{"id":158,"date":"2011-03-05T17:56:32","date_gmt":"2011-03-05T17:56:32","guid":{"rendered":"https:\/\/paroquiaqueijas.net\/site\/?p=158"},"modified":"2026-03-21T15:42:06","modified_gmt":"2026-03-21T15:42:06","slug":"discurso-de-bento-xvi-aos-artistas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/paroquiaqueijas.net\/portal\/discurso-de-bento-xvi-aos-artistas\/","title":{"rendered":"Discurso de Bento XVI aos Artistas"},"content":{"rendered":"<p style=\"line-height: 14pt; text-align: left;\"><i><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\" alignright size-full wp-image-157\" src=\"https:\/\/paroquiaqueijas.net\/portal\/wp-content\/uploads\/2011\/03\/Bento16.png\" alt=\"Bento16\" width=\"251\" height=\"360\" style=\"margin: 0px 0px 2px 9px; vertical-align: top; float: right;\" srcset=\"https:\/\/paroquiaqueijas.net\/portal\/wp-content\/uploads\/2011\/03\/Bento16.png 315w, https:\/\/paroquiaqueijas.net\/portal\/wp-content\/uploads\/2011\/03\/Bento16-210x300.png 210w\" sizes=\"(max-width: 251px) 100vw, 251px\" \/><\/span><\/i><i>Senhores Cardeais, Venerados Irm&atilde;os no Episcopado <br \/>e no Sacerd&oacute;cio, Ilustres Artistas, Senhoras e Senhores! <\/span><\/i><\/span><\/p>\n<p style=\"line-height: 14pt; text-align: justify;\">&Eacute; com grande alegria que vos recebo neste lugar solene e rico de arte e de mem&oacute;rias. Dirijo a todos e a cada um a minha cordial sauda&ccedil;&atilde;o, e agrade&ccedil;o-vos por terdes aceite o meu convite. Com este encontro desejo expressar e renovar a amizade da Igreja com o mundo da arte, uma amizade consolidada no tempo, porque o Cristianismo, desde as suas origens, compreendeu bem o valor das artes e utilizou sabiamente as suas multiformes linguagens para comunicar a sua imut&aacute;vel mensagem de salva&ccedil;&atilde;o. Esta amizade deve ser continuamente promovida e apoiada, para que seja aut&ecirc;ntica e fecunda, adequada aos tempos e tenha em considera&ccedil;&atilde;o as situa&ccedil;&otilde;es e as mudan&ccedil;as sociais e culturais. Eis o motivo deste nosso encontro. Agrade&ccedil;o de cora&ccedil;&atilde;o a D. Gianfranco Ravasi, Presidente do <a href=\"http:\/\/www.vatican.va\/roman_curia\/pontifical_councils\/cultr\/index_po.htm\"><span style=\"color: windowtext; text-decoration: none;\">Pontif&iacute;cio Conselho para a Cultura<\/span><\/a> e da <a href=\"http:\/\/www.vatican.va\/roman_curia\/pontifical_commissions\/pcchc\/index_po.htm\"><span style=\"color: windowtext; text-decoration: none;\">Pontif&iacute;cia Comiss&atilde;o para os Bens Culturais da Igreja<\/span><\/a> por o ter promovido e preparado, com os seus colaboradores, assim como pelas suas palavras que h&aacute; pouco me dirigiu. Sa&uacute;do os Senhores Cardeais, os Bispos, os Sacerdotes e as distintas Personalidades aqui presentes. Agrade&ccedil;o tamb&eacute;m &agrave; <a href=\"http:\/\/www.vatican.va\/news_services\/liturgy\/cap-mus-sistina\/index_po.htm\"><span style=\"color: windowtext; text-decoration: none;\">Pontif&iacute;ca Capela Musical Sistina<\/span><\/a> que acompanha este momento significativo. Os protagonistas deste encontro sois v&oacute;s, queridos e ilustres Artistas, pertencentes a pa&iacute;ses, culturas e religi&otilde;es diversas, talvez at&eacute; distantes de experi&ecirc;ncias religiosas, mas desejosos de manter viva uma comunica&ccedil;&atilde;o com a Igreja cat&oacute;lica e de n&atilde;o limitar os horizontes da exist&ecirc;ncia unicamente &agrave; materialidade, a uma vis&atilde;o redutiva e banalizadora. V&oacute;s representais o mundo variegado das artes e, precisamente por isso, atrav&eacute;s de v&oacute;s gostaria de fazer chegar a todos os artistas o meu convite &agrave; amizade, ao di&aacute;logo e &agrave; colabora&ccedil;&atilde;o.