{"id":1444,"date":"2016-03-14T20:44:09","date_gmt":"2016-03-14T20:44:09","guid":{"rendered":"https:\/\/paroquiaqueijas.net\/site\/?p=1444"},"modified":"2026-03-21T15:40:56","modified_gmt":"2026-03-21T15:40:56","slug":"nota-pastoral-da-cep-sobre-a-eutanasia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/paroquiaqueijas.net\/portal\/nota-pastoral-da-cep-sobre-a-eutanasia\/","title":{"rendered":"Nota Pastoral da CEP sobre a Eutan\u00e1sia"},"content":{"rendered":"<p><strong><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\" alignright size-full wp-image-1443\" src=\"https:\/\/paroquiaqueijas.net\/portal\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/Eutanasia.jpg\" alt=\"Eutanasia\" width=\"300\" height=\"172\" style=\"float: right;\" \/>Eutan&aacute;sia: o que est&aacute; em causa? Contributos para um di&aacute;logo sereno e humanizador<\/strong><\/p>\n<p><strong>1<\/strong>. As quest&otilde;es ligadas &agrave; legaliza&ccedil;&atilde;o da eutan&aacute;sia e do suic&iacute;dio assistido est&atilde;o em discuss&atilde;o na Assembleia da Rep&uacute;blica e na sociedade. Como contributo para esse debate, que desejamos seja em di&aacute;logo sereno e humanizador, surge esta Nota Pastoral do Conselho Permanente da Confer&ecirc;ncia Episcopal Portuguesa sobre o que verdadeiramente est&aacute; em causa[1].<\/p>\n<p><strong>2.<\/strong> Por eutan&aacute;sia, deve entender-se &laquo;uma a&ccedil;&atilde;o ou omiss&atilde;o que, por sua natureza e nas inten&ccedil;&otilde;es, provoca a morte com o objetivo de eliminar o sofrimento&raquo;[2]. A ela se pode equiparar o suic&iacute;dio assistido, isto &eacute;, o ato pelo qual n&atilde;o se causa diretamente a morte de outrem, mas se presta aux&iacute;lio para que essa pessoa ponha termo &agrave; sua pr&oacute;pria vida.<br \/>Distinta da eutan&aacute;sia &eacute; a decis&atilde;o de renunciar &agrave; chamada obstina&ccedil;&atilde;o terap&ecirc;utica[3], ou seja, &laquo;a certas interven&ccedil;&otilde;es m&eacute;dicas j&aacute; inadequadas &agrave; situa&ccedil;&atilde;o real do doente, porque n&atilde;o proporcionadas aos resultados que se poderiam esperar ou ainda porque demasiado gravosas para ele e para a sua fam&iacute;lia&raquo;[4]. &laquo;A ren&uacute;ncia a meios extraordin&aacute;rios ou desproporcionados n&atilde;o equivale ao suic&iacute;dio ou &agrave; eutan&aacute;sia; exprime, antes, a aceita&ccedil;&atilde;o da condi&ccedil;&atilde;o humana perante a morte&raquo;[5]. &Eacute;, pois, bem diferente matar e aceitar a morte. Quer a eutan&aacute;sia, quer a obstina&ccedil;&atilde;o terap&ecirc;utica, constituem uma inger&ecirc;ncia humana antinatural nesse momento-limite que &eacute; a morte: a primeira antecipa esse momento, a segunda prolonga-o de forma artificialmente in&uacute;til e penosa.<\/p>\n<p><strong>3.<\/strong> De forma sint&eacute;tica, podemos dizer que subjacente &agrave; legaliza&ccedil;&atilde;o da eutan&aacute;sia e do suic&iacute;dio assistido est&aacute; a pretens&atilde;o de redefinir tomadas de consci&ecirc;ncia &eacute;ticas e jur&iacute;dicas ancestrais relativas ao respeito e &agrave; sacralidade da vida humana. Pretende-se que o mandamento de que nunca &eacute; l&iacute;cito matar uma pessoa humana inocente (&ldquo;N&atilde;o matar&aacute;s&rdquo;) seja substitu&iacute;do por um outro, que s&oacute; torna il&iacute;cito o ato de matar quando o visado quer viver. Consequentemente, intenta-se que a norma segundo a qual a vida humana &eacute; sempre merecedora de prote&ccedil;&atilde;o, porque um bem em si mesma e porque dotada de dignidade em qualquer circunst&acirc;ncia, seja substitu&iacute;da por um outro crit&eacute;rio, segundo o qual a dignidade e valor da vida humana podem variar e podem perder-se. Ora, na nossa conce&ccedil;&atilde;o, isto &eacute; inaceit&aacute;vel.<\/p>\n<p><strong>4.<\/strong> Para os crentes, a vida n&atilde;o &eacute; um objeto de que se possa dispor arbitrariamente, &eacute; um dom de Deus e uma miss&atilde;o a cumprir. E &eacute; no mist&eacute;rio da morte e ressurrei&ccedil;&atilde;o de Jesus que os crist&atilde;os encontram o sentido do sofrimento. Mas quando se discute a legisla&ccedil;&atilde;o de um Estado laico importa encontrar na raz&atilde;o, na lei natural e na tradi&ccedil;&atilde;o de uma sabedoria acumulada um fundamento para as op&ccedil;&otilde;es a tomar. O valor intr&iacute;nseco da vida humana em todas as suas fases e em todas as situa&ccedil;&otilde;es est&aacute; profundamente enraizado na nossa cultura e tem, inegavelmente, a marca judaico-crist&atilde;. Mas n&atilde;o &eacute; dif&iacute;cil encontrar na raz&atilde;o universal uma s&oacute;lida base para esse princ&iacute;pio. A Constitui&ccedil;&atilde;o Portuguesa reconhece-o ao afirmar categoricamente que &laquo;a vida humana &eacute; inviol&aacute;vel&raquo; (artigo 24&ordm;, n&ordm; 1).<\/p>\n<p><strong>5.<\/strong> A vida humana &eacute; o pressuposto de todos os direitos e de todos os bens terrenos. &Eacute; tamb&eacute;m o pressuposto da autonomia e da dignidade. Por isso, n&atilde;o pode justificar-se a morte de uma pessoa com o consentimento desta. O homic&iacute;dio n&atilde;o deixa de ser homic&iacute;dio por ser consentido pela v&iacute;tima. A inviolabilidade da vida humana n&atilde;o cessa com o consentimento do seu titular.<br \/>O direito &agrave; vida &eacute; indispon&iacute;vel, como o s&atilde;o outros direitos humanos fundamentais, express&atilde;o do valor objetivo da dignidade da pessoa humana. Tamb&eacute;m n&atilde;o podem justificar-se, mesmo com o consentimento da v&iacute;tima, a escravatura, o trabalho em condi&ccedil;&otilde;es desumanas ou um atentado &agrave; sa&uacute;de, por exemplo.<\/p>\n<p><strong>6.<\/strong> Por outro lado, nunca &eacute; absolutamente seguro que se respeita a vontade aut&ecirc;ntica de uma pessoa que pede a eutan&aacute;sia. Nunca pode haver a garantia absoluta de que o pedido de eutan&aacute;sia &eacute; verdadeiramente livre, inequ&iacute;voco e irrevers&iacute;vel.<br \/>Muitas vezes, traduz um estado de esp&iacute;rito moment&acirc;neo, que pode ser superado, ou &eacute; fruto de estados depressivos pass&iacute;veis de tratamento, ou ser&aacute; express&atilde;o de uma vontade de viver de outro modo (sem o sofrimento, a solid&atilde;o ou a falta de amor experimentados), ou um grito de desespero de quem se sente abandonado e quer chamar a aten&ccedil;&atilde;o dos outros. Mas n&atilde;o ser&aacute; a manifesta&ccedil;&atilde;o de uma aut&ecirc;ntica vontade de morrer. &Eacute;, pois, uma linguagem alternativa de quem pede socorro e proximidade afetiva. A d&uacute;vida h&aacute; de subsistir sempre, sendo que a decis&atilde;o de suprimir uma vida &eacute; a mais absolutamente irrevers&iacute;vel de qualquer das decis&otilde;es.<\/p>\n<p><strong>7.<\/strong> Em nome da autonomia, os que defendem a legaliza&ccedil;&atilde;o da eutan&aacute;sia e do suic&iacute;dio assistido n&atilde;o chegam, por ora, ao ponto de pretender a legaliza&ccedil;&atilde;o do homic&iacute;dio a pedido e do aux&iacute;lio ao suic&iacute;dio em quaisquer circunst&acirc;ncias. Pretendem apenas reconhecer a licitude da supress&atilde;o da vida, quando consentida, em situa&ccedil;&otilde;es de sofrimento intoler&aacute;vel ou em fases terminais. Desta forma, atentam contra o princ&iacute;pio de que a vida humana tem sempre a mesma dignidade, em todas as suas fases e independentemente das condi&ccedil;&otilde;es externas que a rodeiam. A dignidade da vida humana deixa de ser uma qualidade intr&iacute;nseca, passa a variar em grau e a depender de alguma dessas condi&ccedil;&otilde;es externas. Haveria, pois, situa&ccedil;&otilde;es em que a vida j&aacute; n&atilde;o merece prote&ccedil;&atilde;o (a prote&ccedil;&atilde;o que merece na generalidade das situa&ccedil;&otilde;es), por perder dignidade.<\/p>\n<p><strong>8.