{"id":410,"date":"2011-04-09T20:56:38","date_gmt":"2011-04-09T20:56:38","guid":{"rendered":"https:\/\/paroquiaqueijas.net\/site\/?p=410"},"modified":"2026-03-21T15:42:04","modified_gmt":"2026-03-21T15:42:04","slug":"pe-cantalamessa-catequeses-quaresmais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/paroquiaqueijas.net\/portal\/pe-cantalamessa-catequeses-quaresmais\/","title":{"rendered":"Pe. Cantalamessa: Catequeses Quaresmais"},"content":{"rendered":"<p style=\"margin-bottom: 6pt; line-height: 13pt;\"><b>Catequeses Quaresmais <\/span><\/b><b>do P. Raniero Cantalamessa<\/span><\/b><b> &agrave; C&uacute;ria Romana<\/span><\/b><\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 20pt 6pt 0cm; line-height: 13pt; text-align: left;\" align=\"right\">Cidade do Vaticano, 25 de Mar&ccedil;o de 2011<\/span><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 6pt; line-height: 13pt; text-align: center;\"><span style=\"font-size: 8pt;\"><strong><span>Primeira prega&ccedil;&atilde;o quaresmal <\/span><\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 6pt; line-height: 13pt; text-align: center;\"><b>As duas faces do amor: &lsquo;eros&rsquo; e &lsquo;&aacute;gape&rsquo;<\/span><\/span><\/b><\/span><b><\/span><br \/><\/span><\/b><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 6pt; line-height: 13pt;\"><strong>1. As duas faces do amor<\/span><\/strong><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\" alignright size-full wp-image-409\" src=\"https:\/\/paroquiaqueijas.net\/portal\/wp-content\/uploads\/2011\/04\/280972-2.jpg\" alt=\"280972-2\" width=\"300\" height=\"335\" style=\"margin: 0px 0px 2px 9px; float: right;\" srcset=\"https:\/\/paroquiaqueijas.net\/portal\/wp-content\/uploads\/2011\/04\/280972-2.jpg 286w, https:\/\/paroquiaqueijas.net\/portal\/wp-content\/uploads\/2011\/04\/280972-2-268x300.jpg 268w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 6pt; line-height: 13pt; text-align: justify;\">Com as pr&eacute;dicas desta Quaresma, eu gostaria de continuar o esfor&ccedil;o, iniciado no Advento, de trazer uma pequena contribui&ccedil;&atilde;o &agrave; re-evangeliza&ccedil;&atilde;o do Ocidente<\/span><\/span> secularizado, que constitui nesta hora a preocupa&ccedil;&atilde;o principal de toda a Igreja e, em particular, do Santo Padre Bento XVI.<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 6pt; line-height: 13pt; text-align: justify;\">H&aacute; um &acirc;mbito em que a seculariza&ccedil;&atilde;o age de maneira especialmente difusa e nefasta, e &eacute; o &acirc;mbito do amor. A seculariza&ccedil;&atilde;o do amor consiste em separar o amor humano de Deus, em todas as formas desse amor, reduzindo-o a algo meramente &ldquo;profano&rdquo;, onde Deus sobra e at&eacute; incomoda.<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 6pt; line-height: 13pt; text-align: justify;\">Mas o amor n&atilde;o &eacute; um assunto importante apenas para a evangeliza&ccedil;&atilde;o, ou seja, para as rela&ccedil;&otilde;es com o mundo. Ele importa, antes de todo o mais, para a pr&oacute;pria vida interna da Igreja, para a santifica&ccedil;&atilde;o dos seus membros. &Eacute; nesta perspectiva que se situa a enc&iacute;clica <i>Deus caritas est<\/i>, do Papa Bento XVI, e &eacute; nela que n&oacute;s tamb&eacute;m nos colocamos para estas reflex&otilde;es.<\/span><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 6pt; line-height: 13pt; text-align: justify;\">O amor sofre de uma separa&ccedil;&atilde;o nefasta n&atilde;o s&oacute; na mentalidade do mundo secularizado, mas tamb&eacute;m, do lado oposto, entre os crentes e, em particular, entre a<\/span><\/span>s almas consagradas. Poder&iacute;amos formular a situa&ccedil;&atilde;o, simplificando ao m&aacute;ximo, assim: temos no mundo um <i>eros<\/i> sem <i>&aacute;gape<\/i>; e entre os crentes, temos frequentemente um <i>&aacute;gape<\/i> sem <i>eros<\/i>.