seu interlocutor persa.[2] O di&aacute;logo cobre todo o &acirc;mbito das estruturas da f&eacute; contidas na B&iacute;blia e no Alcor&atilde;o, detendo-se principalmente sobre a imagem de Deus e do homem mas tamb&eacute;m &ndash; e repetidamente, como era de esperar &ndash; sobre a rela&ccedil;&atilde;o entre as tr&ecirc;s &laquo;Leis&raquo; ou tr&ecirc;s &laquo;ordens de vida&raquo;, como ent&atilde;o se designava o Antigo Testamento, o Novo Testamento e o Alcor&atilde;o. Por agora, nesta li&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o pretendo falar disso; primeiro gostava de acenar brevemente a um assunto &ndash; ali&aacute;s bastante marginal na estrutura de todo o di&aacute;logo &ndash; que me fascinou no contexto do tema &laquo;f&eacute; e raz&atilde;o&raquo; e vai servir como ponto de partida para as minhas reflex&otilde;es sobre este tema.<\/span><\/p>\n<p>No s&eacute;timo col&oacute;quio (&delta;&iota;\u03ac&lambda;&epsilon;&xi;&iota;&sigmaf; &ndash; controv&eacute;rsia) publicado pelo Prof. Khoury, o imperador aborda o tema da jih\u0101d, da guerra santa. O imperador sabia seguramente que, na sura 2, 256, l&ecirc;-se: &laquo;Nenhuma coac&ccedil;&atilde;o nas coisas de f&eacute;&raquo;. Esta &eacute; provavelmente uma das suras do per&iacute;odo inicial &ndash; segundo uma parte dos peritos &ndash; quando o pr&oacute;prio Maom&eacute; se encontrava ainda sem poder e amea&ccedil;ado. Naturalmente, sobre a guerra santa, o imperador conhecia tamb&eacute;m as disposi&ccedil;&otilde;es que se foram desenvolvendo posteriormente e se fixaram no Alcor&atilde;o. Sem se deter em pormenores como a diferen&ccedil;a de tratamento entre os que possuem o &laquo;Livro&raquo; e os &laquo;incr&eacute;dulos&raquo;, ele, de modo surpreendentemente brusco &ndash; t&atilde;o brusco que para n&oacute;s &eacute; inaceit&aacute;vel &ndash;, dirige-se ao seu interlocutor simplesmente com a pergunta central sobre a rela&ccedil;&atilde;o entre religi&atilde;o e viol&ecirc;ncia em geral, dizendo: &laquo;Mostra-me tamb&eacute;m o que trouxe de novo Maom&eacute;, e encontrar&aacute;s apenas coisas m&aacute;s e desumanas tais como a sua norma de propagar, atrav&eacute;s da espada, a f&eacute; que pregava&raquo;.[3] O imperador, depois de se ter pronunciado de modo t&atilde;o r&iacute;spido, passa a explicar minuciosamente os motivos pelos quais n&atilde;o &eacute; razo&aacute;vel a difus&atilde;o da f&eacute; mediante a viol&ecirc;ncia. Esta est&aacute; em contraste com a natureza de Deus e a natureza da alma. Diz ele: &laquo;Deus n&atilde;o se compraz com o sangue; n&atilde;o agir segundo a raz&atilde;o &ndash; &laquo;&sigma;&upsilon;\u0300&nu; &lambda;\u03cc&gamma;&omega;&raquo; &ndash; &eacute; contr&aacute;rio &agrave; natureza de Deus. A f&eacute; &eacute; fruto da alma, n&atilde;o do corpo. Por conseguinte, quem desejar conduzir algu&eacute;m &agrave; f&eacute; tem necessidade da capacidade de falar bem e de raciocinar correctamente, e n&atilde;o da viol&ecirc;ncia nem da amea&ccedil;a&#8230; Para convencer uma alma racional n&atilde;o &eacute; necess&aacute;rio dispor do pr&oacute;prio bra&ccedil;o, nem de instrumentos para ferir ou de qualquer outro meio com que se possa amea&ccedil;ar de morte uma pessoa&#8230;&raquo;.[4]<\/span><\/p>\n<p>Nesta argumenta&ccedil;&atilde;o contra a convers&atilde;o atrav&eacute;s da viol&ecirc;ncia, a afirma&ccedil;&atilde;o decisiva est&aacute; aqui: n&atilde;o agir segundo a raz&atilde;o &eacute; contr&aacute;rio &agrave; natureza de Deus.[5] E o editor, Theodore Khoury, comenta: para o imperador, como bizantino que cresceu na filosofia grega, esta afirma&ccedil;&atilde;o &eacute; evidente; mas n&atilde;o o &eacute; para a doutrina mu&ccedil;ulmana, porque Deus &eacute; absolutamente transcendente. A sua vontade n&atilde;o est&aacute; vinculada a nenhuma das nossas categorias, incluindo a da razoabilidade.