{"id":1503,"date":"2016-09-25T23:06:21","date_gmt":"2016-09-25T23:06:21","guid":{"rendered":"https:\/\/paroquiaqueijas.net\/site\/?p=1503"},"modified":"2026-03-21T15:40:56","modified_gmt":"2026-03-21T15:40:56","slug":"o-rosario-da-virgem-maria","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/paroquiaqueijas.net\/portal\/o-rosario-da-virgem-maria\/","title":{"rendered":"O Ros\u00e1rio da Virgem Maria"},"content":{"rendered":"<p><strong><img decoding=\"async\" class=\" alignright size-full wp-image-1502\" src=\"https:\/\/paroquiaqueijas.net\/portal\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/Papa_terco.jpg\" alt=\"Papa terco\" width=\"300\" style=\"float: right;\" srcset=\"https:\/\/paroquiaqueijas.net\/portal\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/Papa_terco.jpg 800w, https:\/\/paroquiaqueijas.net\/portal\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/Papa_terco-300x225.jpg 300w, https:\/\/paroquiaqueijas.net\/portal\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/Papa_terco-768x576.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/>Carta Apost&oacute;lica de Jo&atilde;o Paulo II<\/strong><\/p>\n<p>INTRODU&Ccedil;&Atilde;O<br \/><strong>1<\/strong>. O Ros&aacute;rio da Virgem Maria (Rosarium Virginis Mariae), que ao sopro do Esp&iacute;rito de Deus se foi formando gradualmente no segundo Mil&eacute;nio, &eacute; ora&ccedil;&atilde;o amada por numerosos Santos e estimulada pelo Magist&eacute;rio. Na sua simplicidade e profundidade, permanece, mesmo no terceiro Mil&eacute;nio rec&eacute;m iniciado, uma ora&ccedil;&atilde;o de grande significado e destinada a produzir frutos de santidade. Ela enquadra-se perfeitamente no caminho espiritual de um cristianismo que, passados dois mil anos, nada perdeu do seu frescor original, e sente-se impulsionado pelo Esp&iacute;rito de Deus a &laquo;fazer-se ao largo&raquo; (duc in altum!) para reafirmar, melhor &laquo;gritar&raquo; Cristo ao mundo como Senhor e Salvador, como &laquo;caminho, verdade e vida&raquo; (Jo 14, 6), como &laquo;o fim da hist&oacute;ria humana, o ponto para onde tendem os desejos da hist&oacute;ria e da civiliza&ccedil;&atilde;o&raquo;. (1)<\/p>\n<p>O Ros&aacute;rio, de facto, ainda que caracterizado pela sua fisionomia mariana, no seu &acirc;mago &eacute; ora&ccedil;&atilde;o cristol&oacute;gica. Na sobriedade dos seus elementos, concentra a profundidade de toda a mensagem evang&eacute;lica, da qual &eacute; quase um comp&ecirc;ndio. (2) Nele ecoa a ora&ccedil;&atilde;o de Maria, o seu perene Magnificat pela obra da Encarna&ccedil;&atilde;o redentora iniciada no seu ventre virginal. Com ele, o povo crist&atilde;o frequenta a escola de Maria, para deixar-se introduzir na contempla&ccedil;&atilde;o da beleza do rosto de Cristo e na experi&ecirc;ncia da profundidade do seu amor. Mediante o Ros&aacute;rio, o crente alcan&ccedil;a a gra&ccedil;a em abund&acirc;ncia, como se a recebesse das mesmas m&atilde;os da M&atilde;e do Redentor.<\/p>\n<p><strong>Os Romanos Pont&iacute;fices e o Ros&aacute;rio<\/strong><br \/><strong>2<\/strong>. Muitos dos meus Predecessores atribu&iacute;ram grande import&acirc;ncia a esta ora&ccedil;&atilde;o. Merecimento particular teve, a prop&oacute;sito, Le&atilde;o XIII que, no dia 1 de Setembro de 1883, promulgava a Enc&iacute;clica Supremi apostolatus officio, (3) alto pronunciamento com o qual inaugurava numerosas outras declara&ccedil;&otilde;es sobre esta ora&ccedil;&atilde;o, indicando-a como instrumento espiritual eficaz contra os males da sociedade. Entre os Papas mais recentes, j&aacute; na &eacute;poca conciliar, que se distinguiram na promo&ccedil;&atilde;o do Ros&aacute;rio, desejo recordar o Beato Jo&atilde;o XXIII (4) e sobretudo Paulo VI que, na Exorta&ccedil;&atilde;o apost&oacute;lica Marialis cultus, destacou, em harmonia com a inspira&ccedil;&atilde;o do Conc&iacute;lio Vaticano II, o car&aacute;cter evang&eacute;lico do Ros&aacute;rio e a sua orienta&ccedil;&atilde;o cristol&oacute;gica.<\/p>\n<p>Eu mesmo n&atilde;o descurei ocasi&atilde;o para exortar &agrave; frequente recita&ccedil;&atilde;o do Ros&aacute;rio. Desde a minha juventude, esta ora&ccedil;&atilde;o teve um lugar importante na minha vida espiritual. Trouxe-mo &agrave; mem&oacute;ria a minha recente viagem &agrave; Pol&oacute;nia, sobretudo a visita ao Santu&aacute;rio de Kalwaria. O Ros&aacute;rio acompanhou-me nos momentos de alegria e nas prova&ccedil;&otilde;es. A ele confiei tantas preocupa&ccedil;&otilde;es; nele encontrei sempre conforto. Vinte e quatro anos atr&aacute;s, no dia 29 de Outubro de 1978, apenas duas semanas depois da minha elei&ccedil;&atilde;o para a S&eacute; de Pedro, quase numa confid&ecirc;ncia, assim me exprimia: &laquo;O Ros&aacute;rio &eacute; a minha ora&ccedil;&atilde;o predilecta. Ora&ccedil;&atilde;o maravilhosa! Maravilhosa na simplicidade e na profundidade. [&#8230;] Pode dizer-se que o Ros&aacute;rio &eacute;, em certo modo, um coment&aacute;rio-prece do &uacute;ltimo cap&iacute;tulo da Constitui&ccedil;&atilde;o Lumen gentium do Vaticano II, cap&iacute;tulo que trata da admir&aacute;vel presen&ccedil;a da M&atilde;e de Deus no mist&eacute;rio de Cristo e da Igreja. De facto, sobre o fundo das palavras da &ldquo;Av&eacute; Maria&rdquo; passam diante dos olhos da alma os principais epis&oacute;dios da vida de Jesus Cristo. Eles disp&otilde;em-se no conjunto dos mist&eacute;rios gozosos, dolorosos e gloriosos, e p&otilde;em-nos em comunh&atilde;o viva com Jesus &ndash; poder&iacute;amos dizer&ndash; atrav&eacute;s do Cora&ccedil;&atilde;o de Sua M&atilde;e. Ao mesmo tempo o nosso cora&ccedil;&atilde;o pode incluir nestas dezenas do Ros&aacute;rio todos os factos que formam a vida do indiv&iacute;duo, da fam&iacute;lia, da na&ccedil;&atilde;o, da Igreja e da humanidade. Acontecimentos pessoais e do pr&oacute;ximo, e de modo particular daqueles que nos s&atilde;o mais familiares e que mais estimamos. Assim a simples ora&ccedil;&atilde;o do Ros&aacute;rio marca o ritmo da vida humana&raquo;. (5)<\/p>\n<p>Com estas palavras, meus caros Irm&atilde;os e Irm&atilde;s, inseria no ritmo quotidiano do Ros&aacute;rio o meu primeiro ano de Pontificado. Hoje, no in&iacute;cio do vig&eacute;simo quinto ano de servi&ccedil;o como Sucessor de Pedro, desejo fazer o mesmo. Quantas gra&ccedil;as recebi nestes anos da Virgem Santa atrav&eacute;s do Ros&aacute;rio: <em>Magnificat anima mea Dominum!<\/em> Desejo elevar ao Senhor o meu agradecimento com as palavras da sua M&atilde;e Sant&iacute;ssima, sob cuja protec&ccedil;&atilde;o coloquei o meu minist&eacute;rio petrino: <em>Totus tuus!<\/em><\/p>\n<p><strong>Outubro 2002 &#8211; Outubro 2003: Ano do Ros&aacute;rio<\/strong><br \/><strong>3<\/strong>. Por isso, na esteira da reflex&atilde;o oferecida na Carta apost&oacute;lica Novo millennio ineunte na qual convidei o Povo de Deus, ap&oacute;s a experi&ecirc;ncia jubilar, a &laquo;partir de Cristo&raquo;, (6) senti a necessidade de desenvolver uma reflex&atilde;o sobre o Ros&aacute;rio, uma esp&eacute;cie de coroa&ccedil;&atilde;o mariana da referida Carta apost&oacute;lica, para exortar &agrave; contempla&ccedil;&atilde;o do rosto de Cristo na companhia e na escola de sua M&atilde;e Sant&iacute;ssima. Com efeito, recitar o Ros&aacute;rio nada mais &eacute; sen&atilde;o contemplar com Maria o rosto de Cristo. Para dar maior relevo a este convite, e tomando como ocasi&atilde;o a pr&oacute;xima efem&eacute;ride dos cento e vinte anos da mencionada Enc&iacute;clica de Le&atilde;o XIII, desejo que esta ora&ccedil;&atilde;o seja especialmente proposta e valorizada nas v&aacute;rias comunidades crist&atilde;s durante o ano. Proclamo, portanto, o per&iacute;odo que vai de Outubro deste ano at&eacute; Outubro de 2003 Ano do Ros&aacute;rio.<\/p>\n<p>Deixo esta indica&ccedil;&atilde;o pastoral &agrave; iniciativa das diversas comunidades eclesiais. Com ela n&atilde;o pretendo dificultar, mas antes integrar e consolidar os planos pastorais das Igrejas particulares. Espero que ela seja acolhida com generosidade e solicitude. O Ros&aacute;rio, quando descoberto no seu pleno significado, conduz ao &acirc;mago da vida crist&atilde;, oferecendo uma ordin&aacute;ria e fecunda oportunidade espiritual e pedag&oacute;gica para a contempla&ccedil;&atilde;o pessoal, a forma&ccedil;&atilde;o do Povo de Deus e a nova evangeliza&ccedil;&atilde;o. Apraz-me reafirm&aacute;-lo, tamb&eacute;m, na recorda&ccedil;&atilde;o feliz de outro anivers&aacute;rio: os 40 anos do in&iacute;cio do Conc&iacute;lio Ecum&eacute;nico Vaticano II (11 de Outubro de 1962), a &laquo;grande gra&ccedil;a&raquo; predisposta pelo Esp&iacute;rito de Deus para a Igreja do nosso tempo. (7)<\/p>\n<p><strong>Objec&ccedil;&otilde;es ao Ros&aacute;rio<\/strong><br \/><strong>4<\/strong>. A oportunidade desta iniciativa emerge de distintas considera&ccedil;&otilde;es. A primeira refere-se &agrave; urg&ecirc;ncia de fazer frente a uma certa crise desta ora&ccedil;&atilde;o, correndo o risco, no actual contexto hist&oacute;rico e teol&oacute;gico, de ser erradamente debilitada no seu valor e, por conseguinte, escassamente proposta &agrave;s novas gera&ccedil;&otilde;es. Pensam alguns que a centralidade da Liturgia, justamente ressaltada pelo Conc&iacute;lio Ecum&eacute;nico Vaticano II, tenha como necess&aacute;ria consequ&ecirc;ncia uma diminui&ccedil;&atilde;o da import&acirc;ncia do Ros&aacute;rio. Na verdade, como precisou Paulo VI, esta ora&ccedil;&atilde;o n&atilde;o s&oacute; n&atilde;o se op&otilde;e &agrave; Liturgia, mas serve-lhe de apoio, visto que introduz nela e d&aacute;-lhe continuidade, permitindo viv&ecirc;-la com plena participa&ccedil;&atilde;o interior e recolhendo seus frutos na vida quotidiana.<\/p>\n<p>Pode haver tamb&eacute;m quem tema que o Ros&aacute;rio possa revelar-se pouco ecum&eacute;nico pelo seu car&aacute;cter marcadamente mariano. Na verdade, situa-se no mais claro horizonte de um culto &agrave; M&atilde;e de Deus tal como o Conc&iacute;lio delineou: um culto orientado ao centro cristol&oacute;gico da f&eacute; crist&atilde;, de forma que, &laquo;honrando a M&atilde;e, melhor se conhe&ccedil;a, ame e glorifique o Filho&raquo;. (8) Se adequadamente compreendido, o Ros&aacute;rio &eacute; certamente uma ajuda, n&atilde;o um obst&aacute;culo, para o ecumenismo!<\/p>\n<p><strong>Caminho de contempla&ccedil;&atilde;o<\/strong><br \/><strong>5<\/strong>. Por&eacute;m, o motivo mais importante para propor com insist&ecirc;ncia a pr&aacute;tica do Ros&aacute;rio reside no facto de este constituir um meio valid&iacute;ssimo para favorecer entre os crentes aquele compromisso de contempla&ccedil;&atilde;o do mist&eacute;rio crist&atilde;o que propus, na Carta apost&oacute;lica Novo millennio ineunte, como verdadeira e pr&oacute;pria pedagogia da santidade: &laquo;H&aacute; necessidade dum cristianismo que se destaque principalmente pela arte da ora&ccedil;&atilde;o&raquo;. (9) Enquanto que na cultura contempor&acirc;nea, mesmo entre tantas contradi&ccedil;&otilde;es, emerge uma nova exig&ecirc;ncia de espiritualidade, solicitada inclusive pela influ&ecirc;ncia de outras religi&otilde;es, &eacute; extremamente urgente que as nossas comunidades crist&atilde;s se tornem &laquo; aut&ecirc;nticas escolas de ora&ccedil;&atilde;o &raquo;. (10)<br \/>O Ros&aacute;rio situa-se na melhor e mais garantida tradi&ccedil;&atilde;o da contempla&ccedil;&atilde;o crist&atilde;. Desenvolvido no Ocidente, &eacute; ora&ccedil;&atilde;o tipicamente meditativa e corresponde, de certo modo, &agrave; &laquo;ora&ccedil;&atilde;o do cora&ccedil;&atilde;o&raquo; ou &laquo;ora&ccedil;&atilde;o de Jesus&raquo; germinada no h&uacute;mus do Oriente crist&atilde;o.<\/p>\n<p><strong>Ora&ccedil;&atilde;o pela paz e pela fam&iacute;lia<\/strong><br \/><strong>6<\/strong>. A dar maior actualidade ao relan&ccedil;amento do Ros&aacute;rio temos algumas circunst&acirc;ncias hist&oacute;ricas. A primeira delas &eacute; a urg&ecirc;ncia de invocar de Deus o dom da paz. O Ros&aacute;rio foi, por diversas vezes, proposto pelos meus Predecessores e mesmo por mim como ora&ccedil;&atilde;o pela paz. No in&iacute;cio de um Mil&eacute;nio, que come&ccedil;ou com as cenas assustadoras do atentado de 11 de Setembro de 2001 e que regista, cada dia, em tantas partes do mundo novas situa&ccedil;&otilde;es de sangue e viol&ecirc;ncia, descobrir novamente o Ros&aacute;rio significa mergulhar na contempla&ccedil;&atilde;o do mist&eacute;rio d&#8217;Aquele que &laquo;&eacute; a nossa paz&raquo;, tendo feito &laquo;de dois povos um s&oacute;, destruindo o muro da inimizade que os separava&raquo; (Ef 2, 14). Portanto n&atilde;o se pode recitar o Ros&aacute;rio sem sentir-se chamado a um preciso compromisso de servi&ccedil;o &agrave; paz, especialmente na terra de Jesus, t&atilde;o atormentada ainda, e t&atilde;o querida ao cora&ccedil;&atilde;o crist&atilde;o.