{"id":117,"date":"2011-02-17T18:36:22","date_gmt":"2011-02-17T18:36:22","guid":{"rendered":"https:\/\/paroquiaqueijas.net\/site\/?p=117"},"modified":"2026-03-21T15:42:06","modified_gmt":"2026-03-21T15:42:06","slug":"marcador-4","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/paroquiaqueijas.net\/portal\/marcador-4\/","title":{"rendered":"Carta de Jo\u00e3o Paulo II aos artistas"},"content":{"rendered":"<p style=\"line-height: 14pt; text-align: justify;\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\" alignright size-full wp-image-116\" src=\"https:\/\/paroquiaqueijas.net\/portal\/wp-content\/uploads\/2011\/02\/JPaulo_II.jpg\" alt=\"JPaulo II\" width=\"300\" height=\"337\" style=\"margin-left: 8px; float: right;\" srcset=\"https:\/\/paroquiaqueijas.net\/portal\/wp-content\/uploads\/2011\/02\/JPaulo_II.jpg 508w, https:\/\/paroquiaqueijas.net\/portal\/wp-content\/uploads\/2011\/02\/JPaulo_II-267x300.jpg 267w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/span>A todos aqueles que apaixonadamente procuram novas &ldquo;epifanias&rdquo; da beleza para oferec&ecirc;-las ao mundo como cria&ccedil;&atilde;o art&iacute;stica.<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"line-height: 14pt; text-align: left;\">&laquo;Deus, vendo toda a sua obra, considerou-a muito boa&raquo; (<i>Gn<\/i> 1,31).<\/span><\/p>\n<p style=\"line-height: 14pt; text-align: left;\"><b><i>O artista, imagem de Deus Criador<\/span><\/i><\/b><\/span><\/p>\n<p style=\"line-height: 14pt; text-align: justify;\"><strong>1.<\/strong> Ningu&eacute;m melhor do que v&oacute;s, artistas, construtores geniais de beleza, pode intuir algo daquele <i>pathos<\/i> com que Deus, na aurora da cria&ccedil;&atilde;o, contemplou a obra das suas m&atilde;os. Infinitas vezes se espelhou um relance daquele sentimento no olhar com que v&oacute;s &ndash; como, ali&aacute;s, os artistas de todos os tempos &ndash;, maravilhados com o arcano poder dos sons e das palavras, das cores e das formas, vos pusestes a admirar a obra nascida do vosso g&eacute;nio art&iacute;stico, quase sentindo o eco daquele mist&eacute;rio da cria&ccedil;&atilde;o a que Deus, &uacute;nico criador de todas as coisas, de algum modo vos quis associar.<\/span><\/p>\n<p style=\"line-height: 14pt; text-align: justify;\">Pareceu-me, por isso, que n&atilde;o havia palavras mais apropriadas do que as do livro do G&eacute;nesis para come&ccedil;ar esta minha Carta para v&oacute;s, a quem me sinto ligado por experi&ecirc;ncias dos meus tempos passados e que marcaram indelevelmente a minha vida. Ao escrever-vos, desejo dar continuidade &agrave;quele fecundo di&aacute;logo da Igreja com os artistas que, em dois mil anos de hist&oacute;ria, nunca se interrompeu e se prev&ecirc; ainda rico de futuro no limiar do terceiro mil&eacute;nio.<\/span><\/p>\n<p style=\"line-height: 14pt; text-align: justify;\">Na realidade, n&atilde;o se trata de um di&aacute;logo ditado apenas por circunst&acirc;ncias hist&oacute;ricas ou motivos utilit&aacute;rios, mas radicado na pr&oacute;pria ess&ecirc;ncia tanto da experi&ecirc;ncia religiosa como da cria&ccedil;&atilde;o art&iacute;stica. A p&aacute;gina inicial da B&iacute;blia apresenta-nos Deus quase como o modelo exemplar de toda a pessoa que produz uma obra: no art&iacute;fice, reflecte-se a sua imagem de Criador. Esta rela&ccedil;&atilde;o &eacute; claramente evidenciada na l&iacute;ngua polaca, com a semelhan&ccedil;a lexical das palavras <i>stw&oacute;rca<\/i> (criador) e <i>tw&oacute;rca <\/i>(art&iacute;fice).<\/span><\/p>\n<p style=\"line-height: 14pt; text-align: justify;\">Qual &eacute; a diferen&ccedil;a entre &laquo;criador&raquo; e &laquo;art&iacute;fice&raquo;? Quem cria d&aacute; o pr&oacute;prio ser, tira algo do nada &ndash; <i>ex nihilo sui et subiecti<\/i>, como se costuma dizer em latim &ndash; e isto, em sentido estrito, &eacute; um modo de proceder exclusivo do Omnipotente. O art&iacute;fice, ao contr&aacute;rio, utiliza algo j&aacute; existente, a que d&aacute; forma e significado. Este modo de agir &eacute; peculiar do homem enquanto imagem de Deus. Com efeito, depois de ter afirmado que Deus criou o homem e a mulher &laquo;&agrave; sua imagem&raquo; (cf. <i>Gn<\/i> 1,27), a B&iacute;blia acrescenta que Ele confiou-lhes a tarefa de dominarem a terra (cf. <i>Gn<\/i> 1,28). Foi no &uacute;ltimo dia da cria&ccedil;&atilde;o (cf. <i>Gn<\/i> 1,28-31). Nos dias anteriores, como que marcando o ritmo da evolu&ccedil;&atilde;o c&oacute;smica, Jav&eacute; tinha criado o universo. No final, criou o homem, o fruto mais nobre do seu projecto, a quem submeteu o mundo vis&iacute;vel como um campo imenso onde exprimir a sua capacidade inventiva.<\/span><\/p>\n<p style=\"line-height: 14pt; text-align: justify;\">Por conseguinte, Deus chamou o homem &agrave; exist&ecirc;ncia, dando-lhe a tarefa de ser art&iacute;fice. Na &laquo;cria&ccedil;&atilde;o art&iacute;stica&raquo;, mais do que em qualquer outra actividade, o homem revela-se como &laquo;imagem de Deus&raquo;, e realiza aquela tarefa, em primeiro lugar plasmando a &laquo;mat&eacute;ria&raquo; estupenda da sua humanidade e depois exercendo um dom&iacute;nio criativo sobre o universo que o circunda. Com amorosa condescend&ecirc;ncia, o Artista divino transmite uma centelha da sua sabedoria transcendente ao artista humano, chamando-o a partilhar do seu poder criador. Obviamente &eacute; uma participa&ccedil;&atilde;o, que deixa intacta a infinita dist&acirc;ncia entre o Criador e a criatura, como sublinhava o Cardeal Nicolau Cusano: &laquo;A arte criativa, que a alma tem a sorte de albergar, n&atilde;o se identifica com aquela arte por ess&ecirc;ncia que &eacute; pr&oacute;pria de Deus, mas constitui apenas comunica&ccedil;&atilde;o e participa&ccedil;&atilde;o dela&raquo;.<sup>1<\/sup><\/span><\/p>\n<p style=\"line-height: 14pt; text-align: justify;\">Por isso, quanto mais consciente est&aacute; o artista do &laquo;dom&raquo; que possui, tanto mais se sente impelido a olhar para si mesmo e para a cria&ccedil;&atilde;o inteira com olhos capazes de contemplar e agradecer, elevando a Deus o seu hino de louvor. S&oacute; assim &eacute; que ele pode compreender-se profundamente a si mesmo e &agrave; sua voca&ccedil;&atilde;o e miss&atilde;o.<\/span><\/p>\n<p style=\"line-height: 14pt; text-align: justify;\"><b><i>A voca&ccedil;&atilde;o especial do artista<\/span><\/i><\/b><\/span><\/p>\n<p style=\"line-height: 14pt; text-align: justify;\"><strong>2. <\/strong>Nem todos s&atilde;o chamados a ser artistas, no sentido espec&iacute;fico do termo. Mas, segundo a express&atilde;o do G&eacute;nesis, todo o homem recebeu a tarefa de ser art&iacute;fice da pr&oacute;pria vida: de certa forma, deve fazer dela uma obra de arte, uma obra-prima.<\/span><\/p>\n<p style=\"line-height: 14pt; text-align: justify;\">&Eacute; importante notar a distin&ccedil;&atilde;o entre estas duas vertentes da actividade humana, mas tamb&eacute;m a sua conex&atilde;o. A distin&ccedil;&atilde;o &eacute; evidente. De facto, uma coisa &eacute; a predisposi&ccedil;&atilde;o pela qual o ser humano &eacute; autor dos pr&oacute;prios actos e respons&aacute;vel do seu valor moral, e outra a predisposi&ccedil;&atilde;o pela qual &eacute; artista, isto &eacute;, sabe agir segundo as exig&ecirc;ncias da arte, respeitando fielmente as suas regras espec&iacute;ficas.