{"id":342,"date":"2011-03-28T16:12:51","date_gmt":"2011-03-28T16:12:51","guid":{"rendered":"https:\/\/paroquiaqueijas.net\/site\/?p=342"},"modified":"2026-03-21T15:42:05","modified_gmt":"2026-03-21T15:42:05","slug":"catequeses-quaresmais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/paroquiaqueijas.net\/portal\/catequeses-quaresmais\/","title":{"rendered":"Catequeses Quaresmais 2011"},"content":{"rendered":"<p><strong><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\" alignright size-full wp-image-341\" src=\"https:\/\/paroquiaqueijas.net\/portal\/wp-content\/uploads\/2011\/03\/Policarpo.jpg\" alt=\"Policarpo\" width=\"300\" height=\"418\" style=\"margin: 0px 0px 2px 9px; float: right;\" srcset=\"https:\/\/paroquiaqueijas.net\/portal\/wp-content\/uploads\/2011\/03\/Policarpo.jpg 344w, https:\/\/paroquiaqueijas.net\/portal\/wp-content\/uploads\/2011\/03\/Policarpo-215x300.jpg 215w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/strong><\/span>O Semin&aacute;rio dos Olivais, em parceria com o jornal Voz da Verdade, est&aacute; a transmitir em directo &#8211; via internet -, as Catequeses Quaresmais proferidas por D. Jos&eacute; Policarpo, Cardeal-Patriarca de Lisboa.<span><\/span><\/span><br \/><span><\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 6pt; line-height: 14pt; text-align: justify;\"><span>Em exemplo de anos anteriores, estas Catequeses est&atilde;o a ser realizadas na S&eacute; Patriarcal de Lisboa, aos Domingos &#8211; pelas 18h00, seguidas da ora&ccedil;&atilde;o de V&eacute;speras. Podem ser acompanhadas <em>online<\/em> atrav&eacute;s da p&aacute;gina electr&oacute;nica da Voz da Verdade (www.jornalw.org), bem como do site do pr&oacute;prio Semin&aacute;rio dos Olivais<\/span><span><span style=\"font-size: 8pt;\">.<\/span><\/span><\/span><\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"margin-bottom: 6pt; line-height: 14pt; text-align: left;\">&nbsp;<strong><span>&ldquo;A Igreja &eacute; o Povo do Senhor&rdquo;<\/span><\/strong><\/span><i><\/span><\/i><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 6pt; line-height: 14pt;\"><strong><i>Catequese do 1.&ordm; Domingo da Quaresma<\/span><\/i><br \/>Introdu&ccedil;&atilde;o <\/span><\/strong><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 6pt; line-height: 14pt; text-align: justify;\">1. As minhas Catequeses durante a Quaresma deste ano, tratar&atilde;o temas que enquadram a renova&ccedil;&atilde;o da miss&atilde;o evangelizadora da Igreja, a sua fidelidade ao envio do Senhor. A renova&ccedil;&atilde;o da miss&atilde;o evangelizadora, que o Papa Jo&atilde;o Paulo II designou por &ldquo;Nova Evangeliza&ccedil;&atilde;o&rdquo;, s&oacute; acontecer&aacute; se a Igreja e cada crist&atilde;o viverem profundamente o seu mist&eacute;rio, acolhendo a Palavra de Deus com f&eacute; e deixando-se atrair pelo amor, que &eacute; a caridade. Para evangelizar, a Igreja precisa de acreditar na Mensagem e precisa de amar a Deus em Jesus Cristo, de modo a sentir que evangelizar &eacute; uma fidelidade de amor. &ldquo;Ai de mim se n&atilde;o evangelizar&rdquo;, exclamava o Ap&oacute;stolo Paulo. <\/span><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 6pt; line-height: 14pt; text-align: justify;\">Assim, temos de perscrutar o des&iacute;gnio de Deus acerca da humanidade, e o infinito amor de Jesus Cristo por todos os homens. Foi por isso que escolhi, como primeiro tema, aquele onde est&atilde;o impressos esse des&iacute;gnio eterno de Deus e a paix&atilde;o amorosa de Jesus Cristo pelos homens. Deus quis formar para Si um Povo com o qual exercite, j&aacute; neste mundo, a comunh&atilde;o amorosa entre pessoas, pois criou o homem &agrave; sua imagem, Ele que &eacute; comunh&atilde;o de pessoas distintas, unidas no amor. A Igreja &eacute; este Povo que o Senhor escolheu. <\/span><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 6pt; line-height: 14pt; text-align: justify;\"><strong>Porqu&ecirc; um Povo? <\/span><\/strong><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 6pt; line-height: 14pt; text-align: justify;\">2. Na mentalidade contempor&acirc;nea, a compreens&atilde;o da pessoa humana, a busca da felicidade como plenitude de vida, est&atilde;o marcadas pela perspectiva do indiv&iacute;duo, desenvolvida no pensamento filos&oacute;fico dos &uacute;ltimos s&eacute;culos, o que levou &agrave; perda do sentido do colectivo como unidade, como verdadeiro sujeito inter-agindo com os sujeitos individuais. A sociedade, a Igreja, a fam&iacute;lia ou outras express&otilde;es de comunidade n&atilde;o s&atilde;o somat&oacute;rios de indiv&iacute;duos, mas s&atilde;o uma realidade nova, com uma identidade pr&oacute;pria, que n&atilde;o anulam o indiv&iacute;duo, mas o enquadram na sua realiza&ccedil;&atilde;o pessoal, que nunca &eacute; separ&aacute;vel da realiza&ccedil;&atilde;o do &ldquo;eu colectivo&rdquo;. No des&iacute;gnio de Deus, nenhuma pessoa humana &eacute; apenas um &ldquo;eu&rdquo;, &eacute; necessariamente um &ldquo;n&oacute;s&rdquo;. Este des&iacute;gnio de Deus est&aacute; impresso no pr&oacute;prio acto criador. Deus criou o homem &agrave; sua imagem e semelhan&ccedil;a, porque Ele, sendo v&aacute;rias pessoas individuais, iguais e distintas, &eacute; &ldquo;um s&oacute;&rdquo;, fruto do amor dessas pessoas. Este dinamismo divino, de v&aacute;rios a constitu&iacute;rem um s&oacute;, Deus exprimiu-o, antes de mais, na cria&ccedil;&atilde;o do homem e da mulher: &ldquo;Deus criou o homem &agrave; sua imagem, &agrave; imagem de Deus Ele o criou, homem e mulher os criou&rdquo; (Gn 1,27). <\/span><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 6pt; line-height: 14pt; text-align: justify;\">Na linguagem b&iacute;blica, em toda a Sagrada Escritura, o primeiro interlocutor de Deus &eacute; sempre o &ldquo;eu colectivo&rdquo;, a fam&iacute;lia humana, o Povo escolhido, a fam&iacute;lia que &eacute; a uni&atilde;o, num s&oacute;, do homem e da mulher. &Eacute; a esse &ldquo;eu colectivo&rdquo; que Deus fala e Se revela, com ele faz alian&ccedil;a, estabelece intimidade, tornando-se pr&oacute;ximo e vivendo com ele, e o conduz &agrave; Terra Prometida. Esse &eacute; o Povo que o Senhor escolheu, e envia a atrair todos os homens para que um dia toda a fam&iacute;lia humana seja o Povo do Senhor. <\/span><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 6pt; line-height: 14pt; text-align: justify;\">A Igreja, Povo do Senhor, &eacute; que foi enviada a evangelizar. Se considerarmos a miss&atilde;o de evangelizar apenas como uma obriga&ccedil;&atilde;o pessoal, n&atilde;o poderemos perceber o dinamismo da nova evangeliza&ccedil;&atilde;o. Foi a Igreja, novo Povo do Senhor, que Ele enviou a anunciar o Evangelho como boa-nova da salva&ccedil;&atilde;o. Tudo o que cada um de n&oacute;s possa fazer, deve faz&ecirc;-lo em Igreja, ouvindo a Igreja, amando como a Igreja ama, contribuindo para que ela seja fiel ao mandato que recebeu do Senhor.<\/span> <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 6pt; line-height: 14pt; text-align: justify;\"><strong>Da promessa &agrave; realiza&ccedil;&atilde;o hist&oacute;rica <\/span><\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 6pt; line-height: 14pt; text-align: justify;\">3. A primeira manifesta&ccedil;&atilde;o de que &eacute; des&iacute;gnio de Deus formar, para Si, um Povo, est&aacute; expressa na promessa feita a Abra&atilde;o. A revela&ccedil;&atilde;o deste des&iacute;gnio, sob a forma de promessa, revela j&aacute; que se trata de um des&iacute;gnio de amor m&uacute;tuo entre Deus e o seu Povo. A promessa &eacute; uma das palavras chave de uma linguagem do amor. Quem ama faz promessas &agrave; pessoa amada. Elas brotam da abund&acirc;ncia do seu cora&ccedil;&atilde;o, da for&ccedil;a e poder para as cumprir. A promessa faz parte da atrac&ccedil;&atilde;o do amor. Aquele a quem &eacute; prometido, acredita na promessa, confia e p&otilde;e-se a caminho com um sentido novo. <\/span><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 6pt; line-height: 14pt; text-align: justify;\">A promessa &eacute; feita a Abra&atilde;o, homem crente e temente a Deus. Deus convida-o a come&ccedil;ar de novo, a abandonar o seu pa&iacute;s e a vida concreta que leva, porque, promete-lhe Deus, &ldquo;farei de ti um grande Povo&rdquo;. A promessa exprime-se sob a forma de b&ecirc;n&ccedil;&atilde;o, o que indica que ela pode ser aceite com a for&ccedil;a de Deus. &ldquo;Aben&ccedil;oarei aqueles que te aben&ccedil;oarem [&#8230;] em ti ser&atilde;o aben&ccedil;oadas todas as na&ccedil;&otilde;es da terra&rdquo; (cf. Gn 12,1-3). Abra&atilde;o, o amigo de Deus, participa, assim, da solicitude de Deus por todos os povos da terra. Esta universalidade da promessa est&aacute; expressa tamb&eacute;m quando Deus promete a Abra&atilde;o que a sua descend&ecirc;ncia, esse Povo que o Senhor deseja, ser&aacute; t&atilde;o numeroso como as estrelas do C&eacute;u. A reac&ccedil;&atilde;o de Abra&atilde;o &eacute; a atitude prot&oacute;tipa que Deus espera do seu Povo: &ldquo;Abra&atilde;o acreditou em Deus, que teve em conta esta atitude de Abra&atilde;o como justi&ccedil;a&rdquo; (cf. Gn 15,6), isto &eacute;, de santidade. Acreditou em Deus e p&ocirc;s-se a caminho: &ldquo;Abra&atilde;o partiu como Deus lhe tinha dito&rdquo; (cf. Gn 12,4). <\/span><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 6pt; line-height: 14pt; text-align: justify;\">&Eacute; esta descend&ecirc;ncia de Abra&atilde;o que d&aacute; origem &agrave; primeira concretiza&ccedil;&atilde;o hist&oacute;rica do Povo de Deus. Emigrado para o Egipto, nos tempos de gl&oacute;ria, mas sobretudo na experi&ecirc;ncia da opress&atilde;o, esse Povo vai aprendendo a confiar na promessa feita aos seus antepassados, encontrando s&oacute; nela a esperan&ccedil;a da liberta&ccedil;&atilde;o. O Deus de Israel apresentar-se-&aacute; sempre como o Deus da promessa: &ldquo;Eu sou o Deus de Abra&atilde;o, de Isaac e de Jacob&rdquo; (Ex 3,6). &Eacute; este cart&atilde;o de visita com que Deus se apresenta a Mois&eacute;s e lhe revela que est&aacute; perante o Deus vivo. <\/span><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 6pt; line-height: 14pt; text-align: justify;\">Ao longo da Hist&oacute;ria, Deus ser&aacute; para o seu Povo, o Deus da promessa, sobretudo o Deus que cumpre a promessa. Ela vai-se realizando, antes de mais, sob a forma da sua renova&ccedil;&atilde;o. Deus &eacute; fiel &agrave; promessa, prometendo de novo e prometendo mais: promete a liberta&ccedil;&atilde;o do Egipto, promete uma terra &ldquo;onde corre leite e mel&rdquo;, promete um Rei justo e definitivo que ser&aacute; o Messias, o ungido do Senhor. O pr&oacute;prio Jesus que &eacute; a m&aacute;xima realiza&ccedil;&atilde;o das promessas de Deus, tamb&eacute;m promete: ressuscitar dos mortos, enviar o Esp&iacute;rito Santo, ficar com o seu Povo at&eacute; ao fim dos tempos, regressar um dia, na sua Gl&oacute;ria, para inaugurar a humanidade definitiva, recriada porque resgatada. O nosso Deus nunca &eacute; o Deus do definitivamente feito, &eacute; sempre o Deus da promessa. E perante a sua Palavra, continua a esperar de n&oacute;s a atitude de Abra&atilde;o: acreditar, confiar, p&ocirc;r-se a caminho. Este &eacute; o dinamismo da nova evangeliza&ccedil;&atilde;o. <\/span><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 6pt; line-height: 14pt; text-align: justify;\"><strong>Do Povo de Israel &agrave; Igreja <\/span><\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 6pt; line-height: 14pt; text-align: justify;\">4. Na voca&ccedil;&atilde;o de Mois&eacute;s est&aacute; claro que Deus considera aqueles descendentes de Abra&atilde;o, hoje escravos no Egipto, o seu Povo, concretiza&ccedil;&atilde;o da promessa feita a Abra&atilde;o. Lembrou-se da promessa e comoveu-se. &ldquo;Deus ouviu os seus gemidos e lembrou-se da sua Alian&ccedil;a com Abra&atilde;o, Isaac e Jacob&rdquo; (Ex 2,24). No sofrimento e na aventura da sua caminhada na hist&oacute;ria, Israel ser&aacute; o Povo predilecto de Deus. &Eacute; isso que Mois&eacute;s lhes comunica em nome do Senhor: &ldquo;Tu &eacute;s um povo consagrado ao Senhor, teu Deus. Na verdade, o Senhor, teu Deus, escolheu-te para seres para Ele um povo particular entre todos os povos que h&aacute; sobre a face da terra&rdquo; (Dt 7,6). <\/span><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 6pt; line-height: 14pt; text-align: justify;\">Esta convic&ccedil;&atilde;o de que Israel &eacute; o Povo escolhido e amado por Deus, atravessa toda a hist&oacute;ria da salva&ccedil;&atilde;o at&eacute; aos nossos dias. O Conc&iacute;lio Vaticano II afirmou: &ldquo;Agradou a Deus que os homens n&atilde;o recebessem a santifica&ccedil;&atilde;o e a salva&ccedil;&atilde;o separadamente, fora de qualquer la&ccedil;o comunit&aacute;rio; ao contr&aacute;rio quis formar um Povo que o conheceria na verdade e o serviria na santidade. Foi por isso que escolheu o Povo de Israel, para ser o seu Povo&rdquo; (LG 9). <\/span><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 6pt; line-height: 14pt; text-align: justify;\">N&atilde;o admira, pois, que seja no seio deste Povo que nasce Jesus Cristo, o Filho de Deus feito homem, o Messias prometido. Ele &eacute; a realiza&ccedil;&atilde;o plena da promessa e a manifesta&ccedil;&atilde;o definitiva da fidelidade de Deus. Na sua ressurrei&ccedil;&atilde;o, inaugurou o homem novo, com a vit&oacute;ria definitiva sobre o individualismo. A unidade do &ldquo;eu colectivo&rdquo;, entre os diversos membros de um mesmo Povo, radicalizou-se em Jesus Cristo. Pela f&eacute; e pelo baptismo, os disc&iacute;pulos unem-se a Jesus Cristo, s&atilde;o um s&oacute; com Ele, s&atilde;o o novo Povo de Deus. Com essa nova unidade em Cristo, os crist&atilde;os s&atilde;o, antes de mais, um Povo, uma comunh&atilde;o, eles s&atilde;o o novo Povo, o Povo do Senhor. Eles s&atilde;o, no dizer do Ap&oacute;stolo Pedro, &ldquo;uma ra&ccedil;a eleita, um sacerd&oacute;cio real, uma na&ccedil;&atilde;o santa, um Povo que Deus adquiriu para Si, os que outrora n&atilde;o eram um Povo, s&atilde;o agora o Povo de Deus&rdquo; (1Pe 2,9-10).