<\/span><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 6pt; line-height: 13pt; text-align: justify;\">O eros sem &aacute;gape &eacute; um amor rom&acirc;ntico, mas comummente passional, at&eacute; violento. Um amor de conquista, que reduz fatalmente o outro a objecto do pr&oacute;prio prazer e ignora toda dimens&atilde;o de sacrif&iacute;cio, de fidelidade e de doa&ccedil;&atilde;o de si. N&atilde;o &eacute; preciso insistir na descri&ccedil;&atilde;o desse amor, porque se trata de uma realidade que temos todo dia diante dos nossos olhos, propagandeada com estrondo pelos romances, filmes, novelas, internet, revistas. &Eacute; o que a linguagem comum entende, hoje, com a palavra &ldquo;amor&rdquo;.<\/span><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 6pt; line-height: 13pt; text-align: justify;\">Para n&oacute;s &eacute; mais &uacute;til entender o que significa <i>&aacute;gape<\/i> sem <i>eros<\/i>. Na m&uacute;sica, existe uma diferencia&ccedil;&atilde;o que pode nos ajudar a ter uma ideia: a diferen&ccedil;a entre o jazz quente e o jazz frio. Eu li certa vez essa caracteriza&ccedil;&atilde;o dos dois g&eacute;neros, mas sei que n&atilde;o &eacute; a &uacute;nica poss&iacute;vel. O jazz quente (hot) &eacute; o jazz apaixonado, ardente, expressivo, feito de &iacute;mpetos, de sentimentos e, portanto, de improvisa&ccedil;&otilde;es originais. O jazz frio (cool) &eacute; o profissional: os sentimentos se tornam repetitivos, o estro &eacute; substitu&iacute;do pela t&eacute;cnica, a espontaneidade pelo virtuosismo.<\/span><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 6pt; line-height: 13pt; text-align: justify;\">Com base nessa distin&ccedil;&atilde;o, o &aacute;gape sem eros &eacute; um &ldquo;amor frio&rdquo;, um amar parcial, sem a participa&ccedil;&atilde;o do ser inteiro, mais por imposi&ccedil;&atilde;o da vontade do que por &iacute;mpeto &iacute;ntimo do cora&ccedil;&atilde;o. Um entrar num cen&aacute;rio predefinido, em vez de criar um pr&oacute;prio, realmente irrepet&iacute;vel, como irrepet&iacute;vel &eacute; cada ser humano perante Deus. Os actos de amor voltados para Deus parecem aqueles de namorados desinspirados, que escrevem &agrave; amada cartas copiadas de modelos prontos.<\/span><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 6pt; line-height: 13pt; text-align: justify;\">Se o amor mundano &eacute; um corpo sem alma, o amor religioso praticado assim &eacute; uma alma sem corpo. O ser humano n&atilde;o &eacute; um anjo, um esp&iacute;rito puro; &eacute; alma e corpo substancialmente unidos: tudo o que ele faz, amar inclusive, tem que reflectir essa estrutura. Se o componente humano ligado ao tempo e &agrave; corporeidade &eacute; sistematicamente negado ou reprimido, a sa&iacute;da ser&aacute; d&uacute;plice: ou seguir adiante aos arrastos, por senso de dever, por defesa da pr&oacute;pria imagem, ou ir atr&aacute;s de compensa&ccedil;&otilde;es mais ou menos l&iacute;citas, chegando at&eacute; os doloros&iacute;ssimos casos que est&atilde;o afligindo actualmente a Igreja. No fundo de muitos desvios morais de almas consagradas, n&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel ignor&aacute;-lo: h&aacute; uma concep&ccedil;&atilde;o distorcida e retorcida do amor.<\/span><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 6pt; line-height: 13pt; text-align: justify;\">Temos, ent&atilde;o, um duplo motivo e uma dupla urg&ecirc;ncia de redescobrir o amor na sua unidade original. O amor verdadeiro e integral &eacute; uma p&eacute;rola encerrada entre duas conchas que s&atilde;o o eros e o &aacute;gape. N&atilde;o podem ser separadas, essas duas dimens&otilde;es do amor, sem destru&iacute;-lo, como o hidrog&eacute;nio e o oxig&eacute;nio n&atilde;o podem ser separados sem se privarem da &aacute;gua.