{"id":1983,"date":"2024-06-02T19:00:32","date_gmt":"2024-06-02T19:00:32","guid":{"rendered":"https:\/\/paroquiaqueijas.net\/site\/?p=1983"},"modified":"2026-04-18T09:23:22","modified_gmt":"2026-04-18T09:23:22","slug":"spes-non-confundit","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/paroquiaqueijas.net\/portal\/spes-non-confundit\/","title":{"rendered":"Spes non confundit &#8211; a esperan\u00e7a n\u00e3o engana"},"content":{"rendered":"<p><strong><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\" alignright wp-image-1982\" style=\"margin: 0px; float: right;\" src=\"https:\/\/paroquiaqueijas.net\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/Jubileu25.png\" alt=\"Jubileu25\" width=\"500\" height=\"502\" srcset=\"https:\/\/paroquiaqueijas.net\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/Jubileu25.png 562w, https:\/\/paroquiaqueijas.net\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/Jubileu25-300x300.png 300w, https:\/\/paroquiaqueijas.net\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/Jubileu25-150x150.png 150w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/>BULA DE PROCLAMA\u00c7\u00c3O DO JUBILEU DE 2025<\/strong><br \/>\nFrancisco, Bispo de Roma, servo dos servos de Deus, a quantos lerem esta Carta que a Esperan\u00e7a lhes encha o cora\u00e7\u00e3o!<\/p>\n<p><strong>1<\/strong>. \u00abSpes non confundit \u2013 a esperan\u00e7a n\u00e3o engana\u00bb (Rm 5, 5). Sob o sinal da esperan\u00e7a, o ap\u00f3stolo Paulo infunde coragem \u00e0 comunidade crist\u00e3 de Roma. A esperan\u00e7a \u00e9 tamb\u00e9m a mensagem central do pr\u00f3ximo Jubileu, que, segundo uma antiga tradi\u00e7\u00e3o, o Papa proclama de vinte e cinco em vinte e cinco anos. Penso em todos os peregrinos de esperan\u00e7a, que chegar\u00e3o a Roma para viver o Ano Santo e em quantos, n\u00e3o podendo vir \u00e0 Cidade dos ap\u00f3stolos Pedro e Paulo, v\u00e3o celebr\u00e1-lo nas Igrejas particulares. Possa ser, para todos, um momento de encontro vivo e pessoal com o Senhor Jesus, \u00abporta\u00bb de salva\u00e7\u00e3o (cf. Jo 10, 7.9); com Ele, que a Igreja tem por miss\u00e3o anunciar sempre, em toda a parte e a todos, como sendo a \u00abnossa esperan\u00e7a\u00bb (1Tm 1, 1).<\/p>\n<p>Todos esperam. No cora\u00e7\u00e3o de cada pessoa, encerra-se a esperan\u00e7a como desejo e expetativa do bem, apesar de n\u00e3o saber o que trar\u00e1 consigo o amanh\u00e3. Por\u00e9m, esta imprevisibilidade do futuro faz surgir sentimentos por vezes contrapostos: desde a confian\u00e7a ao medo, da serenidade ao des\u00e2nimo, da certeza \u00e0 d\u00favida. Muitas vezes encontramos pessoas desanimadas que olham, com ceticismo e pessimismo, para o futuro como se nada lhes pudesse proporcionar felicidade. Que o Jubileu seja, para todos, ocasi\u00e3o de reanimar a esperan\u00e7a! A Palavra de Deus ajuda-nos a encontrar as raz\u00f5es para isso. Deixemo-nos guiar pelo que o ap\u00f3stolo Paulo escreve precisamente aos crist\u00e3os de Roma.<\/p>\n<p><strong>Uma Palavra de esperan\u00e7a<\/strong><br \/>\n<strong>2<\/strong>. \u00abUma vez que fomos justificados pela f\u00e9, estamos em paz com Deus por Nosso Senhor Jesus Cristo. Por Ele tivemos acesso, na f\u00e9, a esta gra\u00e7a na qual nos encontramos firmemente e nos gloriamos, na esperan\u00e7a da gl\u00f3ria de Deus (\u2026). Ora a esperan\u00e7a n\u00e3o engana, porque o amor de Deus foi derramado nos nossos cora\u00e7\u00f5es pelo Esp\u00edrito Santo que nos foi dado\u00bb (Rm 5, 1-2.5). S\u00e3o Paulo oferece-nos aqui v\u00e1rios pontos de reflex\u00e3o. Sabemos que a Carta aos Romanos assinala uma passagem decisiva na sua atividade evangelizadora. At\u00e9 ent\u00e3o, desenvolveu-a na zona oriental do Imp\u00e9rio; agora espera-o Roma com tudo o que esta representa aos olhos do mundo: um grande desafio, que h\u00e1 de enfrentar em nome do an\u00fancio do Evangelho, que n\u00e3o conhece barreiras nem fronteiras. A Igreja de Roma n\u00e3o foi fundada por Paulo, mas este sente um vivo desejo de l\u00e1 chegar logo que poss\u00edvel, para levar a todos o Evangelho de Jesus Cristo, morto e ressuscitado, como an\u00fancio da esperan\u00e7a que realiza as promessas, introduz na gl\u00f3ria e n\u00e3o desilude porque est\u00e1 fundada no amor.<\/p>\n<p><strong>3<\/strong>. Com efeito, a esperan\u00e7a nasce do amor e funda-se no amor que brota do Cora\u00e7\u00e3o de Jesus trespassado na cruz: \u00abSe de facto, quando \u00e9ramos inimigos de Deus, fomos reconciliados com Ele pela morte de seu Filho, com muito mais raz\u00e3o, uma vez reconciliados, havemos de ser salvos pela sua vida\u00bb (Rm 5, 10). E a sua vida manifesta-se na nossa vida de f\u00e9, que come\u00e7a com o Batismo, desenvolve-se na docilidade \u00e0 gra\u00e7a de Deus e \u00e9 por isso animada pela esperan\u00e7a, sempre renovada e tornada inabal\u00e1vel pela a\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito Santo.<\/p>\n<p>Na verdade, \u00e9 o Esp\u00edrito Santo, com a sua presen\u00e7a perene no caminho da Igreja, que irradia nos crentes a luz da esperan\u00e7a: mant\u00e9m-na acesa como uma tocha que nunca se apaga, para dar apoio e vigor \u00e0 nossa vida. Com efeito a esperan\u00e7a crist\u00e3 n\u00e3o engana nem desilude, porque est\u00e1 fundada na certeza de que nada e ningu\u00e9m poder\u00e1 jamais separar-nos do amor divino: \u00abQuem poder\u00e1 separar-nos do amor de Cristo? A tribula\u00e7\u00e3o, a ang\u00fastia, a persegui\u00e7\u00e3o, a fome, a nudez, o perigo, a espada? (\u2026) Mas em tudo isso sa\u00edmos mais do que vencedores gra\u00e7as \u00c0quele que nos amou. Estou convencido de que nem a morte nem a vida, nem os anjos nem os principados, nem o presente nem o futuro, nem as potestades, nem a altura nem o abismo, nem qualquer outra criatura poder\u00e1 separar-nos do amor de Deus, que est\u00e1 em Cristo Jesus, Senhor nosso\u00bb (Rm 8, 35.37-39). Por isso mesmo esta esperan\u00e7a n\u00e3o cede nas dificuldades: funda-se na f\u00e9 e \u00e9 alimentada pela caridade, permitindo assim avan\u00e7ar na vida. A prop\u00f3sito escreve Santo Agostinho: \u00abEm qualquer modo de vida, n\u00e3o se pode passar sem estas tr\u00eas propens\u00f5es da alma: crer, esperar, amar\u00bb. [1]<\/p>\n<p><strong>4<\/strong>. S\u00e3o Paulo \u00e9 muito realista. Sabe que a vida \u00e9 feita de alegrias e sofrimentos, que o amor \u00e9 posto \u00e0 prova quando aumentam as dificuldades e a esperan\u00e7a parece desmoronar-se diante do sofrimento. E, no entanto, escreve: \u00abGloriamo-nos tamb\u00e9m das tribula\u00e7\u00f5es, sabendo que a tribula\u00e7\u00e3o produz a paci\u00eancia, a paci\u00eancia a firmeza, e a firmeza a esperan\u00e7a\u00bb (Rm 5, 3-4). Para o Ap\u00f3stolo, a tribula\u00e7\u00e3o e o sofrimento s\u00e3o as condi\u00e7\u00f5es t\u00edpicas de todos aqueles que anunciam o Evangelho em contextos de incompreens\u00e3o e persegui\u00e7\u00e3o (cf. 2Cor 6, 3-10). Mas em tais situa\u00e7\u00f5es, atrav\u00e9s da escurid\u00e3o, vislumbra-se uma luz: descobre-se que a evangeliza\u00e7\u00e3o \u00e9 sustentada pela for\u00e7a que brota da cruz e da ressurrei\u00e7\u00e3o de Cristo. Isto faz crescer uma virtude, que \u00e9 parente pr\u00f3xima da esperan\u00e7a: a paci\u00eancia. Habituamo-nos a querer tudo e agora, num mundo onde a pressa se tornou uma constante. J\u00e1 n\u00e3o h\u00e1 tempo para nos encontrarmos e, com frequ\u00eancia, as pr\u00f3prias fam\u00edlias sentem dificuldade para se reunir e falar calmamente. A paci\u00eancia foi posta em fuga pela pressa, causando grave dano \u00e0s pessoas; com efeito sobrev\u00eam a intoler\u00e2ncia, o nervosismo e, por vezes, a viol\u00eancia gratuita, gerando insatisfa\u00e7\u00e3o e isolamento.