<\/strong> Invocam os partid&aacute;rios da legaliza&ccedil;&atilde;o da eutan&aacute;sia e do suic&iacute;dio assistido que, com essa legaliza&ccedil;&atilde;o, se respeita, apenas, a vontade e as conce&ccedil;&otilde;es sobre o sentido da vida e da morte, de quem solicita tais pedidos, sem tomar partido. Mas n&atilde;o &eacute; assim. O Estado e a ordem jur&iacute;dica, ao autorizarem tal pr&aacute;tica, est&atilde;o a tomar partido, est&atilde;o a confirmar que a vida permeada pelo sofrimento, ou em situa&ccedil;&otilde;es de total depend&ecirc;ncia dos outros, deixa de ter sentido e perde dignidade, pois s&oacute; nessas situa&ccedil;&otilde;es seria l&iacute;cito suprimi-la.<br \/>Quando um doente pede para morrer porque acha que a sua vida n&atilde;o tem sentido ou perdeu dignidade, ou porque lhe parece que &eacute; um peso para os outros, a resposta que os servi&ccedil;os de sa&uacute;de, a sociedade e o Estado devem dar a esse pedido n&atilde;o &eacute;: &laquo;Sim, a tua vida n&atilde;o tem sentido, a tua vida perdeu dignidade, &eacute;s um peso para os outros&raquo;. Mas a resposta deve ser outra: &laquo;N&atilde;o, a tua vida n&atilde;o perdeu sentido, n&atilde;o perdeu dignidade, tem valor at&eacute; ao fim, tu n&atilde;o &eacute;s peso para os outros, continuas a ter valor incomensur&aacute;vel para todos n&oacute;s&raquo;. Esta &eacute; a resposta de quem coloca todas as suas energias ao servi&ccedil;o dos doentes mais vulner&aacute;veis e sofredores e, por isso, mais carecidos de amor e cuidado; a primeira &eacute; a atitude simplista e anti-humana de quem n&atilde;o pretende implicar-se na quest&atilde;o do sentido da verdadeira &laquo;qualidade de vida&raquo; do pr&oacute;ximo e embarca na solu&ccedil;&atilde;o f&aacute;cil da eutan&aacute;sia ou do suic&iacute;dio assistido.<\/p>\n<p><strong>9.<\/strong> N&atilde;o se elimina o sofrimento com a morte: com a morte elimina-se a vida da pessoa que sofre. O sofrimento pode ser eliminado ou debelado com os cuidados paliativos, n&atilde;o com a morte. E hoje, as t&eacute;cnicas analg&eacute;sicas conseguem preservar de um sofrimento f&iacute;sico intoler&aacute;vel. Desta forma, pode afirmar-se que a eutan&aacute;sia &eacute; uma forma f&aacute;cil e ilus&oacute;ria de encarar o sofrimento, o qual s&oacute; se enfrenta verdadeiramente atrav&eacute;s da medicina paliativa e do amor concreto para com quem sofre.<br \/>Como afirma Bento XVI, &laquo;a grandeza da humanidade determina-se essencialmente na rela&ccedil;&atilde;o com o sofrimento e com quem sofre&raquo;[6].<br \/>Para al&eacute;m do c&iacute;rculo afetivo dos seus familiares e amigos, a dignidade de quem sofre reclama o cuidado m&eacute;dico proporcionado, mesmo que os atos terap&ecirc;uticos e os analg&eacute;sicos possam, pelo efeito secund&aacute;rio inerente a muitos deles, contribuir para algum encurtamento da vida. Neste caso, n&atilde;o se trata de eutan&aacute;sia, pois o objetivo n&atilde;o &eacute; dar a morte, mas preservar a dignidade humana e a &laquo;santidade de vida&raquo;, minimizando o sofrimento e criando as condi&ccedil;&otilde;es para a &laquo;qualidade de vida&raquo; poss&iacute;vel.<\/p>\n<p><strong>10.<\/strong> A mensagem que, atrav&eacute;s da legaliza&ccedil;&atilde;o da eutan&aacute;sia e do suic&iacute;dio assistido, assim se veicula tem graves implica&ccedil;&otilde;es sociais, que v&atilde;o para al&eacute;m de cada situa&ccedil;&atilde;o individual. Esta mensagem n&atilde;o pode deixar de ter efeitos no modo como toda a sociedade passar&aacute; a encarar a doen&ccedil;a e o sofrimento.<br \/>H&aacute; o s&eacute;rio risco de que a morte passe a ser encarada como resposta a estas situa&ccedil;&otilde;es, j&aacute; que a solu&ccedil;&atilde;o n&atilde;o passaria por um esfor&ccedil;o solid&aacute;rio de combate &agrave; doen&ccedil;a e ao sofrimento, mas pela supress&atilde;o da vida da pessoa doente e sofredora, pretensamente diminu&iacute;da na sua dignidade. E &eacute; mais f&aacute;cil e mais barato. Mas n&atilde;o &eacute; humano! Neste novo contexto cultural, o amor e a solidariedade para com os doentes deixar&atilde;o de ser t&atilde;o encorajados, como j&aacute; t&ecirc;m alertado associa&ccedil;&otilde;es de pessoas que sofrem das doen&ccedil;as em quest&atilde;o e que se sentem, obviamente, ofendidas quando veem que a morte &eacute; apresentada como &ldquo;solu&ccedil;&atilde;o&rdquo; para os seus problemas. E tamb&eacute;m &eacute; natural que haja doentes, de modo particular os mais pobres e d&eacute;beis, que se sintam socialmente pressionados a requerer a eutan&aacute;sia, porque se sentem &ldquo;a mais&rdquo; ou &ldquo;um peso&rdquo;.<br \/>&Eacute; este, sem d&uacute;vida, um perigo agravado num contexto de envelhecimento da popula&ccedil;&atilde;o e de restri&ccedil;&otilde;es financeiras dos servi&ccedil;os de sa&uacute;de que impl&iacute;cita ou explicitamente se podem questionar: para qu&ecirc; gastar tantos recursos com doentes terminais quando as suas vidas podem ser encurtadas?<\/p>\n<p><strong>11.<\/strong> N&atilde;o podemos ignorar que, entre n&oacute;s, uma grande parte dos doentes, especialmente os mais pobres e isolados, n&atilde;o tem acesso aos cuidados paliativos, que s&atilde;o a verdadeira resposta ao seu sofrimento.<br \/>A legaliza&ccedil;&atilde;o da eutan&aacute;sia e do suic&iacute;dio assistido contribuir&aacute; para atenuar a consci&ecirc;ncia social da import&acirc;ncia e urg&ecirc;ncia de alterar esta situa&ccedil;&atilde;o, porque poder&aacute; ser vista como uma alternativa mais f&aacute;cil e econ&oacute;mica.<\/p>\n<p><strong>12.<\/strong> Com esta Nota Pastoral, apelamos &agrave; consci&ecirc;ncia dos nossos legisladores.<br \/>Mas tamb&eacute;m sabemos que uma grande percentagem dos nossos concidad&atilde;os afirma aprovar a legaliza&ccedil;&atilde;o da eutan&aacute;sia e do suic&iacute;dio assistido. Estamos convictos de que muitos o fazem sem a consci&ecirc;ncia clara do que est&aacute; verdadeiramente em causa. Da&iacute; a import&acirc;ncia de um vasto trabalho de esclarecimento para o qual queremos dar o nosso contributo.<br \/>No Ano Jubilar da Miseric&oacute;rdia, recordamos que esta nos leva a ajudar a viver at&eacute; ao fim. N&atilde;o a matar ou a ajudar a morrer.<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">Conselho Permanente da Confer&ecirc;ncia Episcopal Portuguesa<br \/>F&aacute;tima, 8 de mar&ccedil;o de 2016<\/p>\n<p>[1] Sugerimos tamb&eacute;m a leitura da Nota Pastoral da Confer&ecirc;ncia Episcopal Portuguesa, &laquo;Cuidar da Vida at&eacute; &agrave; Morte&raquo;. Contributo para a reflex&atilde;o &eacute;tica sobre o morrer, publicada a 12 de novembro de 2009, in Documentos Pastorais, vol. VII, Lisboa 2002, 123-131.<br \/>[2] Jo&atilde;o Paulo II, Carta enc&iacute;clica Evangelium Vitae (25 de mar&ccedil;o de 1995), n. 65.<br \/>[3] Tamb&eacute;m designada por &ldquo;encarni&ccedil;amento m&eacute;dico&rdquo;.<br \/>[4] Jo&atilde;o Paulo II, Carta enc&iacute;clica Evangelium Vitae (25 de mar&ccedil;o de 1995), n. 65.<br \/>[5] Ibidem.<br \/>[6] Carta enc&iacute;clica Spe Salvi (30 de novembro de 2007), n. 38.<\/p>\n<hr \/>\n<p><span style=\"font-size: 12pt; color: rgb(255, 0, 255);\"><strong>PERGUNTAS E RESPOSTAS SOBRE A EUTAN&Aacute;SIA<\/strong><\/span><\/p>\n<p>ANEXO &agrave; Nota Pastoral do Conselho Permanente da Confer&ecirc;ncia Episcopal Portuguesa, &laquo;Eutan&aacute;sia: o que est&aacute; em jogo? Contributos para um di&aacute;logo sereno e humanizador&raquo;<\/p>\n<p><strong>1. O que s&atilde;o a eutan&aacute;sia e o suic&iacute;dio assistido?<\/strong><br \/>Etimologicamente, o termo &ldquo;eutan&aacute;sia&rdquo; deriva do grego: eu, &ldquo;boa&rdquo;, e thanatos, &ldquo;morte&rdquo;.<br \/>Por eutan&aacute;sia, deve entender-se &laquo;uma a&ccedil;&atilde;o ou omiss&atilde;o que, por sua natureza e nas inten&ccedil;&otilde;es, provoca a morte com o objetivo de eliminar o sofrimento&raquo;[1].<br \/>A ela se pode equiparar o suic&iacute;dio assistido, quando n&atilde;o se causa diretamente a morte de outrem, mas se presta aux&iacute;lio ao suic&iacute;dio de outrem, com o objetivo de eliminar o sofrimento. Tamb&eacute;m se usa a express&atilde;o &ldquo;suic&iacute;dio medicamente assistido&rdquo;, porque, de um modo geral, as legisla&ccedil;&otilde;es em vigor em v&aacute;rios Estados exigem que seja um m&eacute;dico a prestar esse aux&iacute;lio, do mesmo modo que as leis que permitem a eutan&aacute;sia exigem que seja um m&eacute;dico a pratic&aacute;-la.