<\/span><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 6pt; line-height: 13pt; text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 6pt; line-height: 13pt; text-align: justify;\"><b>2. A tese da incompatibilidade entre os dois amores<\/span><\/b><\/span><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 6pt; line-height: 13pt; text-align: justify;\">A reconcilia&ccedil;&atilde;o mais importante entre as duas dimens&otilde;es do amor &eacute; pr&aacute;tica. &Eacute; aquela que acontece na vida das pessoas, mas, para ser poss&iacute;vel, ela precisa come&ccedil;ar pela reconcilia&ccedil;&atilde;o entre o eros e o &aacute;gape inclusive teoricamente, na doutrina. Isto nos permitir&aacute; conhecer finalmente o que &eacute; que se entende por estes dois termos t&atilde;o frequentemente usados e subentendidos.<\/span><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 6pt; line-height: 13pt; text-align: justify;\">A import&acirc;ncia da quest&atilde;o nasce do fato de existir uma obra que popularizou em todo o mundo crist&atilde;o a tese oposta da inconciliabilidade das duas formas de amor. &Eacute; o livro do te&oacute;logo luterano sueco Anders Nygren, intitulado <i>Eros e &Aacute;gape<\/i>. Podemos resumir o pensamento dele nestes termos: eros e &aacute;gape designam dois movimentos opostos. O primeiro indica ascens&atilde;o e subida do homem para Deus e para o divino como pr&oacute;prio bem e pr&oacute;pria origem; o outro, o &aacute;gape, indica a descida de Deus at&eacute; o homem com a encarna&ccedil;&atilde;o e a cruz de Cristo, e, portanto, a salva&ccedil;&atilde;o oferecida ao homem sem m&eacute;rito nem resposta de sua parte, a n&atilde;o ser a f&eacute; e somente a f&eacute;. O Novo Testamento fez uma escolha precisa, usando, para exprimir o amor, o termo <i>&aacute;gape<\/i>, e refutando sistematicamente o termo <i>eros<\/i>.<\/span><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 6pt; line-height: 13pt; text-align: justify;\">Foi S&atilde;o Paulo quem recolheu e formulou com mais pureza essa doutrina do amor. Depois dele, ainda segundo a tese de Nygren, essa ant&iacute;tese radical se perdeu para dar lugar a tentativas de s&iacute;ntese. Assim que o cristianismo entra em contacto cultural com o mundo grego e a vis&atilde;o plat&oacute;nica, j&aacute; com Or&iacute;genes, h&aacute; uma reavalia&ccedil;&atilde;o do eros, como movimento ascensional da alma rumo ao bem e ao divino, como atrac&ccedil;&atilde;o universal exercitada pela beleza e pelo divino. Nesta linha, o Pseudo Dion&iacute;sio Areopagita escrever&aacute; que &ldquo;Deus &eacute; eros&rdquo; [1], substituindo com este termo o &aacute;gape da c&eacute;lebre frase de Jo&atilde;o (I Jo, 4,10).<\/span><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 6pt; line-height: 13pt; text-align: justify;\">No ocidente, uma s&iacute;ntese an&aacute;loga foi feita por Agostinho com a doutrina da <i>caritas<\/i>, entendida como doutrina do amor descendente e gratuito de Deus pelo homem (ningu&eacute;m falou da &ldquo;gra&ccedil;a&rdquo; com mais for&ccedil;a do que ele), mas tamb&eacute;m como anseio do homem pelo bem e por Deus. &Eacute; dele a afirma&ccedil;&atilde;o: &ldquo;Fizeste-nos, Senhor, para ti, e inquieto est&aacute; o nosso cora&ccedil;&atilde;o at&eacute; descansar em ti&rdquo; [2]. Tamb&eacute;m &eacute; dele a imagem do amor como um peso que atrai a alma, como por for&ccedil;a de gravidade, para Deus, como ao lugar do pr&oacute;prio repouso e prazer [3]. Tudo isso, para Nygren, insere um elemento do amor de si, do pr&oacute;prio bem, e, portanto, de ego&iacute;smo, que destr&oacute;i a pura gratuidade da gra&ccedil;a; &eacute; uma reca&iacute;da na ilus&atilde;o pag&atilde; de fazer a salva&ccedil;&atilde;o consistir numa ascens&atilde;o a Deus, em vez de na gratuita e imotivada descida de Deus at&eacute; n&oacute;s.