<\/span><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 6pt; line-height: 14pt; text-align: justify;\"><strong>A uni&atilde;o entre Deus e o seu Povo <\/span><\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 6pt; line-height: 14pt; text-align: justify;\">5. Em toda a Sagrada Escritura, a uni&atilde;o entre Deus e o seu Povo &eacute; vista como umas n&uacute;pcias: Deus &eacute; o esposo do seu Povo. E n&atilde;o se trata apenas de uma compara&ccedil;&atilde;o, a partir da realidade humana das n&uacute;pcias, para sugerir alguma compreens&atilde;o sobre esta uni&atilde;o misteriosa e privilegiada entre Deus e um Povo que escolheu. &Eacute; exactamente o contr&aacute;rio. S&atilde;o as n&uacute;pcias humanas que encontram a sua verdade na realidade misteriosa de Deus, Ele que sendo v&aacute;rios, &eacute; um s&oacute; no amor. J&aacute; vimos que Deus ao criar o homem e a mulher, os criou &agrave; Sua imagem, permitindo-lhe que sem deixarem de ser diferentes, sejam um s&oacute; no amor. &ldquo;E ser&atilde;o dois uma s&oacute; carne&rdquo;. O Verbo encarnado, que desde toda a eternidade &eacute; um s&oacute; com o Pai e o Esp&iacute;rito Santo, na sua humanidade ressuscitada, unindo a Si aqueles que acreditam n&rsquo;Ele, &eacute; um s&oacute; com todos eles, todos os membros da Igreja, que sem deixarem de ser muitos e diferentes, s&atilde;o um s&oacute; com ele, s&atilde;o verdadeiramente uma s&oacute; carne, expressa no corpo eucar&iacute;stico de Cristo. A Carta aos Ef&eacute;sios &eacute; clara a este respeito, ao falar do mist&eacute;rio das n&uacute;pcias crist&atilde;s: &ldquo;Ningu&eacute;m de facto, odiou jamais a pr&oacute;pria carne, antes a nutre e acalenta, como Cristo &agrave; Igreja, pois n&oacute;s somos membros do seu corpo. Por isso o homem deixar&aacute; pai e m&atilde;e, ligar-se-&aacute; &agrave; mulher e passar&atilde;o os dois a ser uma s&oacute; carne. &Eacute; grande este mist&eacute;rio; mas digo-o relativamente a Cristo e &agrave; Igreja&rdquo; (Ef 5,29-32). <\/span><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 6pt; line-height: 14pt; text-align: justify;\"><strong>As express&otilde;es da uni&atilde;o de Deus com o Seu Povo <\/span><\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 6pt; line-height: 14pt; text-align: justify;\">6. <strong>A Alian&ccedil;a<\/strong>. &Eacute; o pacto de amor e fidelidade para sempre, celebrado entre os esposos. Desde a antiguidade inspirou os pactos entre povos e na&ccedil;&otilde;es, em ordem &agrave; conviv&ecirc;ncia e &agrave; paz, pactos esses que eram ratificados com o pr&oacute;prio sangue. Sem negar a influ&ecirc;ncia que estes pactos entre reis e povos tiveram na compreens&atilde;o vetero-testament&aacute;ria da Alian&ccedil;a de Deus com o Povo de Israel, o seu verdadeiro modelo inspirador &eacute; a alian&ccedil;a nupcial. Perante a dificuldade de Israel se comportar como a &ldquo;esposa fiel&rdquo;, Deus renova continuamente a sua Alian&ccedil;a, at&eacute; &agrave; &uacute;ltima e definitiva, ratificada com o sangue de Cristo. Ao dar o seu corpo a comer e o seu sangue a beber, declara: &ldquo;Isto &eacute; o Meu sangue, sangue de Alian&ccedil;a, que vai ser derramado por uma multid&atilde;o em remiss&atilde;o dos pecados&rdquo; (Mt 26,28). Esta Alian&ccedil;a, ratificada no sangue de Cristo, &eacute; nova e definitiva, porque Cristo exerce na Alian&ccedil;a o papel do &ldquo;esposo&rdquo; (de Deus) e da esposa (a Igreja). Ele exprime a fidelidade radical de Deus, no seu amor infinito pelos homens. A primeira Alian&ccedil;a falhou, porque a &ldquo;esposa&rdquo; (o Povo de Deus) foi infiel. Nesta nova Alian&ccedil;a, a &ldquo;esposa&rdquo; (a Igreja) ser&aacute; fiel, porque Cristo Homem, membro desse Povo, &eacute; sempre fiel. Mesmo quando os crist&atilde;os s&atilde;o infi&eacute;is, a Igreja ser&aacute; sempre fiel em Jesus Cristo. <\/span><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 6pt; line-height: 14pt; text-align: justify;\">7. <strong>A revela&ccedil;&atilde;o da pr&oacute;pria intimidade<\/strong>. Numa alian&ccedil;a nupcial os contraentes est&atilde;o dispostos a revelar-se, a abrir e partilhar a sua intimidade. Deus fez isso de modo maravilhoso, revelando-se, partilhando com os membros do Povo, pela sua Palavra, a sua pr&oacute;pria intimidade, o seu pr&oacute;prio ser, os segredos do seu cora&ccedil;&atilde;o, os desejos acerca do Povo. Em Cristo, essa abertura de Deus &eacute; total. Quem o ouve, ouve Deus. A Igreja tem de escutar o Senhor e abrir-lhe o seu cora&ccedil;&atilde;o, deixando-se envolver pelo seu amor e confiar na sua miseric&oacute;rdia. <\/span><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 6pt; line-height: 14pt; text-align: justify;\">Desta partilha de intimidade faz parte o desejo de proximidade, de viver em comunh&atilde;o. Qual &eacute; o Povo que pode ufanar-se de ter Deus t&atilde;o pr&oacute;ximo de si como n&oacute;s? &ldquo;V&oacute;s sois o meu Povo e Eu sou o vosso Deus&rdquo;. Esta &eacute; a disposi&ccedil;&atilde;o de Cristo em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; Igreja: &ldquo;Eu ficarei convosco at&eacute; ao fim&rdquo; (Mt 28,20); &ldquo;onde dois ou tr&ecirc;s estiverem reunidos em meu nome Eu estarei no meio deles&rdquo; (Mt 18,20). A Igreja deve cultivar esta intimidade de conviv&ecirc;ncia. Quando cada um de n&oacute;s se deixa envolver por essa intimidade com Cristo, que n&atilde;o viva isso s&oacute; individualmente, mas saiba que est&aacute; a exprimir a Cristo &ldquo;esposo&rdquo; o amor de toda a Igreja, sua &ldquo;esposa&rdquo;. E como a Sagrada Escritura no-lo exprime continuamente, o amor da esposa d&aacute; prioridade &agrave; ternura, &agrave; ousadia do amor, que n&atilde;o &eacute; catalog&aacute;vel em c&oacute;digo de atitudes, mas irrompe de forma ousada ao sabor das circunst&acirc;ncias. Nessa explos&atilde;o de amor a Igreja percebe que o amor de Deus, esposo, &eacute; um amor de miseric&oacute;rdia. <\/span><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 6pt; line-height: 14pt; text-align: justify;\"><strong>A Igreja &eacute; enviada com amor <\/span><\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 6pt; line-height: 14pt; text-align: justify;\">8. Uma das manifesta&ccedil;&otilde;es da intimidade amorosa entre Cristo e a Igreja &eacute; o facto de Ele a associar &agrave; sua miss&atilde;o: anunciar a boa-nova da salva&ccedil;&atilde;o, comunicar a sua Palavra, amar como Ele ama. A Igreja &eacute; enviada com amor. &Eacute; por isso que ela, ao anunciar o Evangelho, a sua primeira palavra &eacute; sempre para falar d&rsquo;Ele, do amor que nos une. Evangelizar &eacute; uma fidelidade de amor. Ao envi&aacute;-la, Cristo manifestou o Seu amor pelos homens. &ldquo;Ide por todo o mundo e anunciai o Evangelho a toda a criatura&rdquo; (Mc 16,15). A Igreja n&atilde;o se limita a anunciar. Ela &eacute; an&uacute;ncio e este &eacute; o preg&atilde;o da alegria que sentimos em ser o Povo do Senhor. <\/span><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 6pt; line-height: 14pt; text-align: justify;\">Neste ano em que celebro o meu jubileu sacerdotal, quero manifestar essa alegria de ter procurado viver toda uma vida, amando este Povo como o Senhor o ama, servir a Igreja, Povo do Senhor, tornando-a cada vez mais a esposa adornada com a beleza da salva&ccedil;&atilde;o, para que seja, cada vez mais, a alegria do seu esposo. <\/span><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 6pt; line-height: 14pt; text-align: right;\">&nbsp;<i>S&eacute; Patriarcal, 13 de Mar&ccedil;o de 2011<\/span><\/i><br \/>&dagger; JOS&Eacute;, Cardeal-Patriarca<br \/><\/span><\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"margin-bottom: 6pt; line-height: 14pt;\"><strong>&ldquo;Escutar a Palavra do Senhor&rdquo;<\/span><\/span><\/strong><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 6pt; line-height: 14pt; text-align: left;\"><strong><i>Catequese do 2.&ordm; Domingo da Quaresma<\/span><\/i><\/strong><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 6pt; line-height: 14pt; text-align: right;\"><i>S&eacute; Patriarcal, 20 de Mar&ccedil;o de 2011 <\/span><\/i><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 6pt; line-height: 14pt; text-align: justify;\"><strong>Introdu&ccedil;&atilde;o <\/span><\/strong><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 6pt; line-height: 14pt; text-align: justify;\">1. Na primeira Catequese vimos que Deus, ao escolher para Si um Povo, quis ser um Deus amigo, &iacute;ntimo, a viver com esse Povo. Uma express&atilde;o desse desejo de proximidade e de rela&ccedil;&atilde;o, &eacute; a Revela&ccedil;&atilde;o. Revelar-se &eacute; dar a outro acesso a uma intimidade pessoal que de outro modo n&atilde;o seria conhecida. Ao revelar-se, Deus deseja ser conhecido, tanto quanto o pode ser, por criaturas pecadoras. Abre os segredos do seu Ser &iacute;ntimo, do seu des&iacute;gnio acerca do homem que criou. Deus revela-se e o pr&oacute;prio facto de o fazer &eacute; uma manifesta&ccedil;&atilde;o de amor. <\/span><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 6pt; line-height: 14pt; text-align: justify;\">A principal express&atilde;o desta revela&ccedil;&atilde;o &eacute; a sua Palavra: Deus fala ao seu Povo. A Exorta&ccedil;&atilde;o Apost&oacute;lica Post-Sinodal &ldquo;Verbum Domini&rdquo;, afirma logo no in&iacute;cio: &ldquo;A novidade da revela&ccedil;&atilde;o b&iacute;blica consiste no facto de Deus se dar a conhecer no di&aacute;logo que deseja ter connosco&rdquo; (VD 6). Um Deus que se exprime no di&aacute;logo &eacute; um Deus comunh&atilde;o. Deus est&aacute; com os homens na verdade do seu pr&oacute;prio mist&eacute;rio &iacute;ntimo: Ele &eacute; comunh&atilde;o de Pessoas. E a Palavra que dirige ao seu Povo, em linguagem humana, &eacute; a Encarna&ccedil;&atilde;o da Palavra eterna de Deus, o Logos. Sempre que nos fala, convida-nos a entrar na sua intimidade, na comunh&atilde;o das pessoas divinas. A nossa caminhada neste mist&eacute;rio &eacute; tornarmo-nos capazes de, ao escutar as palavras dos Profetas, dos Evangelistas ou da Igreja, escutarmos o pr&oacute;prio Logos eterno de Deus, que se nos tornou acess&iacute;vel em Jesus Cristo. S&atilde;o Jo&atilde;o resume assim toda a aventura da Palavra, na Igreja: &ldquo;E o Verbo faz-se carne e habitou entre n&oacute;s, e n&oacute;s vimos a sua Gl&oacute;ria, gl&oacute;ria que recebe de seu Pai, como Filho &uacute;nico, cheio de gra&ccedil;a e de verdade&rdquo; (Jo 1,14). Depois da Encarna&ccedil;&atilde;o da Palavra eterna, em Jesus Cristo, ouvir Deus &eacute; sempre ouvir o seu Filho, escutar Deus &eacute; <span style=\"letter-spacing: -0.2pt;\">sempre escutar Jesus Cristo. &Eacute; por isso que a primeira resposta que Deus espera do seu Povo, &eacute; que O escute, que acolha a sua Palavra. Antes de anunciar &eacute; preciso escutar.<\/span> <\/span><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 6pt; line-height: 14pt; text-align: justify;\"><strong>Uma Palavra actual <\/span><\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 6pt; line-height: 14pt; text-align: justify;\">2. A Exorta&ccedil;&atilde;o Apost&oacute;lica diz-nos, logo no in&iacute;cio, que a B&iacute;blia n&atilde;o &eacute; uma Palavra do passado, mas uma Palavra viva e actual (VD 5). Esta preocupa&ccedil;&atilde;o vem ao encontro de uma dificuldade real dos crist&atilde;os de hoje frente &agrave; Palavra de Deus. Qual &eacute; a perspectiva: Deus falou no passado e n&oacute;s tentamos compreender o que disse e tirar da&iacute; ensinamentos? Ou Deus fala hoje, continua a interpelar-nos e a surpreender-nos com a Palavra que nos dirige? &ldquo;A f&eacute; crist&atilde; n&atilde;o &eacute; uma religi&atilde;o do Livro; o cristianismo &eacute; a religi&atilde;o da Palavra de Deus, n&atilde;o de uma palavra escrita e muda, mas do Verbo encarnado e vivo&rdquo; (VD 7). <\/span><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 6pt; line-height: 14pt; text-align: justify;\">Se o cristianismo fosse s&oacute; &ldquo;uma religi&atilde;o do Livro&rdquo;, o esfor&ccedil;o da Igreja limitar-se-ia a analisar o texto para ver o que Deus disse ao seu Povo, nas diversas etapas da sua hist&oacute;ria. Mas n&oacute;s acreditamos que a Palavra de Deus &eacute; actual, Ele continua a ser um Deus em di&aacute;logo com o seu Povo, a conduzi-lo pela sua Palavra em cada momento e circunst&acirc;ncia da hist&oacute;ria. Se acreditamos que Deus continua a falar-nos, a atitude da Igreja tem de ser outra: a da escuta, cora&ccedil;&atilde;o aberto para escutar agora o que Deus diz &agrave; Igreja, que &eacute; o seu Povo. <\/span><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 6pt; line-height: 14pt; text-align: justify;\"><strong>Como &eacute; que Deus nos fala hoje <\/span><\/strong><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 6pt; line-height: 14pt; text-align: justify;\">3. Para