[6] Neste contexto, Khoury cita uma obra do conhecido islamita franc&ecirc;s R. Arnaldez, onde este assinala que Ibn Hazm chega a declarar que Deus nem sequer estaria vinculado &agrave; sua pr&oacute;pria palavra e que nada O obrigaria a revelar-nos a verdade. Se fosse a sua vontade, o homem deveria inclusive praticar a idolatria.[7]<\/span><\/p>\n<p>Aqui gera-se um dilema, na compreens&atilde;o de Deus e consequentemente na realiza&ccedil;&atilde;o concreta da religi&atilde;o, que nos desafia hoje de maneira muito directa: a convic&ccedil;&atilde;o de que o agir contra a raz&atilde;o estaria em contradi&ccedil;&atilde;o com a natureza de Deus, faz parte apenas do pensamento grego ou &eacute; v&aacute;lida sempre e por si mesma? Penso que, neste ponto, se manifesta a profunda concord&acirc;ncia entre o que &eacute; grego na sua parte melhor e o que &eacute; a f&eacute; em Deus baseada na B&iacute;blia. Modificando o primeiro vers&iacute;culo do livro do G&eacute;nesis, o primeiro vers&iacute;culo de toda a Sagrada Escritura, Jo&atilde;o iniciou o pr&oacute;logo do seu Evangelho com estas palavras: &laquo;No princ&iacute;pio era o &lambda;\u03cc&gamma;&omicron;&sigmaf;&raquo;. Ora, &eacute; precisamente esta a palavra que usa o imperador: Deus age &laquo;&sigma;&upsilon;\u0300&nu; &lambda;\u03cc&gamma;&omega;&raquo;, com logos. Logos significa conjuntamente raz&atilde;o e palavra &ndash; uma raz&atilde;o que &eacute; criadora e capaz de se comunicar, mas precisamente enquanto raz&atilde;o. Com este termo, Jo&atilde;o ofereceu-nos a palavra conclusiva para o conceito b&iacute;blico de Deus, uma palavra na qual todos os caminhos, muitas vezes cansativos e sinuosos, da f&eacute; b&iacute;blica alcan&ccedil;am a sua meta, encontram a sua s&iacute;ntese. No princ&iacute;pio era o logos, e o logos &eacute; Deus: diz-nos o evangelista. Este encontro entre a mensagem b&iacute;blica e o pensamento grego n&atilde;o era simples coincid&ecirc;ncia. A vis&atilde;o de S&atilde;o Paulo &ndash; quando diante dele se estavam fechando os caminhos da &Aacute;sia e, em sonho, viu um maced&oacute;nio que lhe suplicava: &laquo;Passa &agrave; Maced&oacute;nia e vem ajudar-nos!&raquo; (cf. Act 16, 6-10) &ndash; esta vis&atilde;o pode ser interpretada como a &laquo;condensa&ccedil;&atilde;o&raquo; da necessidade intr&iacute;nseca de aproxima&ccedil;&atilde;o entre a f&eacute; b&iacute;blica e a indaga&ccedil;&atilde;o grega.<\/span><\/p>\n<p>Na realidade, h&aacute; muito tempo que esta aproxima&ccedil;&atilde;o se tinha iniciado. J&aacute;, na sar&ccedil;a ardente, o nome misterioso de Deus &ndash; que O separa do conjunto das divindades com m&uacute;ltiplos nomes, afirmando d&#8217;Ele apenas &laquo;Eu sou&raquo;, o seu ser &ndash; apresenta-se, face ao mito, como uma contesta&ccedil;&atilde;o, que est&aacute; em &iacute;ntima analogia com a tentativa de S&oacute;crates para vencer e superar precisamente o mito.[8] Ora, o processo iniciado na sar&ccedil;a ardente alcan&ccedil;a, no &acirc;mbito do Antigo Testamento, uma nova maturidade durante o ex&iacute;lio, quando o Deus de Israel, agora privado da Terra e do culto, se anuncia como o Deus do c&eacute;u e da terra, apresentando-se com uma f&oacute;rmula simples que prolonga a frase da sar&ccedil;a: &laquo;Eu sou&raquo;. Em paralelo com este novo conhecimento de Deus, cresce uma esp&eacute;cie de iluminismo que se expressa drasticamente na deris&atilde;o das divindades como sendo apenas obra das m&atilde;os do homem (cf. Sal 115). Assim, durante a &eacute;poca helenista, a f&eacute; b&iacute;blica &ndash; n&atilde;o obstante o desacordo em toda a sua dureza com os soberanos helenistas que queriam obter pela for&ccedil;a a sua adequa&ccedil;&atilde;o ao estilo grego de vida e ao seu culto idol&aacute;trico &ndash;, estava interiormente caminhando ao encontro da parte melhor do pensamento grego at&eacute; chegar a um contacto rec&iacute;proco que se verificou depois especialmente na literatura sapiencial tardia. Sabemos hoje que a tradu&ccedil;&atilde;o grega do Antigo Testamento realizada em Alexandria &ndash; a &laquo;Setenta&raquo; &ndash; &eacute; mais do que uma simples (no sentido de avaliar de modo pouco positivo) tradu&ccedil;&atilde;o do texto hebraico: de facto, trata-se de um testemunho textual &uacute;nico no seu g&eacute;nero e um passo espec&iacute;fico e importante da hist&oacute;ria da Revela&ccedil;&atilde;o, no qual se realizou de tal forma o referido encontro que acabou por ter um significado decisivo para o nascimento do cristianismo e sua difus&atilde;o.