<\/span><i><\/span><\/i><\/p>\n<p style=\"line-height: 14pt; text-align: justify;\">Algumas circunst&acirc;ncias significativas enriquecem este momento. Recordamos o d&eacute;cimo anivers&aacute;rio da Carta aos Artistas do meu venerado predecessor, o Servo de Deus Jo&atilde;o Paulo II. Pela primeira vez, na vig&iacute;lia do <a href=\"http:\/\/www.vatican.va\/jubilee_2000\/index_po.htm\"><span style=\"color: windowtext; text-decoration: none;\">Grande Jubileu do Ano 2000<\/span><\/a>, este Pont&iacute;fice, tamb&eacute;m ele artista, escreveu directamente aos artistas com a solenidade de um documento papal e o tom amistoso de uma conversa entre &#8220;quantos &ndash; como recita a carta &ndash; com apaixonada dedica&ccedil;&atilde;o, procuram novas &#8220;epifanias&#8221; da beleza&#8221;. O mesmo Papa, h&aacute; vinte e cinco anos, proclamou padroeiro dos artistas o Beato Ang&eacute;lico, indicando nele um modelo de perfeita sintonia entre f&eacute; e arte. Depois, o meu pensamento vai ao dia <a href=\"http:\/\/www.vatican.va\/holy_father\/paul_vi\/homilies\/1964\/documents\/hf_p-vi_hom_19640507_messa-artisti_it.html\"><span style=\"color: windowtext; text-decoration: none;\">7 de Maio de 1964<\/span><\/a>, h&aacute; quarenta e cinco anos, quando, neste mesmo lugar se realizava um hist&oacute;rico acontecimento, fortemente querido pelo Papa Paulo VI para reafirmar a amizade entre a Igreja e as artes. As palavras que pronunciou naquela circunst&acirc;ncia ressoam ainda hoje debaixo da ab&oacute;bada desta Capela Sistina, tocando o cora&ccedil;&atilde;o e o intelecto. &#8220;N&oacute;s temos necessidade de v&oacute;s &ndash; disse ele &ndash;. O nosso minist&eacute;rio precisa da vossa colabora&ccedil;&atilde;o. Porque, como sabeis, o Nosso minist&eacute;rio &eacute; pregar e tornar acess&iacute;vel e compreens&iacute;vel, ali&aacute;s comovedor, o mundo do esp&iacute;rito, do invis&iacute;vel, do inef&aacute;vel, de Deus. E nesta opera&ccedil;&atilde;o&#8230; v&oacute;s sois mestres. &Eacute; a vossa profiss&atilde;o, a vossa miss&atilde;o; e a vossa arte &eacute; extrair do c&eacute;u do esp&iacute;rito os seus tesouros e revesti-los de palavra, de cores, de formas de acessibilidade&#8221; <i>(Insegnamenti<\/i> II, [1964], 313). Era tanta a estima de Paulo VI pelos artistas que o estimulou a formular express&otilde;es deveras ousadas: &#8220;E se a N&oacute;s viesse a faltar o vosso aux&iacute;lio &ndash; prosseguia &ndash; o minist&eacute;rio tornar-se-ia balbuciente e incerto e teria necessidade de fazer um esfor&ccedil;o, dir&iacute;amos, por se tornar ele mesmo art&iacute;stico, ali&aacute;s por se tornar prof&eacute;tico. Para se elevar &agrave; for&ccedil;a de express&atilde;o l&iacute;rica da beleza intuitiva, teria necessidade de fazer coincidir o sacerd&oacute;cio com a arte&#8221; <i>(Ibid.,<\/i> 314). Naquela circunst&acirc;ncia, Paulo VI assumiu o compromisso de &#8220;restabelecer a amizade entre a Igreja e os artistas&#8221;, e pediu-lhes que o fizessem seu e o partilhassem, analisando com seriedade e objectividade os motivos que tinham perturbado essa rela&ccedil;&atilde;o