bem escutarmos a Palavra do Senhor, temos de ter uma consci&ecirc;ncia clara dos modos como Deus fala hoje ao seu Povo e a cada um de n&oacute;s. <\/span><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 6pt; line-height: 14pt; text-align: justify;\">Ele fala-nos pelo seu Filho Jesus Cristo. Palavra eterna de Deus fez-se Homem e ficou connosco. N&rsquo;Ele, Deus diz-nos tudo e sempre o que tem para nos dizer. Na encarna&ccedil;&atilde;o do Verbo &ldquo;a Palavra n&atilde;o se exprime primariamente num discurso, em conceitos ou regras; mas vemo-nos colocados diante da pr&oacute;pria Pessoa de Jesus. A sua hist&oacute;ria, &uacute;nica e singular, &eacute; a Palavra definitiva que Deus diz &agrave; humanidade. Daqui se compreende por que motivo, no in&iacute;cio do ser crist&atilde;o n&atilde;o h&aacute; uma decis&atilde;o &eacute;tica ou uma grande ideia, mas o encontro com um acontecimento, com uma Pessoa, que d&aacute; &agrave; vida um novo horizonte&rdquo; (VD 11). <\/span><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 6pt; line-height: 14pt; text-align: justify;\">Na escuta amorosa da Palavra que Deus dirige hoje ao seu Povo, &eacute; essencial a rela&ccedil;&atilde;o com a Pessoa de Jesus nas suas diversas express&otilde;es: a adora&ccedil;&atilde;o, a celebra&ccedil;&atilde;o da Eucaristia, as suas palavras que nos foram transmitidas pelos Evangelhos. S&oacute; na rela&ccedil;&atilde;o com Jesus Cristo se escuta a Palavra do Pai. Cristo &eacute;, para todos os tempos, a Palavra do Pai. <\/span><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 6pt; line-height: 14pt; text-align: justify;\">Desde que esteja garantida esta rela&ccedil;&atilde;o de f&eacute; e de amor com a Pessoa de Jesus, a Igreja pode escutar a Palavra de Deus atrav&eacute;s de outros meios e caminhos. No S&iacute;nodo &ldquo;falou-se justamente de uma sinfonia da Palavra, de uma Palavra &uacute;nica que se exprime de diversos modos, um canto a v&aacute;rias vozes&rdquo; (VD 7). A unidade desta sinfonia &eacute; a Pessoa de Jesus, Palavra eterna de Deus, a Quem devo escutar numa rela&ccedil;&atilde;o de f&eacute; e de amor&rdquo;. A pr&oacute;pria express&atilde;o Palavra de Deus indica a Pessoa de Jesus Cristo, Filho eterno do Pai que se fez Homem&rdquo; (VD 7). <\/span><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 6pt; line-height: 14pt; text-align: justify;\">Nesta sintonia de vozes, atrav&eacute;s das quais Deus nos fala por Jesus Cristo, avulta a Sagrada Escritura que se tornou linguagem de Jesus Cristo. S&oacute; n&rsquo;Ele e por Ele a Escritura se torna Palavra de Deus hoje. Santo Ambr&oacute;sio afirmava que &ldquo;o Corpo do Filho &eacute; a Escritura que nos foi transmitida&rdquo;. &ldquo;Deus atrav&eacute;s de todas as palavras da Escritura diz s&oacute; uma Palavra, o seu &uacute;nico Verbo em que se diz inteiramente a Si Mesmo&rdquo;. E Santo Agostinho afirmava: &ldquo;lembrai-vos de que o discurso de Deus que se desenvolve em todas as Escrituras &eacute; um s&oacute;, e um s&oacute; &eacute; o Verbo, que se faz ouvir na boca de todos os escritores sagrados&rdquo; (VD 17). <\/span><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 6pt; line-height: 14pt; text-align: justify;\">Outras vozes que nos podem ajudar, hoje, a ouvir o que Deus nos diz em Jesus Cristo, s&atilde;o a maneira como em todos os tempos a Igreja escutou o Senhor, lendo as Escrituras. &Eacute; a f&eacute; da Igreja, conduzida pelo Esp&iacute;rito, em todos os tempos, na escuta da Palavra de Deus. A Exorta&ccedil;&atilde;o Apost&oacute;lica afirma-o claramente: &ldquo;Em &uacute;ltima an&aacute;lise &eacute; a Tradi&ccedil;&atilde;o viva da Igreja que nos faz compreender adequadamente a Sagrada Escritura como Palavra de Deus&rdquo; (VD 17). <\/span><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 6pt; line-height: 14pt; text-align: justify;\">E, finalmente, podemos escutar o que Deus nos diz hoje em Jesus Cristo, contemplando a Cria&ccedil;&atilde;o, se acreditarmos que, por Ele, foram feitas todas as coisas (cf. Jo 1,3), que Ele &eacute; o primog&eacute;nito de toda a cria&ccedil;&atilde;o (cf. Col. 1,15) e que todas as coisas foram criadas por meio d&rsquo;Ele e em vista d&rsquo;Ele (cf. Col. 1,16). &Eacute; poss&iacute;vel escutar o Criador, observando as criaturas. A&iacute; a sinfonia alarga-se &agrave; imensa beleza da variedade das criaturas. Como afirmava S&atilde;o Boaventura &ldquo;toda a criatura &eacute; Palavra de Deus porque proclama Deus&rdquo; (VD 8). <\/span><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 6pt; line-height: 14pt; text-align: justify;\"><strong>Dialogar com Deus com as pr&oacute;prias Palavras de Deus <\/span><\/strong><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 6pt; line-height: 14pt; text-align: justify;\">4. Escutar, hoje, a Palavra de Deus &eacute; aceitar entrar no di&aacute;logo para que Ele nos convida e atrai e, portanto, mergulhar na experi&ecirc;ncia da comunh&atilde;o que se exprime, em Igreja, na rela&ccedil;&atilde;o com Jesus Cristo. <\/span><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 6pt; line-height: 14pt; text-align: justify;\">Entrar neste di&aacute;logo est&aacute; acima das nossas for&ccedil;as humanas. S&oacute; o Senhor pode p&ocirc;r nos nossos l&aacute;bios e no nosso cora&ccedil;&atilde;o as palavras que havemos de responder &agrave; Palavra do Senhor. A nossa palavra com que respondemos &agrave; Palavra de Deus &eacute; um dom do pr&oacute;prio Deus, suscitada em n&oacute;s pelo Esp&iacute;rito Santo. Se tentarmos responder a Deus s&oacute; com as nossas palavras humanas, nunca entraremos verdadeiramente nesse di&aacute;logo, talvez nem cheguemos a escutar a voz do Senhor. <\/span><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 6pt; line-height: 14pt; text-align: justify;\">Voltamos &agrave; import&acirc;ncia da Sagrada Escritura. Atrav&eacute;s dela, Deus n&atilde;o s&oacute; nos fala hoje pelo seu Filho Jesus Cristo, mas p&otilde;e na nossa boca as palavras com que devemos responder &agrave; Palavra viva de Deus, porque a Sagrada Escritura tantas vezes sugere a resposta que Deus deseja. Cristo n&atilde;o &eacute; apenas a Palavra definitiva mas &eacute; a resposta perfeita &agrave; Palavra eterna do Pai. No seguimento de Jesus Cristo aprendemos a responder a Deus. Se aprendermos a encontrar na Sagrada Escritura as nossas respostas &agrave; Palavra que Deus nos dirige, interiorizamos a nossa aceita&ccedil;&atilde;o dos textos sagrados como Palavra de Deus, espontaneamente repetimo-los e memorizamo-los, de modo a transformarem-se espontaneamente na nossa resposta a Deus que nos fala. A Sagrada Escritura &eacute; como uma l&iacute;ngua que se aprende e se torna parte de n&oacute;s, da nossa compreens&atilde;o e da nossa express&atilde;o. <\/span><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 6pt; line-height: 14pt; text-align: justify;\">Escutamos e respondemos &agrave; Palavra de Deus, movidos pelo Esp&iacute;rito Santo. Participamos mais uma vez, no dinamismo trinit&aacute;rio de comunh&atilde;o das Pessoas Divinas. O facto de Deus Pai nos falar, atrav&eacute;s do seu Filho, o seu Verbo, acontece no Esp&iacute;rito de amor que brota da rela&ccedil;&atilde;o do Pai e do Filho. Sempre que nos fala, pelo seu Filho, Deus comunica-nos o seu Esp&iacute;rito e s&oacute; Ele nos permite escutar e responder. &ldquo;A Palavra de Deus exprime-se em palavras humanas, gra&ccedil;as &agrave; obra do Esp&iacute;rito Santo. A miss&atilde;o do Filho e do Esp&iacute;rito Santo s&atilde;o insepar&aacute;veis e constituem uma &uacute;nica economia da salva&ccedil;&atilde;o&rdquo; (VD 15). O Evangelista S&atilde;o Jo&atilde;o sublinha esta ac&ccedil;&atilde;o do Esp&iacute;rito Santo na escuta da Palavra. &Eacute; Ele que ensinar&aacute; os disc&iacute;pulos, recordando-lhes tudo o que o Senhor disse; &eacute; Ele que conduzir&aacute; os disc&iacute;pulos &agrave; plenitude da verdade (cf. Jo 14,26; 16,13). <\/span><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 6pt; line-height: 14pt; text-align: justify;\"><strong>Escutar a Palavra em Igreja <\/span><\/strong><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 6pt; line-height: 14pt; text-align: justify;\">5. A Igreja, Povo do Senhor, &eacute; o verdadeiro interlocutor de Deus. &Eacute; ao seu Povo que o Senhor fala e se revela; &eacute; dele que espera uma resposta, &eacute; a Igreja que &eacute; enviada a anunciar a Palavra, participando da pr&oacute;pria miss&atilde;o do seu Senhor. <\/span><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 6pt; line-height: 14pt; text-align: justify;\">O equil&iacute;brio entre a escuta pessoal da Palavra, e o acolhimento que da mesma Palavra faz a Igreja, &eacute; um equil&iacute;brio dif&iacute;cil de conseguir. Depende, fundamentalmente, da inser&ccedil;&atilde;o de cada crist&atilde;o na comunh&atilde;o da Igreja, o que o leva a rejeitar qualquer interpreta&ccedil;&atilde;o da Palavra que n&atilde;o coincida com a da Igreja. De facto, ao longo dos s&eacute;culos, sempre que crist&atilde;os, individualmente ou em grupo, pretenderam escutar a Palavra sem estarem em comunh&atilde;o com toda a Igreja, correram o risco de escutarem o que gostariam de ouvir e n&atilde;o o que Deus tem para lhes dizer. <\/span><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 6pt; line-height: 14pt; text-align: justify;\">A Exorta&ccedil;&atilde;o Apost&oacute;lica recorda-nos que &ldquo;a rela&ccedil;&atilde;o entre Cristo, Palavra do Pai e a Igreja [&#8230;] &eacute; uma rela&ccedil;&atilde;o vital, na qual cada fiel &eacute;, pessoalmente, convidado a entrar&rdquo; (VD 51). A escuta da Palavra tem de ser cultivada simultaneamente com a viv&ecirc;ncia da Igreja como comunh&atilde;o, com Jesus Cristo e por Ele, com a Sant&iacute;ssima Trindade. &ldquo;A contemporaneidade de Cristo com o ser humano de cada &eacute;poca realiza-se no seu Corpo, que &eacute; a Igreja&rdquo; (VD 51). <\/span><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 6pt; line-height: 14pt; text-align: justify;\">Ao longo dos s&eacute;culos, apesar das dificuldades do tempo e da hist&oacute;ria, foi a Igreja, esse &ldquo;n&oacute;s&rdquo; que &eacute; o Povo do Senhor, que escutou bem a Palavra do Senhor. &ldquo;Mestra da escuta, a Esposa de Cristo repete, com f&eacute;, tamb&eacute;m hoje: falai, Senhor, que a vossa Igreja vos escuta&rdquo; (VD 51). <\/span><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 6pt; line-height: 14pt; text-align: justify;\">A escuta da Palavra, por cada crist&atilde;o, faz-se aderindo &agrave; maneira como a Igreja escuta a mesma Palavra, aprofunda-se rezando com a Igreja, transforma-se em miss&atilde;o, anunciando-a com a Igreja e em nome da Igreja. &Eacute; preciso que em cada crist&atilde;o que escuta a Palavra, seja a Igreja que a escuta. <\/span><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 6pt; line-height: 14pt;\"><strong>Escuta da Palavra e Nova Evangeliza&ccedil;&atilde;o <\/span><\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 6pt; line-height: 14pt; text-align: justify;\">6. A renova&ccedil;&atilde;o da evangeliza&ccedil;&atilde;o tem o seu destino ligado ao modo como toda a Igreja e cada crist&atilde;o escutam, hoje, a Palavra do Senhor. &ldquo;A Igreja &eacute; uma comunidade que escuta e anuncia a Palavra do Senhor [&#8230;] s&oacute; quem se coloca primeiro &agrave; escuta da Palavra &eacute; que pode depois tornar-se anunciador&rdquo; (VD 51). &Eacute; que a mensagem central da Palavra &eacute; a manifesta&ccedil;&atilde;o do infinito amor de Deus pelos homens, expresso em Cristo, de modo especial na sua oferta pascal. A evangeliza&ccedil;&atilde;o &eacute; sempre o an&uacute;ncio sincero e experimentado deste infinito amor de Deus. A Nova Evangeliza&ccedil;&atilde;o precisa do ardor e da como&ccedil;&atilde;o de quem se sentiu tocado por essa Palavra que Deus nos diz hoje, sempre, em cada dia da nossa vida. <\/span><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 6pt; line-height: 14pt; text-align: right;\">&dagger; JOS&Eacute;, Cardeal-Patriarca<\/span><\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"margin-bottom: 6pt; line-height: 14pt; text-align: left;\">&nbsp;<strong>&ldquo;A Fidelidade&rdquo;<\/span><\/span><\/strong><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 6pt; line-height: 14pt; text-align: left;\"><strong><\/span><\/span><\/strong><i><strong>Catequese do 3.