[9] Trata-se, no fundo, do encontro entre f&eacute; e raz&atilde;o, entre iluminismo aut&ecirc;ntico e religi&atilde;o. Ora, o imperador Manuel II, verdadeiramente partindo da natureza &iacute;ntima da f&eacute; crist&atilde; e, ao mesmo tempo, da natureza do pensamento grego j&aacute; fundido com a f&eacute;, podia dizer: N&atilde;o agir &laquo;com o logos&raquo; &eacute; contr&aacute;rio &agrave; natureza de Deus.<\/span><\/p>\n<p>Por honestidade, temos de referir aqui que, na teologia da baixa Idade M&eacute;dia, se desenvolveram tend&ecirc;ncias que rompem esta s&iacute;ntese entre o esp&iacute;rito grego e o esp&iacute;rito crist&atilde;o. Em contraste com o chamado intelectualismo agostiniano e tomista, Duns Escoto deu in&iacute;cio a uma orienta&ccedil;&atilde;o voluntarista que, no termo de sucessivos desenvolvimentos, havia de levar &agrave; afirma&ccedil;&atilde;o segundo a qual, de Deus, s&oacute; conheceremos a voluntas ordinata. Para al&eacute;m desta, existiria a liberdade de Deus, em virtude da qual Ele teria podido criar e fazer inclusivamente o contr&aacute;rio de tudo o que efectivamente realizou. Vemos esbo&ccedil;arem-se aqui posi&ccedil;&otilde;es pr&oacute;ximas, sem d&uacute;vida, das de Ibn Hazm e que poderiam levar &agrave; imagem dum Deus-Arb&iacute;trio, que n&atilde;o est&aacute; dependente sequer da verdade e do bem. A transcend&ecirc;ncia e a diversidade de Deus aparecem t&atilde;o exageradamente acentuadas, que inclusive a nossa raz&atilde;o e o nosso sentido da verdade e do bem deixam de ser um verdadeiro espelho de Deus, cujas possibilidades abismais permaneceriam, para n&oacute;s, eternamente inating&iacute;veis e ocultas por detr&aacute;s das suas decis&otilde;es efectivas. Em contraste com isto, a f&eacute; da Igreja sempre se ateve &agrave; convic&ccedil;&atilde;o de que entre Deus e n&oacute;s, entre o seu eterno Esp&iacute;rito criador e a nossa raz&atilde;o criada, existe uma verdadeira analogia, na qual por certo &ndash; como afirma, em 1215, o IV Conc&iacute;lio de Latr&atilde;o &ndash; as diferen&ccedil;as s&atilde;o infinitamente maiores que as semelhan&ccedil;as, mas n&atilde;o at&eacute; ao ponto de abolir a analogia e a sua linguagem. Deus n&atilde;o se torna mais divino pelo facto de O afastarmos para longe de n&oacute;s num voluntarismo puro e impenetr&aacute;vel, mas o Deus verdadeiramente divino &eacute; aquele Deus que se mostrou como logos e, como logos, agiu e age cheio de amor em nosso favor. Certamente o amor, como diz Paulo, &laquo;ultrapassa&raquo; o conhecimento, sendo por isso capaz de apreender mais do que o simples pensamento (cf. Ef 3, 19), mas aquele permanece o amor do Deus-Logos, motivo pelo qual o culto crist&atilde;o, como afirma ainda Paulo, &eacute; &laquo;&lambda;&omicron;&gamma;&iota;&kappa;&eta; &lambda;&alpha;&tau;&rho;&epsilon;\u03af&alpha;&raquo; &ndash; um culto que est&aacute; de acordo com o Verbo eterno e com a nossa raz&atilde;o (cf. Rm 12, 1).[10]<\/span><\/p>\n<p>A rec&iacute;proca aproxima&ccedil;&atilde;o interior, a que aludimos, entre a f&eacute; b&iacute;blica e a indaga&ccedil;&atilde;o a n&iacute;vel filos&oacute;fico do pensamento grego &eacute; um elemento de import&acirc;ncia decisiva sob o ponto de vista n&atilde;o s&oacute; da hist&oacute;ria das religi&otilde;es, mas tamb&eacute;m da hist&oacute;ria universal &ndash; um dado a que estamos obrigados ainda hoje. Considerando tal encontro, n&atilde;o surpreende que o cristianismo, apesar da sua origem e de qualquer desenvolvimento importante no Oriente, tenha no fim de contas encontrado a sua fisionomia historicamente decisiva na Europa. E o mesmo se pode exprimir inversamente: o referido encontro, ao qual depois veio juntar-se o patrim&oacute;nio de Roma, criou a Europa e permanece o fundamento daquilo que, com raz&atilde;o, se pode chamar Europa.