<\/p>\n<p>An&aacute;loga urg&ecirc;ncia de empenho e de ora&ccedil;&atilde;o surge de outra realidade cr&iacute;tica da nossa &eacute;poca, a da fam&iacute;lia, c&eacute;lula da sociedade, cada vez mais amea&ccedil;ada por for&ccedil;as desagregadoras a n&iacute;vel ideol&oacute;gico e pr&aacute;tico, que fazem temer pelo futuro desta institui&ccedil;&atilde;o fundamental e imprescind&iacute;vel e, consequentemente, pela sorte da sociedade inteira. O relan&ccedil;amento do Ros&aacute;rio nas fam&iacute;lias crist&atilde;s, no &acirc;mbito de uma pastoral mais ampla da fam&iacute;lia, prop&otilde;e-se como ajuda eficaz para conter os efeitos devastantes desta crise da nossa &eacute;poca.<\/p>\n<p><strong>&laquo;Eis a tua m&atilde;e!&raquo;<\/strong> (Jo 19, 27)<br \/><strong>7<\/strong>. Numerosos sinais demonstram quanto a Virgem Maria queira, tamb&eacute;m hoje, precisamente atrav&eacute;s desta ora&ccedil;&atilde;o, exercer aquele cuidado maternal ao qual o Redentor prestes a morrer confiou, na pessoa do disc&iacute;pulo predilecto, todos os filhos da Igreja: &laquo;Mulher, eis a&iacute; o teu filho&raquo; (Jo 19, 26). S&atilde;o conhecidas, ao longo dos s&eacute;culos XIX e XX, v&aacute;rias ocasi&otilde;es, nas quais a M&atilde;e de Cristo fez, de algum modo, sentir a sua presen&ccedil;a e a sua voz para exortar o Povo de Deus a esta forma de ora&ccedil;&atilde;o contemplativa. Em particular desejo lembrar, pela incisiva influ&ecirc;ncia que conservam na vida dos crist&atilde;os e pelo reconhecimento recebido da Igreja, as apari&ccedil;&otilde;es de Lourdes e de F&aacute;tima, (11) cujos respectivos Santu&aacute;rios s&atilde;o meta de numerosos peregrinos, em busca de conforto e de esperan&ccedil;a.<\/p>\n<p><strong>Na senda das testemunhas<\/strong><br \/><strong>8<\/strong>. Seria imposs&iacute;vel citar a multid&atilde;o sem conta de Santos que encontraram no Ros&aacute;rio um aut&ecirc;ntico caminho de santifica&ccedil;&atilde;o. Bastar&aacute; recordar S. Lu&iacute;s Maria Grignion de Montfort, autor de uma preciosa obra sobre o Ros&aacute;rio (12); e, em nossos dias, Padre Pio de Pietrelcina, que recentemente tive a alegria de canonizar. Al&eacute;m disso um carisma especial, como verdadeiro ap&oacute;stolo do Ros&aacute;rio, teve o Beato B&aacute;rtolo Longo. O seu caminho de santidade assenta numa inspira&ccedil;&atilde;o ouvida no fundo do cora&ccedil;&atilde;o: &laquo;Quem difunde o Ros&aacute;rio, salva-se!&raquo;. (13) Baseado nisto, ele sentiu-se chamado a construir em Pompeia um templo dedicado &agrave; Virgem do Santo Ros&aacute;rio no cen&aacute;rio dos restos da antiga cidade, ainda pouco tocada pelo an&uacute;ncio crist&atilde;o quando foi sepultada em 79 pela erup&ccedil;&atilde;o do Ves&uacute;vio e surgida das suas cinzas s&eacute;culos depois como testemunho das luzes e sombras da civiliza&ccedil;&atilde;o cl&aacute;ssica.<\/p>\n<p>Com toda a sua obra e, de modo particular, atrav&eacute;s dos &laquo; Quinze S&aacute;bados &raquo;, B&aacute;rtolo Longo desenvolveu a alma cristol&oacute;gica e contemplativa do Ros&aacute;rio, encontrando particular est&iacute;mulo e apoio em Le&atilde;o XIII, o &ldquo;Papa do Ros&aacute;rio&rdquo;.<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: center;\">CAP&Iacute;TULO I: CONTEMPLAR CRISTO COM MARIA<\/p>\n<p><strong>Um rosto resplandecente como o sol<\/strong><br \/><strong>9<\/strong>. &laquo;Transfigurou-Se diante deles: o seu rosto resplandeceu como o sol&raquo; (Mt 17, 2). A cena evang&eacute;lica da transfigura&ccedil;&atilde;o de Cristo, na qual os tr&ecirc;s ap&oacute;stolos Pedro, Tiago e Jo&atilde;o aparecem como que extasiados pela beleza do Redentor, pode ser tomada como &iacute;cone da contempla&ccedil;&atilde;o crist&atilde;. Fixar os olhos no rosto de Cristo, reconhecer o seu mist&eacute;rio no caminho ordin&aacute;rio e doloroso da sua humanidade, at&eacute; perceber o brilho divino definitivamente manifestado no Ressuscitado glorificado &agrave; direita do Pai, &eacute; a tarefa de cada disc&iacute;pulo de Cristo; &eacute; por conseguinte tamb&eacute;m a nossa tarefa. Contemplando este rosto, dispomo-nos a acolher o mist&eacute;rio da vida trinit&aacute;ria, para experimentar sempre de novo o amor do Pai e gozar da alegria do Esp&iacute;rito Santo. Realiza-se assim tamb&eacute;m para n&oacute;s a palavra de S. Paulo: &laquo;Reflectindo a gl&oacute;ria do Senhor, como um espelho, somos transformados de gl&oacute;ria em gl&oacute;ria, nessa mesma imagem, sempre mais resplandecente, pela ac&ccedil;&atilde;o do Esp&iacute;rito do Senhor&raquo; (2Cor 3, 18).<\/p>\n<p><strong>Maria, modelo de contempla&ccedil;&atilde;o<\/strong><br \/><strong>10<\/strong>. A contempla&ccedil;&atilde;o de Cristo tem em Maria o seu modelo insuper&aacute;vel. O rosto do Filho pertence-lhe sob um t&iacute;tulo especial. Foi no seu ventre que Se plasmou, recebendo d&#8217;Ela tamb&eacute;m uma semelhan&ccedil;a humana que evoca uma intimidade espiritual certamente ainda maior. &Agrave; contempla&ccedil;&atilde;o do rosto de Cristo, ningu&eacute;m se dedicou com a mesma assiduidade de Maria. Os olhos do seu cora&ccedil;&atilde;o concentram-se de algum modo sobre Ele j&aacute; na Anuncia&ccedil;&atilde;o, quando O concebe por obra do Esp&iacute;rito Santo; nos meses seguintes, come&ccedil;a a sentir sua presen&ccedil;a e a pressagiar os contornos. Quando finalmente O d&aacute; &agrave; luz em Bel&eacute;m, tamb&eacute;m os seus olhos de carne podem fixar-se com ternura no rosto do Filho, que envolveu em panos e recostou numa manjedoura (cf. Lc 2, 7).<\/p>\n<p>Desde ent&atilde;o o seu olhar, cheio sempre de reverente estupor, n&atilde;o se separar&aacute; mais d&#8217;Ele. Algumas vezes ser&aacute; um olhar interrogativo, como no epis&oacute;dio da perda no templo: &laquo;Filho, porque nos fizeste isto?&raquo; (Lc 2, 48); em todo o caso ser&aacute; um olhar penetrante, capaz de ler no &iacute;ntimo de Jesus, a ponto de perceber os seus sentimentos escondidos e adivinhar suas decis&otilde;es, como em Can&aacute; (cf. Jo 2, 5); outras vezes, ser&aacute; um olhar doloroso, sobretudo aos p&eacute;s da cruz, onde haver&aacute; ainda, de certa forma, o olhar da parturiente, pois Maria n&atilde;o se limitar&aacute; a compartilhar a paix&atilde;o e a morte do Unig&eacute;nito, mas acolher&aacute; o novo filho a Ela entregue na pessoa do disc&iacute;pulo predilecto (cf. Jo 19, 26-27); na manh&atilde; da P&aacute;scoa, ser&aacute; um olhar radioso pela alegria da ressurrei&ccedil;&atilde;o e, enfim, um olhar ardoroso pela efus&atilde;o do Esp&iacute;rito no dia de Pentecostes (cf. Act 1,14).<\/p>\n<p><strong>As recorda&ccedil;&otilde;es de Maria<\/strong><br \/><strong>11<\/strong>. Maria vive com os olhos fixos em Cristo e guarda cada palavra sua: &laquo;Conservava todas estas coisas, ponderando-as no seu cora&ccedil;&atilde;o&raquo; (Lc 2, 19; cf. 2, 51). As recorda&ccedil;&otilde;es de Jesus, estampadas na sua alma, acompanharam-na em cada circunst&acirc;ncia, levando-a a percorrer novamente com o pensamento os v&aacute;rios momentos da sua vida junto com o Filho. Foram estas recorda&ccedil;&otilde;es que constitu&iacute;ram, de certo modo, o &ldquo;ros&aacute;rio&rdquo; que Ela mesma recitou constantemente nos dias da sua vida terrena.<\/p>\n<p>E mesmo agora, entre os c&acirc;nticos de alegria da Jerusal&eacute;m celestial, os motivos da sua gratid&atilde;o e do seu louvor permanecem imut&aacute;veis. S&atilde;o eles que inspiram o seu carinho materno pela Igreja peregrina, na qual Ela continua a desenvolver a composi&ccedil;&atilde;o da sua &ldquo;narra&ccedil;&atilde;o&rdquo; de evangelizadora. Maria prop&otilde;e continuamente aos crentes os &ldquo;mist&eacute;rios&rdquo; do seu Filho, desejando que sejam contemplados, para que possam irradiar toda a sua for&ccedil;a salv&iacute;fica. Quando recita o Ros&aacute;rio, a comunidade crist&atilde; sintoniza-se com a lembran&ccedil;a e com o olhar de Maria.<\/p>\n<p><strong>Ros&aacute;rio, ora&ccedil;&atilde;o contemplativa<\/strong><br \/><strong>12<\/strong>. O Ros&aacute;rio, precisamente a partir da experi&ecirc;ncia de Maria, &eacute; uma ora&ccedil;&atilde;o marcadamente contemplativa. Privado desta dimens&atilde;o, perderia sentido, como sublinhava Paulo VI: &laquo;Sem contempla&ccedil;&atilde;o, o Ros&aacute;rio &eacute; um corpo sem alma e a sua recita&ccedil;&atilde;o corre o perigo de tornar-se uma repeti&ccedil;&atilde;o mec&acirc;nica de f&oacute;rmulas e de vir a achar-se em contradi&ccedil;&atilde;o com a advert&ecirc;ncia de Jesus: &ldquo;Na ora&ccedil;&atilde;o n&atilde;o sejais palavrosos como os gentios, que imaginam que h&atilde;o-de ser ouvidos gra&ccedil;as &agrave; sua verbosidade&rdquo; (Mt 6, 7). Por sua natureza, a recita&ccedil;&atilde;o do Ros&aacute;rio requer um ritmo tranquilo e uma certa demora a pensar, que favore&ccedil;am, naquele que ora, a medita&ccedil;&atilde;o dos mist&eacute;rios da vida do Senhor, vistos atrav&eacute;s do Cora&ccedil;&atilde;o d&#8217;Aquela que mais de perto esteve em contacto com o mesmo Senhor, e que abram o acesso &agrave;s suas insond&aacute;veis riquezas &raquo;. (14)<\/p>\n<p>Precisamos de deter-nos neste profundo pensamento de Paulo VI, para dele extrair algumas dimens&otilde;es do Ros&aacute;rio que definem melhor o seu car&aacute;cter pr&oacute;prio de contempla&ccedil;&atilde;o cristol&oacute;gica.<\/p>\n<p><strong>Recordar Cristo com Maria<\/strong><br \/><strong>13<\/strong>. O contemplar de Maria &eacute;, antes de mais, um recordar. Conv&eacute;m, no entanto, entender esta palavra no sentido b&iacute;blico da mem&oacute;ria (zakar), que actualiza as obras realizadas por Deus na hist&oacute;ria da salva&ccedil;&atilde;o. A B&iacute;blia &eacute; narra&ccedil;&atilde;o de acontecimentos salv&iacute;ficos, que culminam no mesmo Cristo. Estes acontecimentos n&atilde;o constituem somente um &ldquo;ontem&rdquo;; s&atilde;o tamb&eacute;m o &ldquo;hoje&rdquo; da salva&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Esta actualiza&ccedil;&atilde;o realiza-se particularmente na Liturgia: o que Deus realizou s&eacute;culos atr&aacute;s n&atilde;o tinha a ver s&oacute; com as testemunhas directas dos acontecimentos, mas alcan&ccedil;a, pelo seu dom de gra&ccedil;a, o homem de todos os tempos. Isto vale, de certo modo, tamb&eacute;m para qualquer outra piedosa liga&ccedil;&atilde;o com aqueles acontecimentos: &laquo;fazer mem&oacute;ria deles&raquo;, em atitude de f&eacute; e de amor, significa abrir-se &agrave; gra&ccedil;a que Cristo nos obteve com os seus mist&eacute;rios de vida, morte e ressurrei&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Por isso, enquanto se reafirma, com o Conc&iacute;lio Vaticano II, que a Liturgia, como exerc&iacute;cio do of&iacute;cio sacerdotal de Cristo e culto p&uacute;blico, &eacute; &laquo;a meta para a qual se encaminha a ac&ccedil;&atilde;o da Igreja e a fonte de onde promana toda a sua for&ccedil;a&raquo;, (15) conv&eacute;m ainda lembrar que &laquo;a participa&ccedil;&atilde;o na sagrada Liturgia n&atilde;o esgota a vida espiritual. O crist&atilde;o, chamado a rezar em comum, deve tamb&eacute;m entrar no seu quarto para rezar a s&oacute;s ao Pai (cf. Mt 6, 6); mais, segundo ensina o Ap&oacute;stolo, deve rezar sem cessar (cf. 1 Tes 5, 17)&raquo;. (16) O Ros&aacute;rio, com a sua especificidade, situa-se neste cen&aacute;rio diversificado da ora&ccedil;&atilde;o &laquo; incessante &raquo;, e se a Liturgia, ac&ccedil;&atilde;o de Cristo e da Igreja, &eacute; ac&ccedil;&atilde;o salv&iacute;fica por excel&ecirc;ncia, o Ros&aacute;rio, enquanto medita&ccedil;&atilde;o sobre Cristo com Maria, &eacute; contempla&ccedil;&atilde;o salutar. De facto, a inser&ccedil;&atilde;o, de mist&eacute;rio em mist&eacute;rio, na vida do Redentor faz com que tudo aquilo que Ele realizou e a Liturgia actualiza, seja profundamente assimilado e modele a exist&ecirc;ncia.