&ordm; Domingo da Quaresma<\/strong><br \/> <\/span><\/i><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 6pt; line-height: 14pt; text-align: right;\"><i>S&eacute; Patriarcal, 27 de Mar&ccedil;o de 2011 <\/span><\/i><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 6pt; line-height: 14pt;\">&nbsp;<strong>Introdu&ccedil;&atilde;o <\/span><\/strong><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 6pt; line-height: 14pt; text-align: justify;\">1. A fidelidade &eacute; uma exig&ecirc;ncia e uma express&atilde;o da Alian&ccedil;a de Deus com o seu Povo, hoje na sua forma definitiva, na &ldquo;nova Alian&ccedil;a&rdquo; selada por Jesus Cristo com a sua Igreja, o seu Povo, o novo Povo de Deus. A fidelidade &eacute; um desafio constitutivo da voca&ccedil;&atilde;o da Igreja. A Igreja ou procura ser fiel a Jesus Cristo ou nega-se a si mesma. O pr&oacute;prio facto de os membros da Igreja serem chamados &ldquo;fi&eacute;is&rdquo;, mostra, na consci&ecirc;ncia colectiva da Igreja, o car&aacute;cter afirmativo deste desafio de fidelidade. <\/span><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 6pt; line-height: 14pt; text-align: justify;\">No Antigo Testamento a fidelidade &eacute;, antes de mais, um atributo de Deus, aliado &agrave; sua bondade paternal, ao seu amor misericordioso. Deus sabe que a fidelidade do seu Povo, com quem fez Alian&ccedil;a, s&oacute; ser&aacute; conseguida ao longo do tempo e s&oacute; ser&aacute; poss&iacute;vel com a sua gra&ccedil;a. A fidelidade perfeita que espera do seu Povo ser&aacute; participa&ccedil;&atilde;o da sua pr&oacute;pria fidelidade. Deus deseja da parte do seu Povo uma fidelidade perfeita como a sua. A sua promessa exprime-se, ent&atilde;o, na disposi&ccedil;&atilde;o de ajudar o Povo a chegar a essa fidelidade, sem a qual nem a Alian&ccedil;a, nem as promessas, ser&atilde;o cumpridas. Pela boca de Oseias, promete: &ldquo;Desposar-te-ei para sempre, desposar-te-ei na justi&ccedil;a e no direito, na ternura e no amor; desposar-te-ei na fidelidade e tu conhecer&aacute;s Yahw&eacute;&rdquo; (Os 2,21-22). <\/span><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 6pt; line-height: 14pt; text-align: justify;\">Porque a fidelidade do Povo s&oacute; &eacute; poss&iacute;vel com a for&ccedil;a de Deus, &eacute; preciso, na ora&ccedil;&atilde;o, pedir a Deus esse dom da fidelidade (cf. 1Re 8,56ss). S&oacute; se o Povo for fiel como Deus &eacute; fiel, poder&aacute; haver entre Deus e o seu Povo uma intimidade de conhecimento (cf. Os 4,2). <\/span><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 6pt; line-height: 14pt; text-align: justify;\">Esta perspectiva radicalizar-se-&aacute; em Cristo, o Servo fiel, que, atrav&eacute;s do dom do Esp&iacute;rito, conduz os que acreditam n&rsquo;Ele a participarem da sua plenitude. N&rsquo;Ele, a Igreja &eacute; j&aacute; totalmente fiel. <\/span><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 6pt; line-height: 14pt; text-align: justify;\">Todo o Antigo testamento est&aacute; repassado por este drama, que &eacute; desafio: a fidelidade de Deus, a infidelidade do Povo. Em Cristo, esse dilema &eacute; ultrapassado: os crist&atilde;os s&oacute; n&atilde;o caminham para a fidelidade se n&atilde;o viverem a sua uni&atilde;o a Cristo, o Fiel, que tem a for&ccedil;a e o poder para nos ajudar a ser fi&eacute;is. <\/span><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 6pt; line-height: 14pt; text-align: justify;\">Nesta Catequese, meditaremos sobre as exig&ecirc;ncias espirituais e pastorais da fidelidade da Igreja, Povo do Senhor. <\/span><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 6pt; line-height: 14pt;\"><strong>F&eacute; e fidelidade <\/span><\/strong><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 6pt; line-height: 14pt; text-align: justify;\">2. A f&eacute; &eacute; o alicerce da fidelidade. Sem uma f&eacute; viva, nem sequer h&aacute; o desejo de chegar &agrave; fidelidade. Por outro lado, a nossa f&eacute; s&oacute; &eacute; digna de Deus e de Jesus Cristo, se se exprimir na fidelidade. E esta sup&otilde;e um aprofundamento cont&iacute;nuo e a vida vivida como resposta &agrave; Palavra de Deus. <\/span><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 6pt; line-height: 14pt; text-align: justify;\">A f&eacute; crist&atilde; n&atilde;o &eacute; uma qualquer f&eacute; religiosa. &Eacute; a resposta do homem que escutou a Palavra de Deus. O seu contexto &eacute; a Hist&oacute;ria da Salva&ccedil;&atilde;o, e a revela&ccedil;&atilde;o ao seu Povo escolhido. Como afirma a Exorta&ccedil;&atilde;o Apost&oacute;lica Post-Sinodal Verbum Domini, &ldquo;toda a hist&oacute;ria da salva&ccedil;&atilde;o nos mostra progressivamente esta liga&ccedil;&atilde;o &iacute;ntima entre a Palavra de Deus e a f&eacute; que se realiza no encontro com Cristo&rdquo; (VD 25). <\/span><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 6pt; line-height: 14pt; text-align: justify;\">Deus fala-nos e espera a nossa resposta, porque ao revelar-se, Ele quer inaugurar um di&aacute;logo connosco. Ele merece que lhe respondamos. J&aacute; S&atilde;o Paulo ensinava, assim, os crist&atilde;os de Roma: &ldquo;A Deus que se revela &eacute; devida a obedi&ecirc;ncia da f&eacute;&rdquo; (Rm 16,26). S&atilde;o Paulo chama-lhe &ldquo;obedi&ecirc;ncia&rdquo;, isto &eacute;, uma aceita&ccedil;&atilde;o, sem reservas, com todo o nosso ser, de Deus e da sua Palavra. Isto equivale a dizer que a f&eacute; &eacute; j&aacute; um acto de amor. Desde o primeiro momento, a f&eacute; e a caridade encontram-se. A f&eacute; &eacute;, antes de mais, um encontro com Deus, um reconhecimento de Deus e um abandono ao di&aacute;logo com Ele, numa comunh&atilde;o de amor. E este Deus que reconhecemos na f&eacute;, &eacute; o Deus de Abra&atilde;o, de Isaac e de Jacob, o Deus que falava com Mois&eacute;s como um amigo fala com o seu amigo, &eacute; o Deus de Jesus Cristo. &ldquo;Pela f&eacute;, o ser humano entrega-se, total e livremente, a Deus, oferecendo a Deus revelador o obs&eacute;quio pleno da intelig&ecirc;ncia e da vontade e prestando voluntario assentimento &agrave; sua revela&ccedil;&atilde;o. [&#8230;] A resposta pr&oacute;pria do ser humano a Deus, que fala, &eacute; a f&eacute;&rdquo; (VD 5). <\/span><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 6pt; line-height: 14pt; text-align: justify;\">A f&eacute; &eacute;, pois, a resposta humana devida ao Deus que fala. Ela &eacute; a express&atilde;o de uma escuta amorosa. A Deus s&oacute; se pode responder com a vida, em todas as suas dimens&otilde;es. A f&eacute; projecta o homem para o horizonte da vida, onde esta encontra o seu verdadeiro sentido. Ao acreditar, o homem n&atilde;o renuncia &agrave; vida, pelo contr&aacute;rio, aprende verdadeiramente a ser homem. Tem a alegria de descobrir o verdadeiro sentido da cria&ccedil;&atilde;o, tamb&eacute;m ela Palavra de Deus e toma consci&ecirc;ncia dos desvios cometidos na compreens&atilde;o e na orienta&ccedil;&atilde;o da vida. <\/span><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 6pt; line-height: 14pt; text-align: justify;\">Ao responder a Deus, e a Palavra de Deus &eacute; sempre uma palavra de amor, o homem aceita uma Alian&ccedil;a com Deus; a sua resposta de f&eacute; &eacute;, na sua g&eacute;nese, um compromisso de fidelidade. <\/span><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 6pt; line-height: 14pt; text-align: justify;\">Pastoralmente, &eacute; preciso prestar aten&ccedil;&atilde;o &agrave; especificidade da f&eacute; crist&atilde;: &eacute; uma f&eacute; que responde &agrave; Palavra de Deus no contexto da revela&ccedil;&atilde;o de Deus na hist&oacute;ria de salva&ccedil;&atilde;o? Sobretudo cultivar a f&eacute; como uma ades&atilde;o pessoal a Jesus Cristo, como Palavra eterna de Deus, humanizada na encarna&ccedil;&atilde;o do Verbo. Em Cristo tudo &eacute; Palavra, e n&atilde;o apenas as suas palavras. A f&eacute; crist&atilde; &eacute; uma resposta a Jesus Cristo, &agrave; sua Palavra, ao seu amor, &agrave; sua presen&ccedil;a cont&iacute;nua no meio do seu Povo, que &eacute; a Igreja. A nossa f&eacute; como compromisso de Alian&ccedil;a, &eacute;-o com a &uacute;ltima e perfeita Alian&ccedil;a, selada por Jesus Cristo no seu Sangue, derramado por n&oacute;s. A nossa fidelidade &eacute; participa&ccedil;&atilde;o na sua fidelidade. <\/span><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 6pt; line-height: 14pt;\"><strong>A f&eacute; da Igreja <\/span><\/strong><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 6pt; line-height: 14pt; text-align: justify;\">3. Na ora&ccedil;&atilde;o eucar&iacute;stica o sacerdote reza: &ldquo;n&atilde;o olheis aos nossos pecados, mas &agrave; f&eacute; da vossa Igreja&rdquo;. O que &eacute; esta f&eacute; da Igreja? &Eacute; diferente da f&eacute; de cada um de n&oacute;s? Esta rela&ccedil;&atilde;o da f&eacute; pessoal com a f&eacute; da Igreja &eacute; aspecto essencial na compreens&atilde;o e pedagogia da f&eacute;. A Exorta&ccedil;&atilde;o Apost&oacute;lica afirma: &ldquo;A liga&ccedil;&atilde;o &iacute;ntima entre a Palavra de Deus e a f&eacute; realiza-se no encontro com Cristo. De facto, com Ele, a f&eacute; toma a forma de encontro com uma Pessoa &agrave; qual se confia a pr&oacute;pria vida. Cristo Jesus continua hoje presente na hist&oacute;ria pelo seu corpo que &eacute; a Igreja; por isso o acto da nossa f&eacute; &eacute; um acto simultaneamente pessoal e eclesial&rdquo; (VD 5). <\/span><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 6pt; line-height: 14pt; text-align: justify;\">J&aacute; no Antigo Testamento h&aacute; uma primazia do &ldquo;n&oacute;s&rdquo; do Povo de Deus, sobre o &ldquo;eu&rdquo; de cada um. &Eacute; ao Povo que Deus se revela, com ele celebra a Alian&ccedil;a, dele espera a resposta de f&eacute; e de fidelidade. A Igreja &eacute; o novo Povo do Senhor, ao ser identificada com o seu Senhor como &ldquo;corpo de Cristo&rdquo;, na Igreja, cruzam-se a Palavra e a resposta. Deus continua a falar-lhe em Jesus Cristo; continua a esperar a sua resposta de f&eacute; e de fidelidade. A Igreja &eacute; um Povo crente. Pela f&eacute; entra na comunh&atilde;o com Deus. A f&eacute; de cada crist&atilde;o &eacute; participa&ccedil;&atilde;o nessa comunh&atilde;o, em Igreja. <\/span><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 6pt; line-height: 14pt; text-align: justify;\">Cada crist&atilde;o deve fazer continuamente o discernimento para saber se a sua f&eacute; pessoal &eacute; a resposta que Deus espera e que &eacute; digna de Jesus Cristo. A f&eacute; pessoal, mesmo na variedade dos carismas, tem de ser a f&eacute; da Igreja. <\/span><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 6pt; line-height: 14pt; text-align: justify;\">Antes de mais, na interpreta&ccedil;&atilde;o da Sagrada Escritura como Palavra de Deus. Essa &eacute; a orienta&ccedil;&atilde;o que vem j&aacute; no Novo Testamento, pela pena do Ap&oacute;stolo Pedro: &ldquo;Nenhuma profecia da Escritura &eacute; de interpreta&ccedil;&atilde;o particular, porque jamais uma profecia foi proferida pela vontade dos homens. Inspirados pelo Esp&iacute;rito Santo &eacute; que os homens santos falaram em nome de Deus&rdquo; (2Pe 1,20-21). E a Exorta&ccedil;&atilde;o Apost&oacute;lica conclui: &ldquo;&eacute; a f&eacute; da Igreja que reconhece, na B&iacute;blia, a Palavra de Deus; como admiravelmente diz Santo Agostinho, &laquo;n&atilde;o acreditaria no Evangelho se n&atilde;o me movesse a isso a autoridade da Igreja cat&oacute;lica&raquo;. O Esp&iacute;rito Santo, que anima a vida da Igreja, &eacute; que a torna capaz de interpretar autenticamente as Escrituras. A B&iacute;blia &eacute; o livro da Igreja e, a partir da iman&ecirc;ncia dela na vida eclesial, brota tamb&eacute;m a sua verdadeira hermen&ecirc;utica&rdquo; (VD 29). A escuta da Palavra de Deus tem de ser feita em Igreja. Interpreta&ccedil;&otilde;es individuais que se afastem do sentir da Igreja, enfraquecem a f&eacute; pessoal chegando a adulter&aacute;-la gravemente. <\/span><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 6pt; line-height: 14pt; text-align: justify;\">Professar a f&eacute; da Igreja &eacute; a principal express&atilde;o da fidelidade crist&atilde;. Significa a &ldquo;obedi&ecirc;ncia da f&eacute;&rdquo;, &eacute; sinal de comunh&atilde;o com a Igreja de todos os tempos, que nas vicissitudes da hist&oacute;ria, atrav&eacute;s de dificuldades e sofrimentos, tantas vezes no testemunho do mart&iacute;rio, manteve intacta a mensagem de salva&ccedil;&atilde;o, transmitida pelos Ap&oacute;stolos de Jesus e seus sucessores. O conte&uacute;do da f&eacute; apost&oacute;lica &eacute; a principal express&atilde;o da identidade da Igreja ao longo do tempo. A essa corrente ininterrupta da mensagem, chamamos a Tradi&ccedil;&atilde;o, ponto de refer&ecirc;ncia para a nossa f&eacute; t&atilde;o importante como a palavra escrita da Sagrada Escritura. <\/span><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 6pt; line-height: 14pt; text-align: justify;\">Ser fiel &agrave; f&eacute; da Igreja significa igualmente a aceita&ccedil;&atilde;o do Magist&eacute;rio, o ensinamento dos Ap&oacute;stolos de Jesus e seus sucessores atrav&eacute;s dos tempos. Tanto a tradi&ccedil;&atilde;o como o Magist&eacute;rio s&atilde;o meios para nos encontrarmos com a verdade da salva&ccedil;&atilde;o e nos encontrarmos com Jesus Cristo, que preside &agrave; Igreja em todos os tempos. <\/span><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 6pt; line-height: 14pt;\"><strong>A f&eacute; e a caridade <\/span><\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 6pt; line-height: 14pt; text-align: justify;\">4. J&aacute; vimos que a f&eacute; enquanto resposta da pessoa humana &agrave; Palavra de Deus &eacute;, em si mesma, uma express&atilde;o da caridade. Ao escutar a Palavra, sentimo-nos amados e respondemos com amor. Durante a nossa peregrina&ccedil;&atilde;o terrena, as tr&ecirc;s virtudes teologais, a f&eacute;, a esperan&ccedil;a e a caridade interpenetram-se. J&aacute; S&atilde;o Paulo o ensina aos Cor&iacute;ntios, no c&eacute;lebre hino &agrave; caridade: &ldquo;A f&eacute;, a esperan&ccedil;a e a caridade permanecem as tr&ecirc;s, mas a maior entre elas &eacute; a caridade&rdquo; (1Cor. 13,13). A f&eacute; e a esperan&ccedil;a s&atilde;o express&otilde;es da caridade, s&atilde;o a experi&ecirc;ncia do amor infinito de Deus em Jesus Cristo. A firmeza da f&eacute; e da esperan&ccedil;a faz com que nenhuma dificuldade deste mundo nos separe do amor de Cristo. Nada nos