<sup> 2<\/sup> Assim, o artista &eacute; capaz de produzir objectos, mas isso <i>de per si<\/i> ainda n&atilde;o indica nada sobre as suas disposi&ccedil;&otilde;es morais. Neste caso, n&atilde;o se trata de plasmar-se a si mesmo, de formar a pr&oacute;pria personalidade, mas apenas de fazer frutificar capacidades operativas, dando forma est&eacute;tica &agrave;s ideias concebidas pela mente.<\/span><\/p>\n<p style=\"line-height: 14pt; text-align: justify;\">Mas, se a distin&ccedil;&atilde;o &eacute; fundamental, importante &eacute; igualmente a conex&atilde;o entre as duas predisposi&ccedil;&otilde;es: a moral e a art&iacute;stica. Ambas se condicionam de forma rec&iacute;proca e profunda. De facto, o artista, quando modela uma obra, exprime-se de tal modo a si mesmo que o resultado constitui um reflexo singular do pr&oacute;prio ser, daquilo que ele &eacute; e de como o &eacute;. Isto aparece confirmado in&uacute;meras vezes na hist&oacute;ria da humanidade. De facto, quando o artista plasma uma obra-prima, n&atilde;o d&aacute; vida apenas &agrave; sua obra, mas, por meio dela, de certo modo manifesta tamb&eacute;m a pr&oacute;pria personalidade. Na arte, encontra uma dimens&atilde;o nova e um canal estupendo de express&atilde;o para o seu crescimento espiritual. Atrav&eacute;s das obras realizadas, o artista fala e comunica com os outros. Por isso, a Hist&oacute;ria da Arte n&atilde;o &eacute; apenas uma hist&oacute;ria de obras, mas tamb&eacute;m de homens. As obras de arte falam dos seus autores, d&atilde;o a conhecer o seu &iacute;ntimo e revelam o contributo original que eles oferecem &agrave; hist&oacute;ria da cultura.<\/span><\/p>\n<p style=\"line-height: 14pt; text-align: justify;\"><b><i>A voca&ccedil;&atilde;o art&iacute;stica ao servi&ccedil;o da beleza<\/span><\/i><\/b><\/span><\/p>\n<p style=\"line-height: 14pt; text-align: justify;\"><strong>3. <\/strong>Um conhecido poeta polaco, Cyprian Norwid, escreveu: &laquo;A beleza &eacute; para dar entusiasmo ao trabalho, o trabalho para ressurgir&raquo;.<sup>3<\/sup><\/span><\/p>\n<p style=\"line-height: 14pt; text-align: justify;\">O tema da beleza &eacute; qualificante, ao falar de arte. Esse tema apareceu j&aacute;, quando sublinhei o olhar de complac&ecirc;ncia que Deus lan&ccedil;ou sobre a cria&ccedil;&atilde;o. Ao p&ocirc;r em relevo que tudo o que tinha criado era bom, Deus viu tamb&eacute;m que era belo.<sup> 4<\/sup> A confronta&ccedil;&atilde;o entre o bom e o belo gera sugestivas reflex&otilde;es. Em certo sentido, a beleza &eacute; a express&atilde;o vis&iacute;vel do bem, do mesmo modo que o bem &eacute; a condi&ccedil;&atilde;o metaf&iacute;sica da beleza. Justamente o entenderam os Gregos, quando, fundindo os dois conceitos, cunharam uma palavra que abra&ccedil;a a ambos: &ldquo;kalokagath&iacute;a&rdquo;, ou seja, &ldquo;beleza-bondade&rdquo;. A este respeito, escreve Plat&atilde;o: &ldquo;A for&ccedil;a do Bem refugiou-se na natureza do Belo&rdquo;.<sup> 5<\/sup><\/span><\/p>\n<p style=\"line-height: 14pt; text-align: justify;\">Vivendo e agindo &eacute; que o homem estabelece a sua rela&ccedil;&atilde;o com o ser, a verdade e o bem. O artista vive numa rela&ccedil;&atilde;o peculiar com a beleza. Pode-se dizer, com profunda verdade, que a beleza &eacute; a voca&ccedil;&atilde;o a que o Criador o chamou com o dom do &ldquo;talento art&iacute;stico&rdquo;. E tamb&eacute;m este &eacute;, certamente, um talento que, na linha da par&aacute;bola evang&eacute;lica dos talentos (cf. <i>Mt<\/i> 25,14-30), se deve p&ocirc;r a render.<\/span><\/p>\n<p style=\"line-height: 14pt; text-align: justify;\">Tocamos aqui um ponto essencial. Quem tiver notado em si mesmo esta esp&eacute;cie de centelha divina que &eacute; a voca&ccedil;&atilde;o art&iacute;stica &ndash; de poeta, escritor, pintor, escultor, arquitecto, m&uacute;sico, actor&#8230; &ndash;, adverte ao mesmo tempo a obriga&ccedil;&atilde;o de n&atilde;o desperdi&ccedil;ar este talento, mas de o desenvolver para coloc&aacute;-lo ao servi&ccedil;o do pr&oacute;ximo e de toda a humanidade.<\/span><\/p>\n<p style=\"line-height: 14pt; text-align: justify;\"><b><i>O artista e o bem comum<\/span><\/i><\/b><\/span><\/p>\n<p style=\"line-height: 14pt; text-align: justify;\"><strong>4. <\/strong>De facto, a sociedade tem necessidade de artistas, da mesma forma que precisa de cientistas, t&eacute;cnicos, trabalhadores, especialistas, testemunhas da f&eacute;, professores, pais e m&atilde;es, que garantam o crescimento da pessoa e o progresso da comunidade, atrav&eacute;s daquela forma sublime de arte que &eacute; a &ldquo;arte de educar&rdquo;. No vasto panorama cultural de cada na&ccedil;&atilde;o, os artistas t&ecirc;m o seu lugar espec&iacute;fico. Precisamente enquanto obedecem ao seu g&eacute;nio art&iacute;stico na realiza&ccedil;&atilde;o de obras verdadeiramente v&aacute;lidas e belas, n&atilde;o s&oacute; enriquecem o patrim&oacute;nio cultural da na&ccedil;&atilde;o e da humanidade inteira, mas prestam tamb&eacute;m um servi&ccedil;o social qualificado ao bem comum.<\/span><\/p>\n<p style=\"line-height: 14pt; text-align: justify;\">A voca&ccedil;&atilde;o diferente de cada artista, ao mesmo tempo que determina o &acirc;mbito do seu servi&ccedil;o, indica tamb&eacute;m as tarefas que deve assumir, o trabalho duro a que tem de sujeitar-se, a responsabilidade que deve enfrentar. Um artista, consciente de tudo isto, sabe tamb&eacute;m que deve actuar sem deixar-se dominar pela busca duma gl&oacute;ria ef&eacute;mera ou pela &acirc;nsia de uma popularidade f&aacute;cil, e menos ainda pelo c&aacute;lculo do poss&iacute;vel ganho pessoal. H&aacute;, portanto, uma &eacute;tica ou melhor uma &ldquo;espiritualidade&rdquo; do servi&ccedil;o art&iacute;stico, que a seu modo contribui para a vida e o renascimento do povo. A isto mesmo parece querer aludir Cyprian Norwid, quando afirma: &ldquo;A beleza &eacute; para dar entusiasmo ao trabalho, o trabalho para ressurgir&rdquo;.<\/span><\/p>\n<p style=\"line-height: 14pt; text-align: justify;\"><b><i>A arte face ao mist&eacute;rio do Verbo encarnado<\/span><\/i><\/b><\/span><\/p>\n<p style=\"line-height: 14pt; text-align: justify;\"><strong>5.<\/strong> A Lei do Antigo Testamento cont&eacute;m uma proibi&ccedil;&atilde;o expl&iacute;cita de representar Deus invis&iacute;vel e inexprim&iacute;vel atrav&eacute;s duma &ldquo;est&aacute;tua esculpida ou fundida&rdquo; (<i>Dt<\/i> 27,15), porque Ele transcende qualquer representa&ccedil;&atilde;o material: &ldquo;Eu sou Aquele que sou&rdquo; (<i>Ex<\/i> 3,14). No mist&eacute;rio da Encarna&ccedil;&atilde;o, por&eacute;m, o Filho de Deus tornou-Se vis&iacute;vel em carne e osso: &ldquo;Ao chegar a plenitude dos tempos, Deus enviou o seu Filho, nascido de mulher&rdquo; (<i>Gl<\/i> 4,4). Deus fez-Se homem em Jesus Cristo, que Se tornou assim &ldquo;o centro de refer&ecirc;ncia para se poder compreender o enigma da exist&ecirc;ncia humana, do mundo criado, e mesmo de Deus&rdquo;.<sup> 6<\/sup><\/span><\/p>\n<p style=\"line-height: 14pt; text-align: justify;\">Esta manifesta&ccedil;&atilde;o fundamental do &ldquo;Deus-Mist&eacute;rio&rdquo; apresenta-se como est&iacute;mulo e desafio para os crist&atilde;os, inclusive no plano da cria&ccedil;&atilde;o art&iacute;stica. E gerou-se um florescimento de beleza, cuja linfa proveio precisamente daqui, do mist&eacute;rio da Encarna&ccedil;&atilde;o. De facto, quando Se fez homem, o Filho de Deus introduziu na hist&oacute;ria da humanidade toda a riqueza evang&eacute;lica da verdade e do bem e, atrav&eacute;s dela, p&ocirc;s a descoberto tamb&eacute;m uma nova dimens&atilde;o da beleza: a mensagem evang&eacute;lica est&aacute; completamente cheia dela.