<\/p>\n<p><strong>Aprender Cristo de Maria<\/strong><br \/><strong>14<\/strong>. Cristo &eacute; o Mestre por excel&ecirc;ncia, o revelador e a revela&ccedil;&atilde;o. N&atilde;o se trata somente de aprender as coisas que Ele ensinou, mas de &ldquo;aprender a Ele&rdquo;. Por&eacute;m, nisto, qual mestra mais experimentada do que Maria? Se do lado de Deus &eacute; o Esp&iacute;rito, o Mestre interior, que nos conduz &agrave; verdade plena de Cristo (cf. Jo 14, 26; 15, 26;16, 13), de entre os seres humanos, ningu&eacute;m melhor do que Ela conhece Cristo, ningu&eacute;m como a M&atilde;e pode introduzir-nos no profundo conhecimento do seu mist&eacute;rio.<\/p>\n<p>O primeiro dos &ldquo;sinais&rdquo; realizado por Jesus &ndash; a transforma&ccedil;&atilde;o da &aacute;gua em vinho nas bodas de Can&aacute; &ndash; mostra-nos precisamente Maria no papel de mestra, quando exorta os servos a cumprirem as disposi&ccedil;&otilde;es de Cristo (cf. Jo 2, 5). E podemos imaginar que Ela tenha desempenhado a mesma fun&ccedil;&atilde;o com os disc&iacute;pulos depois da Ascens&atilde;o de Jesus, quando ficou com eles &agrave; espera do Esp&iacute;rito Santo e os animou na primeira miss&atilde;o. Percorrer com Ela as cenas do Ros&aacute;rio &eacute; como frequentar a &ldquo;escola&rdquo; de Maria para ler Cristo, penetrar nos seus segredos, compreender a sua mensagem.<\/p>\n<p>Uma escola, a de Maria, ainda mais eficaz, quando se pensa que Ela a d&aacute; obtendo-nos os dons do Esp&iacute;rito Santo com abund&acirc;ncia e, ao mesmo tempo, propondo-nos o exemplo daquela &laquo;peregrina&ccedil;&atilde;o da f&eacute;&raquo;, (17) na qual &eacute; mestra inigual&aacute;vel. Diante de cada mist&eacute;rio do Filho, Ela convida-nos, como na sua Anuncia&ccedil;&atilde;o, a colocar humildemente as perguntas que abrem &agrave; luz, para concluir sempre com a obedi&ecirc;ncia da f&eacute;: &laquo;Eis a serva do Senhor, fa&ccedil;a-se em mim segundo a tua palavra&raquo; (Lc 1, 38).<\/p>\n<p><strong>Configurar-se a Cristo com Maria<\/strong><br \/><strong>15<\/strong>. A espiritualidade crist&atilde; tem como seu car&aacute;cter qualificador o empenho do disc&iacute;pulo em configurar-se sempre mais com o seu Mestre (cf. Rom 8, 29; Fil 3, 10.21). A efus&atilde;o do Esp&iacute;rito no Baptismo introduz o crente como ramo na videira que &eacute; Cristo (cf. Jo 15, 5), constitui-o membro do seu Corpo m&iacute;stico (cf. 1 Cor 12, 12; Rom 12, 5). Mas a esta unidade inicial, deve corresponder um caminho de assimila&ccedil;&atilde;o progressiva a Ele que oriente sempre mais o comportamento do disc&iacute;pulo conforme &agrave; &ldquo;l&oacute;gica&rdquo; de Cristo: &laquo; Tende entre v&oacute;s os mesmos sentimentos que havia em Cristo Jesus &raquo; (Fil 2, 5). &Eacute; necess&aacute;rio, segundo as palavras do Ap&oacute;stolo, &laquo;revestir-se de Cristo&raquo; (Rom13, 14; Gal 3, 27).<\/p>\n<p>No itiner&aacute;rio espiritual do Ros&aacute;rio, fundado na incessante contempla&ccedil;&atilde;o &ndash; em companhia de Maria &ndash; do rosto de Cristo, este ideal exigente de configura&ccedil;&atilde;o com Ele alcan&ccedil;a-se atrav&eacute;s do trato, podemos dizer, &ldquo;amistoso&rdquo;. Este introduz-nos de modo natural na vida de Cristo e como que faz-nos &ldquo;respirar&rdquo; os seus sentimentos. A este respeito diz o Beato B&aacute;rtolo Longo: &laquo;Tal como dois amigos, que se encontram constantemente, costumam configurar-se at&eacute; mesmo nos h&aacute;bitos, assim tamb&eacute;m n&oacute;s, conversando familiarmente com Jesus e a Virgem, ao meditar os mist&eacute;rios do Ros&aacute;rio, vivendo unidos uma mesma vida pela Comunh&atilde;o, podemos vir a ser, por quanto poss&iacute;vel &agrave; nossa pequenez, semelhantes a Eles, e aprender destes supremos modelos a vida humilde, pobre, escondida, paciente e perfeita&raquo;. (18)<\/p>\n<p>Neste processo de configura&ccedil;&atilde;o a Cristo no Ros&aacute;rio, confiamo-nos, de modo particular, &agrave; ac&ccedil;&atilde;o maternal da Virgem Santa. Aquela que &eacute; M&atilde;e de Cristo, pertence Ela mesma &agrave; Igreja como seu &laquo;membro eminente e inteiramente singular&raquo; (19) sendo, ao mesmo tempo, a &ldquo;M&atilde;e da Igreja&rdquo;. Como tal, &ldquo;gera&rdquo; continuamente filhos para o Corpo m&iacute;stico do Filho. F&aacute;-lo mediante a intercess&atilde;o, implorando para eles a efus&atilde;o inesgot&aacute;vel do Esp&iacute;rito. Ela &eacute; o perfeito &iacute;cone da maternidade da Igreja.<\/p>\n<p>O Ros&aacute;rio transporta-nos misticamente para junto de Maria dedicada a acompanhar o crescimento humano de Cristo na casa de Nazar&eacute;. Isto permite-lhe educar-nos e plasmar-nos, com a mesma solicitude, at&eacute; que Cristo esteja formado em n&oacute;s plenamente (cf. Gal 4, 19). Esta ac&ccedil;&atilde;o de Maria, totalmente fundada sobre a de Cristo e a esta radicalmente subordinada, &laquo;n&atilde;o impede minimamente a uni&atilde;o imediata dos crentes com Cristo, antes a facilita&raquo;. (20) &Eacute; o princ&iacute;pio luminoso expresso pelo Conc&iacute;lio Vaticano II, que provei com tanta for&ccedil;a na minha vida, colocando-o na base do meu lema episcopal: Totus tuus. (21) Um lema, como &eacute; sabido, inspirado na doutrina de S. Lu&iacute;s Maria Grignion de Montfort, que assim explica o papel de Maria no processo de configura&ccedil;&atilde;o a Cristo de cada um de n&oacute;s: &ldquo;Toda a nossa perfei&ccedil;&atilde;o consiste em sermos configurados, unidos e consagrados a Jesus Cristo. Portanto, a mais perfeita de todas as devo&ccedil;&otilde;es &eacute; incontestavelmente aquela que nos configura, une e consagra mais perfeitamente a Jesus Cristo. Ora, sendo Maria entre todas as criaturas a mais configurada a Jesus Cristo, da&iacute; se conclui que de todas as devo&ccedil;&otilde;es, a que melhor consagra e configura uma alma a Nosso Senhor &eacute; a devo&ccedil;&atilde;o a Maria, sua santa M&atilde;e; e quanto mais uma alma for consagrada a Maria, tanto mais ser&aacute; a Jesus Cristo&rdquo;. (22) Nunca como no Ros&aacute;rio o caminho de Cristo e o de Maria aparecem unidos t&atilde;o profundamente. Maria s&oacute; vive em Cristo e em fun&ccedil;&atilde;o de Cristo!<\/p>\n<p><strong>Suplicar a Cristo com Maria<\/strong><br \/><strong>16<\/strong>. Cristo convidou a dirigirmo-nos a Deus com insist&ecirc;ncia e confian&ccedil;a para ser escutados: &laquo;Pedi e dar-se-vos-&aacute;; procurai e encontrareis; batei e abrir-se-vos-&aacute;&raquo; (Mt 7, 7). O fundamento desta efic&aacute;cia da ora&ccedil;&atilde;o &eacute; a bondade do Pai, mas tamb&eacute;m a media&ccedil;&atilde;o junto d&#8217;Ele por parte do mesmo Cristo (cf. 1Jo 2, 1) e a ac&ccedil;&atilde;o do Esp&iacute;rito Santo, que &laquo;intercede por n&oacute;s&raquo; conforme os des&iacute;gnios de Deus (cf. Rom 8, 26-27). De facto, n&oacute;s &laquo; n&atilde;o sabemos o que devemos pedir em nossas ora&ccedil;&otilde;es&raquo; (Rom 8, 26) e, &agrave;s vezes, n&atilde;o somos atendidos &laquo;porque pedimos mal&raquo; (Tg 4, 3).<\/p>\n<p>Em apoio da ora&ccedil;&atilde;o que Cristo e o Esp&iacute;rito fazem brotar no nosso cora&ccedil;&atilde;o, interv&eacute;m Maria com a sua materna intercess&atilde;o. &ldquo;A ora&ccedil;&atilde;o da Igreja &eacute; como que sustentada pela ora&ccedil;&atilde;o de Maria&rdquo;. (23) De facto, se Jesus, &uacute;nico Mediador, &eacute; o Caminho da nossa ora&ccedil;&atilde;o, Maria, pura transpar&ecirc;ncia d&#8217;Ele, mostra o Caminho, e &ldquo;&eacute; a partir desta singular coopera&ccedil;&atilde;o de Maria com a ac&ccedil;&atilde;o do Esp&iacute;rito Santo que as Igrejas cultivaram a ora&ccedil;&atilde;o &agrave; santa M&atilde;e de Deus, centrando-a na pessoa de Cristo manifestada nos seus mist&eacute;rios&rdquo;. (24) Nas bodas de Can&aacute;, o Evangelho mostra precisamente a efic&aacute;cia da intercess&atilde;o de Maria, que se faz porta-voz junto de Jesus das necessidades humanas: &laquo;N&atilde;o t&ecirc;m vinho&raquo; (Jo2,3).<\/p>\n<p>O Ros&aacute;rio &eacute; ao mesmo tempo medita&ccedil;&atilde;o e s&uacute;plica. A implora&ccedil;&atilde;o insistente da M&atilde;e de Deus apoia-se na confian&ccedil;a de que a sua materna intercess&atilde;o tudo pode no cora&ccedil;&atilde;o do Filho. Ela &eacute; &ldquo;omnipotente por gra&ccedil;a&rdquo;, como, com express&atilde;o audaz a ser bem entendida, dizia o Beato B&aacute;rtolo Longo na sua S&uacute;plica &agrave; Virgem. (25) Uma certeza esta que, a partir do Evangelho, foi-se consolidando atrav&eacute;s da experi&ecirc;ncia do povo crist&atilde;o. O grande poeta Dante, na linha de S. Bernardo, interpreta-a estupendamente, quando canta: &ldquo;<em>Donna, se&#8217; tanto grande e tanto vali, \/ che qual vuol grazia e a te n&atilde;o ricorre, \/ sua disianza vuol volar sanz&#8217;ali&rdquo;<\/em>. (26) No Ros&aacute;rio, Maria, santu&aacute;rio do Esp&iacute;rito Santo (cf. Lc1, 35), ao ser suplicada por n&oacute;s, apresenta-se em nosso favor diante do Pai que a cumulou de gra&ccedil;a e do Filho nascido das suas entranhas, pedindo connosco e por n&oacute;s.<\/p>\n<p><strong>Anunciar Cristo com Maria<\/strong><br \/><strong>17<\/strong>. O Ros&aacute;rio &eacute; tamb&eacute;m um itiner&aacute;rio de an&uacute;ncio e aprofundamento, no qual o mist&eacute;rio de Cristo &eacute; continuamente oferecido aos diversos n&iacute;veis da experi&ecirc;ncia crist&atilde;. O m&oacute;dulo &eacute; o de uma apresenta&ccedil;&atilde;o orante e contemplativa, que visa plasmar o disc&iacute;pulo segundo o cora&ccedil;&atilde;o de Cristo. De facto, se na recita&ccedil;&atilde;o do Ros&aacute;rio todos os elementos para uma medita&ccedil;&atilde;o eficaz forem devidamente valorizados, torna-se, especialmente na celebra&ccedil;&atilde;o comunit&aacute;ria nas par&oacute;quias e nos santu&aacute;rios, uma significativa oportunidade catequ&eacute;tica que os Pastores devem saber aproveitar. A Virgem do Ros&aacute;rio continua tamb&eacute;m deste modo a sua obra de an&uacute;ncio de Cristo. A hist&oacute;ria do Ros&aacute;rio mostra como esta ora&ccedil;&atilde;o foi utilizada especialmente pelos Dominicanos, num momento dif&iacute;cil para a Igreja por causa da difus&atilde;o da heresia. Hoje encontramo-nos diante de novos desafios. Porque n&atilde;o retomar na m&atilde;o o Ter&ccedil;o com a f&eacute; dos que nos precederam? O Ros&aacute;rio conserva toda a sua for&ccedil;a e permanece um recurso n&atilde;o descur&aacute;vel na bagagem pastoral de todo o bom evangelizador.<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: center;\">CAP&Iacute;TULO II: MIST&Eacute;RIOS DE CRISTO, MIST&Eacute;RIOS DA M&Atilde;E<\/p>\n<p><strong>O Ros&aacute;rio, &ldquo;comp&ecirc;ndio do Evangelho&rdquo;<\/strong><br \/><strong>18<\/strong>. &Agrave; contempla&ccedil;&atilde;o do rosto de Cristo s&oacute; podemos introduzir-nos escutando, no Esp&iacute;rito, a voz do Pai, porque &laquo;ningu&eacute;m conhece o Filho sen&atilde;o o Pai&raquo; (Mt 11, 27). Nas proximidades de Cesar&eacute;ia de Filipe, perante a confiss&atilde;o de Pedro, Jesus especificar&aacute; a fonte de uma t&atilde;o clara intui&ccedil;&atilde;o da sua identidade: &laquo;N&atilde;o foram a carne nem o sangue quem to revelou, mas o meu Pai que est&aacute; nos c&eacute;us&raquo; (Mt 16, 17). &Eacute;, pois, necess&aacute;ria a revela&ccedil;&atilde;o do alto. Mas, para acolh&ecirc;-la, &eacute; indispens&aacute;vel colocar-se &agrave; escuta: &ldquo;S&oacute; a experi&ecirc;ncia do sil&ecirc;ncio e da ora&ccedil;&atilde;o oferece o ambiente adequado para maturar e desenvolver-se um conhecimento mais verdadeiro, aderente e coerente daquele mist&eacute;rio&rdquo;. (27)<\/p>\n<p>O Ros&aacute;rio &eacute; um dos percursos tradicionais da ora&ccedil;&atilde;o crist&atilde; aplicada &agrave; contempla&ccedil;&atilde;o do rosto de Cristo. Paulo VI assim o descreveu: &laquo;Ora&ccedil;&atilde;o evang&eacute;lica, centrada sobre o mist&eacute;rio da Encarna&ccedil;&atilde;o redentora, o Ros&aacute;rio &eacute;, por isso mesmo, uma prece de orienta&ccedil;&atilde;o profundamente cristol&oacute;gica. Na verdade, o seu elemento mais caracter&iacute;stico &ndash; a repeti&ccedil;&atilde;o lit&acirc;nica do &ldquo;Alegra-te, Maria&rdquo;&ndash; torna-se tamb&eacute;m ele louvor incessante a Cristo, objectivo &uacute;ltimo do an&uacute;ncio do Anjo e da sauda&ccedil;&atilde;o da m&atilde;e do Baptista: &ldquo;Bendito o fruto do teu ventre&rdquo; (Lc 1, 42). Diremos mais ainda: a repeti&ccedil;&atilde;o da Ave Maria constitui a urdidura sobre a qual se desenrola a contempla&ccedil;&atilde;o dos mist&eacute;rios; aquele Jesus que cada Av&eacute; Maria relembra &eacute; o mesmo que a sucess&atilde;o dos mist&eacute;rios prop&otilde;e, uma e outra vez, como Filho de Deus e da Virgem Sant&iacute;ssima&raquo;. (28)<\/p>\n<p><strong>Uma inser&ccedil;&atilde;o oportuna<\/strong><br \/><strong>19<\/strong>. De tantos mist&eacute;rios da vida de Cristo, o Ros&aacute;rio, tal como se consolidou na pr&aacute;tica mais comum confirmada pela autoridade eclesial, aponta s&oacute; alguns. Tal selec&ccedil;&atilde;o foi ditada pela estrutura&ccedil;&atilde;o origin&aacute;ria desta ora&ccedil;&atilde;o, que adoptou o n&uacute;mero 150 como o dos Salmos.