<\/span><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 6pt; line-height: 13pt; text-align: justify;\">Prisioneiros desta imposs&iacute;vel s&iacute;ntese entre eros e &aacute;gape, entre amor de Deus e amor de si, s&atilde;o, para Nygren, S&atilde;o Bernardo, quando define o grau supremo do amor de Deus como um &ldquo;amar a Deus por si mesmo&rdquo; e um &ldquo;amar a si mesmo por Deus&rdquo; [4]; S&atilde;o Boaventura, com seu ascensional <i>Itiner&aacute;rio da mente para Deus<\/i>; e S&atilde;o Tom&aacute;s de Aquino, que define o amor de Deus infuso no cora&ccedil;&atilde;o do baptizado (cf. Rom, 5,5) como &ldquo;o amor com que Deus nos ama e nos faz am&aacute;-lo&rdquo; (<i>amor quo ipse nos diligit et quo ipse nos dilectores sui facit<\/i>) [5]. Isto viria a significar que o homem, amado por Deus, pode, por sua vez, amar a Deus, dar-lhe algo de seu, o que destruiria a absoluta gratuidade do amor de Deus. No plano existencial, ainda de acordo com Nygren, o mesmo desvio acontece na m&iacute;stica cat&oacute;lica. O amor dos m&iacute;sticos, com a sua fort&iacute;ssima carga de eros, nada &eacute;, para ele, sen&atilde;o amor sensual sublimado, uma tentativa de estabelecer com Deus uma rela&ccedil;&atilde;o de presun&ccedil;osa reciprocidade em amor.<\/span><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 6pt; line-height: 13pt; text-align: justify;\">Quem rompeu a ambiguidade e devolveu &agrave; luz a pura ant&iacute;tese paulina, segundo o autor, foi Lutero. Fundamentando a justifica&ccedil;&atilde;o apenas na f&eacute;, ele n&atilde;o excluiu a caridade do momento-base da vida crist&atilde;, como o acusa a teologia cat&oacute;lica; antes, libertou a caridade, o &aacute;gape, do elemento esp&uacute;rio do eros. &Agrave; f&oacute;rmula do &ldquo;somente a f&eacute;&rdquo;, com exclus&atilde;o das obras, corresponderia, em Lutero, a f&oacute;rmula do &ldquo;somente o &aacute;gape&rdquo;, com exclus&atilde;o do eros.<\/span><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 6pt; line-height: 13pt; text-align: justify;\">N&atilde;o me cabe estabelecer se o autor interpretou corretamente neste ponto o pensamento de Lutero, que, deve-se dizer, nunca p&ocirc;s o problema em termos de contraste entre eros e &aacute;gape como fez com f&eacute; e obras. &Eacute; significativo, no entanto, que Karl Barth, num cap&iacute;tulo da sua <i>Dogm&aacute;tica Eclesial<\/i>, tamb&eacute;m chegue ao mesmo resultado que Nygren de um contraste insan&aacute;vel entre eros e &aacute;gape. &ldquo;Onde entra em cena o amor crist&atilde;o&rdquo;, escreve ele, &ldquo;come&ccedil;a de s&uacute;bito o conflito com o outro amor, e este conflito n&atilde;o tem mais fim&rdquo; [6]. Eu digo que se isto n&atilde;o &eacute; luteranismo, &eacute; sem d&uacute;vida teologia dial&eacute;ctica, teologia do &ldquo;aut-aut&rdquo;, da ant&iacute;tese, n&atilde;o da s&iacute;ntese.<\/span><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 6pt; line-height: 13pt; text-align: justify;\">O contragolpe desta opera&ccedil;&atilde;o &eacute; a radical mundaniza&ccedil;&atilde;o e seculariza&ccedil;&atilde;o do eros. Enquanto certa teologia retirava o eros do &aacute;gape, a cultura secular era bem feliz, por sua vez, ao retirar o &aacute;gape do eros, ou seja, ao retirar do amor humano toda refer&ecirc;ncia a Deus e &agrave; gra&ccedil;a. Freud apresentou para isto uma justificativa te&oacute;rica, reduzindo o amor a eros e o eros a libido, uma mera puls&atilde;o sexual que luta contra toda repress&atilde;o e inibi&ccedil;&atilde;o. &Eacute; o est&aacute;gio a que se reduz hoje o amor em muitas manifesta&ccedil;&otilde;es da vida e da cultura, principalmente no mundo do espect&aacute;culo.