<\/p>\n<p><strong>2. Ser&aacute; a eutan&aacute;sia verdadeiramente uma &ldquo;morte assistida&rdquo;?<\/strong><br \/>&Eacute; usada, com frequ&ecirc;ncia, a express&atilde;o &ldquo;morte assistida&rdquo; como conceito que inclui a eutan&aacute;sia e o suic&iacute;dio assistido.<br \/>Mas trata-se de uma express&atilde;o enganadora e que pode confundir.<br \/>A eutan&aacute;sia e o suic&iacute;dio assistido representam o encurtamento intencional de uma vida. N&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel para ningu&eacute;m &mdash; saud&aacute;vel ou com uma doen&ccedil;a incur&aacute;vel &mdash; prever o momento da sua morte. A eutan&aacute;sia reflete a pretens&atilde;o de transformar a morte num &ldquo;acontecimento programado e calculado&rdquo;.<br \/>Prestar assist&ecirc;ncia a uma pessoa doente at&eacute; ao termo natural da sua vida &eacute; uma express&atilde;o da solidariedade humana e da caridade crist&atilde;; nesse sentido, poderia falar-se em &ldquo;morte assistida&rdquo;. Mas tal n&atilde;o deve confundir-se com a eutan&aacute;sia e o suic&iacute;dio assistido. Nestas situa&ccedil;&otilde;es, trata-se de provocar deliberadamente a morte de outra pessoa (de &ldquo;matar&rdquo;) ou de prestar ajuda ao suic&iacute;dio de outra pessoa (de ajudar a que outra pessoa &ldquo;se mate&rdquo;). A eutan&aacute;sia n&atilde;o acaba com o sofrimento, acaba com uma vida.<br \/>Em vez de &ldquo;morte assistida&rdquo;, faria mais sentido falarmos em &ldquo;vida assistida at&eacute; ao seu termo natural&rdquo;, garantindo ao doente terminal, atrav&eacute;s dos cuidados paliativos no aproximar do fim da vida, a assist&ecirc;ncia m&eacute;dica e humana necess&aacute;ria para o al&iacute;vio do sofrimento. &Eacute;, portanto, leg&iacute;timo reclamar a humaniza&ccedil;&atilde;o do fim da vida atrav&eacute;s de um conjunto de meios e aten&ccedil;&otilde;es, oferecendo &agrave; pessoa os cuidados de que necessita e que dignificam n&atilde;o apenas quem os recebe, mas tamb&eacute;m quem os pratica num ato de verdadeira compaix&atilde;o e generosidade.<\/p>\n<p><strong>3. O que &eacute; a obstina&ccedil;&atilde;o terap&ecirc;utica?<\/strong><br \/>A obstina&ccedil;&atilde;o terap&ecirc;utica &eacute; tamb&eacute;m designada como exacerba&ccedil;&atilde;o terap&ecirc;utica, encarni&ccedil;amento terap&ecirc;utico ou excesso terap&ecirc;utico.<br \/>Distinta da eutan&aacute;sia &eacute; a decis&atilde;o de renunciar &agrave; obstina&ccedil;&atilde;o terap&ecirc;utica, ou seja, &laquo;a certas interven&ccedil;&otilde;es m&eacute;dicas j&aacute; inadequadas &agrave; situa&ccedil;&atilde;o real do doente, porque n&atilde;o proporcionadas aos resultados que se poderiam esperar ou ainda porque demasiado gravosas para ele e para a sua fam&iacute;lia&raquo;[2]. &laquo;A ren&uacute;ncia a meios extraordin&aacute;rios ou desproporcionados n&atilde;o equivale ao suic&iacute;dio ou &agrave; eutan&aacute;sia; exprime, antes, a aceita&ccedil;&atilde;o da condi&ccedil;&atilde;o humana perante a morte&raquo;[3].<br \/>A obstina&ccedil;&atilde;o terap&ecirc;utica corresponde, assim, &agrave; aplica&ccedil;&atilde;o de todos os m&eacute;todos, diagn&oacute;sticos e terap&ecirc;uticos conhecidos, &mdash; mas que n&atilde;o visam proporcionar qualquer benef&iacute;cio ao doente &mdash;, com o objetivo de prolongar de forma artificial e in&uacute;til a sua vida, impedindo, portanto, atrav&eacute;s de uma atua&ccedil;&atilde;o terap&ecirc;utica desadequada e excessiva (desproporcionada), que a natureza siga o seu curso. Esta abordagem n&atilde;o &eacute; desej&aacute;vel; &eacute;, ali&aacute;s, eticamente conden&aacute;vel, corresponde a m&aacute; pr&aacute;tica m&eacute;dica e conduz &agrave; chamada distan&aacute;sia.<br \/>Na escolha da interven&ccedil;&atilde;o adequada (proporcionada), o m&eacute;dico dever&aacute; ponderar bem os meios, o grau de dificuldade e de risco, o custo e as possibilidades de aplica&ccedil;&atilde;o, em confronto com o resultado que se pode esperar, atendendo ao estado do doente e &agrave;s suas for&ccedil;as f&iacute;sicas e morais[4].<br \/>Nem sempre &eacute; f&aacute;cil estabelecer uma linha clara entre a interven&ccedil;&atilde;o terap&ecirc;utica adequada e a obstina&ccedil;&atilde;o terap&ecirc;utica. Cada caso deve ser avaliado na sua especificidade, de acordo com os meios dispon&iacute;veis e com os avan&ccedil;os da medicina a cada momento. Seja como for, a medicina deve intervir sempre que haja uma esperan&ccedil;a fundada de salvar a vida, devendo questionar-se medidas que n&atilde;o servem este prop&oacute;sito e se destinam apenas a prolongar a vida do doente. No entanto, importa sublinhar que a suspens&atilde;o de algumas medidas terap&ecirc;uticas que correspondam &agrave; obstina&ccedil;&atilde;o terap&ecirc;utica n&atilde;o implica a suspens&atilde;o de outras, destinadas, por exemplo, a aliviar a dor do paciente.<br \/>&Eacute;, pois, bem diferente matar e aceitar a morte. Quer a eutan&aacute;sia, quer a obstina&ccedil;&atilde;o terap&ecirc;utica, desrespeitam o momento natural da morte: a primeira antecipa esse momento, a segunda prolonga-o de forma artificialmente in&uacute;til e penosa.<\/p>\n<p><strong>4. O que &eacute; a distan&aacute;sia?<\/strong><br \/>Etimologicamente, significa o contr&aacute;rio de eutan&aacute;sia.<br \/>A distan&aacute;sia consiste em utilizar todos os meios poss&iacute;veis &mdash; sem que exista uma esperan&ccedil;a de cura &mdash; para prolongar de forma artificial a vida de um doente moribundo. Est&aacute; associada &agrave; obstina&ccedil;&atilde;o terap&ecirc;utica. A distan&aacute;sia &eacute; tamb&eacute;m considerada como a morte em m&aacute;s condi&ccedil;&otilde;es de apoio cl&iacute;nico e humano (&ldquo;m&aacute; morte&rdquo;), associada &agrave; dor, sofrimento e a outros sintomas causadores de desconforto e inc&oacute;modo significativo.<\/p>\n<p><strong>5. A eutan&aacute;sia &eacute; sempre volunt&aacute;ria?<\/strong><br \/>As legisla&ccedil;&otilde;es atualmente vigentes em v&aacute;rios Estados exigem que a eutan&aacute;sia corresponda a um pedido livre e reiterado do doente, ao contr&aacute;rio do que se verificou no regime nacional-socialista alem&atilde;o.<br \/>Mas as legisla&ccedil;&otilde;es holandesa e belga permitem a eutan&aacute;sia de crian&ccedil;as com o consentimento dos pais. D&atilde;o, assim, relevo &agrave; vontade de crian&ccedil;as numa quest&atilde;o de relev&acirc;ncia muito superior a outras, para as quais n&atilde;o &eacute; dado esse realce. Deve questionar-se se estamos, nestes casos, perante uma eutan&aacute;sia volunt&aacute;ria.<br \/>Essas legisla&ccedil;&otilde;es tamb&eacute;m permitem a eutan&aacute;sia de pessoas dementes quando a vontade destas se manifestou antes do evoluir da doen&ccedil;a e quando ainda estavam em condi&ccedil;&otilde;es de o fazer em consci&ecirc;ncia. Mas falta, nestes casos, no momento em que a eutan&aacute;sia &eacute; praticada, uma express&atilde;o de vontade atual; n&atilde;o sabemos, pois, se a pessoa em causa n&atilde;o poderia ter mudado de opini&atilde;o entretanto, como muitas vezes sucede com o aproximar da morte.<br \/>Para al&eacute;m disso, e embora sem cobertura legal, mas tamb&eacute;m sem que essa pr&aacute;tica tenha dado origem a qualquer acusa&ccedil;&atilde;o ou condena&ccedil;&atilde;o judicial, na Holanda e na B&eacute;lgica, verifica-se a pr&aacute;tica da eutan&aacute;sia em crian&ccedil;as rec&eacute;m-nascidas com defici&ecirc;ncias graves e em adultos com grave defici&ecirc;ncia e incapazes de exprimir a sua vontade consciente. N&atilde;o podemos falar, nestes casos, em eutan&aacute;sia volunt&aacute;ria[5].<\/p>\n<p><strong>6. A quest&atilde;o da legaliza&ccedil;&atilde;o da eutan&aacute;sia e do suic&iacute;dio assistido envolve op&ccedil;&otilde;es religiosas?