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, na era da internet, onde o espa\u00e7o e o tempo s\u00e3o suplantados pelo \u00abaqui e agora\u00bb, a paci\u00eancia deixou de ser de casa. Se ainda f\u00f4ssemos capazes de admirar a cria\u00e7\u00e3o, poder\u00edamos compreender como \u00e9 decisiva a paci\u00eancia. Esperar a altern\u00e2ncia das esta\u00e7\u00f5es com os seus frutos; observar a vida dos animais e os ciclos do respetivo desenvolvimento; ter os olhos simples de S\u00e3o Francisco, que no seu C\u00e2ntico das Criaturas, escrito precisamente h\u00e1 800 anos, sentia a cria\u00e7\u00e3o como uma grande fam\u00edlia, chamando \u00abirm\u00e3o\u00bb ao sol e, \u00e0 lua, \u00abirm\u00e3\u00bb. [2] Redescobrir a paci\u00eancia faz bem a n\u00f3s pr\u00f3prios e aos outros. Frequentemente S\u00e3o Paulo recorre \u00e0 paci\u00eancia para sublinhar a import\u00e2ncia da perseveran\u00e7a e da confian\u00e7a naquilo que nos foi prometido por Deus, mas sobretudo testemunha que Deus \u00e9 paciente connosco: Ele, que \u00e9 \u00abo Deus da paci\u00eancia e da consola\u00e7\u00e3o\u00bb (Rm 15, 5). A paci\u00eancia \u2013 fruto tamb\u00e9m ela do Esp\u00edrito Santo \u2013 mant\u00e9m viva a esperan\u00e7a e consolida-a como virtude e estilo de vida. Por isso, aprendamos a pedir muitas vezes a gra\u00e7a da paci\u00eancia, que \u00e9 filha da esperan\u00e7a e, ao mesmo tempo, seu suporte.<\/p>\n<p><strong>Um caminho de esperan\u00e7a<\/strong><br \/>\n<strong>5<\/strong>. Deste entrela\u00e7amento de esperan\u00e7a e paci\u00eancia, resulta claro que a vida crist\u00e3 \u00e9 um caminho, que precisa tamb\u00e9m de momentos fortes para nutrir e robustecer a esperan\u00e7a, insubstitu\u00edvel companheira que permite vislumbrar a meta: o encontro com o Senhor Jesus. Apraz-me pensar que um percurso de gra\u00e7a, animado pela espiritualidade popular, tenha antecedido a proclama\u00e7\u00e3o do primeiro Jubileu em 1300. Com efeito, n\u00e3o podemos esquecer as diversas formas atrav\u00e9s das quais se derramou com abund\u00e2ncia a gra\u00e7a do perd\u00e3o sobre o santo Povo fiel de Deus. Recordemos, por exemplo, o grande \u00abperd\u00e3o\u00bb que S\u00e3o Celestino V quis conceder a quantos iam \u00e0 Bas\u00edlica de Santa Maria de Collemaggio, em \u00c1quila, nos dias 28 e 29 de agosto de 1294, seis anos antes do Papa Bonif\u00e1cio VIII instituir o Ano Santo. Por isso, a Igreja j\u00e1 tinha a experi\u00eancia da gra\u00e7a jubilar da miseric\u00f3rdia. E antes ainda, em 1216, o Papa Hon\u00f3rio III acolhera a s\u00faplica de S\u00e3o Francisco, que pedia a indulg\u00eancia para quantos tivessem visitado a Porci\u00fancula nos dois primeiros dias de agosto. O mesmo se pode dizer da peregrina\u00e7\u00e3o a Santiago de Compostela: de facto, o Papa Calisto II, em 1122, concedeu que se celebrasse o Jubileu naquele Santu\u00e1rio sempre que a festa do ap\u00f3stolo Tiago calhasse num domingo. \u00c9 bom que continue esta modalidade \u00abgeneralizada\u00bb de celebra\u00e7\u00f5es jubilares, de modo que a for\u00e7a do perd\u00e3o de Deus sustente e acompanhe o caminho das comunidades e das pessoas.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 por acaso que a peregrina\u00e7\u00e3o representa um elemento fundamental de todo o evento jubilar. P\u00f4r-se a caminho \u00e9 t\u00edpico de quem anda \u00e0 procura do sentido da vida. A peregrina\u00e7\u00e3o a p\u00e9 favorece muito a redescoberta do valor do sil\u00eancio, do esfor\u00e7o, da essencialidade. Tamb\u00e9m no pr\u00f3ximo ano, os peregrinos de esperan\u00e7a n\u00e3o deixar\u00e3o de percorrer caminhos antigos e modernos para viver intensamente a experi\u00eancia jubilar. Al\u00e9m disso, na pr\u00f3pria cidade de Roma, haver\u00e1 itiner\u00e1rios de f\u00e9 que se juntar\u00e3o aos tradicionais das catacumbas e das Sete Igrejas. Deslocar-se dum pa\u00eds ao outro como se as fronteiras estivessem superadas, passar duma cidade a outra contemplando a cria\u00e7\u00e3o e as obras de arte, permitir\u00e1 acumular experi\u00eancias e culturas diferentes e levar dentro de si, harmonizada pela ora\u00e7\u00e3o, a beleza que faz agradecer a Deus as maravilhas que Ele realizou. As igrejas jubilares, ao longo dos percursos e em Roma, poder\u00e3o ser o\u00e1sis de espiritualidade onde \u00e9 poss\u00edvel restaurar o caminho da f\u00e9 e dessedentar-se nas fontes da esperan\u00e7a, a come\u00e7ar pelo sacramento da Reconcilia\u00e7\u00e3o, ponto de partida insubstitu\u00edvel dum verdadeiro caminho de convers\u00e3o. Nas Igrejas particulares, deve ser dada uma aten\u00e7\u00e3o especial \u00e0 prepara\u00e7\u00e3o dos sacerdotes e dos fi\u00e9is para as Confiss\u00f5es e para o acesso a este sacramento na sua forma individual.<\/p>\n<p>Aos fi\u00e9is das Igrejas Orientais, sobretudo \u00e0queles que j\u00e1 est\u00e3o em plena comunh\u00e3o com o Sucessor de Pedro, quero dirigir um convite particular a cumprir esta peregrina\u00e7\u00e3o. Eles que tanto sofreram, muitas vezes at\u00e9 \u00e0 morte, pela sua fidelidade a Cristo e \u00e0 Igreja, h\u00e3o de sentir-se particularmente bem-vindos a Roma, que tamb\u00e9m \u00e9 M\u00e3e para eles e conserva tantas mem\u00f3rias da sua presen\u00e7a. A Igreja Cat\u00f3lica, que est\u00e1 enriquecida pelas suas liturgias muito antigas e pela teologia e espiritualidade dos Padres, monges e te\u00f3logos, quer exprimir simbolicamente o acolhimento deles e dos irm\u00e3os e irm\u00e3s ortodoxos, num tempo em que vivem j\u00e1 a peregrina\u00e7\u00e3o da Via-Sacra, sendo muitas vezes obrigados a deixar as suas terras de origem, as suas terras santas, donde a viol\u00eancia e a instabilidade os expulsam rumo a pa\u00edses mais seguros. Para eles, a experi\u00eancia de ser amados pela Igreja, que n\u00e3o os abandonar\u00e1 mas h\u00e1 de acompanh\u00e1-los para onde quer que forem, torna ainda mais forte o sinal do Jubileu.<\/p>\n<p><strong>6<\/strong>. O Ano Santo de 2025 est\u00e1 em continuidade com os anteriores eventos de gra\u00e7a. No \u00faltimo Jubileu ordin\u00e1rio, atravessou-se o limiar dos dois mil anos do nascimento de Jesus Cristo. Em seguida, no dia 13 de mar\u00e7o de 2015, proclamei um Jubileu extraordin\u00e1rio com o objetivo de manifestar e permitir encontrar o \u00abRosto da miseric\u00f3rdia\u00bb de Deus, [3] an\u00fancio central do Evangelho para toda a pessoa e em cada \u00e9poca. Agora chegou o momento dum novo Jubileu, em que se abre novamente de par em par a Porta Santa para oferecer a experi\u00eancia viva do amor de Deus, que desperta no cora\u00e7\u00e3o a esperan\u00e7a segura da salva\u00e7\u00e3o em Cristo. Ao mesmo tempo, este Ano Santo orientar\u00e1 o caminho rumo a outra data fundamental para todos os crist\u00e3os: de facto, em 2033, celebrar-se-\u00e3o os dois mil anos da Reden\u00e7\u00e3o, realizada por meio da paix\u00e3o, morte e ressurrei\u00e7\u00e3o do Senhor Jesus. Abre-se, assim, diante de n\u00f3s um percurso marcado por grandes etapas, nas quais a gra\u00e7a de Deus precede e acompanha o povo que caminha zeloso na f\u00e9, diligente na caridade e perseverante na esperan\u00e7a (cf. 1Ts 1, 3).