<\/span><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 6pt; line-height: 13pt; text-align: justify;\">Dois anos atr&aacute;s eu estava em Madrid. Os jornais s&oacute; faziam falar de uma certa mostra de arte na cidade, intitulada <i>As l&aacute;grimas do eros<\/i>. Era uma mostra de obras art&iacute;sticas de cunho er&oacute;tico &ndash; quadros, desenhos, esculturas &ndash; que pretendiam p&ocirc;r em foco o insepar&aacute;vel v&iacute;nculo que existe, na experi&ecirc;ncia do homem moderno, entre <i>eros<\/i> e <i>thanatos<\/i>, entre amor e morte. &Agrave; mesma constata&ccedil;&atilde;o se chega quando se l&ecirc; a colect&acirc;nea de poesias <i>As flores do mal,<\/i> de Baudelaire, ou <i>Uma temporada no inferno<\/i>, de Rimbaud. O amor que por natureza deveria levar &agrave; vida acaba ao inv&eacute;s levando &agrave; morte.<\/span><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 6pt; line-height: 13pt; text-align: justify;\"><b>3. Retorno &agrave; s&iacute;ntese<\/span><\/b><\/span><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 6pt; line-height: 13pt; text-align: justify;\">Se n&atilde;o podemos mudar de uma vez a ideia de amor que o mundo possui, podemos, sim, corrigir a vis&atilde;o teol&oacute;gica, que, sem querer, a favorece e legitima. &Eacute; o que fez de maneira exemplar o papa Bento XVI com a enc&iacute;clica <i>Deus caritas est<\/i>. Ele reafirma a s&iacute;ntese cat&oacute;lica tradicional expressando-a com os termos modernos. &ldquo;Eros e &aacute;gape&rdquo;, lemos ali, &ldquo;amor ascendente e amor descendente, n&atilde;o se deixam jamais separar de todo um do outro [&#8230;]. A f&eacute; b&iacute;blica n&atilde;o constr&oacute;i um mundo paralelo ou um mundo contraposto ao original fen&oacute;meno humano que &eacute; o amor, mas aceita o homem todo, intervindo na sua procura pelo amor para purific&aacute;-la, destruindo, em paralelo, novas dimens&otilde;es suas&rdquo; (7-8). Eros e &aacute;gape est&atilde;o unidos &agrave; pr&oacute;pria fonte do amor, que &eacute; Deus: &ldquo;Ele ama&rdquo;, segue o texto da enc&iacute;clica, &ldquo;e este seu amor pode ser qualificado certamente como <i>eros<\/i>, que, no entanto, &eacute; tamb&eacute;m e totalmente <i>&aacute;gape<\/i>&rdquo; (9).<\/span><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 6pt; line-height: 13pt; text-align: justify;\">Entende-se o acolhimento insolitamente favor&aacute;vel que este documento pontif&iacute;cio encontrou mesmo nos ambientes leigos mais abertos e respons&aacute;veis. D&aacute; esperan&ccedil;a ao mundo. Corrige a imagem de uma f&eacute; que toca o mundo em tangente, sem penetr&aacute;-lo, com a imagem evang&eacute;lica da levedura que faz a massa fermentar; substitui a ideia de um reino de Deus que veio julgar o mundo pela de um reino de Deus que veio salvar o mundo, come&ccedil;ando pelo eros que &eacute; a sua for&ccedil;a dominante.<\/span><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 6pt; line-height: 13pt; text-align: justify;\">&Agrave; vis&atilde;o tradicional, pr&oacute;pria tanto da teologia cat&oacute;lica como da ortodoxa, pode-se dar, creio eu, uma confirma&ccedil;&atilde;o tamb&eacute;m do ponto de vista da exegese. Quem sustenta a tese da incompatibilidade entre eros e &aacute;gape se baseia no fato de o Novo Testamento evitar com esmero &ndash; e, ao parecer, propositadamente &ndash; o termo <i>eros<\/i>, usando em seu lugar sempre e somente <i>&aacute;gape<\/i> (a n&atilde;o ser por algum raro emprego do termo <i>philia<\/i>, que indica um amor de amizade).<\/span><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 6pt; line-height: 13pt; text-align: justify;\">O fato &eacute; verdadeiro, mas n&atilde;o s&atilde;o verdadeiras as conclus&otilde;es que dele se tiram. Sup&otilde;e-se que os autores do NT estivessem a par tanto do sentido que o termo <i>eros<\/i> tinha na linguagem comum (o eros assim chamado &ldquo;vulgar&rdquo;) como do sentido elevado e filos&oacute;fico que tinha, por exemplo, em Plat&atilde;o, o chamado eros &ldquo;nobre&rdquo;. Na aceita&ccedil;&atilde;o popular, eros indicava mais ou menos o que indica hoje quando se fala de erotismo ou de filmes er&oacute;ticos: a satisfa&ccedil;&atilde;o do instinto sexual, um degradar-se mais do que elevar-se. Na aceita&ccedil;&atilde;o nobre, indicava um amor pela beleza, a for&ccedil;a que mant&eacute;m o mundo e que impulsiona todos os seres &agrave; unidade, aquele movimento de ascens&atilde;o rumo ao divino que os te&oacute;logos dial&eacute;cticos reputam incompat&iacute;vel com o movimento de descida do divino at&eacute; o homem.