<\/strong><br \/>Para os crentes, a vida n&atilde;o &eacute; um objeto de que se possa dispor arbitrariamente, &eacute; um dom de Deus e uma miss&atilde;o a cumprir. E &eacute; no mist&eacute;rio da morte e ressurrei&ccedil;&atilde;o de Jesus que os crist&atilde;os encontram o sentido do sofrimento. Mas quando se discute a legisla&ccedil;&atilde;o de um Estado laico importa encontrar na raz&atilde;o, na lei natural e na tradi&ccedil;&atilde;o de uma sabedoria acumulada um fundamento para as op&ccedil;&otilde;es a tomar. Esse fundamento reside no valor da vida humana em todas as suas fases e em todas as situa&ccedil;&otilde;es. A Constitui&ccedil;&atilde;o Portuguesa reconhece-o ao afirmar categoricamente que &laquo;a vida humana &eacute; inviol&aacute;vel&raquo; (artigo 24&ordm;, n&ordm; 1).<\/p>\n<p><strong>7. Quais s&atilde;o os principais argumentos dos defensores da legaliza&ccedil;&atilde;o da eutan&aacute;sia e do suic&iacute;dio assistido?<\/strong><br \/>Por um lado, s&atilde;o invocados os direitos de liberdade e autonomia individuais: cada um dever&aacute; poder dispor da sua vida. O direito &agrave; vida ser&aacute; dispon&iacute;vel e renunci&aacute;vel. Haver&aacute; um direito a morrer, e a morrer com dignidade, como h&aacute; um direito a viver.<br \/>Por outro lado, a eutan&aacute;sia &eacute; apresentada como um ato compassivo e de benevol&ecirc;ncia, que p&otilde;e termo a um sofrimento in&uacute;til e sem sentido. A vida deixa de merecer prote&ccedil;&atilde;o quando &eacute; marcada pelo sofrimento e perde, ent&atilde;o, dignidade.<br \/>Podemos dizer que subjacente &agrave; legaliza&ccedil;&atilde;o da eutan&aacute;sia e do suic&iacute;dio assistido est&aacute; a pretens&atilde;o de redefinir mandamentos relativos ao respeito e &agrave; sacralidade da vida humana. Pretende-se que o mandamento de que nunca &eacute; l&iacute;cito matar uma pessoa humana inocente (&laquo;N&atilde;o matar&aacute;s&raquo;) seja substitu&iacute;do por um outro, que s&oacute; torna il&iacute;cito o ato de matar quando o visado quer viver. Consequentemente, intenta-se que a norma segundo o qual a vida humana &eacute; sempre merecedora de prote&ccedil;&atilde;o, porque um bem em si mesma e porque dotada de dignidade em qualquer circunst&acirc;ncia, seja substitu&iacute;da por um outro crit&eacute;rio, segundo o qual a dignidade e valor da vida humana podem variar e podem perder-se. Ora, na nossa conce&ccedil;&atilde;o, isto &eacute; inaceit&aacute;vel.<br \/>Argumenta-se, tamb&eacute;m, que a legaliza&ccedil;&atilde;o da eutan&aacute;sia e do suic&iacute;dio assistido seria uma exig&ecirc;ncia da liberdade de convic&ccedil;&atilde;o e consci&ecirc;ncia e da liberdade religiosa, assim como da neutralidade ideol&oacute;gica do Estado. Haveria que respeitar a liberdade de quem considera que a sua vida n&atilde;o tem sentido, que o seu sofrimento n&atilde;o tem sentido, mesmo que outros, em iguais circunst&acirc;ncias, considerem que a sua vida e o seu sofrimento t&ecirc;m sentido.<br \/>Invoca-se, ainda, a necessidade de regular uma situa&ccedil;&atilde;o que j&aacute; existe como pr&aacute;tica clandestina, evitando abusos e reduzindo os seus danos.<\/p>\n<p><strong>8. A legaliza&ccedil;&atilde;o da eutan&aacute;sia &eacute; uma exig&ecirc;ncia do respeito pela autonomia da pessoa?<\/strong><br \/>N&atilde;o &eacute; l&oacute;gico contrapor o valor da vida humana ao valor da liberdade e da autonomia. &Eacute; que a autonomia sup&otilde;e a vida e sua dignidade. A vida &eacute; um bem indispon&iacute;vel, o pressuposto de todos os outros bens terrenos e de todos os direitos. N&atilde;o pode invocar-se a autonomia contra a vida, pois s&oacute; &eacute; livre quem vive. N&atilde;o se alcan&ccedil;a a liberdade da pessoa com a supress&atilde;o da vida dessa pessoa. A eutan&aacute;sia e o suic&iacute;dio n&atilde;o representam um exerc&iacute;cio de liberdade, mas a supress&atilde;o da pr&oacute;pria raiz da liberdade.<\/p>\n<p><strong>9. Todos os direitos s&atilde;o dispon&iacute;veis?<\/strong><br \/>O direito &agrave; vida &eacute; indispon&iacute;vel. N&atilde;o pode justificar-se a morte de uma pessoa com o consentimento desta. O homic&iacute;dio n&atilde;o deixa de ser homic&iacute;dio por ser consentido pela v&iacute;tima. A inviolabilidade da vida humana, consagrada no artigo 24&ordm;, n&ordm; 1, da Constitui&ccedil;&atilde;o Portuguesa, n&atilde;o cessa com o consentimento do seu titular.<br \/>O direito &agrave; vida &eacute; indispon&iacute;vel, como o s&atilde;o outros direitos humanos fundamentais, express&atilde;o do valor objetivo da dignidade da pessoa humana. Tamb&eacute;m n&atilde;o podem justificar-se, mesmo com o consentimento da v&iacute;tima, a escravatura, o trabalho em condi&ccedil;&otilde;es desumanas ou um atentado &agrave; sa&uacute;de, por exemplo. &Eacute; irrenunci&aacute;vel o direito &agrave; seguran&ccedil;a social. At&eacute; em quest&otilde;es de menor relevo, como na obrigatoriedade de uso de capacetes de prote&ccedil;&atilde;o ou cinto de seguran&ccedil;a, no tr&acirc;nsito ou em determinados trabalhos, se manifesta a indisponibilidade de alguns direitos.<\/p>\n<p><strong>10. Pode falar-se em &ldquo;direito a morrer&rdquo; e em &ldquo;direito a morrer com dignidade&rdquo;?<\/strong><br \/>&Eacute; absurdo falar em &ldquo;direito &agrave; morte&rdquo;, como seria absurdo falar em &ldquo;direito &agrave; doen&ccedil;a&rdquo;, porque o direito tem sempre por objeto um bem (&agrave; vida, &agrave; sa&uacute;de, &agrave; liberdade) na perspetiva da realiza&ccedil;&atilde;o humana pessoal, e a morte n&atilde;o &eacute; nunca, em si mesma, um bem, pois todos os bens terrenos pressup&otilde;em a vida, e nunca a morte. O &ldquo;direito &agrave; morte&rdquo; seria ainda mais contradit&oacute;rio do que uma escravid&atilde;o legitimada pelo consentimento da v&iacute;tima.<br \/>&ldquo;Direito a morrer com dignidade&rdquo; ter&aacute; sentido se com isso se pretende designar a morte em condi&ccedil;&otilde;es humanamente dignas, com a proximidade e o amor dos entes queridos e com cuidados paliativos, se necess&aacute;rios. N&atilde;o certamente se com isso se designa alguma forma de morte provocada, como o s&atilde;o a eutan&aacute;sia e o suic&iacute;dio assistido. N&atilde;o se compreende que uma morte seja digna por ser provocada, ou mais digna por ser provocada.<\/p>\n<p><strong>11. Pode dizer-se que &eacute; aut&ecirc;ntica a manifesta&ccedil;&atilde;o de vontade de doentes terminais que pedem a eutan&aacute;sia?<\/strong><br \/>Pode dizer-se que nunca &eacute; absolutamente seguro que se respeita a vontade aut&ecirc;ntica de uma pessoa que pede a eutan&aacute;sia. Nunca pode haver a garantia absoluta de que o pedido de eutan&aacute;sia &eacute; verdadeiramente livre, inequ&iacute;voco e irrevers&iacute;vel.<br \/>Muitas vezes, traduz uma ideia moment&acirc;nea, frequentemente condicionada por um humor depressivo, e que, ap&oacute;s o tratamento psiqui&aacute;trico adequado, pode ser alterada. Em fases terminais sucedem-se momentos de desespero alternando com outros de apego &agrave; vida. Porqu&ecirc; respeitar a vontade expressa num momento, e n&atilde;o noutro? N&atilde;o poderia a pessoa vir a arrepender-se mais tarde, como se arrependem a maior parte dos que tentam o suic&iacute;dio? &Eacute; que a decis&atilde;o de suprimir uma vida &eacute; a mais absolutamente irrevers&iacute;vel de qualquer das decis&otilde;es, dela nunca pode voltar-se atr&aacute;s.<br \/>Que certeza pode haver de que o pedido de morte &eacute; bem interpretado, n&atilde;o ser&aacute; ambivalente, talvez mais express&atilde;o de uma vontade de viver de outro modo, sem o sofrimento, a solid&atilde;o ou a falta de amor experimentados, do que de morrer? Ou de que esse pedido n&atilde;o &eacute; mais do que um grito de desespero de quem se sente abandonado e quer chamar a aten&ccedil;&atilde;o dos outros? Ou de que n&atilde;o &eacute; consequ&ecirc;ncia de estados depressivos pass&iacute;veis de tratamento? Estando em jogo a vida ou a morte, a m&iacute;nima d&uacute;vida a este respeito seria suficiente para optar pela vida (in dubio pro vita). E poder&aacute; estar alguma vez afastada essa m&iacute;nima d&uacute;vida?