e assumindo cada um com coragem e paix&atilde;o a responsabilidade de um renovado e aprofundado percurso de conhecimento e de di&aacute;logo, em vista deum&#8221;renascimento&#8221;aut&ecirc;nticoda arte, no contexto de um novo humanismo. <\/span><\/p>\n<p style=\"line-height: 14pt; text-align: justify;\">Aquele hist&oacute;rico encontro, como dizia, aconteceu aqui, neste santu&aacute;rio de f&eacute; e de criatividade humana. N&atilde;o &eacute; portanto casual este nosso reencontrar-nos precisamente neste lugar, precioso pela sua arquitectura e pelas suas dimens&otilde;es simb&oacute;licas, mas ainda mais pelos afrescos que o tornam inconfund&iacute;vel, come&ccedil;ando pelas obras-primas de Perugino e Botticelli, Ghirlandaio e Cosimo Rosselli, Luca Signorelli e outros, para chegar &agrave;s <i>Hist&oacute;rias do G&eacute;nesis<\/i> e ao <i>Ju&iacute;zo Final,<\/i> obras excelsas de Michelangelo Buonarroti, que deixou aqui uma das cria&ccedil;&otilde;es mais extraordin&aacute;rias de toda a hist&oacute;ria da arte. Ressoou aqui tamb&eacute;m com frequ&ecirc;ncia a linguagem universal da m&uacute;sica, gra&ccedil;as ao g&eacute;nio de grandes m&uacute;sicos, que puseram a sua arte ao servi&ccedil;o da liturgia, ajudando a alma a elevar-se a Deus. Ao mesmo tempo, a <a href=\"http:\/\/www.vaticanstate.va\/IT\/Monumenti\/MuseiVaticani\/Cappella_Sistina.htm\"><span style=\"color: windowtext; text-decoration: none;\">Capela Sistina<\/span><\/a> &eacute; um escr&iacute;nio singular de me<\/span><i><\/span><\/i>m&oacute;rias, porque constitui o cen&aacute;rio, solene e austero, de eventos que marcam a hist&oacute;ria da Igreja e da humanidade. Aqui, como sabeis, o Col&eacute;gio dos cardeais elege o Papa; aqui vivi tamb&eacute;m eu, com trepida&ccedil;&atilde;o e absoluta confian&ccedil;a no Senhor, o momento inesquec&iacute;vel da minha elei&ccedil;&atilde;o para Sucessor do Ap&oacute;stolo Pedro. <\/span><\/p>\n<p style=\"line-height: 14pt; text-align: justify;\">Queridos amigos, deixemos que estes afrescos hoje nos falem, atraindo-nos para a meta &uacute;ltima da hist&oacute;ria humana. O <i>Ju&iacute;zo Final<\/i>, que sobressai atr&aacute;s de mim, recorda que a hist&oacute;ria da humanidade &eacute; movimento e eleva&ccedil;&atilde;o, &eacute; inesgot&aacute;vel tens&atilde;o para a plenitude, para a felicidade &uacute;ltima, para um horizonte que excede sempre o presente enquanto o atravessa. Mas na sua dramaticidade este afresco coloca diante dos nossos olhos tamb&eacute;m o perigo da queda definitiva do homem, amea&ccedil;a que domina a humanidade quando se deixa seduzir pelas for&ccedil;as do mal. Por isso, o afresco lan&ccedil;a um forte grito prof&eacute;tico contra o mal; contra qualquer forma de injusti&ccedil;a. Mas para os crentes Cristo ressuscitado &eacute; o Caminho, a Verdade e a Vida. Para quem o segue fielmente &eacute; a Porta que introduz naquele &#8220;face a face&#8221;, naquela vis&atilde;o de Deus da qual brota j&aacute; sem limites a felicidade plena e definitiva. Michelangelo oferece assim &agrave; nossa vis&atilde;o o Alfa e o &Oacute;mega, o Princ&iacute;pio e o Fim da hist&oacute;ria, e convida-nos a percorrer com alegria, coragem e esperan&ccedil;a o itiner&aacute;rio da vida. A dram&aacute;tica beleza da pintura de Michelangelo, com as suas cores e formas, torna-se portanto an&uacute;ncio de esperan&ccedil;a, convite poderoso a elevar o olhar rumo ao horizonte &uacute;ltimo. O v&iacute;nculo profundo entre beleza e esperan&ccedil;a constitu&iacute;a tamb&eacute;m o n&uacute;cleo essencial da sugestiva Mensagem que Paulo VI enviou aos artistas no encerramento do Conc&iacute;lio Vaticano II, a 8 de Dezembro de 1965: &#8220;A todos v&oacute;s &ndash; proclamou solenemente &ndash; a Igreja do Conc&iacute;lio diz com a nossa voz: se v&oacute;s sois os amigos da verdadeira arte, sois nossos amigos!