<\/span><\/p>\n<p>&Agrave; tese segundo a qual o patrim&oacute;nio grego, criticamente purificado, &eacute; uma parte integrante da f&eacute; crist&atilde;, contrap&otilde;e-se a reclama&ccedil;&atilde;o de deseleniza&ccedil;&atilde;o do cristianismo &ndash; um pedido que, desde o in&iacute;cio da Idade Moderna, tem dominado de modo crescente a pesquisa teol&oacute;gica. Entretanto vendo-o mais de perto, podem-se observar tr&ecirc;s ondas no programa da deseleniza&ccedil;&atilde;o: estas, embora interligadas, s&atilde;o claramente distintas uma da outra nas suas motiva&ccedil;&otilde;es e objectivos.[11]<\/span><\/p>\n<p>Primeiro, a deseleniza&ccedil;&atilde;o surge em conex&atilde;o com os postulados da Reforma do s&eacute;culo XVI. Ao considerarem a tradi&ccedil;&atilde;o das escolas teol&oacute;gicas, os reformadores achavam-se perante uma sistematiza&ccedil;&atilde;o da f&eacute; condicionada totalmente pela filosofia, isto &eacute;, uma f&eacute; determinada a partir de fora em virtude de um modo de pensar que n&atilde;o derivava dela. Deste modo, a f&eacute; apresentava-se, n&atilde;o j&aacute; como palavra hist&oacute;rica viva, mas como elemento inserido na estrutura dum sistema filos&oacute;fico. Pelo contr&aacute;rio, a sola Scriptura busca a pura forma primordial da f&eacute;, tal como se apresenta originariamente na Palavra b&iacute;blica. Aparecendo a metaf&iacute;sica como um pressuposto derivado de outra fonte, &eacute; necess&aacute;rio libertar dela a f&eacute; para faz&ecirc;-la voltar a ser totalmente ela mesma. Quando Kant afirmou que teve de p&ocirc;r de lado o pensar para dar espa&ccedil;o &agrave; f&eacute;, ele procedeu fundado neste programa e com um radicalismo imprevis&iacute;vel para os reformadores. Foi assim que ele ancorou a f&eacute; exclusivamente na raz&atilde;o pr&aacute;tica, negando-lhe o acesso ao conjunto da realidade.<\/span><\/p>\n<p>A teologia liberal dos s&eacute;culos XIX e XX trouxe uma segunda onda ao programa da deseleniza&ccedil;&atilde;o: o seu representante eminente &eacute; Adolf von Harnack. Tanto durante o tempo dos meus estudos como nos primeiros anos da minha actividade acad&eacute;mica, este programa estava fortemente activo tamb&eacute;m na teologia cat&oacute;lica. Como ponto de partida, utilizava-se a distin&ccedil;&atilde;o de Pascal entre o Deus dos fil&oacute;sofos e o Deus de Abra&atilde;o, Isaac e Jacob. Na prelec&ccedil;&atilde;o que fiz em Bona, no ano de 1959, procurei analisar este assunto,[12] e n&atilde;o pretendo retomar aqui por inteiro o discurso. Mas gostaria de tentar p&ocirc;r em evid&ecirc;ncia, embora brevemente, a novidade que caracterizava, relativamente &agrave; primeira, esta segunda onda de deseleniza&ccedil;&atilde;o. Como ideia central temos, em Harnack, o regresso ao Jesus meramente homem e &agrave; sua mensagem simples, que viria antes de todas as teologiza&ccedil;&otilde;es e, concretamente, antes das heleniza&ccedil;&otilde;es: tal mensagem simples constituiria o verdadeiro apogeu do desenvolvimento religioso da humanidade. Jesus teria deixado de lado o culto em favor da moral. Em &uacute;ltima an&aacute;lise, Ele &eacute; representado como pai duma mensagem moral humanit&aacute;ria. O objectivo de Harnack &eacute; fundamentalmente trazer o cristianismo &agrave; harmonia com a raz&atilde;o moderna, libertando-o precisamente de elementos aparentemente filos&oacute;ficos e teol&oacute;gicos, como, por exemplo, a f&eacute; na divindade de Cristo e na trindade de Deus. Neste sentido, a exegese hist&oacute;rico-cr&iacute;tica do Novo Testamento, com esta sua vis&atilde;o, insere novamente a teologia no cosmos da universidade: para Harnack, a teologia &eacute; essencialmente algo de hist&oacute;rico e por conseguinte de estritamente cient&iacute;fico. O