<br \/>Num estudo realizado por Emanuel et al. (2000)[6] com 988 doentes terminais, cerca de 10,6% destes doentes referiram considerar pedir a eutan&aacute;sia, ou o suic&iacute;dio medicamente assistido, para si pr&oacute;prios. No entanto, cerca de 6 meses mais tarde, cerca de 50,7 % desses doentes mudaram de opini&atilde;o, recusando a eutan&aacute;sia. Al&eacute;m disso, os sintomas depressivos estavam associados aos pedidos de eutan&aacute;sia.<\/p>\n<p><strong>12. O valor da vida tem relevo apenas individual?<\/strong><br \/>A vida n&atilde;o pode ser concebida como um objeto de uso privado, como se estivesse de forma incondicional &agrave; disposi&ccedil;&atilde;o do seu propriet&aacute;rio para a usar ou a deitar fora de acordo com o seu estado de esp&iacute;rito ou determinada circunst&acirc;ncia. Ningu&eacute;m vive para si mesmo, como tamb&eacute;m ningu&eacute;m morre para si pr&oacute;prio. A vida tem uma refer&ecirc;ncia social e transpessoal, associada ao amor, &agrave; responsabilidade, &agrave; interdepend&ecirc;ncia e ao bem comum.<br \/>E o valor da vida de cada pessoa para toda a sociedade n&atilde;o desaparece quando essa pessoa deixa de ser &uacute;til, deixa de produzir, perde quaisquer capacidades, ou pode vir a ser sentida como &ldquo;peso&rdquo; pelos outros.<\/p>\n<p><strong>13. Faz sentido falar em vidas que perdem dignidade, ou vidas &ldquo;indignas de ser vividas&rdquo;?<\/strong><br \/>A vida humana &eacute; &uacute;nica, irrepet&iacute;vel e encerra sempre um mist&eacute;rio. A dignidade de uma pessoa n&atilde;o se mede pela sua popularidade, pela sua utilidade para a sociedade, nem diminui com o sofrimento ou a proximidade da morte. Se a vida humana n&atilde;o vale por si mesma, qualquer um pode sempre instrumentaliz&aacute;-la em fun&ccedil;&atilde;o de qualquer finalidade.<br \/>A dignidade da vida humana n&atilde;o depende de circunst&acirc;ncias externas e nunca se perde. N&atilde;o &eacute; menor, nem se perde, por estar marcada pela doen&ccedil;a e pelo sofrimento.<\/p>\n<p><strong>14. Ser&aacute; o sofrimento f&iacute;sico e ps&iacute;quico uma justifica&ccedil;&atilde;o para a eutan&aacute;sia ou o suic&iacute;dio assistido?<\/strong><br \/>Importa lembrar que com a eutan&aacute;sia e o suic&iacute;dio assistido n&atilde;o se elimina, ou atenua, o sofrimento, elimina-se, sim, a vida da pessoa que sofre. A eutan&aacute;sia e o suic&iacute;dio assistido s&atilde;o uma forma f&aacute;cil e ilus&oacute;ria de enfrentar o sofrimento, o qual s&oacute; se enfrenta verdadeiramente atrav&eacute;s dos cuidados paliativos e do amor concreto para com quem sofre.<br \/>H&aacute; que combater, atrav&eacute;s dos cuidados paliativos, o sofrimento que pode ser evitado. Tais cuidados permitem eliminar o sofrimento f&iacute;sico intoler&aacute;vel.<br \/>Mas a dor e o sofrimento, f&iacute;sico e ps&iacute;quico, fazem parte da natureza humana e acompanham o homem ao longo da sua vida. A alegria do nascimento de um filho &eacute; antecedida pelo sofrimento do parto. Na vida de qualquer pessoa, os momentos de alegria e bem-estar v&atilde;o alternando com per&iacute;odos mais ou menos prolongados de tristeza e sofrimento. &Eacute; imposs&iacute;vel julgar que se pode viver evitando a dor ou o sofrimento. E a morte nunca pode ser resposta. Se o fosse, estaria aberta a porta &agrave; legaliza&ccedil;&atilde;o do homic&iacute;dio a pedido e do aux&iacute;lio ao suic&iacute;dio em quaisquer circunst&acirc;ncias, o que n&atilde;o advogam os defensores da legaliza&ccedil;&atilde;o da eutan&aacute;sia e do suic&iacute;dio assistido. E deixariam de ter sentido as pol&iacute;ticas p&uacute;blicas de preven&ccedil;&atilde;o do suic&iacute;dio.<br \/>H&aacute; que evitar o sofrimento f&iacute;sico e ps&iacute;quico destrutivo e intoler&aacute;vel, neles intervir ativamente e ajudar a encontrar um sentido para o sofrimento que n&atilde;o pode ser evitado, que faz parte da vida, em qualquer das suas fases, com ou sem doen&ccedil;a. Os crist&atilde;os encontram esse sentido no sofrimento que Jesus Cristo experimentou at&eacute; &agrave; morte na Cruz. Crentes e n&atilde;o crentes podem ver no sofrimento um desafio que nos faz crescer em humanidade (e n&atilde;o &eacute; humanamente ben&eacute;fica a pretens&atilde;o ilus&oacute;ria de fugir ao sofrimento inevit&aacute;vel).<br \/>Dizia Viktor Frankl, um psiquiatra judeu que sobreviveu aos tormentos de um campo de concentra&ccedil;&atilde;o nazi, e que desenvolveu a logoterapia: &laquo;quando n&atilde;o podemos mudar certas circunst&acirc;ncias da vida, somos desafiados a mudar-nos a n&oacute;s pr&oacute;prios&raquo;[7].<br \/>Como afirma Bento XVI, &laquo;a grandeza da humanidade determina-se essencialmente na rela&ccedil;&atilde;o com o sofrimento e com quem sofre&raquo;[8].<br \/>Para al&eacute;m do c&iacute;rculo afetivo dos seus familiares e amigos, a dignidade de quem sofre reclama o cuidado m&eacute;dico proporcionado, mesmo que os atos terap&ecirc;uticos e os analg&eacute;sicos possam, pelo efeito secund&aacute;rio inerente a muitos deles, contribuir para algum encurtamento da vida. Neste caso, n&atilde;o se trata de eutan&aacute;sia, pois o objetivo n&atilde;o &eacute; dar a morte, mas preservar a dignidade humana e a &laquo;santidade de vida&raquo;, minimizando o sofrimento e criando as condi&ccedil;&otilde;es para a &laquo;qualidade de vida&raquo; poss&iacute;vel.<\/p>\n<p><strong>15. A legaliza&ccedil;&atilde;o da eutan&aacute;sia e do suic&iacute;dio assistido s&atilde;o uma exig&ecirc;ncia do respeito pela liberdade de convic&ccedil;&atilde;o e consci&ecirc;ncia e da liberdade religiosa, assim como da neutralidade ideol&oacute;gica do Estado?<\/strong><br \/>Para justificar a legaliza&ccedil;&atilde;o da eutan&aacute;sia e do suic&iacute;dio assistido, h&aacute; quem alegue que dessa forma o Estado n&atilde;o toma qualquer partido a respeito de conce&ccedil;&otilde;es sobre o sentido da vida e da morte e respeita, apenas, a vontade e as conce&ccedil;&otilde;es sobre o sentido da vida e da morte de quem solicita tais pedidos.<br \/>N&atilde;o &eacute; assim. O Estado e a ordem jur&iacute;dica, ao autorizarem tal pr&aacute;tica, dando-lhes o seu apoio, est&atilde;o a tomar partido, est&atilde;o a confirmar que a vida permeada pelo sofrimento, ou em situa&ccedil;&otilde;es de total depend&ecirc;ncia dos outros, deixa de ter sentido e perde dignidade, pois s&oacute; nessas situa&ccedil;&otilde;es seria l&iacute;cito suprimi-la.<br \/>Quando um doente pede para morrer porque acha que a sua vida n&atilde;o tem sentido ou perdeu dignidade, ou porque lhe parece um peso para os outros, a resposta que os servi&ccedil;os de sa&uacute;de, a sociedade e o Estado devem dar a esse pedido n&atilde;o &eacute;: &laquo;Sim, a tua vida n&atilde;o tem sentido, a tua vida perdeu dignidade, &eacute;s um peso para os outros&raquo;. Mas a resposta deve ser outra: &laquo;N&atilde;o, a tua vida n&atilde;o perdeu sentido, n&atilde;o perdeu dignidade, tem valor at&eacute; ao fim, tu n&atilde;o &eacute;s peso para os outros, continuas a ter valor incomensur&aacute;vel para todos n&oacute;s&raquo;. Esta &eacute; a resposta de quem coloca todas as suas energias ao servi&ccedil;o dos doentes mais vulner&aacute;veis e sofredores e, por isso, mais carecidos de cuidados e amor; a primeira &eacute; a atitude simplista e anti-humana de quem n&atilde;o pretende implicar-se na quest&atilde;o do sentido da verdadeira &laquo;qualidade de vida&raquo; do pr&oacute;ximo e embarca na solu&ccedil;&atilde;o f&aacute;cil da eutan&aacute;sia ou do suic&iacute;dio assistido.<\/p>\n<p><strong>16. Mas n&atilde;o ser&aacute; prefer&iacute;vel regular uma situa&ccedil;&atilde;o que j&aacute; existe como pr&aacute;tica clandestina, evitando abusos e reduzindo os seus danos?<\/strong><br \/>Este tipo de argumenta&ccedil;&atilde;o foi j&aacute; utilizado nas campanhas pela legaliza&ccedil;&atilde;o do aborto. E h&aacute; quem o invoque em favor da legaliza&ccedil;&atilde;o da venda e consumo de droga, por exemplo. H&aacute; que salientar, desde logo, por&eacute;m, que a eventual pr&aacute;tica clandestina da eutan&aacute;sia n&atilde;o tem compara&ccedil;&atilde;o com a pr&aacute;tica do aborto clandestino ou com o consumo e tr&aacute;fico de droga.<br \/>Este tipo de racioc&iacute;nio levaria a desistir de combater qualquer crime, pois se verifica sempre a sua pr&aacute;tica clandestina.