<\/p>\n<p>Sustentado por t\u00e3o longa tradi\u00e7\u00e3o e certo de que este Ano Jubilar poder\u00e1 ser, para toda a Igreja, uma intensa experi\u00eancia de gra\u00e7a e de esperan\u00e7a, estabele\u00e7o que a Porta Santa da Bas\u00edlica de S\u00e3o Pedro, no Vaticano, seja aberta a 24 de dezembro do corrente ano de 2024, iniciando-se assim o Jubileu Ordin\u00e1rio. No domingo seguinte, 29 de dezembro de 2024, abrirei a Porta Santa da minha catedral de S\u00e3o Jo\u00e3o de Latr\u00e3o, que celebrar\u00e1, no dia 9 de novembro deste ano, 1700 anos da sua dedica\u00e7\u00e3o. Posteriormente, no dia 1 de janeiro de 2025, Solenidade de Santa Maria M\u00e3e de Deus, ser\u00e1 aberta a Porta Santa da Bas\u00edlica Papal de Santa Maria Maior. Por fim, no domingo 5 de janeiro de 2025, ser\u00e1 aberta a Porta Santa da Bas\u00edlica Papal de S\u00e3o Paulo Fora dos Muros. Estas \u00faltimas tr\u00eas Portas Santas ser\u00e3o fechadas no domingo 28 de dezembro do mesmo ano.<\/p>\n<p>Estabele\u00e7o ainda que, no domingo 29 de dezembro de 2024, em todas as catedrais e concatedrais, os Bispos diocesanos celebrem a Santa Missa como abertura solene do Ano Jubilar, segundo o Ritual que ser\u00e1 preparado para a ocasi\u00e3o. Quanto \u00e0 celebra\u00e7\u00e3o na igreja concatedral, o Bispo poder\u00e1 ser substitu\u00eddo por um Delegado, propositadamente designado. A peregrina\u00e7\u00e3o, desde a igreja escolhida para a concentra\u00e7\u00e3o at\u00e9 \u00e0 catedral, seja o sinal do caminho de esperan\u00e7a que, iluminado pela Palavra de Deus, une os crentes. Durante o percurso, leiam-se algumas passagens deste Documento e anuncie-se ao povo a Indulg\u00eancia Jubilar, que poder\u00e1 ser obtida segundo as prescri\u00e7\u00f5es contidas no mesmo Ritual para a celebra\u00e7\u00e3o do Jubileu nas Igrejas particulares. Durante o Ano Santo, que terminar\u00e1 nas Igrejas particulares no domingo 28 de dezembro de 2025, zele-se para que o Povo de Deus possa acolher, com plena participa\u00e7\u00e3o, tanto o an\u00fancio de esperan\u00e7a da gra\u00e7a de Deus, como os sinais que atestam a sua efic\u00e1cia.<\/p>\n<p>O Jubileu Ordin\u00e1rio terminar\u00e1 com o encerramento da Porta Santa da Bas\u00edlica Papal de S\u00e3o Pedro, no Vaticano, na solenidade da Epifania do Senhor, dia 6 de janeiro de 2026. Que a luz da esperan\u00e7a crist\u00e3 chegue a cada pessoa, como mensagem do amor de Deus dirigida a todos. E que a Igreja seja testemunha fiel deste an\u00fancio em todas as partes do mundo.<\/p>\n<p><strong>Sinais de esperan\u00e7a<\/strong><br \/>\n<strong>7<\/strong>. Al\u00e9m de beber a esperan\u00e7a na gra\u00e7a de Deus, somos tamb\u00e9m chamados a descobri-la nos sinais dos tempos, que o Senhor oferece. Como afirma o Conc\u00edlio Vaticano II, \u00ab\u00e9 dever da Igreja investigar a todo o momento os sinais dos tempos, e interpret\u00e1-los \u00e0 luz do Evangelho; para que assim possa responder, de modo adaptado em cada gera\u00e7\u00e3o, \u00e0s eternas perguntas dos homens acerca do sentido da vida presente e da futura, e da rela\u00e7\u00e3o entre ambas\u00bb. [4] Por isso, para n\u00e3o cair na tenta\u00e7\u00e3o de nos considerarmos subjugados pelo mal e pela viol\u00eancia, \u00e9 necess\u00e1rio prestar aten\u00e7\u00e3o a tanto bem que existe no mundo. Por\u00e9m, os sinais dos tempos, que cont\u00eam o an\u00e9lito do cora\u00e7\u00e3o humano, carecido da presen\u00e7a salv\u00edfica de Deus, pedem para ser transformados em sinais de esperan\u00e7a.<\/p>\n<p><strong>8<\/strong>. Que o primeiro sinal de esperan\u00e7a se traduza em paz para o mundo, mais uma vez imerso na trag\u00e9dia da guerra. Esquecida dos dramas do passado, a humanidade encontra-se de novo submetida a uma dif\u00edcil prova que v\u00ea muitas popula\u00e7\u00f5es oprimidas pela brutalidade da viol\u00eancia. Faltar\u00e1 ainda a esses povos algo que n\u00e3o tenham j\u00e1 sofrido? Como \u00e9 poss\u00edvel que o seu desesperado grito de ajuda n\u00e3o impulsione os respons\u00e1veis das Na\u00e7\u00f5es a querer p\u00f4r fim aos demasiados conflitos regionais, cientes das consequ\u00eancias que da\u00ed podem derivar a n\u00edvel mundial? Ser\u00e1 excessivo sonhar que as armas se calem e deixem de difundir destrui\u00e7\u00e3o e morte? O Jubileu recorde que ser\u00e3o \u00abchamados filhos de Deus\u00bb todos aqueles que se fazem \u00abobreiros de paz\u00bb (Mt 5, 9). A necessidade da paz interpela a todos e imp\u00f5e a prossecu\u00e7\u00e3o de projetos concretos. Que n\u00e3o falte o empenho da diplomacia para se constru\u00edrem, de forma corajosa e criativa, espa\u00e7os de negocia\u00e7\u00e3o em vista duma paz duradoura.<\/p>\n<p><strong>9<\/strong>. Olhar para o futuro com esperan\u00e7a equivale a ter tamb\u00e9m uma vis\u00e3o da vida carregada de entusiasmo para transmitir. Infelizmente, em muitas situa\u00e7\u00f5es, temos de constatar que falta esta perspetiva. A primeira consequ\u00eancia \u00e9 a perda do desejo de transmitir a vida. Por causa dos ritmos fren\u00e9ticos da vida, dos receios face ao futuro, da falta de garantias laborais e de adequada prote\u00e7\u00e3o social, de modelos sociais ditados mais pela procura do lucro do que pelo cuidado das rela\u00e7\u00f5es humanas, assiste-se em v\u00e1rios pa\u00edses a uma preocupante queda da natalidade. J\u00e1 noutros contextos, \u00abculpar o incremento demogr\u00e1fico em vez do consumismo exacerbado e seletivo de alguns \u00e9 uma forma de n\u00e3o enfrentar os problemas\u00bb. [5]<\/p>\n<p>A abertura \u00e0 vida, com uma maternidade e uma paternidade respons\u00e1veis, \u00e9 o projeto que o Criador inscreveu no cora\u00e7\u00e3o e no corpo dos homens e das mulheres, uma miss\u00e3o que o Senhor confia aos c\u00f4njuges e ao seu amor. Al\u00e9m do empenho legislativo dos Estados, \u00e9 urgente que n\u00e3o lhes falte o apoio convicto das comunidades crentes e da inteira comunidade civil em todas as suas componentes, porque o desejo dos jovens de gerar novos filhos e filhas, como fruto da fecundidade do seu amor, d\u00e1 futuro a toda a sociedade e \u00e9 uma quest\u00e3o de esperan\u00e7a: depende da esperan\u00e7a e gera esperan\u00e7a.<\/p>\n<p>Por isso, a comunidade crist\u00e3 n\u00e3o pode ficar atr\u00e1s de ningu\u00e9m no apoio \u00e0 necessidade duma alian\u00e7a social em prol da esperan\u00e7a, que seja inclusiva e n\u00e3o ideol\u00f3gica, e trabalhe por um futuro marcado pelo sorriso de tantos meninos e meninas que, em muitas partes do mundo, venham encher os demasiados ber\u00e7os vazios. Todos, na realidade, sentem a necessidade de recuperar a alegria de viver, porque o ser humano, criado \u00e0 imagem e semelhan\u00e7a de Deus (cf. Gn 1, 26), n\u00e3o pode contentar-se com sobreviver ou ir vivendo nem conformar-se com o tempo presente, satisfazendo-se com realidades apenas materiais. Isto fecha-nos no individualismo e corr\u00f3i a esperan\u00e7a, gerando uma tristeza que se aninha no cora\u00e7\u00e3o, tornando-nos amargos e impacientes.