separar&aacute; do amor de Deus, manifestado em Nosso Senhor Jesus Cristo (cf. Rom. 8,35ss). <\/span><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 6pt; line-height: 14pt; text-align: justify;\">Esta &eacute; uma dimens&atilde;o importante do nosso crescimento na f&eacute;. Nela sentimo-nos amados por Deus e manifestamos a Deus o nosso amor. Quantas vezes, no concreto da nossa vida, a &uacute;nica maneira de exprimirmos a Deus e ao seu Filho Jesus Cristo o nosso amor &eacute; dizer &ldquo;eu creio&rdquo;. N&atilde;o &eacute; uma f&eacute; sem amor, &eacute;, antes, uma f&eacute; que &eacute; amor. &Eacute; por isso que a f&eacute; se exprime, espontaneamente, na fidelidade. <\/span><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 6pt; line-height: 14pt;\"><strong>As testemunhas da f&eacute; <\/span><\/strong><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 6pt; line-height: 14pt; text-align: justify;\">5. Para que a nossa f&eacute; se exprima sempre na fidelidade, muito nos ajudam os testemunhos da f&eacute;. &Eacute; mais uma raz&atilde;o para que a f&eacute; de cada um de n&oacute;s seja a f&eacute; da Igreja. A confiss&atilde;o de f&eacute; teve, desde os primeiros s&eacute;culos do cristianismo, uma express&atilde;o comunit&aacute;ria. S&oacute; a Igreja, reunida, pode verdadeiramente professar a f&eacute;. A f&eacute; da comunidade e dos seus membros, fortalece a nossa f&eacute;, ilumina a nossa obscuridade, esclarece as nossas d&uacute;vidas, vence a nossa tibieza e hesita&ccedil;&atilde;o. <\/span><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 6pt; line-height: 14pt; text-align: justify;\">O S&iacute;nodo privilegiou, como modelo de crente, a Virgem Maria. Com ela, podemos aprender a viver a nossa vida crente, como resposta obediente &agrave; Palavra do Senhor. Escutemos a Exorta&ccedil;&atilde;o Apost&oacute;lica de Bento XVI: &ldquo;Desde a Anuncia&ccedil;&atilde;o ao Pentecostes, vemo-la como mulher totalmente dispon&iacute;vel &agrave; vontade de Deus. &Eacute; a Imaculada Concei&ccedil;&atilde;o, Aquela que &eacute; &laquo;cheia de gra&ccedil;a&raquo; de Deus (cf. Lc 1,28), incondicionalmente d&oacute;cil &agrave; Palavra divina (cf. Lc 1,38). A sua f&eacute; obediente face &agrave; iniciativa de Deus plasma cada instante da sua vida. Virgem &agrave; escuta, vive em plena sintonia com a Palavra divina; conserva no seu cora&ccedil;&atilde;o os acontecimentos do seu Filho, compondo-os por assim dizer num &uacute;nico mosaico (cf. Lc 2,19.51)&rdquo; (VD 27). M&atilde;e da Igreja, na sua f&eacute;, &ldquo;Ele &eacute; a figura da Igreja &agrave; escuta da Palavra de Deus que nela se fez carne&rdquo;(VD 27). <\/span><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 6pt; line-height: 14pt; text-align: justify;\">A f&eacute; e a fidelidade s&atilde;o dons de Deus, que nos s&atilde;o dados na Igreja e atrav&eacute;s da Igreja. Verdadeiramente, s&oacute; em Igreja, ajudados por tantas testemunhas, permaneceremos fi&eacute;is at&eacute; ao Dia do Senhor. <\/span><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 6pt; line-height: 14pt; text-align: right;\">&dagger; JOS&Eacute;, Cardeal-Patriarca<\/span><\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"margin-bottom: 6pt; line-height: 14pt;\">&nbsp;<strong><span>&ldquo;A Santidade&rdquo;<\/span><\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 6pt; line-height: 14pt;\"><strong><i>Catequese do 4.&ordm; Domingo da Quaresma<\/span><\/i><\/strong><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 6pt; line-height: 14pt; text-align: right;\"><i>S&eacute; Patriarcal, 2 de Abril de 2011 <\/span><\/i><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 6pt; line-height: 14pt;\"><strong>Introdu&ccedil;&atilde;o <\/span><\/strong><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 6pt; line-height: 14pt; text-align: justify;\">1. Nas catequeses anteriores medit&aacute;mos naquilo que Cristo, que ama a Igreja com amor de Esposo, espera dela. Ele &eacute; a Palavra de Deus, fala-lhe ao cora&ccedil;&atilde;o, espera que a Igreja O escute e entre em di&aacute;logo de comunh&atilde;o. Com ela, seu Povo, celebrou a nova e definitiva Alian&ccedil;a; espera dela a fidelidade a essa nova Alian&ccedil;a, renovada em cada Eucaristia. Todas as concretiza&ccedil;&otilde;es da escuta da Palavra e da fidelidade &agrave; Alian&ccedil;a, se re&uacute;nem e resumem no grande desafio da vida crist&atilde;: <strong>a santidade<\/strong>. <\/span><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 6pt; line-height: 14pt; text-align: justify;\">O Santo Padre Bento XVI recordou-nos, em texto que j&aacute; cit&aacute;mos, que a f&eacute; crist&atilde; n&atilde;o &eacute;, sobretudo, uma doutrina ou uma moral, mas o encontro com uma Pessoa, Jesus Cristo e, por Ele, com a Sant&iacute;ssima Trindade. E na Exorta&ccedil;&atilde;o Apost&oacute;lica confirmou: &ldquo;de facto a vida crist&atilde; caracteriza-se essencialmente pelo encontro com Jesus Cristo que nos chama a segui-l&rsquo;O&rdquo; (VD 72). &Eacute;, pois, no aprofundamento deste encontro pessoal com Jesus Cristo ressuscitado e, por Ele, com o Pai, no Esp&iacute;rito Santo, que se situa esta possibilidade, que &eacute; o maior desafio da nossa vida, o de sermos santos. N&atilde;o basta conhecer toda a doutrina ou cumprirmos todas as prescri&ccedil;&otilde;es morais para sermos santos. Ser santo &eacute; mergulhar em Deus e, por amor, procurar conhec&ecirc;-l&rsquo;O e fazer a sua vontade: seja feita a tua vontade, na terra como no c&eacute;u. <\/span><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 6pt; line-height: 14pt; text-align: justify;\"><strong>S&oacute; Deus &eacute; Santo <\/span><\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 6pt; line-height: 14pt; text-align: justify;\">2. Santo &eacute; o nome de Deus (cf. Sl 33,21; Am. 2,7). Yahw&eacute;, o nome de Deus revelado a Mois&eacute;s, &eacute; substitu&iacute;do por &ldquo;Santo&rdquo;; s&atilde;o sin&oacute;nimos (cf. Sl 71,22; Is 5,24). Se &eacute; o nome de Deus &eacute; muito mais do que um atributo de Deus. Significa e anuncia aquilo que Deus &eacute;, o seu mist&eacute;rio, a plenitude da vida, o seu poder e a sua bondade. O seu amor de miseric&oacute;rdia &eacute; an&uacute;ncio importante da santidade de Deus. O Profeta Oseias afirma: &ldquo;Como poderia eu abandonar-te Efraim? [&#8230;] O meu cora&ccedil;&atilde;o salta no meu peito, as minhas entranhas comovem-se dentro de mim. N&atilde;o me deixarei levar pelo ardor da minha ira, n&atilde;o vou destruir Efraim. Eu sou Deus e n&atilde;o um homem. Eu sou o Santo no meio de ti&rdquo; (Os 11,8-9). <\/span><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 6pt; line-height: 14pt; text-align: justify;\">Tocar o seu amor de miseric&oacute;rdia &eacute; o mais profundo contacto que o homem pode ter com a santidade de Deus. &Eacute; o in&iacute;cio da revela&ccedil;&atilde;o do seu mist&eacute;rio. O pecado, a dureza do cora&ccedil;&atilde;o, tornam o homem insens&iacute;vel a este mist&eacute;rio da santidade divina, acabam por impedir o conhecimento de Deus, porventura levam &agrave; sua nega&ccedil;&atilde;o. Se Deus quer ser conhecido nesse seu mist&eacute;rio de santidade, a reden&ccedil;&atilde;o do homem &eacute; necess&aacute;ria e urgente. O homem precisa de um cora&ccedil;&atilde;o novo para ao menos pressentir a beleza de Deus, o Santo. <\/span><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 6pt; line-height: 14pt; text-align: justify;\">Esta reden&ccedil;&atilde;o que vai tornar o homem capaz de participar na santidade de Deus &eacute; realizada por Jesus Cristo, Deus e Homem. Como Filho de Deus, Ele &eacute; Santo; como Homem, &eacute; o primeiro descendente de Ad&atilde;o a penetrar e a participar na santidade de Deus. <\/span><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 6pt; line-height: 14pt; text-align: justify;\">Ao ser concebido no seio de Maria, o Anjo anuncia-lhe que o Menino que vai nascer ser&aacute; Santo e chamar-se-&aacute; Filho de Deus (cf. Lc 1,35). Na sua fidelidade de servo conquistou para os homens seus irm&atilde;os a vida e, por isso, Deus O exaltou e Lhe deu um Nome que est&aacute; acima de todos os nomes (cf. Fil 2,9). O mesmo Ap&oacute;stolo Paulo afirma que Ele ressuscitou segundo o Esp&iacute;rito de Santidade (cf. Rm 1,4). A santidade do Homem Jesus &eacute; diferente da de qualquer &ldquo;justo&rdquo; do Antigo Testamento. Ele &eacute; Santo porque &eacute; Deus. N&rsquo;Ele, tocamos a mesma for&ccedil;a espiritual, a mesma profundidade misteriosa. Do seu cora&ccedil;&atilde;o humano brota em pleno o amor misericordioso de Deus. Jesus revela aos seus a majestade da santidade divina. &ldquo;Eu consagro-me por eles, a fim de que tamb&eacute;m eles sejam santificados na verdade&rdquo; (Jo 17,19). <\/span><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 6pt; line-height: 14pt; text-align: justify;\"><strong>O Deus Santo e a santidade dos homens <\/span><\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 6pt; line-height: 14pt; text-align: justify;\">3. Ao longo da Hist&oacute;ria da Salva&ccedil;&atilde;o, v&aacute;rias vezes surge a quest&atilde;o: quer Deus comunicar a sua santidade aos homens que criou? Desejam os homens ser santos como Deus &eacute; Santo? <\/span><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 6pt; line-height: 14pt; text-align: justify;\">Da parte de Deus vai-se tornando claro, antes de mais, que &eacute; desejo de Deus que os homens, sobretudo o seu Povo escolhido, reconhe&ccedil;a a santidade de Deus. Isso corresponde &agrave; obriga&ccedil;&atilde;o de O louvar, de reconhecer a sua gl&oacute;ria. Por outro lado, vai-se tomando consci&ecirc;ncia de que tudo o que Deus toca fica santificado. Quando Deus se revelou a Mois&eacute;s no fogo da sar&ccedil;a ardente e Mois&eacute;s se aproximava para ver o fen&oacute;meno, ouviu a voz de Deus: &ldquo;N&atilde;o te aproximes. Tira as sand&aacute;lias dos p&eacute;s, porque &eacute; santa a terra que pisas&rdquo; (Ex 3,5). <\/span><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 6pt; line-height: 14pt; text-align: justify;\">O que Deus toca, fica santo. Por isso o Povo chamar&aacute; santo a todas as realidades que entram em contacto com Deus: o templo onde Deus habita, sobretudo o &ldquo;Santo dos Santos&rdquo;, os objectos do culto, os sacerdotes. Mas &eacute; sobretudo quando Deus toca o interior do homem com a sua Palavra, que o homem se torna santo. &Eacute; o caso dos Profetas: porque foram tocados pela Palavra de Deus, participam da santidade de Deus e podem falar em nome de Deus. <\/span><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 6pt; line-height: 14pt; text-align: justify;\">Mas, apesar desta not&iacute;cia de que a santidade de Deus pode tocar os homens, durante todo o Antigo Testamento permanece a ideia da transcend&ecirc;ncia misteriosa da santidade de Deus. H&aacute; uma certa contradi&ccedil;&atilde;o entre a convic&ccedil;&atilde;o de que quem tocar o Deus Santo morrer&aacute;, e o convite que Deus dirige ao seu Povo para que participe da santidade de Deus: &ldquo;Sede santos porque Eu, Yahw&eacute;, sou Santo&rdquo; (Lv 19,2; 20,26). <\/span><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 6pt; line-height: 14pt; text-align: justify;\">Este paradoxo s&oacute; se resolve em Jesus Cristo, Filho de Deus feito Homem, o Santo como Deus &eacute; Santo. A Virgem Maria depois de conceber, por ac&ccedil;&atilde;o do Esp&iacute;rito Santo, louva o Senhor e toca, nela, uma verdade tantas vezes rezada e proclamada pelos profetas: &ldquo;O Todo-poderoso fez em mim maravilhas: Santo &eacute; o seu Nome&rdquo; (Lc 1,49). Mais uma vez a convic&ccedil;&atilde;o de que s&oacute; o que Deus toca se torna santo e que podem participar na santidade de Deus aqueles que se deixam tocar por Deus. <\/span><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 6pt; line-height: 14pt; text-align: justify;\">E aqui encontramo-nos com a grande novidade crist&atilde;: os que se unem a Cristo ressuscitado, pela f&eacute; e pelo baptismo, n&atilde;o s&atilde;o apenas tocados por Cristo, todo o seu ser se une ao de Cristo, s&atilde;o um com Cristo, s&atilde;o &ldquo;o corpo de Cristo&rdquo;. O dom do Esp&iacute;rito Santo, no Pentecostes, representa a grande viragem, a grande &ldquo;passagem&rdquo;. Unidos a Cristo, os crist&atilde;os tornam-se &ldquo;templos do Esp&iacute;rito Santo&rdquo; (cf. 1Co 6,11). Os crist&atilde;os participam do ser de Deus, em Cristo ressuscitado, pela f&eacute; e pelo baptismo, que os unge com a &ldquo;un&ccedil;&atilde;o que vem do Santo&rdquo; (cf. 1Co 1,30; Ef 5,26). Continua a ser verdade que s&oacute; Deus pode fazer os homens participar da sua santidade e vencer neles os obst&aacute;culos do pecado, que os impedia de serem santos como Deus &eacute; Santo. <\/span><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 6pt; line-height: 14pt; text-align: justify;\"><strong>Os caminhos da santidade <\/span><\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 6pt; line-height: 14pt; text-align: justify;\">4. Vencido esse obst&aacute;culo radical, pela reden&ccedil;&atilde;o de Jesus Cristo, resta ao crist&atilde;o o longo caminho da sua vida para viver em santidade, porque s&oacute; no C&eacute;u ser&atilde;o definitivamente santos como Deus &eacute; santo. &Eacute; a vida concebida como caminhada de fidelidade, na santidade. Vencido radicalmente o pecado, em Jesus Cristo, sabemos que as suas ra&iacute;zes permanecem em n&oacute;s, numa luta entre a gra&ccedil;a da P&aacute;scoa e a for&ccedil;a do pecado. A santidade n&atilde;o pode ser s&oacute; obra de Deus em n&oacute;s, aceite de forma passiva; tem de ser busca e op&ccedil;&atilde;o da nossa liberdade. S&oacute; podemos ser santos, porque Cristo &eacute; Santo, nos comunica o seu Esp&iacute;rito Santo e nos santificou; mas temos de querer ser santos, lutar por isso com as armas que Deus p&otilde;e ao nosso dispor. A nossa caminhada de santidade &eacute; uma batalha que ainda convive com o pecado, que n&oacute;s podemos vencer, com a for&ccedil;a de Deus. <\/span><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 6pt; line-height: 14pt; text-align: justify;\">Desde sempre, a Igreja acreditou que ela, corpo de Cristo, &eacute; santa, porque dela fazem parte Cristo e o Esp&iacute;rito Santo. Mas essa santidade da Igreja n&atilde;o era sempre evidente, era afirma&ccedil;&atilde;o de f&eacute;: &ldquo;Creio que a Igreja &eacute; santa&rdquo;, faz parte de todas as antigas profiss&otilde;es de f&eacute;. Depende da nossa fidelidade crist&atilde; que essa santidade radical da Igreja seja vis&iacute;vel, possa ser testemunhada perante o mundo.