&#8221; <i>(Enchiridion Vaticanum,<\/i> 1, p. 305). E acrescentou: &#8220;Este mundo no qual vivemos precisa de beleza para n&atilde;o precipitar no desespero. A beleza, como a verdade, &eacute; o que infunde alegria no cora&ccedil;&atilde;o dos homens, &eacute; aquele fruto precioso que resiste ao desgaste do tempo, que une as gera&ccedil;&otilde;es e as faz comunicar na admira&ccedil;&atilde;o. E isto gra&ccedil;as &agrave;s vossas m&atilde;os&#8230; Recordai-vos que sois os guardi&atilde;es da beleza no mundo&#8221; <i>(Ibid.).<\/i> <\/span><\/p>\n<p style=\"line-height: 14pt; text-align: justify;\">Infelizmente, o momento actual est&aacute; marcado n&atilde;o s&oacute; por fen&oacute;menos negativos a n&iacute;vel social e econ&oacute;mico, mas tamb&eacute;m por um esmorecimento da esperan&ccedil;a, por uma certa desconfian&ccedil;a nas rela&ccedil;&otilde;es humanas, e por isso crescem os sinais de resigna&ccedil;&atilde;o, agressividade e desespero. Depois, o mundo no qual vivemos corre o risco de mudar o seu rosto devido &agrave; obra nem sempre s&aacute;bia do homem o qual, em vez de cultivar a sua beleza, explora sem consci&ecirc;ncia os recursos do planeta para vantagem de poucos e n&atilde;o raramente desfigura as suas maravilhas naturais. O que pode voltar a dar entusiasmo e confian&ccedil;a, o que pode encorajar o &acirc;nimo humano a reencontrar o caminho, a elevar o olhar para o horizonte, a sonhar uma vida digna da sua voca&ccedil;&atilde;o, a n&atilde;o ser a beleza? V&oacute;s bem sabeis, queridos artistas, que a experi&ecirc;ncia do belo, do belo aut&ecirc;ntico, n&atilde;o ef&eacute;mero<\/span><i><\/span><\/i> nem superficial, n&atilde;o &eacute; algo acess&oacute;rio ou secund&aacute;rio na busca do sentido e da felicidade, porque esta experi&ecirc;ncia n&atilde;o afasta da realidade, mas, ao contr&aacute;rio, leva a um confronto cerrado com a vida quotidiana, para o libertar da obscuridade e o transfigurar, para o tornar luminoso, belo. <\/span><\/p>\n<p style=\"line-height: 14pt; text-align: justify;\">De facto, uma fun&ccedil;&atilde;o essencial da verdadeira beleza, j&aacute; evidenciada por Plat&atilde;o, consiste em comunicar ao homem um &#8220;sobressalto&#8221; saud&aacute;vel, que o faz sair de si mesmo, o arranca &agrave; resigna&ccedil;&atilde;o ao conformar-se com o quotidiano, f&aacute;-lo tamb&eacute;m sofrer, como uma seta que o fere, mas precisamente desta forma o &#8220;desperta&#8221; abrindo-lhe de novo os olhos do cora&ccedil;&atilde;o e da mente, pondo-lhe asas, elevando-o. A express&atilde;o de Dostoievsky que estou para citar &eacute; sem d&uacute;vida ousada e paradoxal, mas convida a reflectir: &#8220;A humanidade pode viver &ndash; diz ele &ndash; sem a ci&ecirc;ncia, pode viver sem p&atilde;o, mas unicamente sem a beleza j&aacute; n&atilde;o poderia viver, porque nada mais haveria para fazer no mundo. Qualquer segredo consiste nisto, toda a hist&oacute;ria consiste nisto&#8221;. Faz-lhe eco o pintor Georges Braque: &#8220;A