<\/p>\n<p><strong>10<\/strong>. No Ano Jubilar, seremos chamados a ser sinais palp\u00e1veis de esperan\u00e7a para muitos irm\u00e3os e irm\u00e3s que vivem em condi\u00e7\u00f5es de dificuldade. Penso nos presos que, privados de liberdade, al\u00e9m da dureza da reclus\u00e3o, experimentam dia a dia o vazio afetivo, as restri\u00e7\u00f5es impostas e, em n\u00e3o poucos casos, a falta de respeito. Proponho aos Governos que, no Ano Jubilar, tomem iniciativas que lhes restituam esperan\u00e7a: formas de amnistia ou de perd\u00e3o da pena, que ajudem as pessoas a recuperar a confian\u00e7a em si mesmas e na sociedade; percursos de reinser\u00e7\u00e3o na comunidade, aos quais corresponda um compromisso concreto de cumprir as leis.<\/p>\n<p>Trata-se de um apelo antigo que, provindo da Palavra de Deus, permanece com todo o seu valor sapiencial ao invocar atos de clem\u00eancia e liberta\u00e7\u00e3o que permitam recome\u00e7ar: \u00abSantificareis o quinquag\u00e9simo ano, proclamando na vossa terra a liberta\u00e7\u00e3o de todos os que a habitam\u00bb (Lv 25, 10). O que est\u00e1 estabelecido na Lei mosaica \u00e9 retomado pelo profeta Isa\u00edas: \u00abO Senhor (\u2026) enviou-me para levar a boa-nova aos que sofrem, para curar os desesperados, para anunciar a liberta\u00e7\u00e3o aos exilados e a liberdade aos prisioneiros, para proclamar um ano da gra\u00e7a do Senhor\u00bb (Is 61, 1-2). S\u00e3o palavras que Jesus fez suas no in\u00edcio do seu minist\u00e9rio, declarando em Si mesmo o cumprimento do \u00abano favor\u00e1vel da parte do Senhor\u00bb (Lc 4, 19). Em todos os cantos da terra, os crentes, especialmente os Pastores, fa\u00e7am-se int\u00e9rpretes destes pedidos, formando uma s\u00f3 voz que pe\u00e7a corajosamente condi\u00e7\u00f5es dignas para quem est\u00e1 recluso, respeito pelos direitos humanos e sobretudo a aboli\u00e7\u00e3o da pena de morte, uma medida inadmiss\u00edvel para a f\u00e9 crist\u00e3 que aniquila qualquer esperan\u00e7a de perd\u00e3o e renova\u00e7\u00e3o. [6] A fim de oferecer aos presos um sinal concreto de proximidade, eu mesmo desejo abrir uma Porta Santa numa pris\u00e3o, para que seja para eles um s\u00edmbolo que os convida a olhar o futuro com esperan\u00e7a e renovado compromisso de vida.<\/p>\n<p><strong>11<\/strong>. Sinais de esperan\u00e7a h\u00e3o de ser oferecidos aos doentes, que se encontram em casa ou no hospital. Que os seus sofrimentos encontrem al\u00edvio na proximidade de pessoas que os visitem e no carinho que recebem! As obras de miseric\u00f3rdia s\u00e3o tamb\u00e9m obras de esperan\u00e7a, que despertam nos cora\u00e7\u00f5es sentimentos de gratid\u00e3o. E que a gratid\u00e3o chegue a todos os profissionais de sa\u00fade que, em condi\u00e7\u00f5es tantas vezes dif\u00edceis, desempenham a sua miss\u00e3o com sol\u00edcito cuidado pelas pessoas doentes e mais fr\u00e1geis.<\/p>\n<p>Oxal\u00e1 n\u00e3o falte a aten\u00e7\u00e3o inclusiva por todos aqueles que, encontrando-se em condi\u00e7\u00f5es de vida particularmente extenuantes, experimentam a sua pr\u00f3pria fragilidade, de modo especial se sofrem de patologias ou defici\u00eancias que limitam fortemente a autonomia pessoal. O cuidado para com eles \u00e9 um hino \u00e0 dignidade humana, um canto de esperan\u00e7a que exige a sincroniza\u00e7\u00e3o de toda a sociedade.<\/p>\n<p><strong>12<\/strong>. E de sinais de esperan\u00e7a tamb\u00e9m t\u00eam necessidade aqueles que, em si mesmos, a representam: os jovens. Muitas vezes, infelizmente, veem desmoronar-se os seus sonhos. N\u00e3o os podemos dececionar: o futuro funda-se no seu entusiasmo. Como \u00e9 belo v\u00ea-los irradiar energia, por exemplo, quando voluntariamente arrega\u00e7am as mangas e se comprometem nas situa\u00e7\u00f5es de calamidade e mal-estar social! J\u00e1 \u00e9 triste ver jovens sem esperan\u00e7a; se bem que se torna inevit\u00e1vel viver o presente na melancolia e no t\u00e9dio quando o futuro \u00e9 incerto e imperme\u00e1vel aos sonhos, o estudo n\u00e3o oferece sa\u00eddas e a falta de emprego ou dum trabalho suficientemente est\u00e1vel corre o risco de suprimir os desejos. A ilus\u00e3o das drogas, o risco da transgress\u00e3o e a busca do ef\u00e9mero criam nos jovens, mais do que nos outros, confus\u00e3o e escondem-lhes a beleza e o sentido da vida, fazendo-os escorregar para abismos escuros e impelindo-os a gestos autodestrutivos. Por isso, que o Jubileu seja, na Igreja, ocasi\u00e3o para um impulso a favor deles: com renovada paix\u00e3o, cuidemos dos adolescentes, dos estudantes, dos namorados, das gera\u00e7\u00f5es jovens! Mantenhamo-nos pr\u00f3ximo dos jovens, alegria e esperan\u00e7a da Igreja e do mundo!<\/p>\n<p><strong>13<\/strong>. N\u00e3o poder\u00e3o faltar sinais de esperan\u00e7a em rela\u00e7\u00e3o aos migrantes, que deixam a sua terra \u00e0 procura duma vida melhor para si pr\u00f3prios e suas fam\u00edlias. Que as suas expetativas n\u00e3o sejam frustradas por preconceitos e isolamentos! Ao acolhimento, que no respeito pela sua dignidade abre os bra\u00e7os a cada um deles, junte-se a responsabilidade, de modo que a ningu\u00e9m seja negado o direito de construir um futuro melhor. A tantos exilados, deslocados e refugiados que, por acontecimentos internacionais controversos, s\u00e3o for\u00e7ados a fugir para evitar guerras, viol\u00eancia e discrimina\u00e7\u00e3o, sejam garantidos a seguran\u00e7a e o acesso ao trabalho e \u00e0 instru\u00e7\u00e3o, instrumentos necess\u00e1rios para a sua inser\u00e7\u00e3o no novo contexto social.<\/p>\n<p>Possa a comunidade crist\u00e3 estar sempre pronta a defender os direitos dos mais d\u00e9beis. Generosamente abra de par em par as portas do acolhimento, para que nunca falte a ningu\u00e9m a esperan\u00e7a duma vida melhor. Ressoe nos cora\u00e7\u00f5es a Palavra do Senhor que, na grande par\u00e1bola do ju\u00edzo final, disse: \u00abEra estrangeiro e acolhestes-me\u00bb, porque \u00absempre que fizestes isto a um destes meus irm\u00e3os mais pequeninos, a mim mesmo o fizestes\u00bb (Mt 25, 35.40).<\/p>\n<p><strong>14<\/strong>. Sinais de esperan\u00e7a merecem-nos os idosos, que muitas vezes experimentam a solid\u00e3o e o sentimento de abandono. Valorizar o tesouro que eles s\u00e3o, a sua experi\u00eancia de vida, a sabedoria que trazem consigo e o contributo que podem dar, \u00e9 um empenho da comunidade crist\u00e3 e da sociedade civil, chamadas a trabalhar em conjunto em prol da alian\u00e7a entre as gera\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Dirijo um pensamento particular aos av\u00f4s e \u00e0s av\u00f3s, que representam a transmiss\u00e3o da f\u00e9 e da sabedoria de vida \u00e0s gera\u00e7\u00f5es mais jovens. Sejam amparados pela gratid\u00e3o dos filhos e pelo amor dos netos, que neles encontram as suas ra\u00edzes, compreens\u00e3o e est\u00edmulo.