que ela indaga, por meio da cr&iacute;tica, sobre Jesus &eacute;, por assim dizer, express&atilde;o da raz&atilde;o pr&aacute;tica e consequentemente sustent&aacute;vel tamb&eacute;m no conjunto da universidade. No fundo, temos a autolimita&ccedil;&atilde;o moderna da raz&atilde;o, com a sua express&atilde;o cl&aacute;ssica na &laquo;cr&iacute;ticas&raquo; de Kant, mas ulteriormente radicalizada pelo pensamento das ci&ecirc;ncias naturais. Em poucas palavras, este conceito moderno da raz&atilde;o baseia-se numa s&iacute;ntese entre platonismo (cartesianismo) e empirismo, que o sucesso t&eacute;cnico confirmou. Por um lado, pressup&otilde;e-se a estrutura matem&aacute;tica da mat&eacute;ria, por assim dizer a sua racionalidade intr&iacute;nseca, que torna poss&iacute;vel compreend&ecirc;-la e us&aacute;-la na sua efic&aacute;cia operacional: este pressuposto b&aacute;sico &eacute;, por assim dizer, o elemento plat&oacute;nico no conceito moderno da natureza. Por outro lado, trata-se da utiliza&ccedil;&atilde;o funcional da natureza para as nossas finalidades, onde s&oacute; a possibilidade de controlar verdade ou falsidade atrav&eacute;s da experi&ecirc;ncia &eacute; que fornece a certeza decisiva. O peso entre os dois p&oacute;los pode, segundo as circunst&acirc;ncias, oscilar para um lado ou outro. Um pensador estritamente positivista como J. Monod declarava-se um plat&oacute;nico convicto.<\/span><\/p>\n<p>Isto encerra duas orienta&ccedil;&otilde;es fundamentais e decisivas para a nossa quest&atilde;o. S&oacute; o tipo de certeza que deriva da sinergia entre matem&aacute;tica e experi&ecirc;ncia nos permite falar de cientificidade. Tudo o que pretenda ser ci&ecirc;ncia deve confrontar-se com este crit&eacute;rio. E assim as ci&ecirc;ncias que dizem respeito &agrave; realidade humana, como a hist&oacute;ria, a psicologia, a sociologia e a filosofia, procuravam tamb&eacute;m aproximar-se deste c&acirc;none da cientificidade. Entretanto, para as nossas reflex&otilde;es, &eacute; ainda importante o facto de o m&eacute;todo como tal excluir o problema de Deus, apresentando-o como problema acient&iacute;fico ou pr&eacute;-cient&iacute;fico. Mas, aqui estamos perante uma redu&ccedil;&atilde;o do espa&ccedil;o pr&oacute;prio da ci&ecirc;ncia e da raz&atilde;o, facto este que &eacute; obrigat&oacute;rio p&ocirc;r em quest&atilde;o.<\/span><\/p>\n<p>Voltarei mais adiante ao assunto. Por agora, basta ter presente que, numa tentativa de conservar, segundo esta perspectiva, o car&aacute;cter de disciplina &laquo;cient&iacute;fica&raquo; na teologia, do cristianismo restaria apenas um m&iacute;sero fragmento. E mais grave ainda: se a ci&ecirc;ncia no seu conjunto &eacute; apenas isto, desse modo ent&atilde;o o pr&oacute;prio homem sofre uma redu&ccedil;&atilde;o. Porque nesse caso as quest&otilde;es propriamente humanas, isto &eacute;, &laquo;donde venho&raquo; e &laquo;para onde vou&raquo;, as quest&otilde;es da religi&atilde;o e do ethos n&atilde;o podem ter lugar no espa&ccedil;o da raz&atilde;o comum, tal como a descreve uma &laquo;ci&ecirc;ncia&raquo; assim entendida, devendo ser transferidas para o &acirc;mbito do subjectivo. O sujeito decide, com base nas suas experi&ecirc;ncias, o que lhe parece religiosamente sustent&aacute;vel, e a &laquo;consci&ecirc;ncia&raquo; subjectiva torna-se em &uacute;ltima an&aacute;lise a &uacute;nica inst&acirc;ncia &eacute;tica. Desta forma, por&eacute;m, o ethos e a religi&atilde;o perdem a sua for&ccedil;a de criar uma comunidade e caem no &acirc;mbito da discricionariedade pessoal. Trata-se duma condi&ccedil;&atilde;o perigosa para a humanidade: constatamo-lo nas patologias que amea&ccedil;am a religi&atilde;o e a raz&atilde;o &ndash; patologias que devem necessariamente eclodir quando a raz&atilde;o fica a tal ponto limitada que as quest&otilde;es da religi&atilde;o e do ethos deixam de lhe dizer respeito. O que resta das tentativas de construir uma &eacute;tica partindo das regras da evolu&ccedil;&atilde;o ou da psicologia e da sociologia, &eacute; simplesmente insuficiente.