<\/span><\/p>\n<p style=\"line-height: 14pt; text-align: justify;\">A Sagrada Escritura tornou-se, assim, uma esp&eacute;cie de &ldquo;dicion&aacute;rio imenso&rdquo; (P. Claudel) e de &ldquo;atlas iconogr&aacute;fico&rdquo; (M. Chagall), onde foram beber a cultura e a arte crist&atilde;. O pr&oacute;prio Antigo Testamento, interpretado &agrave; luz do Novo, revelou mananciais inexaur&iacute;veis de inspira&ccedil;&atilde;o. Desde as narra&ccedil;&otilde;es da cria&ccedil;&atilde;o, do pecado, do dil&uacute;vio, do ciclo dos Patriarcas, dos acontecimentos do &ecirc;xodo, passando por tantos outros epis&oacute;dios e personagens da Hist&oacute;ria da Salva&ccedil;&atilde;o, o texto b&iacute;blico ati&ccedil;ou a imagina&ccedil;&atilde;o de pintores, poetas, m&uacute;sicos, autores de teatro e de cinema. Uma figura como a de Job, s&oacute; para dar um exemplo, com a problem&aacute;tica pungente e sempre actual da dor, continua a suscitar conjuntamente interesse filos&oacute;fico, liter&aacute;rio e art&iacute;stico. E que dizer ent&atilde;o do Novo Testamento? Desde o Nascimento ao G&oacute;lgota, da Transfigura&ccedil;&atilde;o &agrave; Ressurrei&ccedil;&atilde;o, dos milagres aos ensinamentos de Cristo, at&eacute; chegar aos acontecimentos narrados nos Actos dos Ap&oacute;stolos ou previstos no Apocalipse em chave escatol&oacute;gica, in&uacute;meras vezes a palavra b&iacute;blica se fez imagem, m&uacute;sica, poesia, evocando com a linguagem da arte o mist&eacute;rio do &ldquo;Verbo feito carne&rdquo;.<\/span><\/p>\n<p style=\"line-height: 14pt; text-align: justify;\">Tudo isto constitui, na hist&oacute;ria da cultura, um amplo cap&iacute;tulo de f&eacute; e de beleza. Dele tiraram proveito sobretudo os crentes para a sua experi&ecirc;ncia de ora&ccedil;&atilde;o e de vida. Para muitos deles, em tempos de escassa alfabetiza&ccedil;&atilde;o, as express&otilde;es figurativas da B&iacute;blia constitu&iacute;ram mesmo um meio concreto de catequiza&ccedil;&atilde;o.<sup> 7<\/sup> Mas para todos, crentes ou n&atilde;o, as realiza&ccedil;&otilde;es art&iacute;sticas inspiradas na Sagrada Escritura permanecem um reflexo do mist&eacute;rio insond&aacute;vel que abra&ccedil;a e habita o mundo.<\/span><\/p>\n<p style=\"line-height: 14pt; text-align: justify;\"><b><i>Entre Evangelho e arte, uma alian&ccedil;a profunda<\/span><\/i><\/b><\/span><\/p>\n<p style=\"line-height: 14pt; text-align: justify;\"><strong>6.<\/strong> Com efeito, toda a intui&ccedil;&atilde;o art&iacute;stica aut&ecirc;ntica ultrapassa o que os sentidos captam e, penetrando na realidade, esfor&ccedil;a-se por interpretar o seu mist&eacute;rio escondido. Ela brota das profundidades da alma humana, l&aacute; onde a aspira&ccedil;&atilde;o de dar um sentido &agrave; pr&oacute;pria vida se une com a percep&ccedil;&atilde;o fugaz da beleza e da unidade misteriosa das coisas. Uma experi&ecirc;ncia partilhada por todos os artistas &eacute; a da dist&acirc;ncia incolm&aacute;vel que existe entre a obra das suas m&atilde;os, mesmo quando bem sucedida, e a perfei&ccedil;&atilde;o fulgurante da beleza vislumbrada no ardor do momento criativo: tudo o que conseguem exprimir naquilo que pintam, modelam, criam, n&atilde;o passa de um p&aacute;lido reflexo daquele esplendor que brilhou por instantes diante dos olhos do seu esp&iacute;rito.<\/span><\/p>\n<p style=\"line-height: 14pt; text-align: justify;\">O crente n&atilde;o se maravilha disto: sabe que se debru&ccedil;ou por um instante sobre aquele abismo de luz que tem a sua fonte origin&aacute;ria em Deus. H&aacute; porventura motivo para admira&ccedil;&atilde;o, se o esp&iacute;rito fica de tal modo inebriado que n&atilde;o sabe exprimir-se sen&atilde;o por balbucia&ccedil;&otilde;es? Ningu&eacute;m mais do que o verdadeiro artista est&aacute; pronto a reconhecer a sua limita&ccedil;&atilde;o e fazer suas as palavras do ap&oacute;stolo Paulo, segundo o qual Deus &ldquo;n&atilde;o habita em santu&aacute;rios constru&iacute;dos pela m&atilde;o do homem&rdquo;, pelo que &ldquo;n&atilde;o devemos pensar que a Divindade seja semelhante ao ouro, &agrave; prata ou &agrave; pedra, trabalhados pela arte e engenho do homem&rdquo; (<i>Act<\/i> 17,24.29). Se j&aacute; a realidade &iacute;ntima das coisas se situa &ldquo;para al&eacute;m&rdquo; das capacidades de compreens&atilde;o humana, quanto mais Deus nas profundezas do seu mist&eacute;rio insond&aacute;vel!<\/span><\/p>\n<p style=\"line-height: 14pt; text-align: justify;\">J&aacute; de natureza diversa &eacute; o conhecimento de f&eacute;: este sup&otilde;e um encontro pessoal com Deus em Jesus Cristo. Mas tamb&eacute;m este conhecimento pode tirar proveito da intui&ccedil;&atilde;o art&iacute;stica. Modelo eloquente duma contempla&ccedil;&atilde;o est&eacute;tica que se sublima na f&eacute; s&atilde;o, por exemplo, as obras do Beato Fra Ang&eacute;lico. A este respeito, &eacute; igualmente significativa a lauda extasiada, que S. Francisco de Assis repete duas vezes na chartula, redigida depois de ter recebido os estigmas de Cristo no monte Alverne: &ldquo;V&oacute;s sois beleza&#8230; V&oacute;s sois beleza!&rdquo;.<sup> 8<\/sup> S. Boaventura comenta: &ldquo;Contemplava nas coisas belas o Bel&iacute;ssimo e, seguindo o rasto impresso nas criaturas, buscava por todo o lado o Dilecto&rdquo;.<sup> 9<\/sup><\/span><\/p>\n<p style=\"line-height: 14pt; text-align: justify;\">Uma perspectiva semelhante aparece na espiritualidade oriental, quando Cristo &eacute; designado como &ldquo;o Bel&iacute;ssimo de maior beleza que todos os mortais&rdquo;.<sup>10<\/sup> Assim comenta Mac&aacute;rio, o Grande, a beleza transfigurante e libertadora que irradia do Ressuscitado: &ldquo;A alma que foi plenamente iluminada pela beleza inexprim&iacute;vel da gl&oacute;ria luminosa do rosto de Cristo, fica cheia do Esp&iacute;rito Santo (&#8230;) &eacute; toda olhos, toda luz, toda rosto&rdquo;.<sup>11<\/sup><\/span><\/p>\n<p style=\"line-height: 14pt; text-align: justify;\">Toda a forma aut&ecirc;ntica de arte &eacute;, a seu modo, um caminho de acesso &agrave; realidade mais profunda do homem e do mundo. E, como tal, constitui um meio muito v&aacute;lido de aproxima&ccedil;&atilde;o ao horizonte da f&eacute;, onde a exist&ecirc;ncia humana encontra a sua plena interpreta&ccedil;&atilde;o. Por isso &eacute; que a plenitude evang&eacute;lica da verdade n&atilde;o podia deixar de suscitar, logo desde os prim&oacute;rdios, o interesse dos artistas, sens&iacute;veis por natureza a todas as manifesta&ccedil;&otilde;es da beleza &iacute;ntima da realidade.<\/span><\/p>\n<p style=\"line-height: 14pt; text-align: justify;\"><b><i>Os prim&oacute;rdios<\/span><\/i><\/b><\/span><\/p>\n<p style=\"line-height: 14pt; text-align: justify;\"><strong>7.