arte existe para perturbar, enquanto a ci&ecirc;ncia tranquiliza&#8221;. A beleza chama a aten&ccedil;&atilde;o, mas precisamente assim recorda ao homem o seu destino &uacute;ltimo, volta a p&ocirc;-lo em marcha, enche-o de nova esperan&ccedil;a, d&aacute;-lhe a coragem de viver at&eacute; ao fim o dom &uacute;nico da exist&ecirc;ncia. A busca da beleza da qual falo, evidentemente, n&atilde;o consiste em fuga alguma no irracional ou no mero esteticismo. <\/span><\/p>\n<p style=\"line-height: 14pt; text-align: justify;\">Mas, com muita frequ&ecirc;ncia, a beleza propagada &eacute; ilus&oacute;ria e falsa, superficial e sedutora at&eacute; ao aturdimento e, em vez de fazer sair os homens de si e de os abrir a horizontes de verdadeira liberdade atraindo-os para o alto, aprisiona-os em si mesmos e torna-os ainda mais escravos, privados de esperan&ccedil;a e de alegria. Trata-se de uma beleza sedutora mas hip&oacute;crita, que desperta a cupidez, a vontade de poder, de posse, de prepot&ecirc;ncia sobre o outro e que se transforma, muito depressa, no seu contr&aacute;rio, assumindo o rosto do obsceno, da transgress&atilde;o ou da provoca&ccedil;&atilde;o gratuita. Ao contr&aacute;rio, a aut&ecirc;ntica beleza abre o cora&ccedil;&atilde;o humano &agrave; nostalgia, ao desejo profundo de conhecer, de amar, de ir para o Alto, para o Al&eacute;m de si. Se aceitamos que a beleza nos toque intimamente, nos fira, nos abra os olhos, ent&atilde;o redescobrimos a alegria da vis&atilde;o, da capacidade de colher o sentido profundo do nosso existir, o Mist&eacute;rio do qual somos parte e do qual podemos haurir a plenitude, a felicidade, a paix&atilde;o do compromisso quotidiano. Jo&atilde;o Paulo II, na Carta aos Artistas, cita, a este prop&oacute;sito, este verso de um poeta polaco, Cyprian Norwid: &#8220;A beleza serve para entusiasmar para o trabalho, \/ o trabalho serve para ressurgir&#8221; (n. 3). E mais adiante acrescenta: &#8220;Enquanto busca da beleza, fruto de uma imagina&ccedil;&atilde;o <\/span><i><\/span><\/i>que vai al&eacute;m do quotidiano, a arte &eacute;, por sua natureza, uma esp&eacute;cie de apelo ao Mist&eacute;rio. Enquanto perscruta as profundezas mais obscuras da alma ou os aspectos mais perturbadores do mal, o artista torna-se de certa forma voz da expectativa universal de reden&ccedil;&atilde;o&#8221; (n. 10). E na conclus&atilde;o afirma: &#8220;A beleza &eacute; chave do mist&eacute;rio e apelo ao transcendente&#8221; (n. 16). <\/span><\/p>\n<p style=\"line-height: 14pt; text-align: justify;\">Estas &uacute;ltimas express&otilde;es levam-nos a dar um passo em frente na nossa reflex&atilde;o. A beleza que se manifesta na cria&ccedil;&atilde;o e na natureza e que se expressa atrav&eacute;s das cria&ccedil;&otilde;es art&iacute;sticas, precisamente pela sua caracter&iacute;stica de abrir e alargar os horizontes da consci&ecirc;ncia humana, de remet&ecirc;-la para al&eacute;m de si mesma, de aproxim&aacute;-la ao abismo do Infinito, pode tornar-se um caminho para o Transcendente, para o Mist&eacute;rio &uacute;ltimo, para Deus. A arte, em todas as suas express&otilde;es, no momento em que se confronta com as grandes interroga&ccedil;&otilde;es da exist&ecirc;ncia, com os temas fundamentais dos quais deriva o sentido do viver, pode assumir um valor religioso e transformar-se num percurso de profunda reflex&atilde;o interior e de espiritualidade. Esta afinidade, esta sintonia entre percurso