<\/span><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 6pt; line-height: 13pt; text-align: justify;\">&Eacute; dif&iacute;cil defender que os autores do NT, dirigindo-se a pessoas simples e de nenhuma cultura, pretendessem lhes falar do eros de Plat&atilde;o. Eles evitaram o termo <i>eros<\/i> pelo mesmo motivo que o pregador de hoje evita o termo er&oacute;tico, ou, se o emprega, &eacute; somente em sentido negativo. O motivo &eacute; que, tanto naquele tempo como agora, a palavra evoca o amor na sua express&atilde;o mais ego&iacute;sta e sensual [7]. A desconfian&ccedil;a dos primeiros crist&atilde;os quanto ao eros se agravava ainda pelo papel que ele desempenhava nos desenfreados cultos dionis&iacute;acos.<\/span><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 6pt; line-height: 13pt; text-align: justify;\">T&atilde;o logo o cristianismo entra em contacto e di&aacute;logo com a cultura grega daquele tempo, cai por terra de imediato, como j&aacute; vimos, toda preclus&atilde;o quanto ao eros. Ele &eacute; usado com frequ&ecirc;ncia, nos autores gregos, como sin&oacute;nimo de &aacute;gape, e empregado para indicar o amor de Deus pelo homem, como tamb&eacute;m o amor do homem por Deus, o amor pelas virtudes e por tudo o que &eacute; belo. Basta, para nos convencermos disso, uma simples olhada no <i>L&eacute;xico Patr&iacute;stico Grego<\/i>, de Lampe [8]. O sistema de Nygren e Barth, portanto, foi constru&iacute;do sobre uma falsa aplica&ccedil;&atilde;o do assim chamado argumento &ldquo;ex silentio&rdquo;.<\/span><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 6pt; line-height: 13pt; text-align: justify;\"><b>4. Um eros para os consagrados<\/span><\/b><\/span><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 6pt; line-height: 13pt; text-align: justify;\">O resgate do eros ajuda acima de tudo os enamorados humanos e os esposos crist&atilde;os, mostrando a beleza e a dignidade do amor que os une. Ajuda os jovens a experimentar o fasc&iacute;nio do outro sexo n&atilde;o como coisa turva, a ser vivida &agrave;s costas de Deus, mas, ao contr&aacute;rio, como um dom do Criador para a sua alegria, desde que vivido na ordem querida por Ele. Na sua enc&iacute;clica, o papa acena ainda para esta fun&ccedil;&atilde;o positiva do eros sobre o amor humano quando fala do caminho de purifica&ccedil;&atilde;o do eros, que leva da atrac&ccedil;&atilde;o moment&acirc;nea ao &ldquo;para sempre&rdquo; do matrim&oacute;nio (4-5).<\/span><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 6pt; line-height: 13pt; text-align: justify;\">Mas o resgate do eros deve ajudar tamb&eacute;m a n&oacute;s, consagrados, homens e mulheres. Eu acenei no in&iacute;cio ao perigo que as almas religiosas correm de um amor frio, que n&atilde;o desce da mente para o cora&ccedil;&atilde;o. Um sol de inverno, que ilumina, mas n&atilde;o aquece. Se eros significa &iacute;mpeto, desejo, atrac&atilde;o, n&atilde;o devemos ter medo dos sentimentos, nem muito menos desprez&aacute;-los e reprimi-los. Quando se trata do amor de Deus, escreveu Guilherme de Saint Thierry, o sentimento de afeto (<i>affectio<\/i>) &eacute; tamb&eacute;m gra&ccedil;a; a natureza n&atilde;o pode infundir um sentimento assim [9].