<\/p>\n<p><strong>15<\/strong>. E sentidamente, invoco a esperan\u00e7a para os milhares de milh\u00f5es de pobres, a quem muitas vezes falta o necess\u00e1rio para viver. Face \u00e0 sucess\u00e3o de renovadas vagas de empobrecimento, corre-se o risco de nos habituarmos e resignarmos. Mas n\u00e3o podemos desviar o olhar de situa\u00e7\u00f5es t\u00e3o dram\u00e1ticas, que se veem j\u00e1 por todo o lado, e n\u00e3o apenas em certas zonas do mundo. Todos os dias encontramos pessoas pobres ou empobrecidas e, por vezes, podem ser nossas vizinhas de casa. Frequentemente, n\u00e3o t\u00eam uma habita\u00e7\u00e3o nem alimenta\u00e7\u00e3o suficiente para o dia. Sofrem a exclus\u00e3o e a indiferen\u00e7a de muitos. \u00c9 escandaloso que, num mundo dotado de enormes recursos destinados em grande parte para armas, os pobres sejam \u00aba maioria (\u2026), milhares de milh\u00f5es de pessoas. Hoje s\u00e3o mencionados nos debates pol\u00edticos e econ\u00f3micos internacionais, mas com frequ\u00eancia parece que os seus problemas se coloquem como um ap\u00eandice, como uma quest\u00e3o que se acrescenta quase por obriga\u00e7\u00e3o ou perifericamente, quando n\u00e3o s\u00e3o considerados meros danos colaterais. Com efeito, na hora da implementa\u00e7\u00e3o concreta, permanecem frequentemente no \u00faltimo lugar\u00bb. [7] N\u00e3o esque\u00e7amos: os pobres s\u00e3o quase sempre v\u00edtimas, n\u00e3o os culpados.<\/p>\n<p><strong>Apelos em favor da esperan\u00e7a<\/strong><br \/>\n<strong>16<\/strong>. Fazendo ecoar a palavra antiga dos profetas, o Jubileu lembra que os bens da terra se destinam a todos, e n\u00e3o a poucos privilegiados. \u00c9 preciso que seja generoso quem possui riquezas, reconhecendo o rosto dos irm\u00e3os em necessidade. Penso de modo particular naqueles que carecem de \u00e1gua e alimenta\u00e7\u00e3o: a fome \u00e9 uma chaga escandalosa no corpo da nossa humanidade, e convida todos a um rebate de consci\u00eancia. Renovo o apelo para que, \u00abcom o dinheiro usado em armas e noutras despesas militares, constituamos um Fundo global para acabar de vez com a fome e para o desenvolvimento dos pa\u00edses mais pobres, a fim de que os seus habitantes n\u00e3o recorram a solu\u00e7\u00f5es violentas ou enganadoras, nem precisem de abandonar os seus pa\u00edses \u00e0 procura duma vida mais digna\u00bb. [8]<\/p>\n<p>Outro convite premente que desejo fazer, tendo em vista o Ano Jubilar, destina-se \u00e0s na\u00e7\u00f5es mais ricas, para que reconhe\u00e7am a gravidade de muitas decis\u00f5es tomadas e estabele\u00e7am o perd\u00e3o das d\u00edvidas dos pa\u00edses que nunca poder\u00e3o pag\u00e1-las. Mais do que magnanimidade, \u00e9 uma quest\u00e3o de justi\u00e7a, agravada hoje por uma nova forma de desigualdade de que se vai tomando consci\u00eancia: \u00abCom efeito, h\u00e1 uma verdadeira \u201cd\u00edvida ecol\u00f3gica\u201d, particularmente entre o Norte e o Sul, ligada a desequil\u00edbrios comerciais com consequ\u00eancias no \u00e2mbito ecol\u00f3gico e com o uso desproporcionado dos recursos naturais efetuado historicamente por alguns pa\u00edses\u00bb. [9] Como ensina a Sagrada Escritura, a terra pertence a Deus e todos n\u00f3s vivemos nela como \u00abestrangeiros e h\u00f3spedes\u00bb (Lv 25, 23). Se queremos verdadeiramente preparar no mundo a senda da paz, empenhemo-nos em remediar as causas remotas das injusti\u00e7as, reformulemos as d\u00edvidas injustas e insolventes, saciemos os famintos.<\/p>\n<p><strong>17<\/strong>. Durante o pr\u00f3ximo Jubileu, ocorrer\u00e1 um anivers\u00e1rio muito significativo para todos os crist\u00e3os: completar-se-\u00e3o 1700 anos da celebra\u00e7\u00e3o do primeiro grande Conc\u00edlio ecum\u00e9nico, o de Niceia. \u00c9 bom lembrar que j\u00e1 em diversas ocasi\u00f5es, desde os tempos apost\u00f3licos, os Pastores se reuniram em assembleia com a finalidade de tratar tem\u00e1ticas doutrinais e quest\u00f5es disciplinares. Nos primeiros s\u00e9culos da f\u00e9, multiplicaram-se os S\u00ednodos tanto no Oriente como no Ocidente crist\u00e3o, mostrando como era importante guardar a unidade do Povo de Deus e o an\u00fancio fiel do Evangelho. O Ano Jubilar poder\u00e1 ser uma importante oportunidade para tornar concreto este modo sinodal, que hoje a comunidade crist\u00e3 sente como express\u00e3o cada vez mais necess\u00e1ria para melhor corresponder \u00e0 urg\u00eancia da evangeliza\u00e7\u00e3o: todos os batizados, cada qual com o pr\u00f3prio carisma e minist\u00e9rio, se sintam correspons\u00e1veis pela mesma a fim de que muitos sinais de esperan\u00e7a deem testemunho da presen\u00e7a de Deus no mundo.<\/p>\n<p>O Conc\u00edlio de Niceia teve a miss\u00e3o de preservar a unidade, ent\u00e3o seriamente amea\u00e7ada pela nega\u00e7\u00e3o da plena divindade de Jesus Cristo e da sua igualdade com o Pai. Estiveram presentes cerca de trezentos Bispos que, convocados sob impulso do imperador Constantino em 20 de maio de 325, se reuniram no pal\u00e1cio imperial. Depois de v\u00e1rios debates, todos, com a gra\u00e7a do Esp\u00edrito, se reconheceram no S\u00edmbolo de f\u00e9 que ainda hoje professamos no Celebra\u00e7\u00e3o Eucar\u00edstica dominical. Os Padres conciliares quiseram iniciar aquele S\u00edmbolo empregando pela primeira vez a express\u00e3o \u00abN\u00f3s cremos\u00bb, [10] testemunhando que, naquele \u00abN\u00f3s\u00bb, todas as Igrejas se encontravam em comunh\u00e3o e todos os crist\u00e3os professavam a mesma f\u00e9.<\/p>\n<p>O Conc\u00edlio de Niceia \u00e9 um marco mili\u00e1rio na hist\u00f3ria da Igreja. O anivers\u00e1rio da sua realiza\u00e7\u00e3o convida os crist\u00e3os a unirem-se no louvor e agradecimento \u00e0 Sant\u00edssima Trindade e, em particular, a Jesus Cristo, o Filho de Deus, \u00abconsubstancial ao Pai\u00bb, [11] que nos revelou este mist\u00e9rio de amor. Mas Niceia constitui tamb\u00e9m um convite a todas as Igrejas e Comunidades eclesiais para avan\u00e7arem rumo \u00e0 unidade vis\u00edvel, n\u00e3o se cansando de procurar formas apropriadas para corresponder plenamente \u00e0 ora\u00e7\u00e3o de Jesus: \u00abQue todos sejam um s\u00f3, como Tu, Pai, est\u00e1s em mim e Eu em ti; para que assim eles estejam em N\u00f3s e o mundo creia que Tu me enviaste\u00bb (Jo 17, 21).<\/p>\n<p>No Conc\u00edlio de Niceia, tratou-se tamb\u00e9m da data da P\u00e1scoa. A este respeito, ainda hoje existem posi\u00e7\u00f5es diferentes, que impedem de celebrar, no mesmo dia, o evento fundante da f\u00e9. Por uma circunst\u00e2ncia providencial, isso acontecer\u00e1 precisamente no ano de 2025. Seja isto um apelo a todos os crist\u00e3os do Oriente e do Ocidente para darem resolutamente um passo rumo \u00e0 unidade em torno duma data comum para a P\u00e1scoa. Vale a pena recordar que muitos desconhecem as diatribes do passado e n\u00e3o entendem como possam subsistir divis\u00f5es a tal prop\u00f3sito.