<\/strong> A arte, que o cristianismo encontrou nos seus in&iacute;cios, era o fruto maduro do mundo cl&aacute;ssico, exprimia os seus c&acirc;nones est&eacute;ticos e, ao mesmo tempo, veiculava os seus valores. A f&eacute; impunha aos crist&atilde;os, tanto no campo da vida e do pensamento como no da arte, um discernimento que n&atilde;o permitia a aceita&ccedil;&atilde;o autom&aacute;tica deste patrim&oacute;nio. Assim, a arte de inspira&ccedil;&atilde;o crist&atilde; come&ccedil;ou em surdina, ditada pela necessidade que os crentes tinham de elaborar sinais para exprimirem, com base na Escritura, os mist&eacute;rios da f&eacute; e simultaneamente de arranjar um &ldquo;c&oacute;digo simb&oacute;lico&rdquo; para se reconhecerem e identificarem especialmente nos tempos dif&iacute;ceis das persegui&ccedil;&otilde;es. Quem n&atilde;o recorda certos s&iacute;mbolos que foram os primeiros vest&iacute;gios duma arte pict&oacute;rica e pl&aacute;stica? O peixe, os p&atilde;es, o pastor&#8230; Evocavam o mist&eacute;rio, tornando-se quase insensivelmente esbo&ccedil;os de uma arte nova.<\/span><\/p>\n<p style=\"line-height: 14pt; text-align: justify;\">Quando, pelo &eacute;dito de Constantino, foi concedido aos crist&atilde;os exprimirem-se com plena liberdade, a arte tornou-se um canal privilegiado de manifesta&ccedil;&atilde;o da f&eacute;. Por todo o lado, come&ccedil;aram a despontar majestosas bas&iacute;licas, nas quais os c&acirc;nones arquitect&oacute;nicos do antigo paganismo eram assumidos sim, mas reajustados &agrave;s exig&ecirc;ncias do novo culto. Como n&atilde;o recordar pelo menos a antiga Bas&iacute;lica de S. Pedro e a de S. Jo&atilde;o de Latr&atilde;o, constru&iacute;das pelo imperador Constantino? Ou, no &acirc;mbito dos esplendores da arte bizantina, a Haghia Sophia de Constantinopla querida por Justiniano?<\/span><\/p>\n<p style=\"line-height: 14pt; text-align: justify;\">Enquanto a arquitectura desenhava o espa&ccedil;o sagrado, a necessidade de contemplar o mist&eacute;rio e de o propor de modo imediato aos simples levou progressivamente &agrave;s primeiras express&otilde;es da arte pict&oacute;rica e escultural. Ao mesmo tempo surgiam os primeiros esbo&ccedil;os de uma arte da palavra e do som; e se Agostinho inclu&iacute;a tamb&eacute;m, entre as tem&aacute;ticas da sua produ&ccedil;&atilde;o, um De musica, Hil&aacute;rio, Ambr&oacute;sio, Prud&ecirc;ncio, Efr&eacute;m da S&iacute;ria, Greg&oacute;rio de Nazianzo, Paulino de Nola, para citar apenas alguns nomes, faziam-se promotores de poesia crist&atilde;, que atinge frequentemente um alto valor n&atilde;o s&oacute; teol&oacute;gico mas tamb&eacute;m liter&aacute;rio. A sua produ&ccedil;&atilde;o po&eacute;tica valorizava formas herdadas dos cl&aacute;ssicos, mas bebia na linfa pura do Evangelho, como justamente sentenciava o Santo poeta de Nola: &ldquo;A nossa &uacute;nica arte &eacute; a f&eacute;, e Cristo &eacute; o nosso canto&rdquo;.<sup>12<\/sup> Algum tempo mais tarde, Greg&oacute;rio Magno, com a compila&ccedil;&atilde;o do Antiphonarium, punha as premissas para o desenvolvimento org&acirc;nico daquela m&uacute;sica sacra t&atilde;o original, que ficou conhecida pelo nome dele. Com as suas inspiradas modula&ccedil;&otilde;es, o Canto Gregoriano tornar-se-&aacute;, com o passar dos s&eacute;culos, a express&atilde;o mel&oacute;dica t&iacute;pica da f&eacute; da Igreja durante a celebra&ccedil;&atilde;o lit&uacute;rgica dos Mist&eacute;rios Sagrados. Assim, o &ldquo;belo&rdquo; conjugava-se com o &ldquo;verdadeiro&rdquo;, para que, tamb&eacute;m atrav&eacute;s dos caminhos da arte, os &acirc;nimos fossem arrebatados do sens&iacute;vel ao eterno.<\/span><\/p>\n<p style=\"line-height: 14pt; text-align: justify;\">N&atilde;o faltaram momentos dif&iacute;ceis neste caminho. A prop&oacute;sito precisamente do tema da representa&ccedil;&atilde;o do mist&eacute;rio crist&atilde;o, a antiguidade conheceu uma &aacute;spera controv&eacute;rsia, que passou &agrave; hist&oacute;ria com o nome de &ldquo;luta iconoclasta&rdquo;. As imagens sagradas, j&aacute; ent&atilde;o difusas na devo&ccedil;&atilde;o do povo de Deus, foram objecto de violenta contesta&ccedil;&atilde;o. O Conc&iacute;lio celebrado em Niceia no ano 787, que estabeleceu a legitimidade das imagens e do seu culto, foi um acontecimento hist&oacute;rico n&atilde;o s&oacute; para a f&eacute; mas tamb&eacute;m para a pr&oacute;pria cultura. O argumento decisivo a que recorreram os Bispos para debelar a controv&eacute;rsia, foi o mist&eacute;rio da Encarna&ccedil;&atilde;o: se o Filho de Deus entrou no mundo das realidades vis&iacute;veis, lan&ccedil;ando, pela sua humanidade, uma ponte entre o vis&iacute;vel e o invis&iacute;vel, &eacute; poss&iacute;vel pensar que analogamente uma representa&ccedil;&atilde;o do mist&eacute;rio pode ser usada, pela din&acirc;mica pr&oacute;pria do sinal, como evoca&ccedil;&atilde;o sens&iacute;vel do mist&eacute;rio. O &iacute;cone n&atilde;o &eacute; venerado por si mesmo, mas reenvia ao sujeito que representa.<sup>13<\/sup><\/span><\/p>\n<p style=\"line-height: 14pt; text-align: justify;\"><b><i>A Idade M&eacute;dia<\/span><\/i><\/b><\/span><\/p>\n<p style=\"line-height: 14pt; text-align: justify;\"><strong>8.<\/strong> Os s&eacute;culos seguintes foram testemunhas dum grande desenvolvimento da arte crist&atilde;. No Oriente, continuou a florescer a arte dos &iacute;cones, vinculada a significativos c&acirc;nones teol&oacute;gicos e est&eacute;ticos e apoiada na convic&ccedil;&atilde;o de que, em determinado sentido, o &iacute;cone &eacute; um sacramento: com efeito, de modo an&aacute;logo ao que sucede nos sacramentos, ele torna presente o mist&eacute;rio da Encarna&ccedil;&atilde;o nalgum dos seus aspectos. Por isso mesmo, a beleza dum &iacute;cone pode ser apreciada sobretudo no interior de um templo, com os candelabros que ardem e suscitam na penumbra infinitos reflexos de luz. A este respeito, escreve Pavel Florenskij: &ldquo;B&aacute;rbaro, pesado, f&uacute;til &agrave; luz clara do dia, o ouro reanima-se com a luz tr&eacute;mula dum candelabro ou duma vela, que o faz cintilar aqui e ali com mir&iacute;ades de fulgores, fazendo pressentir outras luzes n&atilde;o terrestres que enchem o espa&ccedil;o celeste&rdquo;.<sup> 14<\/sup><\/span><\/p>\n<p style=\"line-height: 14pt; text-align: justify;\">No Ocidente, s&atilde;o muito variadas as perspectivas e os pontos donde partem os artistas, dependendo tamb&eacute;m das convic&ccedil;&otilde;es fundamentais presentes no ambiente cultural do respectivo tempo. O patrim&oacute;nio art&iacute;stico, que se foi acumulando ao longo dos s&eacute;culos, conta um florescimento vast&iacute;ssimo de obras sacras de alta inspira&ccedil;&atilde;o, que deixam cheio de admira&ccedil;&atilde;o mesmo o observador do nosso tempo. Em primeiro plano, situam-se as grandes constru&ccedil;&otilde;es do culto, onde a funcionalidade sempre se une ao g&eacute;nio art&iacute;stico, e este &uacute;ltimo se deixa inspirar pelo sentido do belo e pela intui&ccedil;&atilde;o do mist&eacute;rio. Nascem da&iacute; estilos bem conhecidos na Hist&oacute;ria da Arte. A for&ccedil;a e a simplicidade do rom&acirc;nico, expressa nas catedrais ou nas abadias, vai-se desenvolvendo gradualmente nas ogivas e esplendores do g&oacute;tico. Dentro destas formas, n&atilde;o existe s&oacute; o g&eacute;nio dum artista, mas a alma dum povo. Nos jogos de luzes e sombras, nas formas ora massi&ccedil;as ora ogivadas, interv&ecirc;m certamente considera&ccedil;&otilde;es de t&eacute;cnica estrutural, mas tamb&eacute;m tens&otilde;es pr&oacute;prias da experi&ecirc;ncia de Deus, mist&eacute;rio &ldquo;tremendo&rdquo; e &ldquo;fascinante&rdquo;. Como sintetizar em poucos tra&ccedil;os, nas diversas express&otilde;es da arte, a for&ccedil;a criativa dos longos s&eacute;culos da Idade M&eacute;dia crist&atilde;? Uma cultura inteira, embora com as limita&ccedil;&otilde;es humanas sempre presentes, impregnara-se de Evangelho, e onde o pensamento teol&oacute;gico realizava a Summa de S. Tom&aacute;s, a arte das igrejas submetia a mat&eacute;ria &agrave; adora&ccedil;&atilde;o do mist&eacute;rio, ao mesmo tempo que um poeta admir&aacute;vel como Dante Alighieri podia compor &ldquo;o poema sagrado, para o qual concorreram c&eacute;u e terra&rdquo;,<sup> 15<\/sup> como ele pr&oacute;prio classifica a Divina Com&eacute;dia.