<\/p>\n<p>Considero, no entanto, que, para refor&ccedil;ar o espessor cristol&oacute;gico do Ros&aacute;rio, seja oportuna uma inser&ccedil;&atilde;o que, embora deixada &agrave; livre valoriza&ccedil;&atilde;o de cada pessoa e das comunidades, lhes permita abra&ccedil;ar tamb&eacute;m os mist&eacute;rios da vida p&uacute;blica de Cristo entre o Baptismo e a Paix&atilde;o. Com efeito, &eacute; no &acirc;mbito destes mist&eacute;rios que contemplamos aspectos importantes da pessoa de Cristo, como revelador definitivo de Deus. &Eacute; Ele que, declarado Filho dilecto do Pai no Baptismo do Jord&atilde;o, anuncia a vinda do Reino, testemunha-a com as obras e proclama as suas exig&ecirc;ncias. &Eacute; nos anos da vida p&uacute;blica que o mist&eacute;rio de Cristo se mostra de forma especial como mist&eacute;rio de luz: &laquo;Enquanto estou no mundo, sou a Luz do mundo&raquo; (Jo 9, 5).<\/p>\n<p>Para que o Ros&aacute;rio possa considerar-se mais plenamente &ldquo;comp&ecirc;ndio do Evangelho&rdquo;, &eacute; conveniente que, depois de recordar a encarna&ccedil;&atilde;o e a vida oculta de Cristo (mist&eacute;rios da alegria), e antes de se deter nos sofrimentos da paix&atilde;o (mist&eacute;rios da dor), e no triunfo da ressurrei&ccedil;&atilde;o (mist&eacute;rios da gl&oacute;ria), a medita&ccedil;&atilde;o se concentre tamb&eacute;m sobre alguns momentos particularmente significativos da vida p&uacute;blica (mist&eacute;rios da luz). Esta inser&ccedil;&atilde;o de novos mist&eacute;rios, sem prejudicar nenhum aspecto essencial do esquema tradicional desta ora&ccedil;&atilde;o, visa faz&ecirc;-la viver com renovado interesse na espiritualidade crist&atilde;, como verdadeira introdu&ccedil;&atilde;o na profundidade do Cora&ccedil;&atilde;o de Cristo, abismo de alegria e de luz, de dor e de gl&oacute;ria.<\/p>\n<p><strong>Mist&eacute;rios da alegria<\/strong><br \/><strong>20<\/strong>. O primeiro ciclo, o dos &ldquo;mist&eacute;rios gozosos&rdquo;, caracteriza-se de facto pela alegria que irradia do acontecimento da Encarna&ccedil;&atilde;o. Isto &eacute; evidente desde a Anuncia&ccedil;&atilde;o, quando a sauda&ccedil;&atilde;o de Gabriel &agrave; Virgem de Nazar&eacute; se liga ao convite da alegria messi&acirc;nica: &laquo;Alegra-te, Maria&raquo;. Para este an&uacute;ncio se encaminha a hist&oacute;ria da salva&ccedil;&atilde;o, e at&eacute;, de certo modo, a hist&oacute;ria do mundo. De facto, se o des&iacute;gnio do Pai &eacute; recapitular em Cristo todas as coisas (cf. Ef 1, 10), ent&atilde;o todo o universo de algum modo &eacute; alcan&ccedil;ado pelo favor divino, com o qual o Pai Se inclina sobre Maria para torn&aacute;-La M&atilde;e do seu Filho. Por sua vez, toda a humanidade est&aacute; como que inclu&iacute;da no fiat com que Ela corresponde prontamente &agrave; vontade de Deus.<\/p>\n<p>Sob o signo da exulta&ccedil;&atilde;o, aparece depois a cena do encontro com Isabel, onde a mesma voz de Maria e a presen&ccedil;a de Cristo no seu ventre fazem &laquo;saltar de alegria&raquo; Jo&atilde;o (cf. Lc 1, 44). Inundada de alegria &eacute; a cena de Bel&eacute;m, onde o nascimento do Deus-Menino, o Salvador do mundo, &eacute; cantado pelos anjos e anunciado aos pastores precisamente como &laquo;uma grande alegria&raquo; (Lc 2, 10).<br \/>Os dois &uacute;ltimos mist&eacute;rios, por&eacute;m, mesmo conservando o sabor da alegria antecipam j&aacute; os sinais do drama. A apresenta&ccedil;&atilde;o no templo, de facto, enquanto exprime a alegria da consagra&ccedil;&atilde;o e extasia o velho Sime&atilde;o, regista tamb&eacute;m a profecia do &laquo;sinal de contradi&ccedil;&atilde;o&raquo; que o Menino ser&aacute; para Israel e da espada que trespassar&aacute; a alma da M&atilde;e (cf. Lc 2, 34-35). Gozoso e ao mesmo tempo dram&aacute;tico &eacute; tamb&eacute;m o epis&oacute;dio de Jesus, aos doze anos, no templo. Vemo-Lo aqui na sua divina sabedoria, enquanto escuta e interroga, e substancialmente no papel d&#8217;Aquele que &ldquo;ensina&rdquo;. A revela&ccedil;&atilde;o do seu mist&eacute;rio de Filho totalmente dedicado &agrave;s coisas do Pai &eacute; an&uacute;ncio daquela radicalidade evang&eacute;lica que p&otilde;e inclusive em crise os la&ccedil;os mais caros do homem, diante das exig&ecirc;ncias absolutas do Reino. At&eacute; Jos&eacute; e Maria, aflitos e angustiados, &laquo; n&atilde;o entenderam &raquo; as suas palavras (Lc 2, 50).<\/p>\n<p>Por isso, meditar os mist&eacute;rios gozosos significa entrar nas motiva&ccedil;&otilde;es &uacute;ltimas e no significado profundo da alegria crist&atilde;. Significa fixar o olhar sobre a realidade concreta do mist&eacute;rio da Encarna&ccedil;&atilde;o e sobre o obscuro pren&uacute;ncio do mist&eacute;rio do sofrimento salv&iacute;fico. Maria leva-nos a aprender o segredo da alegria crist&atilde;, lembrando-nos que o cristianismo &eacute;, antes de mais, evangelion, &ldquo;boa nova&rdquo;, que tem o seu centro, antes, o seu mesmo conte&uacute;do, na pessoa de Cristo, o Verbo feito carne, &uacute;nico Salvador do mundo.<\/p>\n<p><strong>Mist&eacute;rios da luz<\/strong><br \/><strong>21<\/strong>. Passando da inf&acirc;ncia e da vida de Nazar&eacute; &agrave; vida p&uacute;blica de Jesus, a contempla&ccedil;&atilde;o leva-nos aos mist&eacute;rios que se podem chamar, por especial t&iacute;tulo, &ldquo;mist&eacute;rios da luz&rdquo;. Na verdade, todo o mist&eacute;rio de Cristo &eacute; luz. Ele &eacute; a &laquo;luz do mundo&raquo; (Jo 8, 12). Mas esta dimens&atilde;o emerge particularmente nos anos da vida p&uacute;blica, quando Ele anuncia o evangelho do Reino. Querendo indicar &agrave; comunidade crist&atilde; cinco momentos significativos &ndash; mist&eacute;rios luminosos &ndash; desta fase da vida de Cristo, considero que se podem justamente individuar: 1.&ordm; no seu Baptismo no Jord&atilde;o, 2.&ordm; na sua auto-revela&ccedil;&atilde;o nas bodas de Can&aacute;, 3.&ordm; no seu an&uacute;ncio do Reino de Deus com o convite &agrave; convers&atilde;o, 4.&ordm; na sua Transfigura&ccedil;&atilde;o e, enfim, 5.&ordm; na institui&ccedil;&atilde;o da Eucaristia, express&atilde;o sacramental do mist&eacute;rio pascal.<\/p>\n<p>Cada um destes mist&eacute;rios &eacute; revela&ccedil;&atilde;o do Reino divino j&aacute; personificado no mesmo Jesus. Primeiramente &eacute; mist&eacute;rio de luz o Baptismo no Jord&atilde;o. Aqui, enquanto Cristo desce &agrave; &aacute;gua do rio, como inocente que Se faz pecado por n&oacute;s (cf. 2 Cor 5, 21), o c&eacute;u abre-se e a voz do Pai proclama-O Filho dilecto (cf. Mt 3, 17 par), ao mesmo tempo que o Esp&iacute;rito vem sobre Ele para investi-Lo na miss&atilde;o que O espera. Mist&eacute;rio de luz &eacute; o in&iacute;cio dos sinais em Can&aacute; (cf. Jo 2, 1-12), quando Cristo, transformando a &aacute;gua em vinho, abre &agrave; f&eacute; o cora&ccedil;&atilde;o dos disc&iacute;pulos gra&ccedil;as &agrave; interven&ccedil;&atilde;o de Maria, a primeira entre os crentes. Mist&eacute;rio de luz &eacute; a prega&ccedil;&atilde;o com a qual Jesus anuncia o advento do Reino de Deus e convida &agrave; convers&atilde;o (cf. Mc 1, 15), perdoando os pecados de quem a Ele se dirige com humilde confian&ccedil;a (cf. Mc 2, 3-13; Lc 7, 47-48), in&iacute;cio do minist&eacute;rio de miseric&oacute;rdia que Ele prosseguir&aacute; exercendo at&eacute; ao fim do mundo, especialmente atrav&eacute;s do sacramento da Reconcilia&ccedil;&atilde;o confiado &agrave; sua Igreja (cf. Jo 20, 22-23). Mist&eacute;rio de luz por excel&ecirc;ncia &eacute; a Transfigura&ccedil;&atilde;o que, segundo a tradi&ccedil;&atilde;o, se deu no Monte Tabor. A gl&oacute;ria da Divindade reluz no rosto de Cristo, enquanto o Pai O acredita aos Ap&oacute;stolos extasiados para que O &laquo;escutem&raquo; (cf. Lc 9, 35 par) e se disponham a viver com Ele o momento doloroso da Paix&atilde;o, a fim de chegarem com Ele &agrave; gl&oacute;ria da Ressurrei&ccedil;&atilde;o e a uma vida transfigurada pelo Esp&iacute;rito Santo. Mist&eacute;rio de luz &eacute;, enfim, a institui&ccedil;&atilde;o da Eucaristia, na qual Cristo Se faz alimento com o seu Corpo e o seu Sangue sob os sinais do p&atilde;o e do vinho, testemunhando &laquo; at&eacute; ao extremo &raquo; o seu amor pela humanidade (Jo 13, 1), por cuja salva&ccedil;&atilde;o Se oferecer&aacute; em sacrif&iacute;cio.<\/p>\n<p>Nestes mist&eacute;rios, &agrave; excep&ccedil;&atilde;o de Can&aacute;, a presen&ccedil;a de Maria fica em segundo plano. Os Evangelhos mencionam apenas alguma presen&ccedil;a ocasional d&#8217;Ela no tempo da prega&ccedil;&atilde;o de Jesus (cf. Mc 3, 31-35; Jo 2, 12) e nada dizem de uma eventual presen&ccedil;a no Cen&aacute;culo durante a institui&ccedil;&atilde;o da Eucaristia. Mas, a fun&ccedil;&atilde;o que desempenha em Can&aacute; acompanha, de algum modo, todo o caminho de Cristo. A revela&ccedil;&atilde;o, que no Baptismo do Jord&atilde;o &eacute; oferecida directamente pelo Pai e confirmada pelo Baptista, est&aacute; na sua boca em Can&aacute;, e torna-se a grande advert&ecirc;ncia materna que Ela dirige &agrave; Igreja de todos os tempos: &laquo;Fazei o que Ele vos disser&raquo; (Jo 2, 5). Advert&ecirc;ncia esta que introduz bem as palavras e os sinais de Cristo durante a vida p&uacute;blica, constituindo o fundo mariano de todos os &ldquo;mist&eacute;rios da luz&rdquo;.<\/p>\n<p><strong>Mist&eacute;rios da dor<\/strong><br \/><strong>22<\/strong>. Os Evangelhos d&atilde;o grande relevo aos mist&eacute;rios da dor de Cristo. A piedade crist&atilde; desde sempre, especialmente na Quaresma, atrav&eacute;s do exerc&iacute;cio da Via Sacra, deteve-se em cada um dos momentos da Paix&atilde;o, intuindo que aqui est&aacute; o &aacute;pice da revela&ccedil;&atilde;o do amor e a fonte da nossa salva&ccedil;&atilde;o. O Ros&aacute;rio escolhe alguns momentos da Paix&atilde;o, induzindo o orante a fixar neles o olhar do cora&ccedil;&atilde;o e a reviv&ecirc;-los. O itiner&aacute;rio meditativo abre-se com o Gets&eacute;mani, onde Cristo vive um momento de particular ang&uacute;stia perante a vontade do Pai, contra a qual a debilidade da carne seria tentada a revoltar-se. Ali Cristo p&otilde;e-Se no lugar de todas as tenta&ccedil;&otilde;es da humanidade, e diante de todos os seus pecados, para dizer ao Pai: &laquo;N&atilde;o se fa&ccedil;a a minha vontade, mas a Tua&raquo; (Lc 22, 42 e par). Este seu &ldquo;sim&rdquo; muda o &ldquo;n&atilde;o&rdquo; dos pais no &Eacute;den. E o quanto Lhe dever&aacute; custar esta ades&atilde;o &agrave; vontade do Pai, emerge dos mist&eacute;rios seguintes, nos quais, com a flagela&ccedil;&atilde;o, a coroa&ccedil;&atilde;o de espinhos, a subida ao Calv&aacute;rio, a morte na cruz, Ele &eacute; lan&ccedil;ado no maior desprezo: Ecce homo!<\/p>\n<p>Neste desprezo, revela-se n&atilde;o somente o amor Deus, mas o mesmo sentido do homem. Ecce homo: quem quiser conhecer o homem, deve saber reconhecer o seu sentido, a sua raiz e o seu cumprimento em Cristo, Deus que Se rebaixa por amor &laquo; at&eacute; &agrave; morte, e morte de cruz &raquo; (Fil 2, 8). Os mist&eacute;rios da dor levam o crente a reviver a morte de Jesus pondo-se aos p&eacute;s da cruz junto de Maria, para com Ela penetrar no abismo do amor de Deus pelo homem e sentir toda a sua for&ccedil;a regeneradora.<\/p>\n<p><strong>Mist&eacute;rios da gl&oacute;ria<\/strong><br \/><strong>23<\/strong>. &ldquo;A contempla&ccedil;&atilde;o do rosto de Cristo n&atilde;o pode deter-se na imagem do crucificado. Ele &eacute; o Ressuscitado!