<br \/>E a experi&ecirc;ncia revela que, depois da legaliza&ccedil;&atilde;o da eutan&aacute;sia, continua a pr&aacute;tica desta tamb&eacute;m fora do quadro legal, sendo que n&atilde;o h&aacute; not&iacute;cia de condena&ccedil;&otilde;es judiciais por isso. A tend&ecirc;ncia ser&aacute;, mesmo, para intensificar essa pr&aacute;tica clandestina, devido a um clima de maior permissividade perante qualquer tipo de eutan&aacute;sia, seja ela legal ou n&atilde;o.<\/p>\n<p><strong>17. Pode considerar-se a legaliza&ccedil;&atilde;o da eutan&aacute;sia um progresso civilizacional?<\/strong><br \/>A legaliza&ccedil;&atilde;o da eutan&aacute;sia e do suic&iacute;dio assistido s&atilde;o habitualmente apresentadas junto da opini&atilde;o p&uacute;blica como mais um sinal de progressismo, numa linha de promo&ccedil;&atilde;o da liberdade individual. Os opositores surgem como antiquados.<br \/>Ser&aacute; importante recordar que a legaliza&ccedil;&atilde;o da eutan&aacute;sia e do suic&iacute;dio assistido n&atilde;o s&atilde;o um progresso civilizacional, mas antes um retrocesso. Em diversas sociedades primitivas, bem como na Gr&eacute;cia e na Roma antigas, a eutan&aacute;sia era praticada. Os idosos, os doentes incur&aacute;veis e os &ldquo;cansados de viver&rdquo; podiam suicidar-se ou submeter-se a pr&aacute;ticas e ritos destinados a provocar uma &ldquo;morte honrosa&rdquo;. A morte de anci&atilde;os foi praticada em algumas tribos de Akaran (&Iacute;ndia), do Sian inferior, entre os cachibas e os tupis do Brasil. Na Europa entre os antigos wendi, povo eslavo, e at&eacute; no s&eacute;culo XX na R&uacute;ssia na seita pseudo-religiosa dos &ldquo;estranguladores&rdquo;[9].<br \/>A valoriza&ccedil;&atilde;o e a defesa da vida humana em todas as suas fases foram institu&iacute;das, em grande parte, pelo cristianismo. O verdadeiro progresso da humanidade foi no sentido de criar leis e normas que defendam a vida humana e impe&ccedil;am o mais forte de exercer o seu poder sobre o mais fraco (a aboli&ccedil;&atilde;o do infantic&iacute;dio, da escravatura, da tortura, da discrimina&ccedil;&atilde;o racial, etc.). Uma sociedade ser&aacute; tanto mais justa e fraterna quanto melhor tratar e cuidar dos seus membros mais vulner&aacute;veis.<\/p>\n<p><strong>18. Quais ser&atilde;o as consequ&ecirc;ncias sociais da legaliza&ccedil;&atilde;o da eutan&aacute;sia?<\/strong><br \/>A mensagem que, atrav&eacute;s da legaliza&ccedil;&atilde;o da eutan&aacute;sia e do suic&iacute;dio assistido, assim se veicula tem graves implica&ccedil;&otilde;es sociais, que v&atilde;o para al&eacute;m de cada situa&ccedil;&atilde;o individual. Esta mensagem n&atilde;o pode deixar de ter efeitos no modo como toda a sociedade passar&aacute; a encarar a doen&ccedil;a e o sofrimento.<br \/>A quebra de um interdito fundamental (&ldquo;n&atilde;o matar&rdquo;) que estrutura, como s&oacute;lido alicerce, a vida comunit&aacute;ria, n&atilde;o pode deixar de afetar a confian&ccedil;a no seio das fam&iacute;lias, entre gera&ccedil;&otilde;es, e na comunidade em geral.<br \/>H&aacute; o s&eacute;rio risco de que a morte passe a ser encarada como resposta &agrave; doen&ccedil;a e o sofrimento, j&aacute; que a solu&ccedil;&atilde;o n&atilde;o passaria por um esfor&ccedil;o solid&aacute;rio de combate a essas situa&ccedil;&otilde;es, mas pela supress&atilde;o da vida da pessoa doente e sofredora, pretensamente diminu&iacute;da na sua dignidade. E &eacute; mais f&aacute;cil e mais barato. Mas n&atilde;o &eacute; humano! Neste novo contexto cultural, o amor e a solidariedade para com os doentes deixar&atilde;o de ser t&atilde;o encorajados, como j&aacute; t&ecirc;m alertado associa&ccedil;&otilde;es de pessoas que sofrem das doen&ccedil;as em quest&atilde;o e que se sentem, obviamente, ofendidas quando v&ecirc;m que a morte &eacute; apresentada como &ldquo;solu&ccedil;&atilde;o&rdquo; para os seus problemas. E tamb&eacute;m &eacute; natural que haja doentes, de modo particular os mais pobres e d&eacute;beis, que se sintam socialmente pressionados a requerer a eutan&aacute;sia, porque se sentem &ldquo;a mais&rdquo; ou &ldquo;um peso&rdquo;.<br \/>&Eacute; este, sem d&uacute;vida, um perigo agravado num contexto de envelhecimento da popula&ccedil;&atilde;o e de restri&ccedil;&otilde;es financeiras dos servi&ccedil;os de sa&uacute;de que impl&iacute;cita ou explicitamente se podem questionar: para qu&ecirc; gastar tantos recursos com doentes terminais quando as suas vidas pode ser encurtadas?<br \/>N&atilde;o podemos ignorar que entre n&oacute;s uma grande parte dos doentes, especialmente os mais pobres e isolados, n&atilde;o tem acesso aos cuidados paliativos, que s&atilde;o a verdadeira resposta ao seu sofrimento. A legaliza&ccedil;&atilde;o da eutan&aacute;sia e do suic&iacute;dio assistido contribuir&aacute; para atenuar a consci&ecirc;ncia social da import&acirc;ncia e urg&ecirc;ncia de alterar esta situa&ccedil;&atilde;o, porque poder&aacute; ser vista como uma alternativa mais f&aacute;cil e econ&oacute;mica.<\/p>\n<p><strong>19. Ser&aacute; poss&iacute;vel restringir a legaliza&ccedil;&atilde;o da eutan&aacute;sia e do suic&iacute;dio assistido a situa&ccedil;&otilde;es raras e excecionais?<\/strong><br \/>A experi&ecirc;ncia dos Estados que legalizaram a eutan&aacute;sia revela que n&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel restringir essa legaliza&ccedil;&atilde;o a situa&ccedil;&otilde;es raras e excecionais; o seu campo de aplica&ccedil;&atilde;o passa gradualmente da doen&ccedil;a terminal &agrave; doen&ccedil;a cr&oacute;nica e &agrave; defici&ecirc;ncia, da doen&ccedil;a f&iacute;sica incur&aacute;vel &agrave; doen&ccedil;a ps&iacute;quica dificilmente cur&aacute;vel, da eutan&aacute;sia consentida pela pr&oacute;pria v&iacute;tima &agrave; eutan&aacute;sia consentida por familiares de rec&eacute;m-nascidos, crian&ccedil;as e adultos com defici&ecirc;ncia ou em estado de inconsci&ecirc;ncia.<br \/>&Eacute; conhecida a imagem da rampa deslizante (slippery slope), muitas vezes evocada a este respeito. Depois de se iniciar uma descida vertiginosa, n&atilde;o se consegue evitar a queda no abismo; quando se introduz uma brecha num edif&iacute;cio, n&atilde;o se consegue evitar a sua derrocada.<br \/>Dois s&atilde;o os trajetos atrav&eacute;s dos quais se vai alargando o alcance da legaliza&ccedil;&atilde;o da eutan&aacute;sia e do suic&iacute;dio assistido. Trata-se de um percurso l&oacute;gico e, por isso, previs&iacute;vel.<br \/>Por um lado, quando se invoca a autonomia para justificar essa legaliza&ccedil;&atilde;o, &eacute; l&oacute;gico que estas pr&aacute;ticas n&atilde;o se limitem a situa&ccedil;&otilde;es de doen&ccedil;a em fase terminal. S&atilde;o, assim, mortas pessoas muito antes do final da sua vida e algumas sem estar doentes.<br \/>Por outro lado, quando se reconhece que h&aacute; situa&ccedil;&otilde;es em que a vida &ldquo;perde dignidade&rdquo;, pela doen&ccedil;a, sofrimento ou depend&ecirc;ncia, e, por isso, nessas situa&ccedil;&otilde;es a vida n&atilde;o merece a prote&ccedil;&atilde;o que merece noutras, justificando-se a eutan&aacute;sia e o suic&iacute;dio assistido; ent&atilde;o, porque nessas situa&ccedil;&otilde;es a vida &ldquo;perde dignidade&rdquo;, deixa de ser &ldquo;digna de ser vivida&rdquo;, pode prescindir-se de um pedido expresso no caso de pessoas incapazes de o formular: rec&eacute;m-nascidos, crian&ccedil;as, pessoas com defici&ecirc;ncia ou com dem&ecirc;ncia. E invoca-se o princ&iacute;pio da igualdade: porque haver&atilde;o, ent&atilde;o, de ficar privadas do pretenso &ldquo;benef&iacute;cio&rdquo; da eutan&aacute;sia estas pessoas?<\/p>\n<p><strong>20. Tem aumentado no n&uacute;mero de casos de eutan&aacute;sia e suic&iacute;dio assistido nos pa&iacute;ses em que estas pr&aacute;ticas foram legalizadas?<\/strong><br \/>Sim. Um trabalho de revis&atilde;o realizado por Steck et al. (2013) revela que o n&uacute;mero de mortes associadas &agrave; eutan&aacute;sia e ao suic&iacute;dio assistido aumentou nos pa&iacute;ses em que tais pr&aacute;ticas foram legalizadas, como &eacute; o caso da B&eacute;lgica, Holanda, Su&iacute;&ccedil;a e o Estado de Oregon nos EUA[10].