<\/span><\/p>\n<p style=\"line-height: 14pt; text-align: justify;\"><b><i>Humanismo e Renascimento<\/span><\/i><\/b><\/span><\/p>\n<p style=\"line-height: 14pt; text-align: justify;\"><strong>9. <\/strong>A feliz esta&ccedil;&atilde;o cultural, em que tem origem o florescimento art&iacute;stico extraordin&aacute;rio do Humanismo e do Renascimento, apresenta tamb&eacute;m reflexos significativos do modo como os artistas desse per&iacute;odo concebiam o tema religioso. Naturalmente as inspira&ccedil;&otilde;es s&atilde;o t&atilde;o variadas como os seus estilos, ou pelo menos como os mais importantes deles. Mas, n&atilde;o &eacute; minha inten&ccedil;&atilde;o lembrar coisas que v&oacute;s, artistas, bem conheceis. Dado que vos escrevo deste Pal&aacute;cio Apost&oacute;lico, escr&iacute;nio de obras-primas talvez &uacute;nico no mundo, quero antes fazer-me voz dos maiores artistas que por aqui disseminaram as riquezas do seu g&eacute;nio, permeado frequentemente de grande profundidade espiritual. Daqui fala Miguel &Acirc;ngelo, que na Capela Sistina de algum modo compendiou, desde a Cria&ccedil;&atilde;o ao Ju&iacute;zo Universal, o drama e o mist&eacute;rio do mundo, retratando Deus Pai, Cristo Juiz, o homem no seu fatigante caminho desde as origens at&eacute; ao fim da Hist&oacute;ria. Daqui fala o g&eacute;nio delicado e profundo de Rafael, apontando, na variedade das suas pinturas e de modo especial na &ldquo;Disputa&rdquo; da Sala da Assinatura, o mist&eacute;rio da revela&ccedil;&atilde;o de Deus Trinit&aacute;rio, que na Eucaristia Se faz companheiro do homem, e projecta luz sobre as quest&otilde;es e os anelos da intelig&ecirc;ncia humana. Daqui, da majestosa Bas&iacute;lica dedicada ao Pr&iacute;ncipe dos Ap&oacute;stolos, da colunata que sai dela como dois bra&ccedil;os abertos para acolher a humanidade, falam ainda Bramante, Bernini, Borromini, Maderno, para citar apenas os maiores, oferecendo plasticamente o sentido do mist&eacute;rio que faz da Igreja uma comunidade universal, hospitaleira, m&atilde;e e companheira de viagem para todo o homem &agrave; procura de Deus.<\/span><\/p>\n<p style=\"line-height: 14pt; text-align: justify;\">A arte sacra encontrou, neste conjunto extraordin&aacute;rio, uma for&ccedil;a expressiva excepcional, atingindo n&iacute;veis de imorredoiro valor quer est&eacute;tico quer religioso. O que vai caracterizando cada vez mais tal arte, sob o impulso do Humanismo e do Renascimento e das sucessivas tend&ecirc;ncias da cultura e da ci&ecirc;ncia, &eacute; um crescente interesse pelo homem, pelo mundo, pela realidade hist&oacute;rica. Esta aten&ccedil;&atilde;o, por si mesma, n&atilde;o &eacute; de modo algum um perigo para a f&eacute; crist&atilde;, centrada sobre o mist&eacute;rio da Encarna&ccedil;&atilde;o e, portanto, sobre a valoriza&ccedil;&atilde;o do homem por parte de Deus. Precisamente os maiores artistas acima mencionados no-lo demonstram. Bastaria pensar no modo como Miguel &Acirc;ngelo exprime nas suas pinturas e esculturas, a beleza do corpo humano.<sup>16<\/sup><\/span><\/p>\n<p style=\"line-height: 14pt; text-align: justify;\">Ali&aacute;s, mesmo no novo clima dos &uacute;ltimos s&eacute;culos quando parte da sociedade parece indiferente &agrave; f&eacute;, a arte religiosa n&atilde;o cessou de avan&ccedil;ar. A constata&ccedil;&atilde;o torna-se ainda mais palp&aacute;vel, se da vertente das artes figurativas se passa a considerar o grande desenvolvimento que, neste mesmo per&iacute;odo de tempo, teve a m&uacute;sica sacra, composta para as necessidades lit&uacute;rgicas, ou apenas relacionada com temas religiosos. Sem contar tantos artistas que a ela se dedicaram amplamente (como n&atilde;o lembrar Pero Lu&iacute;s de Palestrina, Orlando de Lasso, Tom&aacute;s Lu&iacute;s de Victoria?), &eacute; sabido que muitos dos grandes compositores &ndash; de H&auml;ndel a Bach, de Mozart a Schubert, de Beethoven a Berlioz, de Listz a Verdi &ndash; nos ofereceram obras de alt&iacute;ssima inspira&ccedil;&atilde;o tamb&eacute;m neste campo.<\/span><\/p>\n<p style=\"line-height: 14pt; text-align: justify;\"><b><i>A caminho dum renovado di&aacute;logo<\/span><\/i><\/b><\/span><\/p>\n<p style=\"line-height: 14pt; text-align: justify;\"><strong>10.<\/strong> Verdade &eacute; que, na Idade Moderna, ao lado deste humanismo crist&atilde;o que continuou a produzir significativas express&otilde;es de cultura e de arte, foi-se progressivamente afirmando tamb&eacute;m uma forma de humanismo caracterizada pela aus&ecirc;ncia de Deus sen&atilde;o mesmo pela oposi&ccedil;&atilde;o a Ele. Este clima levou por vezes a uma certa separa&ccedil;&atilde;o entre o mundo da arte e o da f&eacute;, pelo menos no sentido de menor interesse de muitos artistas pelos temas religiosos.<\/span><\/p>\n<p style=\"line-height: 14pt; text-align: justify;\">Mas, v&oacute;s sabeis que a Igreja continuou a nutrir grande apre&ccedil;o pelo valor da arte enquanto tal. De facto esta, mesmo fora das suas express&otilde;es mais tipicamente religiosas, mant&eacute;m uma afinidade &iacute;ntima com o mundo da f&eacute;, de modo que, at&eacute; mesmo nas condi&ccedil;&otilde;es de maior separa&ccedil;&atilde;o entre a cultura e a Igreja, &eacute; precisamente a arte que continua a constituir uma esp&eacute;cie de ponte que leva &agrave; experi&ecirc;ncia religiosa. Enquanto busca do belo, fruto duma imagina&ccedil;&atilde;o que voa mais acima do dia-a-dia, a arte &eacute;, por sua natureza, uma esp&eacute;cie de apelo ao Mist&eacute;rio. Mesmo quando perscruta as profundezas mais obscuras da alma ou os aspectos mais desconcertantes do mal, o artista torna-se de qualquer modo voz da esperan&ccedil;a universal de reden&ccedil;&atilde;o.<\/span><\/p>\n<p style=\"line-height: 14pt; text-align: justify;\">Compreende-se, assim, porque a Igreja est&aacute; especialmente interessada no di&aacute;logo com a arte e quer que se realize na nossa &eacute;poca uma nova alian&ccedil;a com os artistas, como o dizia o meu venerando predecessor Paulo VI no seu discurso veemente aos artistas, durante um encontro especial na Capela Sistina a 7 de Maio de 1964.<sup>17<\/sup> A Igreja espera dessa colabora&ccedil;&atilde;o uma renovada &ldquo;epifania&rdquo; de beleza para o nosso tempo e respostas adequadas &agrave;s exig&ecirc;ncias pr&oacute;prias da comunidade crist&atilde;.<\/span><\/p>\n<p style=\"line-height: 14pt; text-align: justify;\"><b><i>No esp&iacute;rito do Conc&iacute;lio Vaticano II<\/span><\/i><\/b><\/span><\/p>\n<p style=\"line-height: 14pt; text-align: justify;\"><strong>11.