&rdquo;. (29) O Ros&aacute;rio sempre expressou esta certeza da f&eacute;, convidando o crente a ultrapassar as trevas da Paix&atilde;o, para fixar o olhar na gl&oacute;ria de Cristo com a Ressurrei&ccedil;&atilde;o e a Ascens&atilde;o. Contemplando o Ressuscitado, o crist&atilde;o descobre novamente as raz&otilde;es da pr&oacute;pria f&eacute; (cf. 1Cor 15, 14), e revive n&atilde;o s&oacute; a alegria daqueles a quem Cristo Se manifestou &ndash; os Ap&oacute;stolos, a Madalena, os disc&iacute;pulos de Ema&uacute;s &ndash;, mas tamb&eacute;m a alegria de Maria, que dever&aacute; ter tido uma experi&ecirc;ncia n&atilde;o menos intensa da nova exist&ecirc;ncia do Filho glorificado. A esta gl&oacute;ria, onde com a Ascens&atilde;o Cristo Se senta &agrave; direita do Pai, Ela mesma ser&aacute; elevada com a Assun&ccedil;&atilde;o, chegando, por especial&iacute;ssimo privil&eacute;gio, a antecipar o destino reservado a todos os justos com a ressurrei&ccedil;&atilde;o da carne. Enfim, coroada de gl&oacute;ria &ndash; como aparece no &uacute;ltimo mist&eacute;rio glorioso &ndash; Ela resplandece como Rainha dos Anjos e dos Santos, antecipa&ccedil;&atilde;o e ponto culminante da condi&ccedil;&atilde;o escatol&oacute;gica da Igreja.<\/p>\n<p>No centro deste itiner&aacute;rio de gl&oacute;ria do Filho e da M&atilde;e, o Ros&aacute;rio p&otilde;e, no terceiro mist&eacute;rio glorioso, o Pentecostes, que mostra o rosto da Igreja como fam&iacute;lia reunida com Maria, fortalecida pela poderosa efus&atilde;o do Esp&iacute;rito, pronta para a miss&atilde;o evangelizadora. No &acirc;mbito da realidade da Igreja, a contempla&ccedil;&atilde;o deste, como dos outros mist&eacute;rios gloriosos, deve levar os crentes a tomarem uma consci&ecirc;ncia cada vez mais viva da sua nova exist&ecirc;ncia em Cristo, uma exist&ecirc;ncia de que o Pentecostes constitui o grande &ldquo;&iacute;cone&rdquo;. Desta forma, os mist&eacute;rios gloriosos alimentam nos crentes a esperan&ccedil;a da meta escatol&oacute;gica, para onde caminham como membros do Povo de Deus peregrino na hist&oacute;ria. Isto n&atilde;o pode deixar de impeli-los a um corajoso testemunho daquela &laquo; grande alegria &raquo; que d&aacute; sentido a toda a sua vida.<\/p>\n<p><strong>Dos &ldquo;mist&eacute;rios&rdquo; ao &ldquo;Mist&eacute;rio&rdquo;: o caminho de Maria<\/strong><br \/><strong>24<\/strong>. Estes ciclos meditativos propostos no Santo Ros&aacute;rio n&atilde;o s&atilde;o certamente exaustivos, mas apelam ao essencial, introduzindo o esp&iacute;rito no gosto de um conhecimento de Cristo que brota continuamente da fonte l&iacute;mpida do texto evang&eacute;lico. Cada passagem da vida de Cristo, como &eacute; narrada pelos Evangelistas, reflecte aquele Mist&eacute;rio que supera todo o conhecimento (cf. Ef 3, 19). &Eacute; o Mist&eacute;rio do Verbo feito carne, no Qual &laquo;habita corporalmente toda a plenitude da divindade&raquo; (Col 2, 9). Por isso, o Catecismo da Igreja Cat&oacute;lica insiste tanto nos mist&eacute;rios de Cristo, lembrando que &laquo;tudo na vida de Jesus &eacute; sinal do seu Mist&eacute;rio&raquo;. (30) O &ldquo;duc in altum&rdquo; da Igreja no terceiro Mil&eacute;nio &eacute; medido pela capacidade dos crist&atilde;os de &laquo; conhecerem o mist&eacute;rio de Deus, isto &eacute; Cristo, no Qual est&atilde;o escondidos todos os tesouros da sabedoria e da ci&ecirc;ncia&raquo; (Col 2, 2-3). A cada baptizado &eacute; dirigido este voto ardente da Carta aos Ef&eacute;sios: &laquo; Que Cristo habite pela f&eacute; nos vossos cora&ccedil;&otilde;es, de sorte que, arraigados e fundados na caridade, possais [&#8230;] compreender o amor de Cristo, que excede toda a ci&ecirc;ncia, para que sejais cheios de toda a plenitude de Deus&raquo; (3, 17-19).<\/p>\n<p>O Ros&aacute;rio coloca-se ao servi&ccedil;o deste ideal, oferecendo o &ldquo;segredo&rdquo; para se abrir mais facilmente a um conhecimento profundo e empenhado de Cristo. Digamos que &eacute; o caminho de Maria. &Eacute; o caminho do exemplo da Virgem de Nazar&eacute;, mulher de f&eacute;, de sil&ecirc;ncio e de escuta. &Eacute;, ao mesmo tempo, o caminho de uma devo&ccedil;&atilde;o mariana animada pela certeza da rela&ccedil;&atilde;o indivis&iacute;vel que liga Cristo &agrave; sua M&atilde;e Sant&iacute;ssima: os mist&eacute;rios de Cristo s&atilde;o tamb&eacute;m, de certo modo, os mist&eacute;rios da M&atilde;e, mesmo quando n&atilde;o est&aacute; directamente envolvida, pelo facto de Ela viver d&#8217;Ele e para Ele. Na Av&eacute; Maria, apropriando-nos das palavras do Arcanjo Gabriel e de Santa Isabel, sentimo-nos levados a procurar sempre de novo em Maria, nos seus bra&ccedil;os e no seu cora&ccedil;&atilde;o, o &laquo; fruto bendito do seu ventre&raquo; (cf. Lc 1, 42).<\/p>\n<p><strong>Mist&eacute;rio de Cristo, &ldquo;mist&eacute;rio&rdquo; do homem<\/strong><br \/><strong>25<\/strong>. No citado testemunho de 1978 sobre o Ros&aacute;rio como minha ora&ccedil;&atilde;o predilecta, exprimi um conceito sobre o qual desejo retornar. Dizia ent&atilde;o que &laquo;a simples ora&ccedil;&atilde;o do Ros&aacute;rio marca o ritmo da vida humana&raquo;. (31)<\/p>\n<p>&Agrave; luz das reflex&otilde;es desenvolvidas at&eacute; agora sobre os mist&eacute;rios de Cristo, n&atilde;o &eacute; dif&iacute;cil aprofundar esta implica&ccedil;&atilde;o antropol&oacute;gica do Ros&aacute;rio; uma implica&ccedil;&atilde;o mais radical do que possa parecer &agrave; primeira vista. Quem contempla a Cristo, percorrendo as etapas da sua vida, n&atilde;o pode deixar de aprender d&#8217;Ele a verdade sobre o homem. &Eacute; a grande afirma&ccedil;&atilde;o do Conc&iacute;lio Vaticano II que, desde a Carta enc&iacute;clica Redemptor hominis, tantas vezes fiz objecto do meu magist&eacute;rio: &ldquo;Na realidade, o mist&eacute;rio do homem s&oacute; no mist&eacute;rio do Verbo encarnado se esclarece verdadeiramente&rdquo;. (32) O Ros&aacute;rio ajuda a abrir-se a esta luz. Seguindo o caminho de Cristo, no qual o caminho do homem &eacute; &laquo; recapitulado &raquo;, (33) manifestado e redimido, o crente p&otilde;e-se diante da imagem do homem verdadeiro. Contemplando o seu nascimento aprende a sacralidade da vida, olhando para a casa de Nazar&eacute; aprende a verdade origin&aacute;ria da fam&iacute;lia segundo o des&iacute;gnio de Deus, escutando o Mestre nos mist&eacute;rios da vida p&uacute;blica recebe a luz para entrar no Reino de Deus, e seguindo-O no caminho para o Calv&aacute;rio aprende o sentido da dor salv&iacute;fica. Contemplando, enfim, a Cristo e sua M&atilde;e na gl&oacute;ria, v&ecirc; a meta para a qual cada um de n&oacute;s &eacute; chamado, se se deixa curar e transfigurar pelo Esp&iacute;rito Santo. Pode-se dizer, portanto, que cada mist&eacute;rio do Ros&aacute;rio, bem meditado, ilumina o mist&eacute;rio do homem.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo, torna-se natural levar a este encontro com a humanidade santa do Redentor os numerosos problemas, agruras, fadigas e projectos que definem a nossa vida. &laquo;Descarrega sobre o Senhor os teus cuidados, e Ele te sustentar&aacute;&raquo; (Sal 55, 23). Meditar com o Ros&aacute;rio significa entregar os nossos cuidados aos cora&ccedil;&otilde;es misericordiosos de Cristo e da sua M&atilde;e. &Agrave; dist&acirc;ncia de vinte e cinco anos, ao reconsiderar as prova&ccedil;&otilde;es que n&atilde;o faltaram nem mesmo no exerc&iacute;cio do minist&eacute;rio petrino, desejo insistir, como para convidar calorosamente a todos, a fim de que experimentem pessoalmente isto mesmo: verdadeiramente o Ros&aacute;rio &laquo;marca o ritmo da vida humana&raquo; para harmoniz&aacute;-la com o ritmo da vida divina, na gozosa comunh&atilde;o da Sant&iacute;ssima Trindade, destino e aspira&ccedil;&atilde;o da nossa exist&ecirc;ncia.<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: center;\">CAP&Iacute;TULO III: &laquo;PARA MIM, VIVER &Eacute; CRISTO&raquo;<\/p>\n<p><strong>O Ros&aacute;rio, caminho de assimila&ccedil;&atilde;o do mist&eacute;rio<\/strong><br \/><strong>26<\/strong>. A medita&ccedil;&atilde;o dos mist&eacute;rios de Cristo &eacute; proposta no Ros&aacute;rio com um m&eacute;todo caracter&iacute;stico, apropriado por sua natureza para favorecer a assimila&ccedil;&atilde;o dos mesmos. &Eacute; o m&eacute;todo baseado na repeti&ccedil;&atilde;o. Isto &eacute; vis&iacute;vel sobretudo com a Av&eacute; Maria, repetida dez vezes em cada mist&eacute;rio. Considerando superficialmente uma tal repeti&ccedil;&atilde;o, pode-se ser tentado a ver o Ros&aacute;rio como uma pr&aacute;tica &aacute;rida e aborrecida. Chega-se, por&eacute;m, a uma ideia muito diferente, quando se considera o Ter&ccedil;o como express&atilde;o daquele amor que n&atilde;o se cansa de voltar &agrave; pessoa amada com efus&otilde;es que, apesar de semelhantes na sua manifesta&ccedil;&atilde;o, s&atilde;o sempre novas pelo sentimento que as permeia.<\/p>\n<p>Em Cristo, Deus assumiu verdadeiramente um &laquo;cora&ccedil;&atilde;o de carne&raquo;. N&atilde;o tem apenas um cora&ccedil;&atilde;o divino, rico de miseric&oacute;rdia e perd&atilde;o, mas tamb&eacute;m um cora&ccedil;&atilde;o humano, capaz de todas as vibra&ccedil;&otilde;es de afecto. Se houvesse necessidade dum testemunho evang&eacute;lico disto mesmo, n&atilde;o seria dif&iacute;cil encontr&aacute;-lo no di&aacute;logo comovente de Cristo com Pedro depois da ressurrei&ccedil;&atilde;o: &laquo;Sim&atilde;o, filho de Jo&atilde;o, tu amas-Me?&raquo; Por tr&ecirc;s vezes &eacute; feita a pergunta, e tr&ecirc;s vezes recebe como resposta: &laquo;Senhor, Tu sabes que Te amo&raquo; (cf. Jo 21, 15-17). Al&eacute;m do significado espec&iacute;fico do texto, t&atilde;o importante para a miss&atilde;o de Pedro, n&atilde;o passa despercebida a ningu&eacute;m a beleza desta tr&iacute;plice repeti&ccedil;&atilde;o, na qual a solicita&ccedil;&atilde;o insistente e a respectiva resposta s&atilde;o expressas com termos bem conhecidos da experi&ecirc;ncia universal do amor humano. Para compreender o Ros&aacute;rio, &eacute; preciso entrar na din&acirc;mica psicol&oacute;gica t&iacute;pica do amor.<\/p>\n<p>Uma coisa &eacute; clara! Se a repeti&ccedil;&atilde;o da Av&eacute; Maria se dirige directamente a Maria, com Ela e por Ela &eacute; para Jesus que, em &uacute;ltima an&aacute;lise, vai o acto de amor. A repeti&ccedil;&atilde;o alimenta-se do desejo duma conforma&ccedil;&atilde;o cada vez mais plena Cristo, verdadeiro &ldquo;programa&rdquo; da vida crist&atilde;. S. Paulo enunciou este programa com palavras cheias de ardor: &laquo;Para mim, o viver &eacute; Cristo e o morrer &eacute; lucro&raquo; (Flp 1, 21). E ainda: &laquo;J&aacute; n&atilde;o sou eu que vivo, &eacute; Cristo que vive em mim&raquo; (Gal 2, 20). O Ros&aacute;rio ajuda-nos a crescer nesta conforma&ccedil;&atilde;o at&eacute; &agrave; meta da santidade.<\/p>\n<p><strong>Um m&eacute;todo v&aacute;lido&#8230;<\/strong><br \/><strong>27<\/strong>. N&atilde;o deve maravilhar-nos o facto de a rela&ccedil;&atilde;o com Cristo se servir tamb&eacute;m do aux&iacute;lio dum m&eacute;todo. Deus comunica-Se ao homem, respeitando o modo de ser da nossa natureza e os seus ritmos vitais. Por isso a espiritualidade crist&atilde;, embora conhecendo as formas mais sublimes do sil&ecirc;ncio m&iacute;stico onde todas as imagens, palavras e gestos ficam superados pela intensidade duma inef&aacute;vel uni&atilde;o do homem com Deus, normalmente passa pelo envolvimento total da pessoa, na sua complexa realidade psico-f&iacute;sica e relacional.<\/p>\n<p>Isto &eacute; evidente na Liturgia. Os sacramentos e os sacramentais est&atilde;o estruturados com uma s&eacute;rie de ritos, em que se faz apelo &agrave;s diversas dimens&otilde;es da pessoa. E a mesma exig&ecirc;ncia transparece da ora&ccedil;&atilde;o n&atilde;o lit&uacute;rgica. A confirm&aacute;-lo est&aacute; o facto de a ora&ccedil;&atilde;o mais caracter&iacute;stica de medita&ccedil;&atilde;o cristol&oacute;gica no Oriente, que se centra nas palavras &laquo;Jesus Cristo, Filho de Deus, Senhor, tem piedade de mim, pecador&raquo;,(34) estar tradicionalmente ligada ao ritmo da respira&ccedil;&atilde;o: ao mesmo tempo que isso facilita a perseveran&ccedil;a na invoca&ccedil;&atilde;o, assegura quase uma densidade f&iacute;sica ao desejo de que Cristo se torne a respira&ccedil;&atilde;o, a alma e o &ldquo;tudo&rdquo; da vida.<\/p>\n<p><strong>&#8230;que todavia pode ser melhorado<\/strong><br \/><strong>28<\/strong>. Recordei na Carta apost&oacute;lica Novo millennio ineunte que h&aacute; hoje, mesmo no Ocidente, uma renovada exig&ecirc;ncia de medita&ccedil;&atilde;o, que se v&ecirc; &agrave;s vezes promovida noutras religi&otilde;es com modalidades cativantes. (35) N&atilde;o faltam crist&atilde;os que, por reduzido conhecimento da tradi&ccedil;&atilde;o contemplativa crist&atilde;, se deixam aliciar por tais propostas. Apesar de possu&iacute;rem elementos positivos e &agrave;s vezes compat&iacute;veis com a experi&ecirc;ncia crist&atilde;, todavia escondem frequentemente um fundo ideol&oacute;gico inaceit&aacute;vel. Em tais experi&ecirc;ncias, &eacute; muito comum aparecer uma metodologia que, tendo por objectivo uma alta concentra&ccedil;&atilde;o espiritual, recorre a t&eacute;cnicas repetitivas e simb&oacute;licas de car&aacute;cter psico-f&iacute;sico. O Ros&aacute;rio coloca-se neste quadro universal da fenomenologia religiosa, mas apresenta caracter&iacute;sticas pr&oacute;prias, que correspondem &agrave;s exig&ecirc;ncias t&iacute;picas da especificidade crist&atilde;.