<\/span><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 6pt; line-height: 14pt; text-align: justify;\">5. Continua a ser verdade que s&oacute; &eacute; santo quem Deus toca, quem se deixa trabalhar pela ac&ccedil;&atilde;o de Deus. Antes de mais, pela sua Palavra. Cristo, em todo o seu mist&eacute;rio, &eacute; Palavra viva de Deus. Temos de descobrir continuamente a rela&ccedil;&atilde;o entre a escuta da Palavra de Deus e a santidade. &Eacute; pela sua Palavra que Deus toca o cora&ccedil;&atilde;o do homem. Por isso, sempre que o crist&atilde;o a acolhe, participa da santidade divina. Esta dimens&atilde;o aparece continuamente na liturgia: &ldquo;Se ouvirmos a voz do Senhor, entraremos no lugar do seu repouso&rdquo;. <\/span><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 6pt; line-height: 14pt; text-align: justify;\">Como j&aacute; vimos noutra Catequese, toda a palavra, todos os meios que a Igreja tem de nos fazer ouvir a voz do Senhor, resumem sempre Cristo Palavra. Deus fala-nos sempre pelo seu Filho Jesus Cristo, o Verbo eterno. Da&iacute; a import&acirc;ncia decisiva da intimidade com Jesus Cristo para crescermos em santidade. A Exorta&ccedil;&atilde;o Apost&oacute;lica Post-Sinodal acentua a rela&ccedil;&atilde;o entre a Palavra de Deus e a santidade: &ldquo;A santidade relacionada com a Palavra de Deus inscreve-se, de certo modo, na tradi&ccedil;&atilde;o prof&eacute;tica, na qual a Palavra de Deus se serve da pr&oacute;pria vida do profeta. Neste sentido, a santidade na Igreja representa uma hermen&ecirc;utica da Escritura da qual ningu&eacute;m pode prescindir. O Esp&iacute;rito Santo que inspirou os autores sagrados &eacute; o mesmo que anima os Santos a darem a vida pelo Evangelho. Entrar na sua escola constitui um caminho seguro para efectuar uma hermen&ecirc;utica viva e eficaz da Palavra de Deus&rdquo; (VD 49)<\/span><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 6pt; line-height: 14pt; text-align: justify;\">6. A efic&aacute;cia da Palavra de Deus, tantas vezes anunciada pelos profetas, continua a acontecer na Igreja atrav&eacute;s da ac&ccedil;&atilde;o sacramental. A presen&ccedil;a da Palavra de Deus na Liturgia &eacute; decisiva. Ela constitui o &acirc;mbito privilegiado onde Deus nos fala no momento presente da nossa vida. A&iacute;, Deus fala hoje ao seu Povo que escuta e responde (VD 52). Na Liturgia, &ldquo;a Palavra de Deus permanece viva e eficaz pela for&ccedil;a do Esp&iacute;rito Santo, e manifesta aquele amor operante do Pai que n&atilde;o cessa jamais de agir em favor de todos os homens. De facto, a Igreja sempre mostrou ter consci&ecirc;ncia de que, na ac&ccedil;&atilde;o lit&uacute;rgica, a Palavra de Deus &eacute; acompanhada pela ac&ccedil;&atilde;o &iacute;ntima do Esp&iacute;rito Santo que a torna operante no cora&ccedil;&atilde;o dos fi&eacute;is&rdquo; (VD 52). A ac&ccedil;&atilde;o sacramental &eacute;, hoje, o principal caminho pelo qual Deus continua a santificar a sua Igreja. Devemos descobrir, em sil&ecirc;ncio, a conex&atilde;o entre o que Deus nos diz e o que faz em n&oacute;s. <\/span><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 6pt; line-height: 14pt; text-align: justify;\"><strong>A santidade e o amor <\/span><\/strong><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 6pt; line-height: 14pt; text-align: justify;\">7. Ser tocado pelo Deus Santo &eacute; mergulhar no amor que Ele &eacute;. Deus &eacute; amor; ser santo &eacute; ser amor. &ldquo;Amai-vos uns aos outros como Eu vos amei&rdquo;, &eacute; o mandamento novo. &Eacute; para que aconte&ccedil;a na nossa vida esta explos&atilde;o do amor, que o Esp&iacute;rito Santo, o Esp&iacute;rito do amor divino, nos foi e continua a ser dado. A santidade &eacute; um caminho de cumplicidade com o Esp&iacute;rito Santo. Aprendemos no Catecismo que toda a Lei, portanto toda a moral, se resume ao mandamento do amor: &ldquo;amar a Deus sobre todas as coisas e ao pr&oacute;ximo como a n&oacute;s mesmos&rdquo;. &ldquo;Ama e faz o que quiseres&rdquo;, ensinava Santo Agostinho. A santidade crist&atilde; &eacute; uma fidelidade aos mandamentos, ou seja, ao mandamento do amor. O crist&atilde;o n&atilde;o se salva porque cumpre uma lei, mas porque unido a Jesus Cristo, mergulha no amor. Todo o bem moral &eacute; express&atilde;o do amor, a Deus e ao pr&oacute;ximo. <\/span><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 6pt; line-height: 14pt; text-align: justify;\">Este ardor do amor incendeia-se em Jesus Cristo e alimenta-se na Palavra de Deus. Neste caminho somos confirmados pelo testemunho dos santos, que perceberam a Palavra de Deus no amor e beberam nela o desejo de amar ainda mais. Como diz a Exorta&ccedil;&atilde;o Apost&oacute;lica, &ldquo;a interpreta&ccedil;&atilde;o mais profunda da Escritura prov&eacute;m precisamente daqueles que se deixaram plasmar pela Palavra de Deus, atrav&eacute;s da sua escuta, leitura e medita&ccedil;&atilde;o ass&iacute;dua&rdquo; (VD 48). &ldquo;Cada santo constitui uma esp&eacute;cie de raio de luz que brota da Palavra de Deus&rdquo;. Citemos apenas o exemplo de Santa Teresa do Menino Jesus. Dizia ela: &ldquo;Apenas lan&ccedil;o o olhar sobre o Evangelho, imediatamente respiro os perfumes da vida de Jesus e sei para onde correr&rdquo; (VD 48).<\/span><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 6pt; line-height: 14pt; text-align: justify;\">&Eacute; esta a voragem do amor que Deus suscita em n&oacute;s sempre que nos toca com a sua Palavra que &eacute; o &ldquo;novo ardor&rdquo; para uma nova evangeliza&ccedil;&atilde;o. <\/span><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 6pt; line-height: 14pt; text-align: right;\">&dagger; JOS&Eacute;, Cardeal-Patriarca <\/span><\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"margin-bottom: 6pt; line-height: 14pt; text-align: left;\">&nbsp;<strong>&ldquo;Voca&ccedil;&atilde;o e Miss&atilde;o&rdquo;<\/strong><\/span><i>&nbsp;<\/i><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 6pt; line-height: 14pt; text-align: left;\"><strong><i>Catequese do 5.&ordm; Domingo da Quaresma<\/span><\/i><\/strong><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 6pt; line-height: 14pt; text-align: right;\"><i>S&eacute; Patriarcal, 10 de Abril de 2011 <\/span><\/i><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 6pt; line-height: 14pt;\"><strong>Introdu&ccedil;&atilde;o <\/span><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; line-height: 14pt;\"><strong>1<\/span><\/strong>. Para aceitarmos e tomarmos a s&eacute;rio o desafio de Jo&atilde;o Paulo II e de Bento XVI de nos lan&ccedil;armos numa &ldquo;nova evangeliza&ccedil;&atilde;o&rdquo; ou uma &ldquo;evangeliza&ccedil;&atilde;o renovada&rdquo;, &eacute; essencial aprofundar o sentido de miss&atilde;o. &Eacute; tarefa de toda a Igreja e de cada membro da Igreja. A miss&atilde;o &eacute; realiza&ccedil;&atilde;o do des&iacute;gnio de Deus acerca da humanidade. Para n&oacute;s crist&atilde;os &eacute; continuar a obra de Jesus Cristo. A sua miss&atilde;o &eacute; perene e definitiva. N&oacute;s participamos dela, sinal da nossa &iacute;ntima uni&atilde;o com Ele. Partilhar a vida com Ele &eacute; participar na sua miss&atilde;o de edificar, na sociedade de cada, tempo o Reino de Deus, at&eacute; que Ele venha. <\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; line-height: 14pt;\">Na Sagrada Escritura ao dinamismo da miss&atilde;o aparecem ligados a escolha e o chamamento por Deus (a voca&ccedil;&atilde;o) e o envio. Deus escolhe e chama aqueles que quer enviar. Mas &eacute;, no contexto da miss&atilde;o, no seu fazer-se no meio dos homens, que a escolha e o envio ganham sentido. A voca&ccedil;&atilde;o especifica-se e esclarece-se na miss&atilde;o. <\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; line-height: 14pt;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; line-height: 14pt;\"><strong>Guiados pela Palavra de Deus e da Igreja <\/span><\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; line-height: 14pt;\"><strong>2<\/span><\/strong>. Tamb&eacute;m na compreens&atilde;o da miss&atilde;o, da sua natureza e dos seus caminhos, a Palavra de Deus &eacute; o guia seguro. Antes de mais, a Palavra revela-nos como o plano a realizar e a anunciar &eacute; o des&iacute;gnio de Deus. Todos os enviados s&atilde;o mensageiros para realizarem no meio dos homens esse plano divino da salva&ccedil;&atilde;o. Isso j&aacute; &eacute; claro no Antigo Testamento, sobretudo nos Profetas. Deus envia a sua Palavra para que ela execute, na hist&oacute;ria dos homens, o seu plano e a sua vontade (cf. Is 55,11). Para n&oacute;s crist&atilde;os, &eacute; a Palavra que nos mostra Jesus Cristo como o grande enviado, para realizar o plano divino da salva&ccedil;&atilde;o. Ele apresenta-se aos homens como o enviado de Deus (cf. Lc 4,17-21). Ele veio salvar o que estava perdido (cf. Lc 19,10). Todos os aspectos da obra redentora de Jesus Cristo est&atilde;o ligados &agrave; miss&atilde;o que recebeu do Pai. Ele veio para fazer a sua vontade, &ldquo;a vontade d&rsquo;Aquele que O enviou&rdquo; (cf. Jo 4,34; 6,38ss). A sua miss&atilde;o &eacute; perene e definitiva. Ele &eacute; o anunciado e o anunciador. Depois d&rsquo;Ele, todos os enviados s&atilde;o enviados por Ele, com a for&ccedil;a do Esp&iacute;rito, para continuarem a realizar, em uni&atilde;o com Ele, a miss&atilde;o que recebeu do Pai. <\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; line-height: 14pt;\">Esse &eacute; um aspecto que devemos continuamente descobrir e aprofundar na Palavra de Deus: a miss&atilde;o n&atilde;o &eacute; nova, a for&ccedil;a da sua efic&aacute;cia n&atilde;o est&aacute; em n&oacute;s. Unidos a Cristo pelo baptismo, participamos da totalidade da pessoa de Jesus Cristo, como tamb&eacute;m da sua miss&atilde;o, e a for&ccedil;a da sua efic&aacute;cia recebemo-la d&rsquo;Ele e do Esp&iacute;rito Santo. S&oacute; a Palavra de Deus nos ajudar&aacute; a n&atilde;o cair em vis&otilde;es sociol&oacute;gicas e imanentes da miss&atilde;o. <\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; line-height: 14pt;\">A Exorta&ccedil;&atilde;o Apost&oacute;lica sobre a Palavra de Deus, orienta-nos nesse sentido: &ldquo;A miss&atilde;o da Igreja n&atilde;o pode ser considerada como realidade facultativa ou suplementar da vida eclesial. Trata-se de deixar que o Esp&iacute;rito Santo nos assimile a Cristo, participando assim na sua pr&oacute;pria miss&atilde;o: &laquo;Assim como o Pai Me enviou, tamb&eacute;m Eu vos envio a v&oacute;s&raquo; (Jo 20,21), de modo a comunicar a Palavra com a vida inteira. &Eacute; a pr&oacute;pria Palavra que nos impele para os irm&atilde;os; &eacute; a Palavra que ilumina, purifica, converte; n&oacute;s somos apenas servidores. Por isso, &eacute; necess&aacute;rio descobrir cada vez mais a urg&ecirc;ncia e a beleza de anunciar a Palavra, para a vinda do Reino de Deus, que o pr&oacute;prio Cristo pregou. Neste sentido, renovamos a consci&ecirc;ncia &ndash; t&atilde;o familiar aos Padres da Igreja &ndash; de que o an&uacute;ncio da Palavra tem como conte&uacute;do o Reino de Deus (cf. Mc 1,14-15), sendo este a pr&oacute;pria pessoa de Jesus&rdquo; (VD 93). <\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; line-height: 14pt;\"><strong>Quem &eacute; que o Senhor envia <\/span><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; line-height: 14pt;\">3. No Novo Testamento s&atilde;o postos em relevo aqueles que o Senhor escolheu para a miss&atilde;o, para realizarem com Ele a mesma miss&atilde;o. Sobressaem, entre esses escolhidos e enviados, os doze Ap&oacute;stolos. Mas h&aacute; outros enviados. De uma s&oacute; vez 72 disc&iacute;pulos (cf. Lc 9,1). O sentido desse envio &eacute; claro na inten&ccedil;&atilde;o de Jesus: &ldquo;Quem vos escuta, escuta-me a Mim, quem vos rejeitar, rejeita-me a Mim e quem Me rejeita, rejeita Aquele que Me enviou&rdquo; (Lc 10,16). &ldquo;Quem vos recebe recebe-me a Mim e quem Me recebe, recebe Aquele que Me enviou&rdquo; (Jo 13,20). H&aacute; uma identifica&ccedil;&atilde;o entre a miss&atilde;o de Jesus e a daqueles que Ele envia. A miss&atilde;o &eacute; a mesma, &eacute; s&oacute; uma, recebida de Deus Pai. <\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; line-height: 14pt;\">Com a P&aacute;scoa e o Pentecostes surge uma realidade nova: aqueles que se uniram a Cristo ressuscitado pelo baptismo, a quem Ele comunicou o Esp&iacute;rito Santo, tornando-se um &ldquo;n&oacute;s&rdquo;, o Povo do Senhor, a sua Igreja, realiza&ccedil;&atilde;o definitiva do Povo escolhido, com quem Deus celebrou a &uacute;ltima e definitiva Alian&ccedil;a, no Sangue de Cristo. A identidade entre Cristo e a Igreja &eacute; total, a comunh&atilde;o entre eles &eacute; profunda. Cristo ama a Igreja como um esposo ama a sua esposa. Assim, desde o in&iacute;cio, surge uma consci&ecirc;ncia colectiva da Igreja. Quem Deus envia &eacute; a sua Igreja; &eacute; esta que recebe do seu Senhor a miss&atilde;o de prolongar no tempo a sua pr&oacute;pria miss&atilde;o. Os escolhidos e enviados n&atilde;o s&atilde;o apenas alguns mas todos pelo pr&oacute;prio facto de pertencer &agrave; Igreja. A consci&ecirc;ncia desta miss&atilde;o &eacute; aspecto importante da pr&oacute;pria consci&ecirc;ncia de perten&ccedil;a &agrave; Igreja. <\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; line-height: 14pt;\">Ou&ccedil;amos, a este prop&oacute;sito, a mais recente Palavra da Igreja: &ldquo;Uma vez que todo o Povo de Deus &eacute; um povo &laquo;enviado&raquo;, o S&iacute;nodo reafirmou que &laquo;a miss&atilde;o de anunciar a Palavra de Deus &eacute; dever de todos os disc&iacute;pulos de Jesus Cristo, em consequ&ecirc;ncia do seu baptismo&raquo;. Nenhuma pessoa que cr&ecirc; em Cristo pode sentir-se alheia a esta responsabilidade que deriva do facto de ela pertencer sacramentalmente ao Corpo de Cristo. Esta consci&ecirc;ncia deve ser despertada em cada fam&iacute;lia, par&oacute;quia, comunidade, associa&ccedil;&atilde;o e movimento eclesial. Portanto, toda a Igreja, enquanto mist&eacute;rio de comunh&atilde;o, &eacute; mission&aacute;ria, e cada um, no seu pr&oacute;prio estado de vida, &eacute; chamado a dar uma contribui&ccedil;&atilde;o incisiva para o an&uacute;ncio crist&atilde;o&rdquo;(VD, n&ordm; 94).