<\/strong> O Conc&iacute;lio Vaticano II lan&ccedil;ou as bases para uma renovada rela&ccedil;&atilde;o entre a Igreja e a cultura, com reflexos imediatos no mundo da arte. Tal rela&ccedil;&atilde;o &eacute; proposta na base da amizade, da abertura e do di&aacute;logo. Na Constitui&ccedil;&atilde;o pastoral Gaudium et spes, os Padres Conciliares sublinharam a &ldquo;grande import&acirc;ncia&rdquo; da literatura e das artes na vida do homem: &ldquo;Elas procuram dar express&atilde;o &agrave; natureza do homem, aos seus problemas e &agrave; experi&ecirc;ncia das suas tentativas para conhecer-se e aperfei&ccedil;oar-se a si mesmo e ao mundo; e tentam identificar a sua situa&ccedil;&atilde;o na hist&oacute;ria e no universo, dar a conhecer as suas mis&eacute;rias e alegrias, necessidades e energias, e desvendar um futuro melhor&rdquo;.<sup> 18<\/sup><\/span><\/p>\n<p style=\"line-height: 14pt; text-align: justify;\">Baseados nisto, os Padres, no final do Conc&iacute;lio, dirigiram aos artistas uma sauda&ccedil;&atilde;o e um apelo, nestes termos: &ldquo;O mundo em que vivemos tem necessidade de beleza para n&atilde;o cair no desespero. A beleza, como a verdade, &eacute; a que traz alegria ao cora&ccedil;&atilde;o dos homens, &eacute; este fruto precioso que resiste ao passar do tempo, que une as gera&ccedil;&otilde;es e as faz comungar na admira&ccedil;&atilde;o&rdquo;.<sup> 19<\/sup> Neste mesmo esp&iacute;rito de profunda estima pela beleza, a Constitui&ccedil;&atilde;o sobre a sagrada liturgia Sacrosanctum Concilium lembrou a hist&oacute;rica amizade da Igreja pela arte e, falando mais especificamente da arte sacra, &ldquo;v&eacute;rtice&rdquo; da arte religiosa, n&atilde;o hesitou em considerar como &ldquo;nobre minist&eacute;rio&rdquo; a actividade dos artistas, quando as suas obras s&atilde;o capazes de reflectir de algum modo a beleza infinita de Deus e orientar para Ele a mente dos homens.<sup>20<\/sup> Tamb&eacute;m atrav&eacute;s do seu contributo, &ldquo;o conhecimento de Deus &eacute; mais perfeitamente manifestado e a prega&ccedil;&atilde;o evang&eacute;lica torna-se mais compreens&iacute;vel ao esp&iacute;rito dos homens&rdquo;.<sup> 21<\/sup> &Agrave; luz disto, n&atilde;o surpreende a afirma&ccedil;&atilde;o do Padre Marie-Dominique Chenu, segundo o qual o historiador da Teologia deixaria a sua obra incompleta, se n&atilde;o dedicasse a devida aten&ccedil;&atilde;o &agrave;s realiza&ccedil;&otilde;es art&iacute;sticas, quer liter&aacute;rias quer pl&aacute;sticas, que a seu modo constituem &ldquo;n&atilde;o s&oacute; ilustra&ccedil;&otilde;es est&eacute;ticas, mas verdadeiros &ldquo;lugares&rdquo; teol&oacute;gicos&rdquo;.<sup>22<\/sup><\/span><\/p>\n<p style=\"line-height: 14pt; text-align: justify;\"><b><i>A Igreja precisa da arte<\/span><\/i><\/b><\/span><\/p>\n<p style=\"line-height: 14pt; text-align: justify;\"><strong>12.<\/strong> Para transmitir a mensagem que Cristo lhe confiou, a Igreja tem necessidade da arte. De facto, deve tornar percept&iacute;vel e at&eacute; o mais fascinante poss&iacute;vel o mundo do esp&iacute;rito, do invis&iacute;vel, de Deus. Por isso, tem de transpor para f&oacute;rmulas significativas aquilo que, em si mesmo, &eacute; inef&aacute;vel. Ora, a arte possui uma capacidade muito pr&oacute;pria de captar os diversos aspectos da mensagem, traduzindo-os em cores, formas, sons que estimulam a intui&ccedil;&atilde;o de quem os v&ecirc; e ouve. E isto, sem privar a pr&oacute;pria mensagem do seu valor transcendente e do seu halo de mist&eacute;rio.<\/span><\/p>\n<p style=\"line-height: 14pt; text-align: justify;\">A Igreja precisa particularmente de quem saiba realizar tudo isto no plano liter&aacute;rio e figurativo, trabalhando com as infinitas possibilidades das imagens e suas val&ecirc;ncias simb&oacute;licas. O pr&oacute;prio Cristo utilizou amplamente as imagens na sua prega&ccedil;&atilde;o, em plena coer&ecirc;ncia, ali&aacute;s, com a op&ccedil;&atilde;o que, pela Encarna&ccedil;&atilde;o, fizera d&#8217;Ele mesmo o &iacute;cone do Deus invis&iacute;vel.<\/span><\/p>\n<p style=\"line-height: 14pt; text-align: justify;\">A Igreja tem igualmente necessidade dos m&uacute;sicos. Quantas composi&ccedil;&otilde;es sacras foram elaboradas, ao longo dos s&eacute;culos, por pessoas profundamente imbu&iacute;das pelo sentido do mist&eacute;rio! Crentes sem n&uacute;mero alimentaram a sua f&eacute; com as melodias nascidas do cora&ccedil;&atilde;o de outros crentes, que se tornaram parte da Liturgia ou pelo menos uma ajuda muito v&aacute;lida para a sua decorosa realiza&ccedil;&atilde;o. No c&acirc;ntico, a f&eacute; &eacute; sentida como uma exuber&acirc;ncia de alegria, de amor, de segura esperan&ccedil;a da interven&ccedil;&atilde;o salv&iacute;fica de Deus.<\/span><\/p>\n<p style=\"line-height: 14pt; text-align: justify;\">A Igreja precisa de arquitectos, porque tem necessidade de espa&ccedil;os onde congregar o povo crist&atilde;o e celebrar os mist&eacute;rios da salva&ccedil;&atilde;o. Depois das terr&iacute;veis destrui&ccedil;&otilde;es da &uacute;ltima guerra mundial e com o crescimento das cidades, uma nova gera&ccedil;&atilde;o de arquitectos se amalgamou com as exig&ecirc;ncias do culto crist&atilde;o, confirmando a capacidade de inspira&ccedil;&atilde;o que possui o tema religioso relativamente tamb&eacute;m aos crit&eacute;rios arquitect&oacute;nicos do nosso tempo. De facto, n&atilde;o raro se constru&iacute;ram templos, que s&atilde;o simultaneamente lugares de ora&ccedil;&atilde;o e aut&ecirc;nticas obras de arte.<\/span><\/p>\n<p style=\"line-height: 14pt; text-align: justify;\"><b><i>A arte precisa da Igreja?<\/span><\/i><\/b><\/span><\/p>\n<p style=\"line-height: 14pt; text-align: justify;\"><strong>13.<\/strong> Portanto, a Igreja tem necessidade da arte. Pode-se dizer tamb&eacute;m que a arte precisa da Igreja? A pergunta pode parecer provocat&oacute;ria. Mas, se for compreendida no seu recto sentido, obedece a uma motiva&ccedil;&atilde;o leg&iacute;tima e profunda. Na realidade, o artista vive sempre &agrave; procura do sentido mais &iacute;ntimo das coisas; toda a sua preocupa&ccedil;&atilde;o &eacute; conseguir exprimir o mundo do inef&aacute;vel. Como n&atilde;o ver ent&atilde;o a grande fonte de inspira&ccedil;&atilde;o que pode ser, para ele, esta esp&eacute;cie de p&aacute;tria da alma que &eacute; a religi&atilde;o? N&atilde;o &eacute; porventura no &acirc;mbito religioso que se colocam as quest&otilde;es pessoais mais importantes e se procuram as respostas existenciais definitivas?<\/span><\/p>\n<p style=\"line-height: 14pt; text-align: justify;\">De facto, o tema religioso &eacute; dos mais tratados pelos artistas de cada &eacute;poca. A Igreja tem feito sempre apelo &agrave;s suas capacidades criativas, para interpretar a mensagem evang&eacute;lica e a sua aplica&ccedil;&atilde;o &agrave; vida concreta da comunidade crist&atilde;. Esta colabora&ccedil;&atilde;o tem sido fonte de m&uacute;tuo enriquecimento espiritual. Em &uacute;ltima inst&acirc;ncia, dela tirou vantagem a compreens&atilde;o do homem, da sua imagem aut&ecirc;ntica, da sua verdade. Sobressaiu tamb&eacute;m o la&ccedil;o peculiar que existe entre a arte e a revela&ccedil;&atilde;o crist&atilde;. Isto n&atilde;o quer dizer que o g&eacute;nio humano n&atilde;o tenha encontrado est&iacute;mulos tamb&eacute;m noutros contextos religiosos; basta recordar a arte antiga, sobretudo grega e romana, e a arte ainda florescente das vetustas civiliza&ccedil;&otilde;es do Oriente. A verdade &eacute; que o cristianismo, em virtude do dogma central da encarna&ccedil;&atilde;o do Verbo de Deus, oferece ao artista um horizonte particularmente rico de motivos de inspira&ccedil;&atilde;o. Que grande empobrecimento seria para a arte o abandono desse manancial inexaur&iacute;vel que &eacute; o Evangelho!