<\/span><\/p>\n<p>Antes de chegar &agrave;s conclus&otilde;es para as quais tende todo este racioc&iacute;nio, devo ainda aludir, brevemente, &agrave; terceira onda de deseleniza&ccedil;&atilde;o que se difunde actualmente. Em ordem ao encontro das culturas na sua multiplicidade, facilmente se ouve hoje dizer que a s&iacute;ntese realizada na Igreja Antiga com o helenismo teria sido uma primeira incultura&ccedil;&atilde;o, que n&atilde;o deveria vincular as outras culturas. Mas, estas deveriam ter o direito de remontar at&eacute; &agrave; etapa anterior a tal incultura&ccedil;&atilde;o para a&iacute; descobrirem a mensagem pura e simples do Novo Testamento e, depois, incultur&aacute;-la novamente nos respectivos ambientes. Esta tese n&atilde;o &eacute; errada de todo; mas &eacute; superficial e imprecisa. &Eacute; que o Novo Testamento foi escrito em l&iacute;ngua grega e traz no seu seio o contacto com o esp&iacute;rito grego &ndash; um contacto j&aacute; maturado anteriormente no decurso do Antigo Testamento. Existem, sem d&uacute;vida, elementos no processo formativo da Igreja Antiga que n&atilde;o devem ser integrados em todas as culturas. Mas, decis&otilde;es de fundo, como as que se referem precisamente &agrave; rela&ccedil;&atilde;o da f&eacute; com a busca da raz&atilde;o humana, fazem parte da pr&oacute;pria f&eacute;, constituem o seu crescimento, de acordo com a sua natureza.<\/span><\/p>\n<p>Dito isto, chego &agrave; conclus&atilde;o. Esta tentativa, feita apenas em linhas gerais, de cr&iacute;tica da raz&atilde;o moderna a partir do seu interior n&atilde;o inclui de forma alguma a opini&atilde;o de que agora se deva voltar atr&aacute;s, para antes do iluminismo, rejeitando as convic&ccedil;&otilde;es da Idade Moderna. Tudo o que &eacute; v&aacute;lido no desenvolvimento moderno do esp&iacute;rito, h&aacute;-de ser reconhecido sem reservas: todos nos sentimos agradecidos pelas grandiosas possibilidades que isso abriu ao homem e pelos progressos que nos foram proporcionados no campo humano. Ali&aacute;s, o ethos da cientificidade &ndash; como acenava nas suas palavras, Magn&iacute;fico Reitor &ndash; &eacute; vontade de obedi&ecirc;ncia &agrave; verdade e, consequentemente, express&atilde;o duma atitude que faz parte das decis&otilde;es essenciais do esp&iacute;rito crist&atilde;o. Portanto, a inten&ccedil;&atilde;o n&atilde;o &eacute; retirada, nem cr&iacute;tica negativa; pelo contr&aacute;rio, trata-se de um alargamento do nosso conceito de raz&atilde;o e do seu uso. Porque, juntamente com toda a alegria face &agrave;s possibilidades do homem, vemos tamb&eacute;m as amea&ccedil;as que resultam destas mesmas possibilidades e devemos perguntar-nos como poderemos domin&aacute;-las. Consegui-lo-emos apenas se raz&atilde;o e f&eacute; voltarem a estar unidas duma forma nova; se superarmos a limita&ccedil;&atilde;o autodecretada da raz&atilde;o ao que &eacute; verific&aacute;vel na experi&ecirc;ncia, e lhe abrirmos de novo toda a sua amplitude. Neste sentido, a teologia n&atilde;o s&oacute; enquanto disciplina hist&oacute;rica e humano-cient&iacute;fica, mas como verdadeira e pr&oacute;pria teologia, ou seja, como indagadora da raz&atilde;o da f&eacute;, deve ter o seu lugar na universidade e no amplo di&aacute;logo das ci&ecirc;ncias.<\/span><\/p>\n<p>S&oacute; assim nos tornamos capazes tamb&eacute;m de um verdadeiro di&aacute;logo das culturas e das religi&otilde;es &ndash; um di&aacute;logo de que temos necessidade muito urgente. No mundo ocidental, &eacute; largamente dominante a opini&atilde;o de que s&atilde;o universais apenas a raz&atilde;o positivista e as formas de filosofia dela derivadas. Mas, as culturas profundamente religiosas do mundo v&ecirc;em, precisamente nesta exclus&atilde;o do divino da universalidade da raz&atilde;o, um ataque &agrave;s suas convic&ccedil;&otilde;es mais &iacute;ntimas. Uma raz&atilde;o, que diante do divino &eacute; surda e repele a religi&atilde;o para o &acirc;mbito