<br \/>Por exemplo, na Holanda, em 2015 a preval&ecirc;ncia de mortes ocorridas atrav&eacute;s da eutan&aacute;sia e do suic&iacute;dio assistido foi de 4829 casos, o que corresponde a 3,4 % de todas as mortes[11]. Na B&eacute;lgica, em 2003 morreram atrav&eacute;s da eutan&aacute;sia 235 pessoas. Em 2013 esse n&uacute;mero aumentou para 1807, o que corresponde a um aumento de cerca de 789% em 10 anos[12]. Os dados dispon&iacute;veis mostram que os n&uacute;meros t&ecirc;m vindo sempre a aumentar, o que comprova que esta medida n&atilde;o se aplica apenas em casos pontuais.<\/p>\n<p><strong>21. Quais ser&atilde;o as consequ&ecirc;ncias da legaliza&ccedil;&atilde;o da eutan&aacute;sia na medicina e na rela&ccedil;&atilde;o m&eacute;dico-doente?<\/strong><br \/>A medicina assenta a sua pr&aacute;tica no diagn&oacute;stico e no tratamento das doen&ccedil;as, no acompanhamento e al&iacute;vio do sofrimento dos doentes, sempre com a finalidade de defesa da vida humana. A tradi&ccedil;&atilde;o refletida no juramento de Hip&oacute;crates obriga a que os m&eacute;dicos estejam do lado da vida, lutando contra a doen&ccedil;a que nas suas formas mais graves conduzem &agrave; morte. A eutan&aacute;sia op&otilde;e-se &agrave; medicina e acaba por ser a sua nega&ccedil;&atilde;o.<br \/>A rela&ccedil;&atilde;o de confian&ccedil;a m&eacute;dico-doente, que &eacute; a base da medicina, &eacute;, assim, destru&iacute;da. &Eacute; f&aacute;cil perceber que aquele que deveria fazer tudo para nos salvar, n&atilde;o pode subitamente, ainda que a nosso pedido, agir no sentido de nos tirar a vida. A imagem do m&eacute;dico n&atilde;o pode passar de uma refer&ecirc;ncia amiga e confi&aacute;vel &agrave; de um executante de uma senten&ccedil;a de morte.<br \/>Perante um m&eacute;dico que pratica a eutan&aacute;sia, o doente pode recear que este decida suspender os tratamentos mesmo quando estes se justificam.<br \/>Al&eacute;m disso, a inclus&atilde;o da eutan&aacute;sia na pr&aacute;tica m&eacute;dica pode levar a que o cl&iacute;nico, em situa&ccedil;&otilde;es semelhantes &agrave;quelas em que tenha sido praticada a eutan&aacute;sia, tenda a repetir essa pr&aacute;tica, ou a prop&ocirc;-la aos seus doentes.<br \/>Do ponto de vista m&eacute;dico, a eutan&aacute;sia &eacute; executada atrav&eacute;s de um ato t&eacute;cnico (administra&ccedil;&atilde;o de drogas letais), mas n&atilde;o pode ser considerado um ato cl&iacute;nico, j&aacute; que n&atilde;o se destina a aliviar ou a curar uma doen&ccedil;a, mas sim a p&ocirc;r termo &agrave; vida do paciente. Portanto, a eutan&aacute;sia e o suic&iacute;dio assistido n&atilde;o s&atilde;o tratamentos m&eacute;dicos.<br \/>A Associa&ccedil;&atilde;o M&eacute;dica Americana (American Medical Association) tomou posi&ccedil;&atilde;o contra o envolvimento dos m&eacute;dicos na eutan&aacute;sia e no suic&iacute;dio assistido, referindo claramente que esse envolvimento contradiz o papel profissional do m&eacute;dico[13]. A Associa&ccedil;&atilde;o M&eacute;dica Americana acrescenta que a avalia&ccedil;&atilde;o e o tratamento por um profissional de sa&uacute;de, com experi&ecirc;ncia nos aspetos psiqui&aacute;tricos de doen&ccedil;a terminal, pode, em muitos casos, aliviar o sofrimento que leva um paciente a desejar suic&iacute;dio assistido.<\/p>\n<p><strong>22. A eutan&aacute;sia est&aacute; a ser praticada em doentes psiqui&aacute;tricos? Que consequ&ecirc;ncias da&iacute; podem advir?<\/strong><br \/>Sim. Um estudo realizado na Holanda, entre 2011 e meados de 2014, revelou isso mesmo, sendo que a maioria dos casos de eutan&aacute;sia devido a doen&ccedil;as psiqui&aacute;tricas (N=66) correspondiam a mulheres (cerca de 70%), com v&aacute;rias doen&ccedil;as psiqui&aacute;tricas cr&oacute;nicas, e socialmente isoladas. Cerca de 25% dos casos tinham idades compreendidas entre 30 e os 50 anos. A depress&atilde;o e as perturba&ccedil;&otilde;es de ansiedade foram as principais patologias psiqui&aacute;tricas apresentadas pelos doentes (56%). Al&eacute;m disso, em 24% dos casos, os pareceres dos m&eacute;dicos psiquiatras n&atilde;o foram no sentido de justificar o pedido de eutan&aacute;sia. Por&eacute;m, nestes casos, a comiss&atilde;o legalmente prevista decide geralmente em favor da pr&aacute;tica da eutan&aacute;sia[14].<br \/>Na Su&iacute;&ccedil;a, num estudo realizado pelo Instituto de Medicina Legal de Zurique sobre os suic&iacute;dios assistidos praticados por duas associa&ccedil;&otilde;es (Exit Deutsche Schweiz e Dignitas), entre 2001-2004, (N=421) revelou que nenhuma destas pessoas sofria de qualquer doen&ccedil;a letal e que o &ldquo;cansa&ccedil;o da vida&rdquo; foi evocado em 25% dos suic&iacute;dios (N= 105)[15] assistidos. De acordo com os resultados publicados neste estudo, a percentagem de suic&iacute;dios assistidos cometidos em pessoas sem qualquer doen&ccedil;a letal tem vindo a aumentar desde 1992. Facilmente se percebe que entre estas poder&atilde;o estar pessoas que sofram de depress&atilde;o e que se encontrem numa situa&ccedil;&atilde;o de grande fragilidade emocional.<br \/>A eutan&aacute;sia praticada em doentes psiqui&aacute;tricos &eacute; motivo de enorme preocupa&ccedil;&atilde;o na classe m&eacute;dica. H&aacute; o s&eacute;rio risco de os psiquiatras desistirem de tratar alguns doentes com depress&atilde;o, com o efeito de desmoraliza&ccedil;&atilde;o que isso poder&aacute; ter noutras pessoas com a mesma doen&ccedil;a, e de ser desincentivada a melhoria dos cuidados psiqui&aacute;tricos[16].<\/p>\n<p><strong>23. Quais s&atilde;o os direitos do doente em estado terminal?<\/strong><br \/>H&aacute; um conjunto de direitos associados &agrave; dignidade humana que devem ser respeitados durante o per&iacute;odo em que se avizinha o fim da vida. Neste caso, ser&aacute; prefer&iacute;vel a express&atilde;o &ldquo;fim de vida digno&rdquo; em vez de &ldquo;morte digna&rdquo;.<br \/>Os direitos do fim da vida incluem:<br \/>&bull; o direito aos cuidados paliativos;<br \/>&bull; o direito a que seja respeitada a sua liberdade de consci&ecirc;ncia;<br \/>&bull; o direito a ser informado com verdade sobre a sua situa&ccedil;&atilde;o cl&iacute;nica;<br \/>&bull; o direito a decidir sobre as interven&ccedil;&otilde;es terap&ecirc;uticas a que se ir&aacute; sujeitar (consentimento terap&ecirc;utico);<br \/>&bull; o direito a n&atilde;o ser sujeito a obstina&ccedil;&atilde;o terap&ecirc;utica (tratamentos in&uacute;teis e desproporcionados, tamb&eacute;m designados como f&uacute;teis);<br \/>&bull; o direito a estabelecer um di&aacute;logo franco, esclarecedor e sincero com os m&eacute;dicos, familiares e amigos;<br \/>&bull; o direito a receber assist&ecirc;ncia espiritual e religiosa.<\/p>\n<p><strong>24. O que s&atilde;o os cuidados paliativos?<\/strong><br \/>S&atilde;o cuidados de sa&uacute;de prestados por uma equipa multidisciplinar especializada, que incluem a chamada medicina paliativa, que &eacute; hoje uma especialidade m&eacute;dica vocacionada para prestar cuidados cl&iacute;nicos aos doentes avan&ccedil;ados e incur&aacute;veis e\/ou muito graves. De acordo com a Organiza&ccedil;&atilde;o Mundial de Sa&uacute;de[17], os cuidados paliativos servem para melhorar a qualidade de vida dos doentes e das fam&iacute;lias que se confrontam com doen&ccedil;as amea&ccedil;adoras para a vida, mitigando a dor e outros sintomas e proporcionando apoio espiritual e psicol&oacute;gico, desde o momento do diagn&oacute;stico at&eacute; ao final da vida.<br \/>Os cuidados paliativos n&atilde;o se destinam a curar a doen&ccedil;a, nem t&atilde;o-pouco a acelerar ou atrasar a morte (aceitam a inevitabilidade da morte), mas a assegurar um conjunto de medidas que visam cuidar do doente, aliviando o seu sofrimento f&iacute;sico e ps&iacute;quico, garantindo-lhe conforto e a melhor qualidade de vida poss&iacute;vel. Devem ser oferecidos muito antes da proximidade da morte do paciente, caso contr&aacute;rio poder&atilde;o n&atilde;o garantir os objetivos de bem-estar que pretendem atingir. O apoio &eacute; dirigido quer ao doente, quer &agrave; fam&iacute;lia, procurando-se que os doentes possam viver t&atilde;o ativamente quanto poss&iacute;vel at&eacute; &agrave; morte. Estes cuidados de sa&uacute;de humanizados s&atilde;o prestados habitualmente por uma equipa multidisciplinar, constitu&iacute;da por m&eacute;dicos, enfermeiros, auxiliares, fisioterapeutas, psic&oacute;logos, podendo tamb&eacute;m incluir volunt&aacute;rios.