<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; line-height: 14pt;\">Esta consci&ecirc;ncia de que cada crist&atilde;o &eacute; enviado e participa da responsabilidade pela miss&atilde;o da Igreja &eacute; decisiva para um novo dinamismo de evangeliza&ccedil;&atilde;o. <\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; line-height: 14pt;\"><strong>O &acirc;mbito da miss&atilde;o <\/span><\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; line-height: 14pt;\">4. Para todos se empenharem na realiza&ccedil;&atilde;o actual da miss&atilde;o de Cristo e da Igreja, &eacute; preciso ter consci&ecirc;ncia do &acirc;mbito da miss&atilde;o, das realidades humanas que desafiam o an&uacute;ncio da boa-nova do Reino de Deus. Ou&ccedil;amos, mais uma vez, como a Exorta&ccedil;&atilde;o Apost&oacute;lica nos apresenta este &acirc;mbito da miss&atilde;o: &ldquo;O Senhor oferece a salva&ccedil;&atilde;o aos homens de cada &eacute;poca. Todos nos damos conta de qu&atilde;o necess&aacute;rio &eacute; que a luz de Cristo ilumine cada &acirc;mbito da humanidade: a fam&iacute;lia, a escola, a cultura, o trabalho, o tempo livre e os outros sectores da vida social. N&atilde;o se trata de anunciar uma palavra anestesiante, mas desinstaladora, que chama &agrave; convers&atilde;o, que torna acess&iacute;vel o encontro com Ele, atrav&eacute;s do qual floresce uma humanidade nova&rdquo; (VD 93). A miss&atilde;o, nos nossos dias, n&atilde;o pode ser vista apenas no seu aspecto marcadamente eclesi&aacute;stico. Toda a realidade humana, em que os crist&atilde;os est&atilde;o inseridos como pessoas, os desafia a um testemunho de vida que cria rupturas, inquieta&ccedil;&otilde;es e abre janelas para uma outra perspectiva da vida. Esse &eacute; o &acirc;mbito privilegiado da nova evangeliza&ccedil;&atilde;o, em que os crist&atilde;os, homens no meio dos outros homens, s&atilde;o chamados a ser, no ardor da sua viv&ecirc;ncia crist&atilde;, uma luz que &eacute; a luz de Cristo. Nesta vis&atilde;o da miss&atilde;o, a Igreja descobre-se continuamente como enviada ao mundo, atitude que marcar&aacute; a sua maneira de olhar e julgar a sociedade dos homens. Desde o Conc&iacute;lio Vaticano II que o sentir-se enviada ao mundo decidir&aacute; da maneira como a Igreja est&aacute; no mundo. <\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; line-height: 14pt;\">Mas esta perspectiva n&atilde;o anula a consci&ecirc;ncia de que a Igreja, na sua realidade interna, &eacute; um espa&ccedil;o de evangeliza&ccedil;&atilde;o. Para ser fiel &agrave; sua miss&atilde;o, a Igreja precisa de ser continuamente evangelizada (Cf. Paulo VI, <i>Evangelii Nuntiandi<\/i>).<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; line-height: 14pt;\">5. Esta consci&ecirc;ncia da miss&atilde;o da Igreja tamb&eacute;m n&atilde;o anula, nem relativiza, a miss&atilde;o concreta de cada crist&atilde;o, que pode corresponder a uma voca&ccedil;&atilde;o espec&iacute;fica. O &acirc;mbito da miss&atilde;o &eacute; de tal modo alargado, abarcando toda a realidade humana do mundo contempor&acirc;neo, que &eacute; natural e necess&aacute;rio que cada crist&atilde;o se sinta chamado e enviado a empenhar-se na realiza&ccedil;&atilde;o de aspectos concretos da miss&atilde;o. E alguns h&aacute; que est&atilde;o bastante a descoberto nas nossas sociedades contempor&acirc;neas. Para que este &ldquo;particularismo&rdquo; da miss&atilde;o seja aut&ecirc;ntico, exigem-se duas atitudes: que cada miss&atilde;o particular esteja aberta &agrave; universalidade da miss&atilde;o, e que cada um considere a sua miss&atilde;o particular como fazendo parte da miss&atilde;o da Igreja. Esta &eacute; o horizonte, que define os limites da autonomia na considera&ccedil;&atilde;o da miss&atilde;o pessoal de cada um de n&oacute;s. <\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; line-height: 14pt;\"><strong>Voca&ccedil;&atilde;o e miss&atilde;o <\/span><\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; line-height: 14pt;\">6. Deus chama aqueles que escolheu para enviar. S&atilde;o Paulo resume bem esta situa&ccedil;&atilde;o: aqueles que escolheu, chamou-os e consagrou-os; a esses Ele enviou-os. No Antigo Testamento e durante a vida p&uacute;blica de Jesus, ressalta a densidade das escolhas pessoais, dos profetas, dos ap&oacute;stolos, de Paulo na estrada de Damasco. S&oacute; Deus sabe porque escolheu uma pessoa. Mas uma coisa &eacute; clara: escolhe para enviar em miss&atilde;o, a realizar o seu des&iacute;gnio. Algumas destas voca&ccedil;&otilde;es revestem-se de uma certa dramaticidade: as pessoas sentem que a sua vida mudou. Os Ap&oacute;stolos deixam tudo para seguir Jesus. <\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; line-height: 14pt;\">A Igreja percebeu, desde o in&iacute;cio, que ser crist&atilde;o &eacute; uma voca&ccedil;&atilde;o. Desaparece a dramaticidade da interpela&ccedil;&atilde;o pessoal, permanece a densidade de seguir Jesus Cristo, em tudo e com todas as consequ&ecirc;ncias. Aderir &agrave; f&eacute; &eacute; considerado um aut&ecirc;ntico chamamento. &Eacute; nesse sentido que Paulo recorda aos Cor&iacute;ntios: &ldquo;Considerai o vosso chamamento&rdquo; (1Co 1,26). A vida crist&atilde; &eacute; uma voca&ccedil;&atilde;o porque &eacute; um chamamento do Esp&iacute;rito Santo; Ele suscita a resposta a esse chamamento: a fidelidade filial. A Igreja reconhece-se como a comunidade dos que foram chamados. A palavra grega com que se diz Igreja, significa, na sua raiz, que a Igreja &eacute; a &ldquo;eleita&rdquo;, &ldquo;a escolhida&rdquo;, e a &ldquo;chamada&rdquo;. &Eacute; porque ela deve escutar a voz do esposo e responder-lhe: &ldquo;Vem, Senhor Jesus&rdquo; (Ap 22,20). <\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; line-height: 14pt;\">Mas j&aacute; Paulo reconhece que no interior desta comum voca&ccedil;&atilde;o &ldquo;h&aacute; diversidade de dons, de minist&eacute;rios, de opera&ccedil;&otilde;es&rdquo;. Mas na diversidade de carismas, h&aacute; um s&oacute; Corpo e um s&oacute; Esp&iacute;rito (cf. 1Co 12,4-13). Esta &eacute; a novidade crist&atilde;: as interpela&ccedil;&otilde;es feitas pelo Esp&iacute;rito a cada um adquirem a densidade de uma voca&ccedil;&atilde;o, se exprimirem a voca&ccedil;&atilde;o de toda a Igreja, porque &eacute; ela a principal &ldquo;chamada&rdquo; e a continuamente enviada. A concretiza&ccedil;&atilde;o deste dinamismo acaba por fazer descobrir a Igreja, n&atilde;o apenas como a que &eacute; chamada e enviada, mas como a que chama e envia. As &ldquo;mo&ccedil;&otilde;es&rdquo; pessoais do Esp&iacute;rito precisam de ser discernidas, na sua autenticidade, pela Igreja e s&oacute; se tornam realmente voca&ccedil;&atilde;o quando a Igreja chama. <\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; line-height: 14pt;\">A Igreja pode chamar e enviar mesmo quando as pessoas n&atilde;o sentirem interiormente essa sugest&atilde;o de Deus. Quando a Igreja as chama para a miss&atilde;o, s&atilde;o interpeladas a mudar a sua vida, os seus projectos de vida, para poder responder ao chamamento. A voz da Igreja que chama e envia, &eacute; equivalente &agrave; voz de Deus que chamou os profetas, &agrave; Palavra de Jesus que chamou os Ap&oacute;stolos. A Igreja &eacute;, verdadeiramente, o lugar da voca&ccedil;&atilde;o e da miss&atilde;o. <\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; line-height: 14pt;\"><strong>As miss&otilde;es fundadoras da Igreja miss&atilde;o <\/span><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; line-height: 14pt;\">7. Quero terminar esta Catequese sobre a voca&ccedil;&atilde;o e a miss&atilde;o, recordando que h&aacute; voca&ccedil;&otilde;es e miss&otilde;es fundadoras e inspiradoras de toda a miss&atilde;o da Igreja. <\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; line-height: 14pt;\">Antes de mais, a de <strong>Jesus Cristo<\/strong>, que tem uma consci&ecirc;ncia clara da sua miss&atilde;o: &ldquo;O Pai consagrou-Me e enviou-Me ao mundo&rdquo; (Jo 10,16). No caso de Cristo, o Novo Testamento nunca fala de voca&ccedil;&atilde;o. N&atilde;o h&aacute; um momento em que Deus O chama. A sua miss&atilde;o tem origem no seio do mist&eacute;rio de Deus, de Quem Ele &eacute; o Filho. A decis&atilde;o do Pai n&atilde;o &eacute; cham&aacute;-l&rsquo;O, mas sim envi&aacute;-l&rsquo;O. <\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; line-height: 14pt;\">Depois, a de Maria. Neste caso h&aacute; chamamento e miss&atilde;o. A visita de Gabriel, mensageiro de Deus, &eacute; um chamamento a que Maria responde, aceitando a miss&atilde;o: &ldquo;Fa&ccedil;a-se em mim segundo a Tua Palavra&rdquo;. Aceita na obedi&ecirc;ncia e na alegria: <\/span>&ldquo;A minha alma exulta&hellip;&rdquo;.&nbsp; &nbsp;Ela &eacute;, para a Igreja, o modelo de aceita&ccedil;&atilde;o da miss&atilde;o, na alegria <\/span>(cf. VD 124). <\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; line-height: 14pt;\">A voca&ccedil;&atilde;o e miss&atilde;o dos Ap&oacute;stolos. Escolhidos um a um por Jesus, a sua resposta vai sendo dada &agrave; medida que vivem a miss&atilde;o de Jesus. Tornaram-se assim constitutivos e garantias da fecundidade da miss&atilde;o de Cristo, para a Igreja e para o mundo. O minist&eacute;rio apost&oacute;lico &eacute; uma miss&atilde;o especial&iacute;ssima, no conjunto da Igreja miss&atilde;o. A sua fecundidade &eacute; garantia da nossa autenticidade crist&atilde;. <\/span><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 6pt; line-height: 14pt; text-align: right;\">&nbsp;&dagger; JOS&Eacute;, Cardeal-Patriarca <\/span><\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"line-height: 14pt;\"><strong><span>&ldquo;<\/span><\/strong><strong><span>Em cada ano a Igreja celebra a P&aacute;scoa com o seu Senhor<\/span><\/strong><strong><span>&rdquo;<\/span><\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"line-height: 14pt;\"><i><strong>Catequese do 6.