das subculturas, &eacute; incapaz de inserir-se no di&aacute;logo das culturas. E no entanto a raz&atilde;o moderna, pr&oacute;pria das ci&ecirc;ncias naturais, com a sua dimens&atilde;o plat&oacute;nica intr&iacute;nseca traz consigo, como procurei demonstrar, uma quest&atilde;o que a transcende a ela juntamente com as suas possibilidades met&oacute;dicas. Ela pr&oacute;pria tem simplesmente de aceitar a estrutura racional da mat&eacute;ria e a correspond&ecirc;ncia entre o nosso esp&iacute;rito e as estruturas racionais operativas na natureza como um dado de facto, sobre o qual se baseia o seu percurso met&oacute;dico. Mas, a pergunta sobre o porqu&ecirc; deste dado de facto existe e deve ser confiada pelas ci&ecirc;ncias naturais a outros n&iacute;veis e modos do pensar &ndash; &agrave; filosofia e &agrave; teologia. Para a filosofia e, de maneira diferente, para a teologia, a escuta das grandes experi&ecirc;ncias e convic&ccedil;&otilde;es das tradi&ccedil;&otilde;es religiosas da humanidade, especialmente da f&eacute; crist&atilde;, constitui uma fonte de conhecimento; recus&aacute;-la significaria uma inaceit&aacute;vel redu&ccedil;&atilde;o do nosso escutar e responder. Isto traz-me &agrave; mente uma frase de S&oacute;crates a F&eacute;don; nos col&oacute;quios anteriores tinham sido citadas muitas opini&otilde;es filos&oacute;ficas erradas, e ent&atilde;o S&oacute;crates diz: &laquo;Seria facilmente compreens&iacute;vel que algu&eacute;m, irritado por causa de tantas coisas erradas, detestasse pelo resto da sua vida todo e qualquer discurso sobre o ser, ou o denegrisse. Mas, desta forma, perderia a verdade do ser e sofreria um grande dano&raquo;.[13] Ora, desde h&aacute; muito tempo que o ocidente vive amea&ccedil;ado por esta avers&atilde;o contra as quest&otilde;es fundamentais da sua raz&atilde;o, mas o &uacute;nico resultado seria sofrer um grande dano. A coragem de abrir-se &agrave; vastid&atilde;o da raz&atilde;o, e n&atilde;o a rejei&ccedil;&atilde;o da sua grandeza &ndash; tal &eacute; o programa pelo qual uma teologia comprometida na reflex&atilde;o sobre a f&eacute; b&iacute;blica entra no debate do tempo actual. &laquo;N&atilde;o agir segundo raz&atilde;o, n&atilde;o agir com o logos, &eacute; contr&aacute;rio &agrave; natureza de Deus&raquo;, disse Manuel II, partindo da sua imagem crist&atilde; de Deus, ao interlocutor persa. &Eacute; a este grande logos, a esta vastid&atilde;o da raz&atilde;o que convidamos os nossos interlocutores no di&aacute;logo das culturas. Reencontr&aacute;-la n&oacute;s mesmos sempre de novo, &eacute; a grande tarefa da universidade.<\/span><\/p>\n<hr \/>\n<p>[1] Da totalidade dos 26 col&oacute;quios (&delta;&iota;\u03ac&lambda;&epsilon;&xi;&iota;&sigmaf; &ndash; Khoury traduz: controv&eacute;rsia) que comp&otilde;em o di&aacute;logo (&laquo;Entretien&raquo;), Th. Khoury publicou a 7.&ordf; &laquo;controv&eacute;rsia&raquo; com notas e uma ampla introdu&ccedil;&atilde;o sobre a origem do texto, a tradi&ccedil;&atilde;o manuscrita e a estrutura do di&aacute;logo, juntamente com breves resumos das &laquo;controv&eacute;rsias&raquo; n&atilde;o publicadas; ao texto grego juntou uma tradu&ccedil;&atilde;o francesa: Manuel II Pal&eacute;ologue, Entretiens avec un Musulman: 7e Controverse, Sources Chr&eacute;tiennes n.&ordm; 115 (Paris 1966). Entretanto Karl F&ouml;rstel publicou, no Corpus Islamico-Christianum (Series Graeca. Redac&ccedil;&atilde;o A. Th. Khoury &ndash; R. Glei), uma edi&ccedil;&atilde;o greco-alem&atilde; comentada do texto: Manuel II Palaiologus, Dialoge mit einem Muslim, 3 volumes (W&uuml;rzburg &ndash; Altenberge 1993-1996). J&aacute;, em 1966, E. Trapp tinha publicado o texto grego com uma introdu&ccedil;&atilde;o como vol. II dos &laquo;Wiener byzantinische Studien&raquo;. As cita&ccedil;&otilde;es que farei em seguida s&atilde;o tiradas de Khoury.<br \/>\n[2] Quanto &agrave; origem e &agrave; redac&ccedil;&atilde;o do di&aacute;logo, veja-se Khoury pp. 22-29; tamb&eacute;m nas edi&ccedil;&otilde;es de F&ouml;rstel e Trapp se encontram amplos coment&aacute;rios a tal respeito.