<\/p>\n<p><strong>Ancorados na esperan\u00e7a<\/strong><br \/>\n<strong>18<\/strong>. A esperan\u00e7a forma, juntamente com a f\u00e9 e a caridade, o tr\u00edptico das \u00abvirtudes teologais\u00bb, que exprimem a ess\u00eancia da vida crist\u00e3 (cf. 1Cor 13, 13; 1 Ts 1, 3). No dinamismo indivis\u00edvel das tr\u00eas, a esperan\u00e7a \u00e9 a virtude que imprime, por assim dizer, a orienta\u00e7\u00e3o, indicando a dire\u00e7\u00e3o e a finalidade da exist\u00eancia crente. Por isso, o ap\u00f3stolo Paulo convida-nos a ser \u00abalegres na esperan\u00e7a, pacientes na tribula\u00e7\u00e3o, perseverantes na ora\u00e7\u00e3o\u00bb (Rm 12, 12). Assim deve ser; precisamos de transbordar de esperan\u00e7a (cf. Rm 15, 13) para testemunhar de modo cred\u00edvel e atraente a f\u00e9 e o amor que trazemos no cora\u00e7\u00e3o; para que a f\u00e9 seja jubilosa, a caridade entusiasta; para que cada um seja capaz de oferecer ao menos um sorriso, um gesto de amizade, um olhar fraterno, uma escuta sincera, um servi\u00e7o gratuito, sabendo que, no Esp\u00edrito de Jesus, isso pode tornar-se uma semente fecunda de esperan\u00e7a para quem o recebe. Mas qual \u00e9 o fundamento da nossa esperan\u00e7a? Para o compreender, \u00e9 bom deter-nos nas raz\u00f5es da nossa esperan\u00e7a (cf. 1Ped 3, 15).<\/p>\n<p><strong>19<\/strong>. \u00abCreio na vida eterna\u00bb: [12] assim professa a nossa f\u00e9, e a esperan\u00e7a crist\u00e3 encontra nestas palavras um ponto fundamental de apoio. De facto, \u00ab\u00e9 a virtude teologal pela qual desejamos (\u2026) a vida eterna como nossa felicidade\u00bb. [13] O Conc\u00edlio Ecum\u00e9nico Vaticano II afirma: \u00abSe faltam o fundamento divino e a esperan\u00e7a da vida eterna, a dignidade humana \u00e9 gravemente lesada, como tantas vezes se verifica nos nossos dias, e os enigmas da vida e da morte, do pecado e da dor ficam sem solu\u00e7\u00e3o, o que frequentemente leva os homens ao desespero\u00bb. [14] Enquanto, em virtude da esperan\u00e7a na qual fomos salvos, vendo passar o tempo, temos a certeza que a hist\u00f3ria da humanidade e a de cada um de n\u00f3s n\u00e3o correm para uma meta sem sa\u00edda nem para um abismo escuro, mas est\u00e3o orientadas para o encontro com o Senhor da gl\u00f3ria. Por isso vivemos na expetativa do seu regresso e na esperan\u00e7a de vivermos n\u2019Ele para sempre: \u00e9 com este esp\u00edrito que fazemos nossa aquela comovente invoca\u00e7\u00e3o dos primeiros crist\u00e3os com que termina a Sagrada Escritura: \u00abVem, Senhor Jesus!\u00bb (Ap 22, 20).<\/p>\n<p><strong>20<\/strong>. Jesus morto e ressuscitado \u00e9 o cora\u00e7\u00e3o da nossa f\u00e9. S\u00e3o Paulo, ao enunciar este conte\u00fado em poucas palavras (usa s\u00f3 quatro verbos), transmite-nos o \u00abn\u00facleo\u00bb da nossa esperan\u00e7a. \u00abTransmiti-vos, em primeiro lugar, o que eu pr\u00f3prio recebi: Cristo morreu pelos nossos pecados, segundo as Escrituras; foi sepultado e ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras; apareceu a Cefas e depois aos Doze\u00bb (1Cor 15, 3-5). Cristo morreu, foi sepultado, ressuscitou, apareceu. Por n\u00f3s, passou atrav\u00e9s do drama da morte. O amor do Pai ressuscitou-O na for\u00e7a do Esp\u00edrito, fazendo da sua humanidade as prim\u00edcias da eternidade para a nossa salva\u00e7\u00e3o. A esperan\u00e7a crist\u00e3 consiste precisamente nisto: face \u00e0 morte onde tudo parece acabar, atrav\u00e9s de Cristo e da sua gra\u00e7a que nos foi comunicando o Batismo, recebe-se a certeza de que \u00aba vida n\u00e3o acaba, apenas se transforma\u00bb, [15] para sempre. Com efeito, sepultados juntamente com Cristo no Batismo, recebemos n\u2019Ele, ressuscitado, o dom duma vida nova, que derruba o muro da morte, fazendo dela uma passagem para a eternidade.<\/p>\n<p>E se diante da morte, dolorosa separa\u00e7\u00e3o que nos obriga a deixar os nossos entes queridos, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel qualquer ret\u00f3rica, o Jubileu oferecer-nos-\u00e1 a oportunidade de descobrir, com imensa gratid\u00e3o, o dom daquela vida nova recebida no Batismo, capaz de transfigurar o seu drama. \u00c9 significativo repensar, no contexto jubilar, como este mist\u00e9rio foi compreendido desde os primeiros s\u00e9culos da f\u00e9. Durante muito tempo, por exemplo, os crist\u00e3os constru\u00edram a pia batismal em forma octogonal, e ainda hoje podemos admirar muitos batist\u00e9rios antigos que mant\u00eam esta forma, como em S\u00e3o Jo\u00e3o de Latr\u00e3o na cidade de Roma. Indica que, na fonte batismal, se inaugura o oitavo dia, isto \u00e9 o da ressurrei\u00e7\u00e3o, o dia que ultrapassa o ritmo habitual, marcado pela cad\u00eancia semanal, abrindo assim o ciclo do tempo \u00e0 dimens\u00e3o da eternidade, \u00e0 vida que dura para sempre: esta \u00e9 a meta para a qual tendemos na nossa peregrina\u00e7\u00e3o terrena (cf. Rm 6, 22).<\/p>\n<p>O testemunho mais convincente desta esperan\u00e7a \u00e9-nos oferecido pelos m\u00e1rtires que, firmes na f\u00e9 em Cristo ressuscitado, foram capazes de renunciar \u00e0 pr\u00f3pria vida da terra para n\u00e3o trair o seu Senhor. Temo-los em todas as \u00e9pocas e s\u00e3o numerosos \u2013 e talvez mais do que nunca nos nossos dias \u2013 como confessores da vida que n\u00e3o tem fim. Precisamos de conservar o seu testemunho para tornar fecunda a nossa esperan\u00e7a.<\/p>\n<p>Estes m\u00e1rtires, pertencentes \u00e0s diferentes tradi\u00e7\u00f5es crist\u00e3s, s\u00e3o tamb\u00e9m sementes de unidade, porque exprimem o ecumenismo do sangue. Durante o Jubileu desejo ardentemente que n\u00e3o falte uma celebra\u00e7\u00e3o ecum\u00e9nica para evidenciar a riqueza do testemunho destes M\u00e1rtires.<\/p>\n<p><strong>21<\/strong>. Ent\u00e3o, que ser\u00e1 de n\u00f3s depois da morte? Com Jesus, al\u00e9m deste limiar, h\u00e1 a vida eterna, que consiste na plena comunh\u00e3o com Deus, na contempla\u00e7\u00e3o e participa\u00e7\u00e3o do seu amor infinito. Tudo o que agora vivemos na esperan\u00e7a, v\u00ea-lo-emos ent\u00e3o na realidade. A prop\u00f3sito, escreveu Santo Agostinho: \u00abQuando me unir a V\u00f3s com todo o meu ser, n\u00e3o existir\u00e1 para mim em lado algum dor e tristeza. A minha vida ser\u00e1 uma vida verdadeira, totalmente cheia de V\u00f3s\u00bb. [16] Ent\u00e3o, o que caraterizar\u00e1 tal plenitude de comunh\u00e3o? O ser feliz. A felicidade \u00e9 a voca\u00e7\u00e3o do ser humano, uma meta que diz respeito a todos.<br \/>\nMas, o que \u00e9 a felicidade? Que felicidade esperamos e desejamos? N\u00e3o uma alegria passageira, uma satisfa\u00e7\u00e3o ef\u00e9mera que, uma vez alcan\u00e7ada, volta sempre a pedir mais, numa espiral de avidez em que o esp\u00edrito humano nunca se encontra saciado, antes sente-se cada vez mais vazio. Precisamos duma felicidade que se cumpra definitivamente naquilo que nos realiza, ou seja, no amor, para se poder dizer j\u00e1 agora: sou amado, logo existo; e existirei para sempre no Amor que n\u00e3o desilude e do qual nada e ningu\u00e9m me poder\u00e1 separar. Recordemos ainda as palavras do Ap\u00f3stolo: \u00abEstou convencido de que nem a morte nem a vida, nem os anjos nem os principados, nem o presente nem o futuro, nem as potestades, nem a altura nem o abismo, nem qualquer outra criatura poder\u00e1 separar-nos do amor de Deus, que est\u00e1 em Cristo Jesus, Senhor nosso\u00bb (Rm 8, 38-39).