de f&eacute; e itiner&aacute;rio art&iacute;stico, confirma-a um n&uacute;mero incalcul&aacute;vel de obras de arte que t&ecirc;m como protagonistas as personagens, as hist&oacute;rias, os s&iacute;mbolos daquele imenso dep&oacute;sito de &#8220;figuras&#8221; &ndash; em sentido lato &ndash; que &eacute; a B&iacute;blia, a Sagrada Escritura. As grandes narra&ccedil;&otilde;es b&iacute;blicas, os temas, as imagens, as par&aacute;bolas inspiraram numerosas obras-primas em todos os sectores das artes, assim como falaram ao cora&ccedil;&atilde;o de cada gera&ccedil;&atilde;o de crentes mediante as obras do artesanato e da arte local, n&atilde;o menos eloquentes e envolvedoras. <\/span><\/p>\n<p style=\"line-height: 14pt; text-align: justify;\">Fala-se, a este prop&oacute;sito, de uma <i>via pulchritudinis,<\/i> um caminho da beleza que constitui ao mesmo tempo um percurso art&iacute;stico, est&eacute;tico, e um itiner&aacute;rio de f&eacute;, de busca teol&oacute;gica. O te&oacute;logo Hans Urs von Balthasar come&ccedil;a a sua grande obra intitulada <i>Gl&oacute;ria. Uma est&eacute;tica teol&oacute;gica<\/i> com estas sugestivas express&otilde;es: &#8220;A nossa palavra inicial chama-se beleza. A beleza &eacute; a &uacute;ltima palavra que o intelecto pensante pode ousar pronunciar, porque ela mais n&atilde;o faz do que coroar, como aur&eacute;ola de esplendor inapreens&iacute;vel, o d&uacute;plice astro do verdadeiro e do bem e a sua indissol&uacute;vel rela&ccedil;&atilde;o&#8221;. Depois observa: &#8220;Ela &eacute; a beleza desinteressada sem a qual o velho mundo era incapaz de se entender, mas que se despediu em ponta de p&eacute;s do mundo moderno dos interesses, para o abandonar &agrave; sua cupidez e &agrave; sua tristeza. Ela &eacute; a beleza que j&aacute; n&atilde;o &eacute; amada e conservada nem sequer pela religi&atilde;o&#8221;. E conclui: &#8220;Quem, em seu nome, enruga os l&aacute;bios ao sorriso, julgando-a um objecto ex&oacute;tico de um passado burgu&ecirc;s, dele se pode estar certo que &ndash; secreta ou abertamente &ndash; j&aacute; n&atilde;o &eacute; capaz de rezar<\/span><i><\/span><\/i> e, depressa, nem sequer de amar&#8221;. Portanto, o caminho da beleza conduz-nos a colher o Tudo no fragmento, o Infinito no finito, Deus na hist&oacute;ria da humanidade. Simone Weil escreveu a este prop&oacute;sito: &#8220;Em tudo o que suscita em n&oacute;s o sentimento puro e aut&ecirc;ntico da beleza, h&aacute; realmente a presen&ccedil;a de Deus. H&aacute; quase uma esp&eacute;cie de encarna&ccedil;&atilde;o de Deus no mundo, da qual a beleza &eacute; o sinal. A beleza &eacute; a prova experimental de que a encarna&ccedil;&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel. Por isso qualquer arte de categoria &eacute;, por sua ess&ecirc;ncia, religiosa&#8221;. &Eacute; ainda mais ic&aacute;stica a afirma&ccedil;&atilde;o de Hermann Hesse: &#8220;Arte significa: dentro de tudo mostrar Deus&#8221;. Fazendo eco &agrave;s palavras do Papa Paulo VI, o Servo de Deus Jo&atilde;o Paulo II reafirmou o desejo da Igreja de renovar o di&aacute;logo e a colabora&ccedil;&atilde;o com os artistas: &#8220;Para transmitir a mensagem que lhes foi confiada por Cristo, <i>a Igreja precisa da arte&#8221; (Carta aos Artistas, 12;<\/i> mas perguntava logo a seguir: &#8220;A arte precisa da Igreja?