<\/p>\n<p>Na realidade, trata-se simplesmente de um m&eacute;todo para contemplar. E, como m&eacute;todo que &eacute;, h&aacute;-de ser utilizado em ordem ao seu fim, e n&atilde;o como fim em si mesmo. Mas, sendo fruto duma experi&ecirc;ncia secular, o pr&oacute;prio m&eacute;todo n&atilde;o deve ser subestimado. Abona em seu favor a experi&ecirc;ncia de inumer&aacute;veis Santos. Isto, por&eacute;m, n&atilde;o impede que seja melhorado. Tal &eacute; o objectivo da inser&ccedil;&atilde;o, no ciclo dos mist&eacute;rios, da nova s&eacute;rie dos mysteria lucis, juntamente com algumas sugest&otilde;es relativas &agrave; recita&ccedil;&atilde;o, que proponho nesta Carta. Atrav&eacute;s delas, embora respeitando a estrutura amplamente consolidada desta ora&ccedil;&atilde;o, queria ajudar os fi&eacute;is a compreend&ecirc;-la nos seus aspectos simb&oacute;licos, em sintonia com as exig&ecirc;ncias da vida quotidiana. Sem isso, o Ros&aacute;rio corre o risco n&atilde;o s&oacute; de n&atilde;o produzir os efeitos espirituais desejados, mas at&eacute; mesmo de o ter&ccedil;o, com que habitualmente &eacute; recitado, acabar por ser visto quase como um amuleto ou objecto m&aacute;gico, com uma adultera&ccedil;&atilde;o radical do seu sentido e fun&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p><strong>A enuncia&ccedil;&atilde;o do mist&eacute;rio<\/strong><br \/><strong>29<\/strong>. Enunciar o mist&eacute;rio, com a possibilidade at&eacute; de fixar contextualmente um &iacute;cone que o represente, &eacute; como abrir um cen&aacute;rio sobre o qual se concentra a aten&ccedil;&atilde;o. As palavras orientam a imagina&ccedil;&atilde;o e o esp&iacute;rito para aquele epis&oacute;dio ou momento concreto da vida de Cristo. Na espiritualidade que se foi desenvolvendo na Igreja, tanto a venera&ccedil;&atilde;o de &iacute;cones como in&uacute;meras devo&ccedil;&otilde;es ricas de elementos sens&iacute;veis e mesmo o m&eacute;todo proposto por Santo In&aacute;cio de Loiola nos Exerc&iacute;cios Espirituais recorrem ao elemento vis&iacute;vel e figurativo (a chamada <em>compositio loci<\/em>), considerando-o de grande ajuda para facilitar a concentra&ccedil;&atilde;o do esp&iacute;rito no mist&eacute;rio. Ali&aacute;s, &eacute; uma metodologia que corresponde &agrave; pr&oacute;pria l&oacute;gica da Encarna&ccedil;&atilde;o: em Jesus, Deus quis tomar fei&ccedil;&otilde;es humanas. &Eacute; atrav&eacute;s da sua realidade corp&oacute;rea que somos levados a tomar contacto com o seu mist&eacute;rio divino.<\/p>\n<p>&Eacute; a esta exig&ecirc;ncia de concretiza&ccedil;&atilde;o que d&aacute; resposta a enuncia&ccedil;&atilde;o dos v&aacute;rios mist&eacute;rios do Ros&aacute;rio. Certamente, estes n&atilde;o substituem o Evangelho, nem fazem refer&ecirc;ncia a todas as suas p&aacute;ginas. Por isso, o Ros&aacute;rio n&atilde;o substitui a lectio divina; pelo contr&aacute;rio, sup&otilde;e-na e promove-a. Mas, se os mist&eacute;rios considerados no Ros&aacute;rio, completados agora com os mysteria lucis, se limitam aos tra&ccedil;os fundamentais da vida de Cristo, o esp&iacute;rito pode facilmente a partir deles estender-se ao resto do Evangelho, sobretudo quando o Ros&aacute;rio &eacute; recitado em momentos particulares de prolongado sil&ecirc;ncio.<\/p>\n<p><strong>A escuta da Palavra de Deus<\/strong><br \/><strong>30<\/strong>. A fim de dar fundamenta&ccedil;&atilde;o b&iacute;blica e maior profundidade &agrave; medita&ccedil;&atilde;o, &eacute; &uacute;til que a enuncia&ccedil;&atilde;o do mist&eacute;rio seja acompanhada pela proclama&ccedil;&atilde;o de uma passagem b&iacute;blica alusiva, que, segundo as circunst&acirc;ncias, pode ser mais ou menos longa. De facto, as outras palavras n&atilde;o atingem nunca a efic&aacute;cia pr&oacute;pria da palavra inspirada. Esta h&aacute;-de ser escutada com a certeza de que &eacute; Palavra de Deus, pronunciada para o dia de hoje e &ldquo;para mim&rdquo;.<\/p>\n<p>Assim acolhida, ela entra na metodologia de repeti&ccedil;&atilde;o do Ros&aacute;rio, sem provocar o enfado que derivaria duma simples evoca&ccedil;&atilde;o de informa&ccedil;&atilde;o j&aacute; bem conhecida. N&atilde;o, n&atilde;o se trata de trazer &agrave; mem&oacute;ria uma informa&ccedil;&atilde;o, mas de deixar Deus &ldquo;falar&rdquo;. Em ocasi&otilde;es solenes e comunit&aacute;rias, esta palavra pode ser devidamente ilustrada com um breve coment&aacute;rio.<\/p>\n<p><strong>O sil&ecirc;ncio<\/strong><br \/><strong>31<\/strong>. A escuta e a medita&ccedil;&atilde;o alimentam-se de sil&ecirc;ncio. Por isso, ap&oacute;s a enuncia&ccedil;&atilde;o do mist&eacute;rio e a proclama&ccedil;&atilde;o da Palavra, &eacute; conveniente parar, durante um c&ocirc;ngruo per&iacute;odo de tempo, a fixar o olhar sobre o mist&eacute;rio meditado, antes de come&ccedil;ar a ora&ccedil;&atilde;o vocal. A redescoberta do valor do sil&ecirc;ncio &eacute; um dos segredos para a pr&aacute;tica da contempla&ccedil;&atilde;o e da medita&ccedil;&atilde;o. Entre as limita&ccedil;&otilde;es duma sociedade de forte predomin&acirc;ncia tecnol&oacute;gica e medi&aacute;tica, conta-se o facto de se tornar cada vez mais dif&iacute;cil o sil&ecirc;ncio. Tal como na Liturgia se recomendam momentos de sil&ecirc;ncio, assim tamb&eacute;m na recita&ccedil;&atilde;o do Ros&aacute;rio &eacute; oportuno fazer uma pausa depois da escuta da Palavra de Deus enquanto o esp&iacute;rito se fixa no conte&uacute;do do relativo mist&eacute;rio.<\/p>\n<p><strong>O &ldquo;Pai nosso&rdquo;<\/strong><br \/><strong>32<\/strong>. Ap&oacute;s a escuta da Palavra e a concentra&ccedil;&atilde;o no mist&eacute;rio, &eacute; natural que o esp&iacute;rito se eleve para o Pai. Em cada um dos seus mist&eacute;rios, Jesus leva-nos sempre at&eacute; ao Pai, para Quem Ele Se volta continuamente porque repousa no seu &ldquo;seio&rdquo; (cf. Jo 1,18). Quer introduzir-nos na intimidade do Pai, para dizermos com Ele: &laquo; Abb&aacute;, Pai &raquo; (Rom 8, 5; Gal 4, 6). &Eacute; em rela&ccedil;&atilde;o ao Pai que Ele nos torna irm&atilde;os seus e entre n&oacute;s, ao comunicar-nos o Esp&iacute;rito que &eacute; conjuntamente d&#8217;Ele e do Pai. O &ldquo;Pai nosso&rdquo;, colocado quase como alicerce da medita&ccedil;&atilde;o cristol&oacute;gico-mariana que se desenrola atrav&eacute;s da repeti&ccedil;&atilde;o da Av&eacute; Maria, torna a medita&ccedil;&atilde;o do mist&eacute;rio, mesmo quando &eacute; feita a s&oacute;s, uma experi&ecirc;ncia eclesial.<\/p>\n<p><strong>As dez &ldquo;Av&eacute; Marias&rdquo;<\/strong><br \/><strong>33<\/strong>. Este elemento &eacute; o mais encorpado do Ros&aacute;rio e tamb&eacute;m o que faz dele uma ora&ccedil;&atilde;o mariana por excel&ecirc;ncia. Mas &agrave; luz da pr&oacute;pria Av&eacute; Maria, bem entendida, nota-se claramente que o car&aacute;cter mariano n&atilde;o s&oacute; n&atilde;o se op&otilde;e ao cristol&oacute;gico como at&eacute; o sublinha e exalta. De facto, a primeira parte da Av&eacute; Maria, tirada das palavras dirigidas a Maria pelo Anjo Gabriel e por Santa Isabel, &eacute; contempla&ccedil;&atilde;o adoradora do mist&eacute;rio que se realiza na Virgem de Nazar&eacute;. Exprimem, por assim dizer, a admira&ccedil;&atilde;o do c&eacute;u e da terra, e deixam de certo modo transparecer o encanto do pr&oacute;prio Deus ao contemplar a sua obra-prima &ndash;a encarna&ccedil;&atilde;o do Filho no ventre virginal de Maria &ndash; na linha daquele olhar contente do G&eacute;nesis (cf. Gn 1, 31), daquele primordial &laquo; pathos com que Deus, na aurora da cria&ccedil;&atilde;o, contemplou a obra das suas m&atilde;os &raquo;. (36) A repeti&ccedil;&atilde;o da Av&eacute; Maria no Ros&aacute;rio sintoniza-nos com este encanto de Deus: &eacute; j&uacute;bilo, admira&ccedil;&atilde;o, reconhecimento do maior milagre da hist&oacute;ria. &Eacute; o cumprimento da profecia de Maria: &laquo;Desde agora, todas as gera&ccedil;&otilde;es Me h&atilde;o-de chamar ditosa&raquo; (Lc 1, 48).<\/p>\n<p>O baricentro da Av&eacute; Maria, uma esp&eacute;cie de charneira entre a primeira parte e a segunda, &eacute; o nome de Jesus. &Agrave;s vezes, na recita&ccedil;&atilde;o precipitada, perde-se tal baricentro e, com ele, tamb&eacute;m a liga&ccedil;&atilde;o ao mist&eacute;rio de Jesus que se est&aacute; a contemplar. Ora, &eacute; precisamente pela acentua&ccedil;&atilde;o dada ao nome de Jesus e ao seu mist&eacute;rio que se caracteriza a recita&ccedil;&atilde;o expressiva e frutuosa do Ros&aacute;rio. J&aacute; Paulo VI recordou na Exorta&ccedil;&atilde;o apost&oacute;lica Marialis cultus o costume, existente nalgumas regi&otilde;es, de dar realce ao nome de Cristo acrescentando-lhe uma cl&aacute;usula evocativa do mist&eacute;rio que se est&aacute; a meditar. (37) &Eacute; um louv&aacute;vel costume, sobretudo na recita&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica. Exprime de forma intensa a f&eacute; cristol&oacute;gica, aplicada aos diversos momentos da vida do Redentor. &Eacute; profiss&atilde;o de f&eacute; e, ao mesmo tempo, um aux&iacute;lio para permanecer em medita&ccedil;&atilde;o, permitindo dar vida &agrave; fun&ccedil;&atilde;o assimiladora, contida na repeti&ccedil;&atilde;o da Av&eacute; Maria, relativamente ao mist&eacute;rio de Cristo. Repetir o nome de Jesus &ndash; o &uacute;nico nome do qual se pode esperar a salva&ccedil;&atilde;o (cf. Act 4, 12) &ndash; enla&ccedil;ado com o da M&atilde;e Sant&iacute;ssima, e de certo modo deixando que seja Ela pr&oacute;pria a sugerir-no-lo, constitui um caminho de assimila&ccedil;&atilde;o que quer fazer-nos penetrar cada vez mais profundamente na vida de Cristo.<\/p>\n<p>Desta rela&ccedil;&atilde;o muito especial de Maria com Cristo, que faz d&#8217;Ela a M&atilde;e de Deus, a Theot&ograve;kos, deriva a for&ccedil;a da s&uacute;plica com que nos dirigimos a Ela depois na segunda parte da ora&ccedil;&atilde;o, confiando &agrave; sua materna intercess&atilde;o a nossa vida e a hora da nossa morte.<\/p>\n<p><strong>O &ldquo;Gl&oacute;ria&rdquo;<\/strong><br \/><strong>34<\/strong>. A doxologia trinit&aacute;ria &eacute; a meta da contempla&ccedil;&atilde;o crist&atilde;. De facto, Cristo &eacute; o caminho que nos conduz ao Pai no Esp&iacute;rito. Se percorrermos em profundidade este caminho, achamo-noscontinuamente na presen&ccedil;a do mist&eacute;rio das tr&ecirc;s Pessoas divinas para As louvar, adorar, agradecer. &Eacute; importante que o Gl&oacute;ria, apogeu da contempla&ccedil;&atilde;o, seja posto em grande evid&ecirc;ncia no Ros&aacute;rio. Na recita&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica, poder-se-ia cantar para dar a devida &ecirc;nfase a esta perspectiva estrutural e qualificadora de toda a ora&ccedil;&atilde;o crist&atilde;.<\/p>\n<p>Na medida em que a medita&ccedil;&atilde;o do mist&eacute;rio tiver sido &ndash; de Ave-Maria em Ave-Maria &ndash; atenta, profunda, animada pelo amor de Cristo e por Maria, a glorifica&ccedil;&atilde;o trinit&aacute;ria de cada dezena, em vez de reduzir-se a uma r&aacute;pida conclus&atilde;o, adquirir&aacute; o seu justo tom contemplativo, quase elevando o esp&iacute;rito &agrave; altura do Para&iacute;so e fazendo-nos reviver de certo modo a experi&ecirc;ncia do Tabor, antecipa&ccedil;&atilde;o da contempla&ccedil;&atilde;o futura: &laquo;Que bom &eacute; estarmos aqui!&raquo; (Lc 9, 33).