<\/p>\n<p><strong>22<\/strong>. Outra realidade ligada \u00e0 vida eterna \u00e9 o ju\u00edzo de Deus, quer no termo da nossa exist\u00eancia quer no fim dos tempos. Muitas vezes a arte tentou represent\u00e1-lo \u2013 pensemos na obra-prima de Michelangelo, na Capela Sistina \u2013, atendo-se \u00e0 conce\u00e7\u00e3o teol\u00f3gica da \u00e9poca e transmitindo um sentimento de temor a quem o observa. Se \u00e9 justo preparar-se com viva consci\u00eancia e seriedade para o momento que recapitula a exist\u00eancia, ao mesmo tempo \u00e9 necess\u00e1rio faz\u00ea-lo sempre na dimens\u00e3o da esperan\u00e7a, virtude teologal que sustenta a vida e nos permite n\u00e3o cair no medo. O ju\u00edzo de Deus, que \u00e9 amor (cf. 1Jo 4, 8.16), s\u00f3 poder\u00e1 basear-se no amor, especialmente naquele que tivermos, ou n\u00e3o, praticado para com os mais necessitados, nos quais Cristo, o pr\u00f3prio Juiz, est\u00e1 presente (cf. Mt 25, 31-46). Trata-se, portanto, dum ju\u00edzo diferente do ju\u00edzo dos homens e dos tribunais terrenos; deve ser entendido como uma rela\u00e7\u00e3o de verdade com Deus-amor e consigo mesmo dentro do mist\u00e9rio insond\u00e1vel da miseric\u00f3rdia divina. A Sagrada Escritura afirma a este respeito: \u00abTu ensinaste o teu povo que o justo deve ser amigo dos homens, e deste a teus filhos uma boa esperan\u00e7a, porque, ap\u00f3s o pecado, d\u00e1s a convers\u00e3o (\u2026), para que, ao sermos julgados, esperemos miseric\u00f3rdia\u00bb (Sab 12, 19.22). Como escreveu Bento XVI, \u00abno momento do Ju\u00edzo, experimentamos e acolhemos este prevalecer do seu amor sobre todo o mal no mundo e em n\u00f3s. A dor do amor torna-se a nossa salva\u00e7\u00e3o e a nossa alegria\u00bb. [17]<\/p>\n<p>Por conseguinte, o ju\u00edzo diz respeito \u00e0 salva\u00e7\u00e3o na qual esperamos e que Jesus nos obteve com a sua morte e ressurrei\u00e7\u00e3o. Visa abrir ao encontro definitivo com Ele. E, como em tal contexto n\u00e3o se pode pensar que o mal cometido permane\u00e7a oculto, o mesmo precisa de ser purificado, para nos permitir a passagem definitiva ao amor de Deus. Compreende-se, neste sentido, a necessidade de rezar por aqueles que conclu\u00edram o caminho terreno: uma solidariedade na intercess\u00e3o orante que encontra a sua efic\u00e1cia na comunh\u00e3o dos santos, no v\u00ednculo comum que nos une em Cristo, primog\u00e9nito da cria\u00e7\u00e3o. Assim, a Indulg\u00eancia Jubilar, em virtude da ora\u00e7\u00e3o, destina-se de modo particular a todos aqueles que nos precederam, para que obtenham plena miseric\u00f3rdia.<\/p>\n<p><strong>23<\/strong>. De facto, a indulg\u00eancia permite-nos descobrir como \u00e9 ilimitada a miseric\u00f3rdia de Deus. N\u00e3o \u00e9 por acaso que, na antiguidade, o termo \u00abmiseric\u00f3rdia\u00bb era cambi\u00e1vel com o de \u00abindulg\u00eancia\u00bb, precisamente porque pretende exprimir a plenitude do perd\u00e3o de Deus que n\u00e3o conhece limites.<\/p>\n<p>O sacramento da Penit\u00eancia assegura-nos que Deus apaga os nossos pecados. V\u00eam \u00e0 mente, com toda a sua carga de consola\u00e7\u00e3o, estas palavras do Salmo: \u00ab\u00c9 Ele quem perdoa as tuas culpas e cura todas as tuas enfermidades. \u00c9 Ele quem resgata a tua vida do t\u00famulo e te enche de gra\u00e7a e de ternura. (\u2026) O Senhor \u00e9 misericordioso e compassivo, \u00e9 paciente e cheio de amor. (\u2026) N\u00e3o nos tratou segundo os nossos pecados, nem nos castigou segundo as nossas culpas. Como \u00e9 grande a dist\u00e2ncia dos c\u00e9us \u00e0 terra, assim s\u00e3o grandes os seus favores para os que O temem. Como o Oriente est\u00e1 afastado do Ocidente, assim Ele afasta de n\u00f3s os nossos pecados\u00bb (Sl 103, 3-4.8.10-12). A Reconcilia\u00e7\u00e3o sacramental n\u00e3o \u00e9 apenas uma estupenda oportunidade espiritual, mas representa um passo decisivo, essencial e indispens\u00e1vel no caminho de f\u00e9 de cada um. Ali permitimos ao Senhor que destrua os nossos pecados, sare o nosso cora\u00e7\u00e3o, nos levante e abrace, nos fa\u00e7a conhecer o seu rosto terno e compassivo. Na verdade, n\u00e3o h\u00e1 modo melhor de conhecer a Deus do que deixar-se reconciliar por Ele (cf. 2Cor 5, 20), saboreando o seu perd\u00e3o. Por isso, n\u00e3o renunciemos \u00e0 Confiss\u00e3o, mas descubramos a beleza do Sacramento da cura e da alegria, a beleza do perd\u00e3o dos pecados.<\/p>\n<p>Todavia o pecado, como sabemos por experi\u00eancia pessoal, \u00abdeixa a sua marca\u00bb, traz consigo consequ\u00eancias: n\u00e3o s\u00f3 exteriores, como consequ\u00eancias do mal cometido, mas tamb\u00e9m interiores, pois \u00abtodo o pecado, mesmo venial, traz consigo um apego desordenado \u00e0s criaturas, o qual precisa de ser purificado, quer nesta vida quer depois da morte, no estado que se chama Purgat\u00f3rio\u00bb. [18] Assim, na nossa d\u00e9bil humanidade atra\u00edda pelo mal, permanecem \u00abefeitos residuais do pecado\u00bb. S\u00e3o tirados pela indulg\u00eancia, sempre por gra\u00e7a de Cristo, o Qual, como escreveu S\u00e3o Paulo VI, \u00e9 \u00aba nossa \u201cindulg\u00eancia\u201d\u00bb. [19] A Penitenciaria Apost\u00f3lica providenciar\u00e1 \u00e0 emana\u00e7\u00e3o das disposi\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias para poder obter e tornar efetiva a pr\u00e1tica da Indulg\u00eancia Jubilar.<\/p>\n<p>Uma tal experi\u00eancia repleta de perd\u00e3o n\u00e3o pode deixar de abrir o cora\u00e7\u00e3o e a mente para perdoar. Perdoar n\u00e3o muda o passado, n\u00e3o pode modificar o que j\u00e1 aconteceu; no entanto, o perd\u00e3o pode-nos permitir mudar o futuro e viver de forma diferente, sem rancor, \u00f3dio e vingan\u00e7a. O futuro iluminado pelo perd\u00e3o permite ler o passado com olhos diversos, mais serenos, mesmo que ainda banhados de l\u00e1grimas.<\/p>\n<p>No passado Jubileu extraordin\u00e1rio, institu\u00ed os Mission\u00e1rios da Miseric\u00f3rdia, que continuam a desempenhar uma miss\u00e3o importante. Que eles exer\u00e7am o seu minist\u00e9rio tamb\u00e9m durante o pr\u00f3ximo Jubileu, restituindo esperan\u00e7a e perdoando todas as vezes que um pecador se dirija a eles de cora\u00e7\u00e3o aberto e esp\u00edrito arrependido. Continuem a ser instrumentos de reconcilia\u00e7\u00e3o, e ajudem a olhar para o futuro com a esperan\u00e7a do cora\u00e7\u00e3o que prov\u00e9m da miseric\u00f3rdia do Pai. Espero que os Bispos possam valer-se do seu precioso servi\u00e7o, sobretudo enviando-os onde a esperan\u00e7a est\u00e1 posta a dura prova, como nas pris\u00f5es, nos hospitais e nos lugares onde a dignidade da pessoa \u00e9 espezinhada, nas situa\u00e7\u00f5es mais desfavorecidas e nos contextos de maior degrada\u00e7\u00e3o, para que ningu\u00e9m fique privado da possibilidade de receber o perd\u00e3o e a consola\u00e7\u00e3o de Deus.