<\/span><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 6pt; line-height: 13pt; text-align: justify;\">Os salmos est&atilde;o cheios desse anseio do cora&ccedil;&atilde;o por Deus: &ldquo;A ti, Senhor, eu elevo a minh&rsquo;alma&#8230;&rdquo;. &ldquo;A minh&rsquo;alma tem sede de Deus, do Deus vivente&rdquo;. &ldquo;Preste aten&ccedil;&atilde;o&rdquo;, diz o autor da <i>Nuvem do n&atilde;o conhecimento<\/i>, &ldquo;a este maravilhoso trabalho da gra&ccedil;a na tua alma. Ele n&atilde;o &eacute; sen&atilde;o impulso imprevisto, que surge sem aviso e aponta directamente para Deus, como uma centelha que se desencarcera do fogo&#8230; Golpeie essa nuvem do n&atilde;o conhecimento com a flecha afiada do desejo de amor e n&atilde;o esmore&ccedil;a, ocorra o que ocorrer&rdquo; [10]. &Eacute; suficiente, para tanto, um pensamento, um movimento do cora&ccedil;&atilde;o, uma jaculat&oacute;ria.<\/span><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 6pt; line-height: 13pt; text-align: justify;\">Mas tudo isso n&atilde;o nos &eacute; bastante e Deus o sabe melhor que n&oacute;s. Somos criaturas, vivemos no tempo e num corpo; precisamos de uma tela na qual projectar o nosso amor que n&atilde;o seja apenas &ldquo;a nuvem do n&atilde;o conhecimento&rdquo;, o v&eacute;u de escurid&atilde;o por tr&aacute;s do qual se oculta o Deus que ningu&eacute;m nunca viu e que habita numa luz inacess&iacute;vel&#8230;<\/span><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 6pt; line-height: 13pt; text-align: justify;\">A resposta que se d&aacute; a esta interroga&ccedil;&atilde;o n&oacute;s conhecemos bem: por isso mesmo Deus nos deu o pr&oacute;ximo para amarmos. &ldquo;Ningu&eacute;m jamais viu a Deus; se amarmos uns aos outros, Deus permanece em n&oacute;s e o seu amor se torna perfeito em n&oacute;s. Quem n&atilde;o ama o pr&oacute;prio irm&atilde;o, a quem v&ecirc;, n&atilde;o pode amar a Deus, a quem n&atilde;o v&ecirc;&rdquo; (1Jo 4, 12-20). Mas devemos ficar atentos para n&atilde;o saltar uma fase decisiva: antes do irm&atilde;o que vemos, h&aacute; outro que tamb&eacute;m vemos e tocamos: o Deus feito carne, Jesus Cristo! Entre Deus e o pr&oacute;ximo existe o Verbo feito carne, que reuniu os dois extremos numa s&oacute; pessoa. &Eacute; nele que o pr&oacute;prio amor ao pr&oacute;ximo encontra o seu fundamento: &ldquo;Foi a mim que o fizestes&rdquo;.<\/span><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 6pt; line-height: 13pt; text-align: justify;\">O que significa tudo isto pelo amor de Deus? Que o objecto prim&aacute;rio no nosso eros, da nossa busca, desejo, atrac&atilde;o, paix&atilde;o, deve ser o Cristo. &ldquo;Ao Salvador &eacute; pr&eacute;-ordenado o amor humano desde o princ&iacute;pio, como ao seu modelo e fim, como uma urna t&atilde;o grande e t&atilde;o ampla que pudesse acolher a Deus [&#8230;] O desejo da alma &eacute; unicamente de Cristo. Aqui &eacute; o lugar do seu repouso, porque s&oacute; Ele &eacute; o bem, a verdade e tudo quanto inspira amor&rdquo;. N&atilde;o quer dizer restringir o horizonte do amor crist&atilde;o de Deus a Cristo; quer dizer amar a Deus do jeito que Ele quer ser amado. &ldquo;O Pai vos ama porque v&oacute;s me amais&rdquo; (Jo 16, 27). N&atilde;o se trata de um amor mediato, quase por procura&ccedil;&atilde;o, por meio do qual quem ama Jesus &ldquo;&eacute; como se&rdquo; amasse o Pai. N&atilde;o. Jesus &eacute; um mediador imediato; amando a Ele, amamos, <i>ipso facto<\/i>, o Pai. &ldquo;Quem me v&ecirc;, v&ecirc; o Pai&rdquo;; quem me ama, ama o Pai.<\/span><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 6pt; line-height: 13pt; text-align: justify;\">&Eacute; verdade que nem mesmo a Cristo se v&ecirc;, mas ele existe. Ressuscitou, vive, est&aacute; connosco, de modo mais real do que o mais apaixonado esposo est&aacute; com a esposa. Eis o ponto crucial: pensar em Cristo n&atilde;o como uma pessoa do passado, mas como o Senhor ressuscitado e vivente, com quem eu posso falar, a quem eu posso beijar se quiser, certo de que o meu beijo n&atilde;o termina na estampa ou no lenho de um crucifixo, mas num rosto e em l&aacute;bios de carne viva (ainda que espiritualizada), felizes de receber o meu beijo.