<\/p>\n<p><strong>A jaculat&oacute;ria final<\/strong><br \/><strong>35<\/strong>. Na pr&aacute;tica corrente do Ros&aacute;rio, depois da doxologia trinit&aacute;ria diz-se uma jaculat&oacute;ria, que varia segundo os costumes. Sem diminuir em nada o valor de tais invoca&ccedil;&otilde;es, parece oportuno assinalar que a contempla&ccedil;&atilde;o dos mist&eacute;rios poder&aacute; manifestar melhor toda a sua fecundidade, se se tiver o cuidado de terminar cada um dos mist&eacute;rios com uma ora&ccedil;&atilde;o para obter os frutos espec&iacute;ficos da medita&ccedil;&atilde;o desse mist&eacute;rio. Deste modo, o Ros&aacute;rio poder&aacute; exprimir com maior efic&aacute;cia a sua liga&ccedil;&atilde;o com a vida crist&atilde;. Isto mesmo no-lo sugere uma bela ora&ccedil;&atilde;o lit&uacute;rgica, que nos convida a pedir para, atrav&eacute;s da medita&ccedil;&atilde;o dos mist&eacute;rios do Ros&aacute;rio, chegarmos a &laquo;imitar o que cont&ecirc;m e alcan&ccedil;ar o que prometem&raquo;. (38)<\/p>\n<p>Uma tal ora&ccedil;&atilde;o conclusiva poder&aacute; gozar, como acontece j&aacute;, de uma leg&iacute;tima variedade na sua inspira&ccedil;&atilde;o. Assim, o Ros&aacute;rio adquirir&aacute; uma fisionomia mais adaptada &agrave;s diferentes tradi&ccedil;&otilde;es espirituais e &agrave;s v&aacute;rias comunidades crist&atilde;s. Nesta perspectiva, &eacute; desej&aacute;vel que haja uma divulga&ccedil;&atilde;o, com o devido discernimento pastoral, das propostas mais significativas, talvez experimentadas em centros e santu&aacute;rios marianos particularmente sens&iacute;veis &agrave; pr&aacute;tica do Ros&aacute;rio, para que o Povo de Deus possa valer-se de toda a verdadeira riqueza espiritual, tirando dela alimento para a sua contempla&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p><strong>O ter&ccedil;o<\/strong><br \/><strong>36<\/strong>. Um instrumento tradicional na recita&ccedil;&atilde;o do Ros&aacute;rio &eacute; o ter&ccedil;o. No seu uso mais superficial, reduz-se frequentemente a um simples meio para contar e registar a sucess&atilde;o das Av&eacute; Marias. Mas, presta-se tamb&eacute;m a exprimir simbolismos, que podem conferir maior profundidade &agrave; contempla&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>A tal respeito, a primeira coisa a notar &eacute; como o ter&ccedil;o converge para o Crucificado, que desta forma abre e fecha o pr&oacute;prio itiner&aacute;rio da ora&ccedil;&atilde;o. Em Cristo, est&aacute; centrada a vida e a ora&ccedil;&atilde;o dos crentes. Tudo parte d&#8217;Ele, tudo tende para Ele, tudo por Ele, no Esp&iacute;rito Santo, chega ao Pai.<\/p>\n<p>Como instrumento de contagem que assinala o avan&ccedil;ar da ora&ccedil;&atilde;o, o ter&ccedil;o evoca o caminho incessante da contempla&ccedil;&atilde;o e da perfei&ccedil;&atilde;o crist&atilde;. O Beato B&aacute;rtolo Longo via-o tamb&eacute;m como uma &ldquo;cadeia&rdquo; que nos prende a Deus. Cadeia sim, mas uma doce cadeia; assim se apresenta sempre a rela&ccedil;&atilde;o com um Deus que &eacute; Pai. Cadeia &ldquo;filial&rdquo;, que nos coloca em sintonia com Maria, a &laquo;serva do Senhor&raquo; (Lc 1, 38), e em &uacute;ltima inst&acirc;ncia com o pr&oacute;prio Cristo que, apesar de ser Deus, Se fez &laquo;servo&raquo; por nosso amor (Flp 2, 7).<\/p>\n<p>&Eacute; bom alargar o significado simb&oacute;lico do ter&ccedil;o tamb&eacute;m &agrave; nossa rela&ccedil;&atilde;o rec&iacute;proca, recordando atrav&eacute;s dele o v&iacute;nculo de comunh&atilde;o e fraternidade que a todos nos une em Cristo.<\/p>\n<p><strong>Come&ccedil;o e conclus&atilde;o<\/strong><br \/><strong>37<\/strong>. Segundo a praxe comum, s&atilde;o v&aacute;rios os modos de introduzir o Ros&aacute;rio nos distintos contextos eclesiais. Em algumas regi&otilde;es, costuma-se iniciar com a invoca&ccedil;&atilde;o do Salmo 69(70): &laquo;&Oacute; Deus, vinde em nosso aux&iacute;lio; Senhor, socorrei-nos e salvai-nos&raquo;, para de certo modo alimentar, na pessoa orante, a humilde certeza da sua pr&oacute;pria indig&ecirc;ncia; ao contr&aacute;rio, noutros lugares come&ccedil;a-se com a recita&ccedil;&atilde;o do Creio em Deus Pai, querendo de certo modo colocar a profiss&atilde;o de f&eacute; como fundamento do caminho contemplativo que se inicia. Estes e outros modos, na medida em que disp&otilde;em melhor &agrave; contempla&ccedil;&atilde;o, s&atilde;o m&eacute;todos igualmente leg&iacute;timos. A recita&ccedil;&atilde;o termina com a ora&ccedil;&atilde;o pelas inten&ccedil;&otilde;es do Papa, para estender o olhar de quem reza ao amplo horizonte das necessidades eclesiais. Foi precisamente para encorajar esta perspectiva eclesial do Ros&aacute;rio que a Igreja quis enriquec&ecirc;-lo com indulg&ecirc;ncias sagradas para quem o recitar com as devidas disposi&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n<p>Assim vivido, o Ros&aacute;rio torna-se verdadeiramente um caminho espiritual, onde Maria faz de m&atilde;e, mestra e guia, e apoia o fiel com a sua poderosa intercess&atilde;o. Como admirar-se de que o esp&iacute;rito, no final desta ora&ccedil;&atilde;o em que teve a experi&ecirc;ncia &iacute;ntima da maternidade de Maria, sinta a necessidade de se expandir em louvores &agrave; Virgem Santa, quer com a ora&ccedil;&atilde;o espl&ecirc;ndida da Salve Rainha, quer atrav&eacute;s das invoca&ccedil;&otilde;es da Ladainha Lauretana? &Eacute; o remate dum caminho interior que levou o fiel ao contacto vivo com o mist&eacute;rio de Cristo e da sua M&atilde;e Sant&iacute;ssima.<\/p>\n<p><strong>A distribui&ccedil;&atilde;o no tempo<\/strong><br \/><strong>38<\/strong>. O Ros&aacute;rio pode ser recitado integralmente todos os dias, n&atilde;o faltando quem louvavelmente o fa&ccedil;a. Acaba assim por encher de ora&ccedil;&atilde;o as jornadas de tantos contemplativos, ou servir de companhia a doentes e idosos que disp&otilde;em de tempo em abund&acirc;ncia. Mas &eacute; &oacute;bvio &ndash; e isto vale com mais forte raz&atilde;o ao acrescentar-se o novo ciclo dos mysteria lucis &ndash; que muitos poder&atilde;o recitar apenas uma parte, segundo uma determinada ordem semanal. Esta distribui&ccedil;&atilde;o pela semana acaba por dar &agrave;s sucessivas jornadas desta uma certa &ldquo;cor&rdquo; espiritual, de modo an&aacute;logo ao que faz a Liturgia com as v&aacute;rias fases do ano lit&uacute;rgico.<\/p>\n<p>Segundo a pr&aacute;tica corrente, a segunda e a quinta-feira s&atilde;o dedicadas aos &ldquo;mist&eacute;rios da alegria&rdquo;, a ter&ccedil;a e a sexta-feira aos &ldquo;mist&eacute;rios da dor&rdquo;, a quarta-feira, o s&aacute;bado e o domingo aos &ldquo;mist&eacute;rios da gl&oacute;ria&rdquo;. Onde se podem inserir os &ldquo;mist&eacute;rios da luz&rdquo;? Atendendo a que os mist&eacute;rios gloriosos s&atilde;o propostos em dois dias seguidos &ndash; s&aacute;bado e domingo &ndash; e que o s&aacute;bado &eacute; tradicionalmente um dia de intenso car&aacute;cter mariano, parece recomend&aacute;vel deslocar para ele a segunda medita&ccedil;&atilde;o semanal dos mist&eacute;rios gozosos, nos quais est&aacute; mais acentuada a presen&ccedil;a de Maria. E assim fica livre a quinta-feira precisamente para a medita&ccedil;&atilde;o dos mist&eacute;rios da luz.<\/p>\n<p>Esta indica&ccedil;&atilde;o, por&eacute;m, n&atilde;o pretende limitar uma certa liberdade de op&ccedil;&atilde;o na medita&ccedil;&atilde;o pessoal e comunit&aacute;ria, segundo as exig&ecirc;ncias espirituais e pastorais e sobretudo as coincid&ecirc;ncias lit&uacute;rgicas que possam sugerir oportunas adapta&ccedil;&otilde;es. Verdadeiramente importante &eacute; que o Ros&aacute;rio seja cada vez mais visto e sentido como itiner&aacute;rio contemplativo. Atrav&eacute;s dele, de modo complementar ao que se realiza na Liturgia, a semana do crist&atilde;o, tendo o domingo &ndash; dia da ressurrei&ccedil;&atilde;o &ndash; por charneira, torna-se uma caminhada atrav&eacute;s dos mist&eacute;rios da vida de Cristo, para que Ele Se afirme, na vida dos seus disc&iacute;pulos, como Senhor do tempo e da hist&oacute;ria.<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: center;\">CONCLUS&Atilde;O:<\/p>\n<p><strong>&laquo;Ros&aacute;rio bendito de Maria, doce cadeia que nos prende a Deus&raquo;<\/strong><br \/><strong>39<\/strong>. Tudo o que foi dito at&eacute; agora, manifesta amplamente a riqueza desta ora&ccedil;&atilde;o tradicional, que tem n&atilde;o s&oacute; a simplicidade duma ora&ccedil;&atilde;o popular, mas tamb&eacute;m a profundidade teol&oacute;gica duma ora&ccedil;&atilde;o adaptada a quem sente a exig&ecirc;ncia duma contempla&ccedil;&atilde;o mais madura.<br \/>A Igreja reconheceu sempre uma efic&aacute;cia particular ao Ros&aacute;rio, confiando-lhe, mediante a sua recita&ccedil;&atilde;o comunit&aacute;ria e a sua pr&aacute;tica constante, as causas mais dif&iacute;ceis. Em momentos em que estivera amea&ccedil;ada a pr&oacute;pria cristandade, foi &agrave; for&ccedil;a desta ora&ccedil;&atilde;o que se atribuiu a liberta&ccedil;&atilde;o do perigo, tendo a Virgem do Ros&aacute;rio sido saudada como propiciadora da salva&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>&Agrave; efic&aacute;cia desta ora&ccedil;&atilde;o, confio de bom grado hoje &ndash; como acenei ao princ&iacute;pio &ndash; a causa da paz no mundo e a causa da fam&iacute;lia.<\/p>\n<p><strong>A paz<\/strong><br \/><strong>40<\/strong>. As dificuldades que o horizonte mundial apresenta, neste in&iacute;cio de novo mil&eacute;nio, levam-nos a pensar que s&oacute; uma interven&ccedil;&atilde;o do Alto, capaz de orientar os cora&ccedil;&otilde;es daqueles que vivem em situa&ccedil;&otilde;es de conflito e de quantos regem os destinos das Na&ccedil;&otilde;es, permite esperar num futuro menos sombrio.<\/p>\n<p>O Ros&aacute;rio &eacute;, por natureza, uma ora&ccedil;&atilde;o orientada para a paz, precisamente porque consiste na contempla&ccedil;&atilde;o de Cristo, Pr&iacute;ncipe da paz e &laquo;nossa paz&raquo; (Ef 2, 14). Quem assimila o mist&eacute;rio de Cristo &ndash; e o Ros&aacute;rio visa isto mesmo &ndash; apreende o segredo da paz e dele faz um projecto de vida. Al&eacute;m disso, devido ao seu car&aacute;cter meditativo com a serena sucess&atilde;o das &ldquo;Av&eacute; Marias&rdquo;, exerce uma ac&ccedil;&atilde;o pacificadora sobre quem o reza, predispondo-o a receber e experimentar no mais fundo de si mesmo e a espalhar ao seu redor aquela paz verdadeira que &eacute; um dom especial do Ressuscitado (cf. Jo 14, 27; 20, 21).<\/p>\n<p>Depois, o Ros&aacute;rio &eacute; ora&ccedil;&atilde;o de paz tamb&eacute;m pelos frutos de caridade que produz. Se for recitado devidamente como verdadeira ora&ccedil;&atilde;o meditativa, ao facilitar o encontro com Cristo nos mist&eacute;rios n&atilde;o pode deixar de mostrar tamb&eacute;m o rosto de Cristo nos irm&atilde;os, sobretudo nos que mais sofrem. Como seria poss&iacute;vel fixar nos mist&eacute;rios gozosos o mist&eacute;rio do Menino nascido em Bel&eacute;m, sem sentir o desejo de acolher, defender e promover a vida, preocupando-se com o sofrimento das crian&ccedil;as nas diversas partes do mundo? Como se poderia seguir os passos de Cristo revelador, nos mist&eacute;rios da luz, sem se empenhar a testemunhar as suas &ldquo;bem-aventuran&ccedil;as&rdquo; na vida di&aacute;ria? E como contemplar a Cristo carregado com a cruz ou crucificado, sem sentir a necessidade de se fazer seu &ldquo;cireneu&rdquo; em cada irm&atilde;o abatido pela dor ou esmagado pelo desespero? Enfim, como se poderia fixar os olhos na gl&oacute;ria de Cristo ressuscitado e em Maria coroada Rainha, sem desejar tornar este mundo mais belo, mais justo, mais conforme ao des&iacute;gnio de Deus?<\/p>\n<p>Em suma o Ros&aacute;rio, ao mesmo tempo que nos leva a fixar os olhos em Cristo, torna-nos tamb&eacute;m construtores da paz no mundo. Pelas suas caracter&iacute;sticas de peti&ccedil;&atilde;o insistente e comunit&aacute;ria, em sintonia com o convite de Cristo para &laquo;orar sempre, sem desfalecer&raquo; (Lc 18, 1), aquele permite-nos esperar que, tamb&eacute;m hoje, se possa vencer uma &ldquo;batalha&rdquo; t&atilde;o dif&iacute;cil como &eacute; a da paz. Longe de constituir uma fuga dos problemas do mundo, o Ros&aacute;rio leva-nos assim a v&ecirc;-los com olhar respons&aacute;vel e generoso, e alcan&ccedil;a-nos a for&ccedil;a de voltar para eles com a certeza da ajuda de Deus e o firme prop&oacute;sito de testemunhar em todas as circunst&acirc;ncias &laquo;a caridade, que &eacute; o v&iacute;nculo da perfei&ccedil;&atilde;o&raquo; (Col 3, 14).<\/p>\n<p><strong>A fam&iacute;lia: os pais&#8230;<\/strong><br \/><strong>41<\/strong>. Ora&ccedil;&atilde;o pela paz, o Ros&aacute;rio foi desde sempre tamb&eacute;m ora&ccedil;&atilde;o da fam&iacute;lia e pela fam&iacute;lia. Outrora, esta ora&ccedil;&atilde;o era particularmente amada pelas fam&iacute;lias crist&atilde;s e favorecia certamente a sua uni&atilde;o. &Eacute; preciso n&atilde;o deixar perder esta preciosa heran&ccedil;a. Importa voltar a rezar em fam&iacute;lia e pelas fam&iacute;lias, servindo-se ainda desta forma de ora&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Se, na Carta apost&oacute;lica Novo millennio ineunte, encorajei a celebra&ccedil;&atilde;o da Liturgia da Horas pelos pr&oacute;prios leigos na vida ordin&aacute;ria das comunidades paroquiais e dos v&aacute;rios grupos crist&atilde;os, (39) o mesmo desejo fazer quanto ao Ros&aacute;rio. Trata-se de dois caminhos, n&atilde;o alternativos mas complementares, da contempla&ccedil;&atilde;o crist&atilde;. Pe&ccedil;o, pois, a todos aqueles que se dedicam &agrave; pastoral das fam&iacute;lias para sugerirem com convic&ccedil;&atilde;o a recita&ccedil;&atilde;o do Ros&aacute;rio.