<\/p>\n<p>[3] Controv&eacute;rsia VII 2c: Khoury, pp. 142-143; F&ouml;rstel, vol. I, VII Dialog 1.5, pp. 240-241. Infelizmente, esta cita&ccedil;&atilde;o foi tomada, no mundo mu&ccedil;ulmano, como express&atilde;o da minha posi&ccedil;&atilde;o pessoal, suscitando assim uma indigna&ccedil;&atilde;o compreens&iacute;vel. Espero que o leitor do meu texto possa depreender imediatamente que esta frase n&atilde;o exprime a minha aprecia&ccedil;&atilde;o pessoal face ao Alcor&atilde;o, pelo qual nutro o respeito que se deve ao livro sagrado duma grande religi&atilde;o. Eu, ao citar o texto do imperador Manuel II, pretendia unicamente evidenciar a rela&ccedil;&atilde;o essencial entre f&eacute; e raz&atilde;o. Neste ponto, estou de acordo com Manuel II, sem contudo fazer minha a sua pol&eacute;mica.<\/p>\n<p>[4] Controv&eacute;rsia VII 3b-c: Khoury, pp. 144-145; F&ouml;rstel, vol. I, VII Dialog 1.6, pp. 240-243.<\/p>\n<p>[5] Foi unicamente por esta afirma&ccedil;&atilde;o que citei o di&aacute;logo entre Manuel e o seu interlocutor persa. &Eacute; nesta afirma&ccedil;&atilde;o que surge o tema das minhas afirma&ccedil;&otilde;es seguintes.<\/p>\n<p>[6] Cf. Khoury, op. cit., p. 144, nota 1.<\/p>\n<p>[7] R. Arnaldez, Grammaire et th&eacute;ologie chez Ibn Hazm de Cordoue (Paris 1956) p. 13: cf. Khoury, p. 144. Mais adiante, no desenvolvimento do meu discurso, aludirei ao facto da exist&ecirc;ncia de posi&ccedil;&otilde;es semelhantes na teologia da baixa Idade M&eacute;dia.<\/p>\n<p>[8] Para a interpreta&ccedil;&atilde;o do epis&oacute;dio da sar&ccedil;a ardente, objecto de ampla discuss&atilde;o, veja-se o meu livro &laquo;Einf&uuml;hrung in das Christentum&raquo; (M&oacute;naco 1968), pp. 84-102. Penso que as minhas afirma&ccedil;&otilde;es l&aacute; feitas continuam, n&atilde;o obstante os sucessivos desenvolvimentos do debate, a ser ainda v&aacute;lidas.<\/p>\n<p>[9] Cf. A. Schenker, &laquo;L&#8217;&Eacute;criture sainte subsiste en plusieurs formes canoniques simultan&eacute;es&raquo;, in: A interpreta&ccedil;&atilde;o da B&iacute;blia na Igreja. Actas do Simp&oacute;sio promovido pela Congrega&ccedil;&atilde;o para a Doutrina da F&eacute; (Cidade do Vaticano 2001), pp. 178-186.<\/p>\n<p>[10] Tratei este tema, de forma mais pormenorizada, no meu livro &laquo;Der Geist der Liturgie. Eine Einf&uuml;hrung&raquo; (Friburgo 2000), pp. 38-42.<\/p>\n<p>[11] Dentre a vasta literatura sobre este tema da deseleniza&ccedil;&atilde;o, apraz-me citar antes de mais: A. Grillmeier, &laquo;Hellenisierung-Judaisierung des Christentums als Deuteprinzipien der Geschichte des kirchlichen Dogmas&raquo;, in: Id., Mit ihm und in ihm. Christologische Forschungen und Perspektiven (Friburgo 1975) pp. 423-488.<\/p>\n<p>[12] Foi publicada de novo e comentada por Heino Sonnemanns: Joseph Ratzinger&ndash;Benedikt XVI, Der Gott des Glaubens und der Gott der Philosophen. Ein Beitrag zum Problem der theologia naturalis, Johannes-Verlag Leutesdorf, 2.&ordf; edi&ccedil;&atilde;o aumentada, 2005.<\/p>\n<p>[13] 90 c-d. A prop&oacute;sito deste texto, veja-se tamb&eacute;m R. Guardini, Der Tod des Sokrates. (Mainz-Paderborn 51987) pp. 218-221.<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">Universidade de Regensburg, 12 de Setembro de 2006<br \/>BENEDICTUS XVI<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Encontro com os representantes das Ci&ecirc;nciasF&eacute;, Raz&atilde;o e Universidade: recorda&ccedil;&otilde;es e reflex&otilde;es Eminent&iacute;ssimos Senhores Cardeais,Magn&iacute;ficos Reitores,Excelent&iacute;ssimos Senhores Bispos,Ilustr&iacute;ssimos Senhores e [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":1106,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[38],"tags":[],"class_list":["post-1107","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-espaco-cultural"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v27.4 - 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