<\/span><\/p>\n<p style=\"line-height: 14pt; text-align: justify;\"><b><i>Apelo aos artistas<\/span><\/i><\/b><\/span><\/p>\n<p style=\"line-height: 14pt; text-align: justify;\"><strong>14.<\/strong> Com esta Carta dirijo-me a v&oacute;s, artistas do mundo inteiro, para vos confirmar a minha estima e contribuir para o restabelecimento duma coopera&ccedil;&atilde;o mais prof&iacute;cua entre a arte e a Igreja. Convido-vos a descobrir a profundeza da dimens&atilde;o espiritual e religiosa que sempre caracterizou a arte nas suas formas expressivas mais nobres. Nesta perspectiva, fa&ccedil;o-vos um apelo a v&oacute;s, artistas da palavra escrita e oral, do teatro e da m&uacute;sica, das artes pl&aacute;sticas e das mais modernas tecnologias de comunica&ccedil;&atilde;o. Este apelo dirijo-o de modo especial a v&oacute;s, artistas crist&atilde;os: a cada um queria recordar que a alian&ccedil;a que sempre vigorou entre Evangelho e arte, independentemente das exig&ecirc;ncias funcionais, implica o convite a penetrar, pela intui&ccedil;&atilde;o criativa, no mist&eacute;rio de Deus encarnado e contemporaneamente no mist&eacute;rio do homem.<\/span><\/p>\n<p style=\"line-height: 14pt; text-align: justify;\">Cada ser humano &eacute;, de certo modo, um desconhecido para si mesmo. Jesus Cristo n&atilde;o Se limita a manifestar Deus, mas &ldquo;revela o homem a si mesmo&rdquo;.<sup> 23 <\/sup>Em Cristo, Deus reconciliou consigo o mundo. Todos os crentes s&atilde;o chamados a dar testemunho disto; mas compete a v&oacute;s, homens e mulheres que dedicastes a vossa vida &agrave; arte, afirmar com a riqueza da vossa genialidade que, em Cristo, o mundo est&aacute; redimido: est&aacute; redimido o homem, est&aacute; redimido o corpo humano, est&aacute; redimida a cria&ccedil;&atilde;o inteira, da qual S. Paulo escreveu que &ldquo;aguarda ansiosa a revela&ccedil;&atilde;o dos filhos de Deus&rdquo; (<i>Rm<\/i> 8,19). Aguarda a revela&ccedil;&atilde;o dos filhos de Deus, tamb&eacute;m atrav&eacute;s da arte e na arte. Esta &eacute; a vossa tarefa. Em contacto com as obras de arte, a humanidade de todos os tempos &ndash; tamb&eacute;m a de hoje &ndash; espera ser iluminada acerca do pr&oacute;prio caminho e destino.<\/span><\/p>\n<p style=\"line-height: 14pt; text-align: justify;\"><b><i>Esp&iacute;rito Criador e inspira&ccedil;&atilde;o art&iacute;stica<\/span><\/i><\/b><\/span><\/p>\n<p style=\"line-height: 14pt; text-align: justify;\"><strong>15.<\/strong> Na Igreja, ressoa muitas vezes esta invoca&ccedil;&atilde;o ao Esp&iacute;rito Santo: Veni, Creator Spiritus&#8230;, &ldquo;Vinde, Esp&iacute;rito Criador, as nossas mentes visitai, enchei da vossa gra&ccedil;a os cora&ccedil;&otilde;es que criastes&rdquo;.<sup>24<\/sup><\/span><\/p>\n<p style=\"line-height: 14pt; text-align: justify;\">Ao Esp&iacute;rito Santo, &ldquo;o Sopro&rdquo; (ruah), acena j&aacute; o livro do G&eacute;nesis: &ldquo;A terra era informe e vazia. As trevas cobriam o abismo, e o Esp&iacute;rito de Deus movia-Se sobre a superf&iacute;cie das &aacute;guas&rdquo; (Gn 1,2). Existe grande afinidade lexical entre &ldquo;sopro &ndash; expira&ccedil;&atilde;o&rdquo; e &ldquo;inspira&ccedil;&atilde;o&rdquo;. O Esp&iacute;rito &eacute; o misterioso artista do universo. Na perspectiva do terceiro mil&eacute;nio, fa&ccedil;o votos de que todos os artistas possam receber em abund&acirc;ncia o dom daquelas inspira&ccedil;&otilde;es criativas donde tem in&iacute;cio toda a aut&ecirc;ntica obra de arte.<\/span><\/p>\n<p style=\"line-height: 14pt; text-align: justify;\">Queridos artistas, como bem sabeis, s&atilde;o muitos os est&iacute;mulos, interiores e exteriores, que podem inspirar o vosso talento. Toda a aut&ecirc;ntica inspira&ccedil;&atilde;o, por&eacute;m, encerra em si qualquer fr&eacute;mito daquele &ldquo;sopro&rdquo; com que o Esp&iacute;rito Criador permeava, j&aacute; desde o in&iacute;cio, a obra da cria&ccedil;&atilde;o. Presidindo &agrave;s misteriosas leis que governam o universo, o sopro divino do Esp&iacute;rito Criador vem ao encontro do g&eacute;nio do homem e estimula a sua capacidade criativa. Aben&ccedil;oa-o com uma esp&eacute;cie de ilumina&ccedil;&atilde;o interior, que junta a indica&ccedil;&atilde;o do bem &agrave; do belo, e acorda nele as energias da mente e do cora&ccedil;&atilde;o, tornando-o apto para conceber a ideia e dar-lhe forma na obra de arte. Fala-se ent&atilde;o justamente, embora de forma anal&oacute;gica, de &ldquo;momentos de gra&ccedil;a&rdquo;, porque o ser humano tem a possibilidade de fazer uma certa experi&ecirc;ncia do Absoluto que o transcende.<\/span><\/p>\n<p style=\"line-height: 14pt; text-align: justify;\"><b><i>A &ldquo;Beleza&rdquo; que salva<\/span><\/i><\/b><\/span><\/p>\n<p style=\"line-height: 14pt; text-align: justify;\"><strong>16.<\/strong> J&aacute; no limiar do terceiro mil&eacute;nio, desejo a todos v&oacute;s, artistas car&iacute;ssimos, que sejais aben&ccedil;oados, com particular intensidade, por essas inspira&ccedil;&otilde;es criativas. A beleza, que transmitireis &agrave;s gera&ccedil;&otilde;es futuras, seja tal que avive nelas o assombro. Diante da sacralidade da vida e do ser humano, diante das maravilhas do universo, o assombro &eacute; a &uacute;nica atitude condigna.<\/span><\/p>\n<p style=\"line-height: 14pt; text-align: justify;\">De tal assombro poder&aacute; brotar aquele entusiasmo de que fala Norwid na poesia, a que me referi ao in&iacute;cio. Os homens de hoje e de amanh&atilde; t&ecirc;m necessidade deste entusiasmo, para enfrentar e vencer os desafios cruciais que se prefiguram no horizonte. Com tal entusiasmo, a humanidade poder&aacute;, depois de cada extravio, levantar-se de novo e retomar o seu caminho. Precisamente neste sentido foi dito, com profunda intui&ccedil;&atilde;o, que &ldquo;a beleza salvar&aacute; o mundo&rdquo;.<sup>25<\/sup><\/span><\/p>\n<p style=\"line-height: 14pt; text-align: justify;\">A beleza &eacute; chave do mist&eacute;rio e apelo ao transcendente. &Eacute; convite a saborear a vida e a sonhar o futuro. Por isso, a beleza das coisas criadas n&atilde;o pode saciar, e suscita aquela arcana saudade de Deus que um enamorado do belo, como Santo Agostinho, soube interpretar com express&otilde;es incompar&aacute;veis: &ldquo;Tarde Vos amei, &oacute; Beleza t&atilde;o antiga e t&atilde;o nova, tarde Vos amei!&rdquo;.<sup>26<\/sup><\/span><\/p>\n<p style=\"line-height: 14pt; text-align: justify;\">Que as vossas m&uacute;ltiplas sendas, artistas do mundo, possam conduzir todas &agrave;quele Oceano infinito de beleza, onde o assombro se converte em admira&ccedil;&atilde;o, inebriamento, alegria inexprim&iacute;vel.<\/span><\/p>\n<p style=\"line-height: 14pt; text-align: justify;\">Sirva-vos de guia e inspira&ccedil;&atilde;o o mist&eacute;rio de Cristo ressuscitado, em cuja contempla&ccedil;&atilde;o se alegra a Igreja nestes dias.<\/span><\/p>\n<p style=\"line-height: 14pt; text-align: justify;\">Acompanhe-vos a Virgem Santa, a &ldquo;toda bela&rdquo;, cuja ef&iacute;gie inumer&aacute;veis artistas delinearam e o grande Dante contempla nos esplendores do Para&iacute;so como &ldquo;beleza, que alegria era dos olhos de todos os outros santos&rdquo;.