&ordm; Domingo da Quaresma<\/strong><\/span><\/i><\/p>\n<p style=\"line-height: 14pt; text-align: right;\"><i>S&eacute; Patriarcal, 17 de Abril de 2011 <\/span><\/i><\/p>\n<p style=\"line-height: 14pt;\"><strong>Introdu&ccedil;&atilde;o <\/span><\/strong><\/p>\n<p style=\"line-height: 14pt; text-align: justify;\">1. A palavra P&aacute;scoa significa passagem. Refere, historicamente, a liberta&ccedil;&atilde;o do Povo de Israel do cativeiro do Egipto. Foi passagem, porque o anjo do Senhor passou, poupando os israelitas &agrave; extermina&ccedil;&atilde;o dos primog&eacute;nitos; foi passagem da escravid&atilde;o para a liberdade; foi passagem porque in&iacute;cio de um longo caminho, com os olhos postos na terra da promessa. Nesse longo caminho, passaram o deserto, o Mar Vermelho, o rio Jord&atilde;o. Essa primeira P&aacute;scoa sugere os principais dinamismos da caminhada para a liberdade: s&oacute; com a ac&ccedil;&atilde;o de Deus &eacute; poss&iacute;vel essa passagem. S&oacute; a ac&ccedil;&atilde;o de Deus pode fazer com que haja P&aacute;scoa. O seu s&iacute;mbolo sacramental &eacute; um cordeiro imolado, comido por toda a fam&iacute;lia em atitude de caminhantes. Enquanto o Povo continuar a caminho, deve voltar a celebrar a P&aacute;scoa (cf. Ex 12,14). Porque o Povo continua a sua caminhada de liberta&ccedil;&atilde;o, continuar&aacute; a celebrar a P&aacute;scoa, em mem&oacute;ria da primeira P&aacute;scoa, quando o anjo do Senhor passou e aplicando-a &agrave; actualidade de cada ano. <\/span><\/p>\n<p style=\"line-height: 14pt; text-align: justify;\">Jesus Cristo, na sua &uacute;ltima P&aacute;scoa, d&aacute; o sentido pleno e definitivo a esta celebra&ccedil;&atilde;o da busca da liberdade, conduzidos pela for&ccedil;a de Deus. Convida-os, com Ele, a fazer a grande passagem, da escravid&atilde;o &agrave; liberdade, do pecado &agrave; gra&ccedil;a. Define o sentido da caminhada: o destino &eacute; a terra da promessa, que Ele identifica como a Casa do Pai. D&aacute; um sentido novo ao sofrimento e &agrave; morte, pois a Sua passagem &eacute; da morte &agrave; vida. &Eacute; uma passagem que s&oacute; Deus torna poss&iacute;vel, feita com Ele, que &eacute; o Filho de Deus. &Eacute; celebra&ccedil;&atilde;o da Alian&ccedil;a, da nova e definitiva Alian&ccedil;a e convida-nos, como fez Mois&eacute;s no Egipto, a fazer mem&oacute;ria, isto &eacute;, a celebrar de novo a P&aacute;scoa nas circunst&acirc;ncias concretas de cada momento da caminhada, dando &agrave; mem&oacute;ria a densidade da actualidade. S&oacute; quando todo o Povo alcan&ccedil;ar a definitiva terra prometida, isto &eacute;, estiver reunido na Casa do Pai, &eacute; que a P&aacute;scoa deixar&aacute; de ser mem&oacute;ria, porque o presente ser&aacute; a plenitude da liberdade e da alegria. &ldquo;Eu vo-lo digo: n&atilde;o voltarei a beber deste produto da videira at&eacute; ao dia em que beberei convosco o vinho novo no Reino de Meu Pai&rdquo; (Mt 26,29). <\/span><\/p>\n<p style=\"line-height: 14pt; text-align: justify;\">A P&aacute;scoa crist&atilde; adensou a rela&ccedil;&atilde;o entre mem&oacute;ria e actualidade. Enquanto estivermos a caminho, na caminhada da f&eacute;, feita n&atilde;o individualmente, mas em Igreja, o Povo do Senhor, temos de celebrar a P&aacute;scoa, em mem&oacute;ria da primeira P&aacute;scoa da nova Alian&ccedil;a, mas no realismo da sua incid&ecirc;ncia na actualidade da Igreja e de toda a humanidade. <\/span><\/p>\n<p style=\"line-height: 14pt; text-align: justify;\"><strong>Actualidade da P&aacute;scoa <\/span><\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"line-height: 14pt; text-align: justify;\">2. Este &eacute; o dilema da nossa P&aacute;scoa: &eacute; apenas uma cerim&oacute;nia religiosa que evoca um passado, a ceia pascal de Cristo com os seus disc&iacute;pulos, como o crucifixo nos recorda o Calv&aacute;rio? Ou tem a densidade do drama da Igreja e da humanidade actuais, na sua peregrina&ccedil;&atilde;o para a liberdade, isto &eacute;, para a plenitude da vida? Ansiamos por essa &ldquo;passagem&rdquo;, num caminho &aacute;rduo, com os olhos postos na terra da promessa? Queremos fazer essa passagem com o Senhor, com a for&ccedil;a do seu amor, que &eacute; o seu Esp&iacute;rito? Temos consci&ecirc;ncia de que somos um povo a caminho, e que a passagem definitiva s&oacute; o Senhor a realizou e aqueles que o seguiram at&eacute; ao fim e que Ele j&aacute; reuniu na Casa do Pai? Qual &eacute; o passo seguinte nesta caminhada para a liberdade? Queremos d&aacute;-lo sozinhos, com a nossa iniciativa e as nossas for&ccedil;as, ou queremos d&aacute;-lo com Ele, com a for&ccedil;a da sua pr&oacute;pria P&aacute;scoa, em que venceu o pecado e a morte? Qual &eacute; a densidade existencial da P&aacute;scoa deste ano, para cada um de n&oacute;s, para a Igreja e para a humanidade por quem Cristo morreu na Cruz? Celebrar a P&aacute;scoa &eacute; dar um sentido &agrave; nossa luta presente, por uma Igreja mais fiel e por uma humanidade mais digna do homem. <\/span><\/p>\n<p style=\"line-height: 14pt;\"><strong>S&oacute; &eacute; poss&iacute;vel celebrar a P&aacute;scoa com Jesus Cristo <\/span><\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"line-height: 14pt; text-align: justify;\">3. S&oacute; a P&aacute;scoa de Jesus Cristo torna poss&iacute;vel &agrave; Igreja, &agrave; humanidade, a cada um de n&oacute;s, dar passos em frente, no contexto da nossa realidade, em ordem &agrave; liberta&ccedil;&atilde;o. Sem a for&ccedil;a da P&aacute;scoa de Jesus, a humanidade n&atilde;o avan&ccedil;a em ordem &agrave; liberdade. Ele &eacute; o novo Mois&eacute;s que, em cada momento da nossa hist&oacute;ria, nos torna capazes de avan&ccedil;ar, de fazer a passagem, do ego&iacute;smo &agrave; generosidade, da viol&ecirc;ncia &agrave; fraternidade, do individualismo &agrave; comunh&atilde;o. Ele reuniu misteriosamente em Si toda a humanidade de todos os tempos, quer os homens o saibam, quer n&atilde;o, e o destino da nossa caminhada est&aacute; ligado ao seu pr&oacute;prio destino de triunfador sobre a viol&ecirc;ncia e sobre a morte. &Eacute; por isso que celebramos sempre a P&aacute;scoa de Jesus Cristo, pois s&oacute; nela, na sua actualidade, encontramos luz e for&ccedil;a para a nossa P&aacute;scoa. <\/span><\/p>\n<p style=\"line-height: 14pt; text-align: justify;\">Cristo unificou em Si toda a humanidade, renovando na reden&ccedil;&atilde;o a unidade da cria&ccedil;&atilde;o. &Eacute; que por Ele todas as coisas foram criadas (cf. Jo 1,3; Col 1,15-20). Verbo criador, ao fazer-Se homem uniu ao seu destino o destino de todos os homens. S&oacute; assim se percebe a sua passagem dolorosa da morte at&eacute; &agrave; ressurrei&ccedil;&atilde;o. A liturgia canta, &ldquo;Deus n&atilde;o perdoou ao seu pr&oacute;prio Filho&rdquo;. N&atilde;o &eacute; a sua salva&ccedil;&atilde;o que est&aacute; em quest&atilde;o, mas a da humanidade, todos os homens seus irm&atilde;os. S&oacute; com Ele poder&atilde;o fazer a sua pr&oacute;pria passagem de liberta&ccedil;&atilde;o. Cristo aceita morrer porque os homens precisavam de morrer, para os desvios da vida presente, para regressarem &agrave; vida para que Deus os criou. A P&aacute;scoa de Cristo &eacute;, no seu amor generoso e na obedi&ecirc;ncia ao desejo de Deus, seu Pai, de salvar a humanidade, a P&aacute;scoa de toda a humanidade. <\/span><\/p>\n<p style=\"line-height: 14pt; text-align: justify;\">O Senhor tem a alegria de ver o fruto do seu amor generoso. Os que acreditam n&rsquo;Ele e se unem &agrave; sua vida humana de ressuscitado, unem-se a Ele de uma maneira nova, identificam-se com Ele nessa vida nova, partilham do seu ardor salv&iacute;fico, do seu desejo de ajudar todos os homens a caminhar em direc&ccedil;&atilde;o &agrave; terra da promessa. Esses s&atilde;o a sua Igreja, o seu Corpo, dispostos a partilhar com Ele as vicissitudes da P&aacute;scoa da humanidade. A actualidade da P&aacute;scoa de Cristo continua a ser a oferta de Si Mesmo por toda a humanidade. S&oacute; que agora pode unir-se a Ele a sua Igreja, oferecendo-se com Ele pela salva&ccedil;&atilde;o de todos os homens. Esta uni&atilde;o da Igreja a Jesus Cristo, seu Senhor, na celebra&ccedil;&atilde;o da P&aacute;scoa, &eacute; tanto oferta do sofrimento e da morte, como frui&ccedil;&atilde;o da vida nova. S&atilde;o Paulo escreve aos G&aacute;latas: &ldquo;Estou crucificado com Cristo e se vivo, j&aacute; n&atilde;o sou eu, mas &eacute; Cristo que vive em mim. A minha vida presente na carne, vivo-a na f&eacute; do Filho de Deus, que me amou e se entregou por mim&rdquo; (Gal 2,19-20). &ldquo;Cristo ser&aacute; glorificado no meu corpo, quer eu viva, quer eu morra&rdquo; (Fil 1,21). &ldquo;Completo no meu corpo o que falta &agrave; Paix&atilde;o de Cristo&rdquo; (Col 1,24). <\/span><\/p>\n<p style=\"line-height: 14pt; text-align: justify;\">A P&aacute;scoa da Igreja participa na plenitude da P&aacute;scoa de Cristo e com Ele merece a P&aacute;scoa da humanidade. &Eacute; o sentido da afirma&ccedil;&atilde;o do Conc&iacute;lio Vaticano II que designa a Igreja como sacramento de salva&ccedil;&atilde;o para toda a humanidade. Assim, ao celebrarmos, em cada ano, a P&aacute;scoa, temos em conta a nossa P&aacute;scoa, a nossa passagem, os passos que precisamos dar para nos unirmos, o mais totalmente poss&iacute;vel, &agrave; Pascoa de Jesus. <\/span><\/p>\n<p style=\"line-height: 14pt; text-align: justify;\"><strong>A Eucaristia e a actualidade da P&aacute;scoa <\/span><\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"line-height: 14pt; text-align: justify;\">4. A actualidade da P&aacute;scoa &eacute; a verdade de cada Eucaristia, celebrada pela Igreja, em uni&atilde;o com Cristo seu Senhor. A comunidade crist&atilde; celebra a P&aacute;scoa todas as semanas, no primeiro dia da semana, dia em que Cristo ressuscitou dos mortos. A celebra&ccedil;&atilde;o anual da P&aacute;scoa, nesta Semana Maior, se por um lado afirma a continuidade entre a P&aacute;scoa judaica e a P&aacute;scoa crist&atilde;, na riqueza da sua liturgia evoca os tra&ccedil;os fundamentais da f&eacute; da Igreja em Jesus Cristo, presentes em cada Eucaristia: a realeza e a senhoria de Cristo; Cristo Sumo Sacerdote, o novo sacerd&oacute;cio e o novo culto; Cristo p&atilde;o vivo descido do c&eacute;u, dado para nosso alimento; a actualidade da Cruz de Cristo, abra&ccedil;o de amor de Deus por todos os homens, de todos os tempos; a surpresa da ressurrei&ccedil;&atilde;o, abrindo para o novo horizonte da vida humana, novo sentido do nosso corpo, desejo renovado da vida eterna. <\/span><\/p>\n<p style=\"line-height: 14pt; text-align: justify;\">A Eucaristia &eacute; sempre a celebra&ccedil;&atilde;o da P&aacute;scoa. O seu ritmo semanal, ou mesmo di&aacute;rio, d&aacute; realismo &agrave; actualidade da P&aacute;scoa, que incide, como desafio renovador, sobre o concreto da vida de cada homem, de cada comunidade, de cada na&ccedil;&atilde;o, de toda a humanidade. A Eucaristia semanal ajuda-nos a aplicar &agrave; vida dos homens o sacrif&iacute;cio redentor de Jesus Cristo e a n&atilde;o fazer dessa celebra&ccedil;&atilde;o uma express&atilde;o intemporal que paira sobre a realidade da vida presente. Na sua P&aacute;scoa, Cristo abra&ccedil;ou, com o amor infinito de Deus, todos os homens; em cada Eucaristia, a Igreja sabe que esse abra&ccedil;o de amor se exprime, agora, em n&oacute;s, em todos os nossos irm&atilde;os, no realismo das suas vidas. Quem n&atilde;o acreditar que esse abra&ccedil;o de Deus, se dirige a cada um de n&oacute;s, no momento presente da nossa vida, n&atilde;o pode viver plenamente a Eucaristia. <\/span><\/p>\n<p style=\"line-height: 14pt; text-align: justify;\">Esta verdade da Eucaristia, no momento presente da nossa vida, exprime-se na verdade da celebra&ccedil;&atilde;o. No modo como escutamos e acolhemos a Palavra do Senhor; na intensidade com que nos unimos ao Senhor no louvor de Deus e no amor por todos os homens; na humildade com que, ao reconhecermos os nossos pecados, confiamos na for&ccedil;a transformadora do seu amor; na ternura e na confian&ccedil;a com que O recebemos como p&atilde;o vivo para nos alimentar na nova vida que com Ele partilhamos; na sinceridade do nosso amor fraterno; no entusiasmo com que partimos a anunciar que estamos salvos, porque Deus nos ama. Desde os mais antigos textos lit&uacute;rgicos, v&ecirc;-se que as comunidades crist&atilde;s viviam todas estas dimens&otilde;es na Eucaristia que celebravam e que, com o cora&ccedil;&atilde;o a transbordar, eram enviados a anunciar o amor de Deus e a amar os irm&atilde;os. Agora ide e anunciai, &eacute; o sentido de todas as formas de encerramento da celebra&ccedil;&atilde;o e de prolongamento dela na fidelidade crist&atilde;, na pr&aacute;tica da caridade crist&atilde; e no an&uacute;ncio da boa-nova do Evangelho. A riqueza desta celebra&ccedil;&atilde;o anual da P&aacute;scoa, ensina-nos a celebrar a Eucaristia, todos os domingos ou, porventura, todos os dias. Cada comunidade e cada crist&atilde;o vivem da Eucaristia e na Eucaristia. <\/span><\/p>\n<p style=\"line-height: 14pt; text-align: justify;\">Na Eucaristia semanal &eacute; mais f&aacute;cil, e espont&acirc;neo, ligar a Palavra de Jesus ao concreto da vida: as pessoas que morreram, os que sofrem, no corpo ou no esp&iacute;rito; as etapas importantes da vida de cada um e de toda a comunidade; os grandes problemas da comunidade humana, que os modernos meios de comunica&ccedil;&atilde;o nos ensinaram a descobrir como a &uacute;nica fam&iacute;lia humana. Em cada celebra&ccedil;&atilde;o da Eucaristia, todas essas realidades, que agora nos alegram ou nos afligem, s&atilde;o iluminadas pela Palavra, mergulhados no amor de Jesus, transformadas em express&atilde;o de confian&ccedil;a e de louvor. <\/span><\/p>\n<p style=\"line-height: 14pt; text-align: justify;\">Demos &agrave; nossa P&aacute;scoa deste ano a densidade da actualidade. Celebremo-la como se fosse a &uacute;nica que nos foi dado celebrar. <\/span><\/p>\n<p style=\"line-height: 14pt; text-align: right;\">&dagger; JOS&Eacute;, Cardeal-Patriarca <\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Semin&aacute;rio dos Olivais, em parceria com o jornal Voz da Verdade, est&aacute; a transmitir em directo &#8211; via internet [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":341,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[11],"tags":[],"class_list":["post-342","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-mensagens-do-papa"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v27.4 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>Catequeses Quaresmais 2011 - Paroquia de Queijas<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/paroquiaqueijas.net\/portal\/catequeses-quaresmais\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"pt_PT\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"Catequeses Quaresmais 2011 - Paroquia de Queijas\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"O Semin&aacute;rio dos Olivais, em parceria com o jornal Voz da Verdade, est&aacute; 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