<\/p>\n<p><strong>24<\/strong>. A esperan\u00e7a encontra, na M\u00e3e de Deus, a sua testemunha mais elevada. N\u2019Ela vemos como a esperan\u00e7a n\u00e3o seja um ef\u00e9mero otimismo, mas dom de gra\u00e7a no realismo da vida. Como todas as m\u00e3es, cada vez que olhava para o Filho pensava no seu futuro, e certamente no cora\u00e7\u00e3o trazia gravadas aquelas palavras que Sime\u00e3o Lhe dirigira no templo: \u00abEste menino est\u00e1 aqui para queda e ressurgimento de muitos em Israel e para ser sinal de contradi\u00e7\u00e3o; uma espada trespassar\u00e1 a tua alma\u00bb (Lc 2, 34-35). E aos p\u00e9s da cruz, enquanto via Jesus inocente sofrer e morrer, embora atravessada por terr\u00edvel ang\u00fastia, repetia o seu \u00absim\u00bb, sem perder a esperan\u00e7a e a confian\u00e7a no Senhor. Desta forma, cooperava em nosso favor no cumprimento do que dissera seu Filho ao anunciar que Ele teria de \u00absofrer muito e ser rejeitado pelos anci\u00e3os, pelos sumos sacerdotes e pelos doutores da Lei, e ser morto e ressuscitar depois de tr\u00eas dias\u00bb (Mc 8, 31), e no parto daquela dor oferecida por amor tornava-Se nossa M\u00e3e, M\u00e3e da esperan\u00e7a. N\u00e3o \u00e9 por acaso que a piedade popular continua a invocar a Virgem Santa como Stella Maris, um t\u00edtulo expressivo da esperan\u00e7a segura de que, nas tempestuosas vicissitudes da vida, a M\u00e3e de Deus vem em nosso aux\u00edlio, apoia-nos e convida-nos a ter f\u00e9 e a continuar a esperar.<\/p>\n<p>A prop\u00f3sito, apraz-me recordar que o Santu\u00e1rio de Nossa Senhora de Guadalupe, na Cidade do M\u00e9xico, est\u00e1 a preparar-se para celebrar, em 2031, os 500 anos da primeira apari\u00e7\u00e3o da Virgem. Atrav\u00e9s do jovem Juan Diego, a M\u00e3e de Deus fazia-nos chegar uma revolucion\u00e1ria mensagem de esperan\u00e7a que, ainda hoje, repete a todos os peregrinos e fi\u00e9is: \u00abPorventura n\u00e3o estou aqui Eu, que sou tua M\u00e3e?\u00bb [20] Uma mensagem semelhante \u00e9 impressa nos cora\u00e7\u00f5es, em tantos Santu\u00e1rios Marianos espalhados pelo mundo, metas de in\u00fameros peregrinos que confiam \u00e0 M\u00e3e de Deus preocupa\u00e7\u00f5es, sofrimentos e anseios. Neste Ano Jubilar, que os Santu\u00e1rios sejam lugares sagrados de acolhimento e espa\u00e7os privilegiados para gerar esperan\u00e7a. Aos peregrinos que vierem a Roma, convido-os a fazerem uma paragem orante nos Santu\u00e1rios Marianos da cidade a fim de venerar a Virgem Maria e invocar a sua prote\u00e7\u00e3o. Estou confiante de que todos, especialmente aqueles que sofrem e est\u00e3o atribulados, poder\u00e3o experimentar a proximidade da mais afetuosa das m\u00e3es, que nunca abandona os seus filhos; Ela que \u00e9, para o santo Povo de Deus, \u00absinal de esperan\u00e7a segura e de consola\u00e7\u00e3o\u00bb. [21]<\/p>\n<p><strong>25<\/strong>. No caminho rumo ao Jubileu, voltemos \u00e0 Sagrada Escritura e sintamos, dirigidas a n\u00f3s, estas palavras: \u00abN\u00f3s que procuramos ref\u00fagio n\u2019Ele, encontramos grande est\u00edmulo agarrando-nos \u00e0 esperan\u00e7a proposta. Nessa esperan\u00e7a, temos como que uma \u00e2ncora segura e firme da alma, que penetra at\u00e9 ao interior do v\u00e9u, onde Jesus entrou como nosso precursor\u00bb (Heb 6, 18-20). \u00c9 um forte convite a nunca perder a esperan\u00e7a que nos foi dada, a mant\u00ea-la firme, encontrando ref\u00fagio em Deus.<\/p>\n<p>A imagem da \u00e2ncora \u00e9 sugestiva para compreender a estabilidade e a seguran\u00e7a que possu\u00edmos no meio das \u00e1guas agitadas da vida, se nos confiarmos ao Senhor Jesus. As tempestades nunca poder\u00e3o prevalecer, porque estamos ancorados na esperan\u00e7a da gra\u00e7a, capaz de nos fazer viver em Cristo, superando o pecado, o medo e a morte. Esta esperan\u00e7a, muito maior do que as satisfa\u00e7\u00f5es quotidianas e as melhorias nas condi\u00e7\u00f5es de vida, transporta-nos para al\u00e9m das prova\u00e7\u00f5es e exorta-nos a caminhar sem perder de vista a grandeza da meta a que somos chamados: o C\u00e9u.<\/p>\n<p>Portanto, o pr\u00f3ximo Jubileu h\u00e1 de ser um Ano Santo caraterizado pela esperan\u00e7a que n\u00e3o conhece ocaso, a esperan\u00e7a em Deus. Que nos ajude tamb\u00e9m a reencontrar a confian\u00e7a necess\u00e1ria, tanto na Igreja como na sociedade, no relacionamento interpessoal, nas rela\u00e7\u00f5es internacionais, na promo\u00e7\u00e3o da dignidade de cada pessoa e no respeito pela cria\u00e7\u00e3o. Que o testemunho crente seja fermento de esperan\u00e7a genu\u00edna no mundo, an\u00fancio de novos c\u00e9us e nova terra (cf. 2Ped 3, 13), onde habite a justi\u00e7a e a harmonia entre os povos, visando a realiza\u00e7\u00e3o da promessa do Senhor.<\/p>\n<p>Deixemo-nos, desde j\u00e1, atrair pela esperan\u00e7a, consentindo-lhe que, por nosso interm\u00e9dio, se torne contagiosa para quantos a desejam. Possa a nossa vida dizer-lhes: \u00abConfia no Senhor! S\u00ea forte e corajoso, e confia no Senhor\u00bb (Sal 27, 14). Que a for\u00e7a da esperan\u00e7a encha o nosso presente, aguardando com confian\u00e7a o regresso do Senhor Jesus Cristo, a Quem \u00e9 devido o louvor e a gl\u00f3ria agora e nos s\u00e9culos futuros.<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">Dado em Roma, junto de S\u00e3o Jo\u00e3o de Latr\u00e3o,<br \/>\nna Solenidade da Ascens\u00e3o de Nosso Senhor Jesus Cristo,<br \/>\n9 de maio do ano 2024, d\u00e9cimo segundo de Pontificado.<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">FRANCISCO<\/p>\n<hr \/>\n<p>[1] Discursos, 198 augm., 2.<br \/>\n[2] Cf. Fonti Francescane, n. 263, 6.10.<br \/>\n[3] Cf. Misericordiae Vultus, Bula de proclama\u00e7\u00e3o do Jubileu Extraordin\u00e1rio da Miseric\u00f3rdia, nn. 1-3.<br \/>\n[4] Const. past. Gaudium et spes, n. 4.<br \/>\n[5] Francisco, Carta enc. Laudato si\u2019, n. 50.<br \/>\n[6] Cf. Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica, n. 2267.<br \/>\n[7] Carta enc. Laudato si\u2019, n. 49.<br \/>\n[8] Francisco, Carta enc. Fratelli tutti, n. 262.<br \/>\n[9] Carta enc. Laudato si\u2019, n. 51.<br \/>\n[10] S\u00edmbolo Niceno: H. Denzinger \u2013 A. Sch\u00f6nmetzer, Enchiridion Symbolorum definitionum et declarationum de rebus fidei et morum, n. 125.<br \/>\n[11] Ibidem.<br \/>\n[12] S\u00edmbolo dos Ap\u00f3stolos: H. Denzinger \u2013 A. Sch\u00f6nmetzer, Enchiridion Symbolorum definitionum et declarationum de rebus fidei et morum, n. 30.<br \/>\n[13] Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica, n. 1817.<br \/>\n[14] Const. past. Gaudium et spes, n. 21.<br \/>\n[15] Missal Romano, Pref\u00e1cio dos defuntos I.<br \/>\n[16] Confiss\u00f5es, X, 28.<br \/>\n[17] Carta enc. Spe salvi, n. 47.<br \/>\n[18] Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica, 1472.<br \/>\n[19] Carta ap. Apostolorum limina, 23.05.1974, II.<br \/>\n[20] Nican Mopohua, n. 119.<br \/>\n[21] Conc. Ecum. Vat. II, Const. dogm. Lumen gentium, 68.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>BULA DE PROCLAMA\u00c7\u00c3O DO JUBILEU DE 2025 Francisco, Bispo de Roma, servo dos servos de Deus, a quantos lerem esta [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":1982,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"default","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"default","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"set","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[13],"tags":[],"class_list":["post-1983","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-papa-francisco"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v27.4 - 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