&#8221;, solicitando assim os artistas a reencontrar na experi&ecirc;ncia religiosa, na revela&ccedil;&atilde;o crist&atilde; e no &#8220;grande c&oacute;dice&#8221; que &eacute; a B&iacute;blia uma fonte de inspira&ccedil;&atilde;o renovada e motivada. <\/span><\/p>\n<p style=\"line-height: 14pt; text-align: justify;\">Queridos Artistas, encaminhando-me para a conclus&atilde;o, gostaria de vos dirigir tamb&eacute;m eu, como j&aacute; fez o meu Predecessor, um cordial, amistoso e apaixonado apelo. V&oacute;s sois guardi&atilde;es da beleza; v&oacute;s tendes, gra&ccedil;as ao vosso talento, a possibilidade de falar ao cora&ccedil;&atilde;o da humanidade, de tocar a sensibilidade individual e colectiva, de suscitar sonhos e esperan&ccedil;as, de ampliar os horizontes do conhecimento e do empenho humano. Sede portanto gratos pelos dons recebidos e plenamente conscientes da grande responsabilidade de comunicar a beleza, de fazer comunicar na beleza e atrav&eacute;s da beleza! Sede tamb&eacute;m v&oacute;s, atrav&eacute;s da vossa arte, anunciadores e testemunhas de esperan&ccedil;a para a humanidade! E n&atilde;o tenhais medo de vos confrontar com a fonte primeira e &uacute;ltima da beleza, de dialogar com os crentes, com quem, como v&oacute;s, se sente peregrino no mundo e na hist&oacute;ria rumo &agrave; Beleza infinita! A f&eacute; nada tira ao vosso g&eacute;nio, &agrave; vossa arte, ali&aacute;s exalta-os e alimenta-os, encoraja-os a cruzar o limiar e a contemplar com olhos fascinados e comovidos a meta &uacute;ltima e definitiva, o sol sem ocaso que ilumina e torna belo o presente. <\/span><\/p>\n<p style=\"line-height: 14pt; text-align: justify;\">Santo Agostinho, cantor apaixonado da beleza, reflectindo sobre o destino &uacute;ltimo do homem e quase comentando <i>ante litteram<\/i> a cena do Ju&iacute;zo que hoje tendes diante dos vossos olhos, escrevia assim: &#8220;Gozaremos, portanto de uma vis&atilde;o, &oacute; irm&atilde;os, jamais contemplada pelos olhos, jamais ouvida pelos ouvidos, jamais imaginada pela fantasia: uma vis&atilde;o que supera todas as belezas terrenas, do ouro, da prata, dos bosq<\/span><i><\/span><\/i>ues e dos campos, do mar e do c&eacute;u, do sol e da lua, das estrelas e dos anjos; a raz&atilde;o &eacute; esta: que ela &eacute; a fonte de qualquer outra beleza&#8221; <i>(In Ep. Jo. Tr.<\/i> 4, 5: <i>PL <\/i>35, 2008). Desejo que todos v&oacute;s, queridos Artistas, tenhais nos vossos olhos, nas vossas m&atilde;os, no vosso cora&ccedil;&atilde;o esta vis&atilde;o, para que vos d&ecirc; alegria e inspire sempre as vossas belas obras. Ao aben&ccedil;oar-vos de cora&ccedil;&atilde;o, sa&uacute;do-vos, como j&aacute; fez Paulo VI, com uma s&oacute; express&atilde;o: at&eacute; breve! <\/span><\/p>\n<p style=\"line-height: 14pt; text-align: right;\" align=\"right\"><i><span style=\"font-size: 8pt;\">Roma, 21 de Novembro de 2009<\/span><br \/> P<\/span><\/i><i><\/span><\/i><i>apa Bento XVI<\/span><\/i><\/span><\/p>\n<p><i> <\/span><\/i><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Senhores Cardeais, Venerados Irm&atilde;os no Episcopado e no Sacerd&oacute;cio, Ilustres Artistas, Senhoras e Senhores! &Eacute; com grande alegria que vos [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":157,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[38],"tags":[],"class_list":["post-158","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-espaco-cultural"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v27.4 - 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