<br \/>Em doentes em fase terminal (&uacute;ltimos 3-6 meses de vida), &eacute; frequente existir dor f&iacute;sica, sofrimento ps&iacute;quico, bem como outros sintomas. As interven&ccedil;&otilde;es dos cuidados paliativos destinam-se a aliviar os sintomas que mais afetam o paciente. O sofrimento ps&iacute;quico pode ser aliviado atrav&eacute;s de psicof&aacute;rmacos, mas tamb&eacute;m atrav&eacute;s de psicoterapia de apoio, do consolo moral e efetivo prestado pela equipa de cuidadores e tamb&eacute;m pela fam&iacute;lia, garantindo, assim, que nenhum doente em fim de vida (&uacute;ltimos 12 meses de vida) ou ag&oacute;nico (&uacute;ltimas horas ou dias) fica entregue a si pr&oacute;prio.<br \/>Estes cuidados devem ser prestados de forma continuada at&eacute; ao momento da morte; e mesmo ap&oacute;s a morte, com a presta&ccedil;&atilde;o de apoio &agrave; fam&iacute;lia enlutada.<br \/>Os cuidados paliativos devem ser oferecidos atempadamente &ndash; e n&atilde;o apenas quando o doente est&aacute; moribundo &ndash; de uma forma que respeite a sensibilidade deste e da sua fam&iacute;lia, e de acordo com as suas caracter&iacute;sticas culturais e religiosas.<br \/>Esta &eacute; uma &aacute;rea da medicina relativamente nova enquanto especialidade e necessita de ser alargada a mais zonas do pa&iacute;s, com a cria&ccedil;&atilde;o de mais equipas especializadas.<\/p>\n<p><strong>25. O que &eacute; seda&ccedil;&atilde;o paliativa?<\/strong><br \/>Trata-se da utiliza&ccedil;&atilde;o monitorizada de terap&ecirc;utica destinada a induzir um estado de seda&ccedil;&atilde;o, alterando, assim, o estado de consci&ecirc;ncia do doente, tendo em vista aliviar a carga de sofrimento causada por um ou mais sintomas que n&atilde;o cedem aos tratamentos habituais (ditos refrat&aacute;rios), de uma forma que &eacute; eticamente aceit&aacute;vel para o doente, fam&iacute;lia e prestadores de cuidados de sa&uacute;de. Utilizam-se f&aacute;rmacos sedativos (n&atilde;o morfina) e podem ocorrer diferentes n&iacute;veis de seda&ccedil;&atilde;o.<br \/>A seda&ccedil;&atilde;o paliativa pode ser recomendada nalgumas situa&ccedil;&otilde;es e configurar a boa pr&aacute;tica m&eacute;dica no &acirc;mbito dos cuidados paliativos[18]. Contudo, a seda&ccedil;&atilde;o paliativa n&atilde;o deve nunca servir para abreviar a vida do doente. Al&eacute;m disso, n&atilde;o pode ser considerada um tratamento de primeira linha e deve ser praticada por uma equipa devidamente preparada. Assenta nos seguintes pontos: 1. Inten&ccedil;&atilde;o clara (sedar o doente com a inten&ccedil;&atilde;o de aliviar o sofrimento); 2. Processo (com o consentimento do doente e recurso a f&aacute;rmacos sedativos); 3. Resultado (o &ecirc;xito da seda&ccedil;&atilde;o &eacute; o alivio do sofrimento e n&atilde;o a morte).<\/p>\n<p><strong>26. Quais s&atilde;o as principais necessidades dos doentes em fim de vida?<\/strong><br \/>As necessidades dos doentes em fim de vida e terminais assentam essencialmente no al&iacute;vio do sofrimento f&iacute;sico e ps&iacute;quico, prestado por uma equipa devidamente capacitada, no apoio espiritual e no suporte afetivo atrav&eacute;s da fam&iacute;lia e amigos.<br \/>A dor f&iacute;sica &eacute; muito frequente, principalmente nas doen&ccedil;as neopl&aacute;sicas. Uma correta terap&ecirc;utica da dor torna-se necess&aacute;ria e importante para garantir a melhor qualidade de vida. No entanto, existem v&aacute;rios outros sintomas e todos merecem o devido tratamento.<br \/>O sofrimento ps&iacute;quico n&atilde;o deve ser menosprezado. Estes doentes apresentam com frequ&ecirc;ncia perturba&ccedil;&otilde;es depressivas que obrigam a uma terap&ecirc;utica antidepressiva e a um adequado apoio psicol&oacute;gico. &Eacute; importante que o doente sinta que n&atilde;o est&aacute; sozinho, sinta que a sua vida tem sentido e que tem o apoio de uma equipa a tratar dele, o que, juntamente com o carinho da fam&iacute;lia e dos amigos, proporciona um precioso auxilio para contrariar o sentimento de isolamento e inseguran&ccedil;a que ocorre com frequ&ecirc;ncia nestes casos.<br \/>As necessidades espirituais (comuns a crentes e n&atilde;o crentes) e religiosas devem ser justamente valorizadas. O apoio que permite dar sentido ao sofrimento deve ser garantido a estes doentes.<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">F&aacute;tima, 8 de mar&ccedil;o de 2016<\/p>\n<p>[1] Jo&atilde;o Paulo II, Carta enc&iacute;clica Evangelium Vitae (25 de mar&ccedil;o de 1995), n. 65.<br \/>[2] Ibidem.<br \/>[3] Ibidem.<br \/>[4] Congrega&ccedil;&atilde;o para a Doutrina da F&eacute;, Declara&ccedil;&atilde;o sobre a eutan&aacute;sia, n. 2, 1980.<br \/>[5] Cf. Bregje D Onwuteaka-Philipsen et al., &laquo;Trends in end-of-life practices before and after the enactment of the euthanasia law in the Netherlands from 1990 to 2010: a repeated cross-sectional survey&raquo;, www.thelancet.com, online July 11, 2012, http:\/\/dx.doi.org\/10.1016\/S0140-6736(12)61034-41; Kenneth Chambaere er al., &laquo;Physician-assisted deaths under the euthanasia law in Belgium: a population-based survey&raquo;, CMAJ, 2010, DOI:10.1503\/cmaj.091876; Gerbert van Loenen, Do you call this a life?, Ross Latner, 2015.<br \/>[6] Emanuel EJ, Fairclough DL and Emanuel LL, &laquo;Attitudes and desires related to euthanasia and physician-assisted suicide among terminally ill patients and their caregivers&raquo;, JAMA, 2000; 284: 2460&ndash;2468.<br \/>[7] In O Homem em busca de sentido.<br \/>[8] Carta enc&iacute;clica Spe Salvi (30 de novembro de 2007), n. 38.<br \/>[9] Cf. Elio Sgreccia, Manual de bio&eacute;tica: Fundamentos e &eacute;tica biom&eacute;dica, Ed. Loyola, S&atilde;o Paulo, 1996. 601-605.<br \/>[10] Cf. Steck N, Egger M, Maessen M, Reisch T, Zwahlen M, &laquo;Euthanasia and assisted suicide in selected European countries and US states: systematic literature review&raquo;. Med Care. 2013 Oct; 51(10): 938-44.<br \/>[11] Cf. Radbruch L, Leget C, Bahr P, M&uuml;ller-Busch C, Ellershaw J, de Conno F, Vanden Berghe P; board members of the EAPC. Euthanasia and physician-assisted suicide: A white paper from the European Association for Palliative Care. Palliat Med. 2016 Feb;30(2):104-16.<br \/>[12] Federale Controle- en Evaluatiecommissie Euthanasie. Zesde Verslag aan de Wetgevende Kamers (2012&ndash;2013), http:\/\/www.dekamer.be\/flwb\/pdf\/54\/0135\/54K0135001.pdf (acedido em 22-02-2016).<br \/>[13] Cf. https:\/\/www.ama-assn.org\/ssl3\/ecomm\/PolicyFinderForm.pl?site=www.ama-assn.org&amp;uri=\/resources\/html\/Policy Finder\/policyfiles\/HnE\/H-140.952.HTM (acedido em 19-02-2016).<br \/>[14] Cf. Kim SY, De Vries RG, Peteet JR, &laquo;Euthanasia and Assisted Suicide of Patients With Psychiatric Disorders in the Netherlands 2011 to 2014.&raquo;, in JAMA Psychiatry. 2016 Feb 10. doi: 10.1001\/jamapsychiatry.2015.2887. [Epub ahead of print].<br \/>[15] Cf. Fischer S, Huber CA, Imhof L et al., &laquo;Suicide assisted by two Swiss right-to-die organisations&raquo;, in. J Med Ethics 2008;34:810&ndash;14.<br \/>[16] Cf. Appelbaum PS. &laquo;Physician-Assisted Death for Patients With Mental Disorders-Reasons for Concern&raquo;. in JAMA Psychiatry. 2016 Feb 10. doi:10.1001\/jamapsychiatry.2015.2890. [Epub ahead of print].<br \/>[17] Cf. http:\/\/www.who.int\/cancer\/palliative\/es\/ (acedido em 18-02-2016).<br \/>[18] Cf. Cherny NI and Radbruch L., &laquo;European Association for Palliative Care (EAPC) recommended framework for the use of sedation in palliative care&raquo;. Palliat Med 2009; 23: 581&ndash;593.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Eutan&aacute;sia: o que est&aacute; em causa? Contributos para um di&aacute;logo sereno e humanizador 1. 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