<sup>27<\/sup><\/span><\/p>\n<p style=\"line-height: 14pt; text-align: justify;\">&ldquo;Eleva-se do caos o mundo do esp&iacute;rito&rdquo;! A partir destas palavras, que Adam Mickiewicz escrevera numa hora de grande afli&ccedil;&atilde;o para a p&aacute;tria polaca,<sup>28<\/sup> formulo um voto para v&oacute;s: que a vossa arte contribua para a consolida&ccedil;&atilde;o duma beleza aut&ecirc;ntica que, como rev&eacute;rbero do Esp&iacute;rito de Deus, transfigure a mat&eacute;ria, abrindo os &acirc;nimos ao sentido do eterno!<\/span><\/p>\n<p style=\"line-height: 14pt; text-align: justify;\">Com os meus votos mais cordiais!<\/span><\/p>\n<p style=\"line-height: 14pt; text-align: right;\"><span style=\"font-size: 8pt;\"><i>Vaticano, 4 de Abril de 1999, Solenidade da P&aacute;scoa da Ressurrei&ccedil;&atilde;o.<br \/><\/i><\/span><i>Papa Jo&atilde;o Paulo II<br \/><\/span><\/i><\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"margin-left: 9.8pt; text-indent: -9.8pt; line-height: 14pt;\"><sup>1<\/span><\/sup> Dialogus de ludo globi, liv. II: Philosophisch-Theologische Schriften, III (Viena 1967), p. 332.<\/span><\/p>\n<p style=\"margin-left: 9.8pt; text-indent: -9.8pt; line-height: 14pt;\"><sup>2<\/span><\/sup> As virtudes morais, particularmente a prud&ecirc;ncia, d&atilde;o ao sujeito a possibilidade de agir de harmonia com o crit&eacute;rio do bem e do mal moral: segundo recta ratio agibilium (o justo crit&eacute;rio dos comportamentos). A arte, diversamente, &eacute; definida pela filosofia como recta ratio factibilium (o justo crit&eacute;rio das realiza&ccedil;&otilde;es).<\/span><\/p>\n<p style=\"margin-left: 9.8pt; text-indent: -9.8pt; line-height: 14pt;\"><sup>3 <\/span><\/sup>Promethidion, Bogumi<i>l<\/i>, vv. 185-186: Pisma wybrane, II (Vars&oacute;via 1968), p. 216.<\/span><\/p>\n<p style=\"margin-left: 9.8pt; text-indent: -9.8pt; line-height: 14pt;\"><sup>4<\/span><\/sup> A vers&atilde;o grega dos Setenta exprime claramente este aspecto, ao traduzir o termo hebraico t(o-)b (bom) por kal&oacute;n (belo).<\/span><\/p>\n<p style=\"margin-left: 9.8pt; text-indent: -9.8pt; line-height: 14pt;\"><sup>5<\/span><\/sup> Filebo, 65 A.<\/span><\/p>\n<p style=\"margin-left: 9.8pt; text-indent: -9.8pt; line-height: 14pt;\"><sup>6<\/span><\/sup> JO&Atilde;O PAULO II, Carta enc. Fides et ratio (14 de Setembro de 1998), 80: AAS 91 (1999), 67.<\/span><\/p>\n<p style=\"margin-left: 9.8pt; text-indent: -9.8pt; line-height: 14pt;\"><sup>7<\/span><\/sup> Este princ&iacute;pio pedag&oacute;gico foi enunciado pela pena autorizada de S. Greg&oacute;rio Magno, numa carta, do ano 599, escrita ao Bispo Sereno de Marselha: &ldquo;A pintura &eacute; usada nas igrejas, para que as pessoas analfabetas possam ler, pelo menos nas paredes, aquilo que n&atilde;o s&atilde;o capazes de ler nos livros&rdquo; (Epistul&aelig;, IX, 209: CCL 140A, 1714).<\/span><\/p>\n<p style=\"margin-left: 9.8pt; text-indent: -9.8pt; line-height: 14pt;\"><sup>8<\/span><\/sup> Lodi di Dio Altissimo, vv. 7 e 10: Fonti francescane, n. 261 (P&aacute;dua 1982), p. 177.<\/span><\/p>\n<p style=\"margin-left: 9.8pt; text-indent: -9.8pt; line-height: 14pt;\"><sup>9<\/span><\/sup> Legenda maior, IX, 1: Fonti francescane, n. 1162 (P&aacute;dua 1982), p. 911.<\/span><\/p>\n<p style=\"margin-left: 9.8pt; text-indent: -9.8pt; line-height: 14pt;\"><sup>10<\/span><\/sup> Enkomia na celebra&ccedil;&atilde;o do Orthr&oacute;s do Grande S&aacute;bado Santo.<\/span><\/p>\n<p style=\"margin-left: 9.8pt; text-indent: -9.8pt; line-height: 14pt;\"><sup>11<\/span><\/sup> Homilia I, 2: PG 34, 451.<\/span><\/p>\n<p style=\"margin-left: 9.8pt; text-indent: -9.8pt; line-height: 14pt;\"><sup>12<\/span><\/sup> &ldquo;At nobis ars una fides et musica Christus&rdquo; (Carmen 20, 31: CCL 203, 144).<\/span><\/p>\n<p style=\"margin-left: 9.8pt; text-indent: -9.8pt; line-height: 14pt;\"><sup>13<\/span><\/sup> Cf. JO&Atilde;O PAULO II, Carta ap. Duodecimum s&aelig;culum (4 de Dezembro de 1987), 8-9: AAS 80 (1988), 247-249.<\/span><\/p>\n<p style=\"margin-left: 9.8pt; text-indent: -9.8pt; line-height: 14pt;\"><sup>14<\/span><\/sup> A perspectiva invertida e outros escritos (Roma 1984), p. 63.<\/span><\/p>\n<p style=\"margin-left: 9.8pt; text-indent: -9.8pt; line-height: 14pt;\"><sup>15<\/span><\/sup> Paradiso XXV, 1-2.<\/span><\/p>\n<p style=\"margin-left: 9.8pt; text-indent: -9.8pt; line-height: 14pt;\"><sup>16<\/span><\/sup> Cf. JO&Atilde;O PAULO II, Homilia da Missa celebrada na conclus&atilde;o dos restauros dos frescos de Miguel &Acirc;ngelo na Capela Sistina (8 de Abril de 1994): L&#8217;Osservatore Romano (ed. port. de 16 de Abril de 1994), p. 7.<\/span><\/p>\n<p style=\"margin-left: 9.8pt; text-indent: -9.8pt; line-height: 14pt;\"><sup>17<\/span><\/sup> Cf. AAS 56 (1964), 438-444.<\/span><\/p>\n<p style=\"margin-left: 9.8pt; text-indent: -9.8pt; line-height: 14pt;\"><sup>18<\/span><\/sup> N. 62.<\/span><\/p>\n<p style=\"margin-left: 9.8pt; text-indent: -9.8pt; line-height: 14pt;\"><sup>19<\/span><\/sup> Mensagem do Conc&iacute;lio aos artistas (8 de Dezembro de 1965): AAS 58 (1966), 13.<\/span><\/p>\n<p style=\"margin-left: 9.8pt; text-indent: -9.8pt; line-height: 14pt;\"><sup>20<\/span><\/sup> Cf. n. 122.<\/span><\/p>\n<p style=\"margin-left: 9.8pt; text-indent: -9.8pt; line-height: 14pt;\"><sup>21<\/span><\/sup> CONC. ECUM. VAT. II, Const. past. sobre a Igreja no mundo contempor&acirc;neo Gaudium et spes, 62.<\/span><\/p>\n<p style=\"margin-left: 9.8pt; text-indent: -9.8pt; line-height: 14pt;\"><sup>22<\/span><\/sup> A teologia no s&eacute;culo XII (Mil&atilde;o 1992), p. 9.<\/span><\/p>\n<p style=\"margin-left: 9.8pt; text-indent: -9.8pt; line-height: 14pt;\"><sup>23<\/span><\/sup> CONC. ECUM. VAT. II, Const. past. sobre a Igreja no mundo contempor&acirc;neo Gaudium et spes, 22.<\/span><\/p>\n<p style=\"margin-left: 9.8pt; text-indent: -9.8pt; line-height: 14pt;\"><sup>24<\/span><\/sup> Hino de V&eacute;speras, na Solenidade de Pentecostes.<\/span><\/p>\n<p style=\"margin-left: 9.8pt; text-indent: -9.8pt; line-height: 14pt;\"><sup>25<\/span><\/sup> F. DOSTOEVSKIJ, O Idiota, parte III, cap. V (Mil&atilde;o 1998), p. 645.<\/span><\/p>\n<p style=\"margin-left: 9.8pt; text-indent: -9.8pt; line-height: 14pt;\"><sup>26<\/span><\/sup> &ldquo;Sero te amavi! Pulchritudo tam antiqua e tam nova, sero te amavi!&rdquo; (Confessiones 10, 27: CCL 27, 251).<\/span><\/p>\n<p style=\"margin-left: 9.8pt; text-indent: -9.8pt; line-height: 14pt;\"><sup>27<\/span><\/sup> Paradiso XXXI, 134-135.<\/span><\/p>\n<p style=\"margin-left: 9.8pt; text-indent: -9.8pt; line-height: 14pt;\"><sup>28<\/span><\/sup> Ode &agrave; juventude, v. 69: Wyb&oacute;r poezji, I (Wroclaw 1986), p. 63.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A todos aqueles que apaixonadamente procuram novas &ldquo;epifanias&rdquo; da beleza para oferec&ecirc;-las ao mundo como cria&ccedil;&atilde;o art&iacute;stica. &laquo;Deus, vendo toda [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":116,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[38],"tags":[],"class_list":["post-117","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-espaco-cultural"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v27.4 - 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