<\/p>\n<p>A fam&iacute;lia que reza unida, permanece unida. O Santo Ros&aacute;rio, por antiga tradi&ccedil;&atilde;o, presta-se de modo particular a ser uma ora&ccedil;&atilde;o onde a fam&iacute;lia se encontra. Os seus diversos membros, precisamente ao fixarem o olhar em Jesus, recuperam tamb&eacute;m a capacidade de se olharem sempre de novo olhos nos olhos para comunicarem, solidarizarem-se, perdoarem-se mutuamente, recome&ccedil;arem com um pacto de amor renovado pelo Esp&iacute;rito de Deus.<\/p>\n<p>Muitos problemas das fam&iacute;lias contempor&acirc;neas, sobretudo nas sociedades economicamente evolu&iacute;das, derivam do facto de ser cada vez mais dif&iacute;cil comunicar. N&atilde;o conseguem estar juntos, e os raros momentos para isso acabam infelizmente absorvidos pelas imagens duma televis&atilde;o. Retomar a recita&ccedil;&atilde;o do Ros&aacute;rio em fam&iacute;lia significa inserir na vida di&aacute;ria imagens bem diferentes &ndash; as do mist&eacute;rio que salva: a imagem do Redentor, a imagem de sua M&atilde;e Sant&iacute;ssima. A fam&iacute;lia, que reza unida o Ros&aacute;rio, reproduz em certa medida o clima da casa de Nazar&eacute;: p&otilde;e-se Jesus no centro, partilham-se com Ele alegrias e sofrimentos, colocam-se nas suas m&atilde;os necessidades e projectos, e d&#8217;Ele se recebe a esperan&ccedil;a e a for&ccedil;a para o caminho.<\/p>\n<p><strong>&#8230;e os filhos<\/strong><br \/><strong>42<\/strong>. &Eacute; bom e frutuoso tamb&eacute;m confiar a esta ora&ccedil;&atilde;o o itiner&aacute;rio de crescimento dos filhos. Porventura n&atilde;o &eacute; o Ros&aacute;rio o itiner&aacute;rio da vida de Cristo, desde a sua concep&ccedil;&atilde;o at&eacute; &agrave; morte, ressurrei&ccedil;&atilde;o e gl&oacute;ria? Hoje torna-se cada vez mais &aacute;rdua para os pais a tarefa de seguirem os filhos pelas v&aacute;rias etapas da sua vida. Na sociedade da tecnologia avan&ccedil;ada, dos mass-media e da globaliza&ccedil;&atilde;o, tudo se tornou t&atilde;o r&aacute;pido; e a dist&acirc;ncia cultural entre as gera&ccedil;&otilde;es &eacute; cada vez maior. Os apelos mais diversos e as experi&ecirc;ncias mais imprevis&iacute;veis cedo invadem a vida das crian&ccedil;as e adolescentes, e os pais sentem-se &agrave;s vezes angustiados para fazer face aos riscos que aqueles correm. N&atilde;o &eacute; raro experimentarem fortes desilus&otilde;es, constatando a fal&ecirc;ncia dos seus filhos perante a sedu&ccedil;&atilde;o da droga, o fasc&iacute;nio dum hedonismo desenfreado, as tenta&ccedil;&otilde;es da viol&ecirc;ncia, as express&otilde;es mais variadas de falta de sentido e de desespero.<\/p>\n<p>Rezar o Ros&aacute;rio pelos filhos e, mais ainda, com os filhos, educando-os desde tenra idade para este momento di&aacute;rio de &ldquo;paragem orante&rdquo; da fam&iacute;lia, n&atilde;o traz por certo a solu&ccedil;&atilde;o de todos os problemas, mas &eacute; uma ajuda espiritual que n&atilde;o se deve subestimar. Pode-se objectar que o Ros&aacute;rio parece uma ora&ccedil;&atilde;o pouco adaptada ao gosto das crian&ccedil;as e jovens de hoje. Mas a objec&ccedil;&atilde;o parte talvez da forma muitas vezes pouco cuidada de o rezar. Ora, ressalvada a sua estrutura fundamental, nada impede que a recita&ccedil;&atilde;o do Ros&aacute;rio para crian&ccedil;as e jovens, tanto em fam&iacute;lia como nos grupos, seja enriquecida com atractivos simb&oacute;licos e pr&aacute;ticos, que favore&ccedil;am a sua compreens&atilde;o e valoriza&ccedil;&atilde;o. Por que n&atilde;o tentar? Uma pastoral juvenil sem descontos, apaixonada e criativa &ndash; as Jornadas Mundiais da Juventude deram-me a sua medida! &ndash; pode, com a ajuda de Deus, fazer coisas verdadeiramente significativas. Se o Ros&aacute;rio for bem apresentado, estou seguro de que os pr&oacute;prios jovens ser&atilde;o capazes de surpreender uma vez mais os adultos, assumindo esta ora&ccedil;&atilde;o e recitando-a com o entusiasmo t&iacute;pico da sua idade.<\/p>\n<p><strong>O Ros&aacute;rio, um tesouro a descobrir<\/strong><br \/><strong>43<\/strong>. Queridos irm&atilde;os e irm&atilde;s! Uma ora&ccedil;&atilde;o t&atilde;o f&aacute;cil e ao mesmo tempo t&atilde;o rica merece verdadeiramente ser descoberta de novo pela comunidade crist&atilde;. Fa&ccedil;amo-lo sobretudo neste ano, assumindo esta proposta como um refor&ccedil;o da linha tra&ccedil;ada na Carta apost&oacute;lica Novo millennio ineunte, na qual se inspiraram os planos pastorais de muitas Igrejas particulares ao programarem os seus compromissos a curto prazo.<\/p>\n<p>Dirijo-me de modo particular a v&oacute;s, amados Irm&atilde;os no Episcopado, sacerdotes e di&aacute;conos, e a v&oacute;s, agentes pastorais nos diversos minist&eacute;rios, pedindo que, experimentando pessoalmente a beleza do Ros&aacute;rio, vos torneis sol&iacute;citos promotores do mesmo.<\/p>\n<p>Tamb&eacute;m espero em v&oacute;s, te&oacute;logos, para que desenvolvendo uma reflex&atilde;o simultaneamente rigorosa e sapiencial, enraizada na Palavra de Deus e sens&iacute;vel &agrave; vida concreta do povo crist&atilde;o, fa&ccedil;ais descobrir os fundamentos b&iacute;blicos, as riquezas espirituais, a validade pastoral desta ora&ccedil;&atilde;o tradicional.<\/p>\n<p>Conto convosco, consagrados e consagradas, a t&iacute;tulo especial chamados a contemplar o rosto de Cristo na escola de Maria.<\/p>\n<p>Penso em v&oacute;s todos, irm&atilde;os e irm&atilde;s de qualquer condi&ccedil;&atilde;o, em v&oacute;s, fam&iacute;lias crist&atilde;s, em v&oacute;s, doentes e idosos, em v&oacute;s, jovens: retomai confiadamente nas m&atilde;os o ter&ccedil;o do Ros&aacute;rio, fazendo a sua descoberta &agrave; luz da Escritura, de harmonia com a Liturgia, no contexto da vida quotidiana.<\/p>\n<p>Que este meu apelo n&atilde;o fique ignorado! No in&iacute;cio do vig&eacute;simo quinto ano de Pontificado, entrego esta Carta apost&oacute;lica nas m&atilde;os sapientes da Virgem Maria, prostrando-me em esp&iacute;rito diante da sua imagem venerada no Santu&aacute;rio espl&ecirc;ndido que Lhe edificou o Beato B&aacute;rtolo Longo, ap&oacute;stolo do Ros&aacute;rio. De bom grado, fa&ccedil;o minhas as comoventes palavras com que ele conclui a c&eacute;lebre S&uacute;plica &agrave; Rainha do Santo Ros&aacute;rio: &laquo;&Oacute; Ros&aacute;rio bendito de Maria, doce cadeia que nos prende a Deus, v&iacute;nculo de amor que nos une aos Anjos, torre de salva&ccedil;&atilde;o contra os assaltos do inferno, porto seguro no naufr&aacute;gio geral, n&atilde;o te deixaremos nunca mais. Ser&aacute;s o nosso conforto na hora da agonia. Seja para ti o &uacute;ltimo beijo da vida que se apaga. E a &uacute;ltima palavra dos nossos l&aacute;bios h&aacute;-de ser o vosso nome suave, &oacute; Rainha do Ros&aacute;rio de Pompeia, &oacute; nossa M&atilde;e querida, &oacute; Ref&uacute;gio dos pecadores, &oacute; Soberana consoladora dos tristes. Sede bendita em todo o lado, hoje e sempre, na terra e no c&eacute;u&raquo;.<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><strong>JO&Atilde;O PAULO II<\/strong>, Carta Apost&oacute;lica de Jo&atilde;o Paulo II, Roma 16-10-2002<\/p>\n<hr \/>\n<p><strong>Notas<\/strong><br \/>(1) Conc. Ecum. Vat. II, Const. past. sobre a Igreja no mundo contempor&acirc;neo Gaudium et spes, 45.<br \/>(2) Cf. Paulo VI, Exort. ap. Marialis cultus (2 de Fevereiro de 1974), 42: AAS 66 (1974), 153.<br \/>(3) Cf. Acta Leonis XIII, 3 (1884), 280-289.<br \/>(4) De modo particular, merece men&ccedil;&atilde;o a sua Ep&iacute;stola apost&oacute;lica sobre o Ros&aacute;rio &laquo; O encontro religioso &raquo;, de 29 de Setembro de 1961: AAS 53 (1961), 641-647.<br \/>(5) Alocu&ccedil;&atilde;o do &laquo; Angelus &raquo;: L&#8217;Osservatore Romano (ed. portuguesa: 5 de Novembro de 1978), 1.<br \/>(6) Cf. n. 29: AAS 93 (2001), 285.<br \/>(7) Jo&atilde;o XXIII, nos anos de prepara&ccedil;&atilde;o do Conc&iacute;lio, n&atilde;o deixou de convidar a comunidade crist&atilde; &agrave; recita&ccedil;&atilde;o do Ros&aacute;rio pelo sucesso deste evento eclesial: cf. Carta ao Cardeal Vig&aacute;rio de 28 de Setembro de 1960: AAS 52 (1960), 814-817.<br \/>(8) Const. dogm. sobre a Igreja Lumen gentium, 66.<br \/>(9) N. 32: AAS 93 (2001), 288.<br \/>(10) Ibid., 33: l. c., 289.<br \/>(11) &Eacute; sabido, e h&aacute; que reafirm&aacute;-lo, que as revela&ccedil;&otilde;es privadas n&atilde;o s&atilde;o da mesma natureza que a revela&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica, normativa para toda a Igreja. Ao Magist&eacute;rio cabe discernir e reconhecer a autenticidade e o valor das revela&ccedil;&otilde;es privadas para a piedade dos fi&eacute;is.<br \/>(12) O segredo maravilhoso do Santo Ros&aacute;rio para converter-se e salvar-se: S. Lu&iacute;s Maria Grignion de Montfort, Obras, 1, Escritos espirituais (Roma 1990), pp. 729-843.<br \/>(13) Beato B&aacute;rtolo Longo, Hist&oacute;ria do Santu&aacute;rio de Pompeia, (Pompeia 1990), p. 59.<br \/>(14) Exort. ap. Marialis cultus (2 de Fevereiro de 1974), 47: AAS 66 (1974), 156.<br \/>(15) Const. sobre a Sagrada Liturgia Sacrosanctum Concilium, 10.<br \/>(16) Ibid., 12.<br \/>(17) Conc. Ecum. Vat. II, Const. dogm. Lumen gentium, 58.<br \/>(18) Os Quinze S&aacute;bados do Sant&iacute;ssimo Ros&aacute;rio,27 (ed. Pompeia 1916), p. 27.<br \/>(19) Conc. Ecum. Vat. II, Const. dogm. Lumen gentium, 53.<br \/>(20) Ibid., 60.<br \/>(21) Cf. Primeira Radiomensagem Urbi et orbi (17 de Outubro de 1978): AAS 70 (1978), 927.<br \/>(22) Tratado da verdadeira devo&ccedil;&atilde;o a Maria, 120, em: Obras. Vol. I Escritos espirituais (Roma 1990), p. 430.<br \/>(23) Catecismo da Igreja Cat&oacute;lica, 2679.<br \/>(24) Ibid., 2675.<br \/>(25) A S&uacute;plica &agrave; Rainha do Santo Ros&aacute;rio, que se recita solenemente duas vezes ao ano, em Maio e Outubro, foi composta pelo Beato B&aacute;rtolo Longo em 1883, como ades&atilde;o ao convite feito aos cat&oacute;licos pelo Papa Le&atilde;o XIII, na sua primeira Enc&iacute;clica sobre o Ros&aacute;rio, de um empenho espiritual para enfrentar os males da sociedade.<br \/>(26) Divina Com&eacute;dia, Par. XXXIII, 13-15 (&laquo; Mulher, &eacute;s t&atilde;o grande e tanto vales, \/ que quem deseja uma gra&ccedil;a e a v&oacute;s n&atilde;o se dirige, &eacute; como se quisesse voar sem asas &raquo;).<br \/>(27) Jo&atilde;o Paulo II, Carta ap. Novo millennio ineunte (6 de Janeiro de 2001), 20: AAS 93 (2001), 279.<br \/>(28) Exort. ap. Marialis cultus (2 de Fevereiro de 1974), 46: AAS 66 (1974), 155.<br \/>(29) Jo&atilde;o Paulo II, Carta ap. Novo millennio ineunte (6 de Janeiro de 2001), 28: AAS 93 (2001), 284.<br \/>(30) N. 515.<br \/>(31) Angelus do dia 29 de Outubro de 1978: L&#8217;Osservatore Romano (ed. portuguesa: 5 de Novembro de 1978), 1.<br \/>(32) Const. past. sobre a Igreja no mundo contempor&acirc;neo Gaudium et spes, 22.<br \/>(33) Santo Ireneu de Li&atilde;o, Adversus haereses, III, 18,1: PG7, 932.<br \/>(34) Catecismo da Igreja Cat&oacute;lica, 2616.<br \/>(35) Cf. n. 33: AAS 93 (2001), 289.<br \/>(36) Jo&atilde;o Paulo II, Carta aos Artistas (4 de Abril de 1999), 1: AAS 91 (1999), 1155.<br \/>(37) Cf. n. 46: AAS 66 (1974), 155. Tal costume foi louvado ainda recentemente pela Congrega&ccedil;&atilde;o do Culto Divino e da Disciplina dos Sacramentos, no Direct&oacute;rio sobre piedade popular e liturgia. Princ&iacute;pios e orienta&ccedil;&otilde;es (17 de Dezembro de 2001), 201 (Cidade do Vaticano 2002), p. 165.<br \/>(38) &laquo; &#8230;concede, qu&aelig;sumus, ut h&aelig;c mysteria sacratissimo beat&aelig; Mari&aelig; Virginis Rosario recolentes, et imitemur quod continent, et quod promittunt assequamur &raquo;: Missale Romanum (1960) in festo B. M. Virginis a Rosario.<br \/>(39) Cf. n. 34: AAS 93 (2001), 290.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Carta Apost&oacute;lica de Jo&atilde;o Paulo II INTRODU&Ccedil;&Atilde;O1. 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