<\/span><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 6pt; line-height: 13pt; text-align: justify;\">A beleza e a plenitude da vida consagrada depende da qualidade do nosso amor por Cristo. &Eacute; s&oacute; o que pode nos defender dos altos e baixos do cora&ccedil;&atilde;o. Jesus &eacute; o homem perfeito; nele se encontram, em grau infinitamente superior, todas aquelas qualidades e aten&ccedil;&otilde;es que um homem procura numa mulher e uma mulher no homem. O amor dele n&atilde;o nos elimina necessariamente a sedu&ccedil;&atilde;o das criaturas e, em particular, a atrac&ccedil;&atilde;o do outro sexo (ela faz parte da nossa natureza, que Ele criou e n&atilde;o quer destruir). Mas nos d&aacute; a for&ccedil;a para vencer essas atrac&ccedil;&otilde;es com uma atrac&ccedil;&atilde;o mais forte. &ldquo;Casto&rdquo;, escreve S&atilde;o Jo&atilde;o Cl&iacute;maco, &ldquo;&eacute; quem afasta o eros com o Eros&rdquo; [11].<\/span><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 6pt; line-height: 13pt; text-align: justify;\">Ser&aacute; que tudo isso destr&oacute;i a gratuidade do &aacute;gape, pretendendo dar a Deus alguma coisa em troca do seu cora&ccedil;&atilde;o? Anula a gra&ccedil;a? De jeito nenhum. Antes, a exalta. O que, afinal, neste mundo, damos a Deus se n&atilde;o o que recebemos dele? &ldquo;N&oacute;s amamos porque Ele nos amou primeiro&rdquo; (1 Jo 4, 19). O amor que damos a Cristo &eacute; o seu pr&oacute;prio amor por n&oacute;s, que devolvemos a Ele, como o eco nos devolve a nossa voz.<\/span><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 6pt; line-height: 13pt; text-align: justify;\">Onde est&aacute; ent&atilde;o a novidade e a beleza deste amor que chamamos eros? O eco reenvia para Deus o seu pr&oacute;prio amor, mas enriquecido, colorido e perfumado com a nossa liberdade. E &eacute; tudo o que Ele quer. A nossa liberdade lhe paga tudo. E n&atilde;o s&oacute; isto, mas, coisa inaudita, escreve Cabasilas, &ldquo;recebendo de n&oacute;s o dom do amor em troca de tudo o que Ele nos deu, Ele ainda se reputa nosso devedor&rdquo; [12]. A tese que contrap&otilde;e eros e &aacute;gape se baseia em outra conhecida contraposi&ccedil;&atilde;o: a contraposi&ccedil;&atilde;o entre gra&ccedil;a e liberdade, e, mais ainda, na nega&ccedil;&atilde;o da liberdade no homem deca&iacute;do.<\/span><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 6pt; line-height: 13pt; text-align: justify;\">Eu procurei imaginar, Vener&aacute;veis padres e irm&atilde;os, o que diria Cristo ressuscitado se, como fazia na vida terrena, quando entrava aos s&aacute;bados numa sinagoga, viesse agora sentar-se aqui, no meu lugar, e nos explicasse em pessoa qual &eacute; o amor que Ele deseja de n&oacute;s. Quero compartilhar com voc&ecirc;s, com simplicidade, o que eu penso que Ele diria. Pode nos servir para o nosso exame de consci&ecirc;ncia sobre o amor:<\/span><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 6pt; line-height: 13pt; text-align: justify;\">O amor ardente:<\/span><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 6pt; line-height: 13pt; text-align: justify;\">&Eacute; colocares-me sempre em primeiro lugar.<br \/> &Eacute; procurares-me alegrar em todo momento.<br \/> &Eacute; confrontares teus desejos com o meu desejo.<br \/> &Eacute; viveres como meu amigo, confidente, esposo, e seres feliz assim.<br \/> &Eacute; te inquietares ao pensamento de ficar um pouco longe de mim.<br \/> &Eacute; seres repleto de felicidade quando estou contigo.<br \/> &Eacute; estares disposto a grandes sacrif&iacute;cios para nunca me perder.<br \/> &Eacute; preferires viver pobre e desconhecido comigo a rico e famoso sem mim.<br \/> &Eacute; falares comigo como ao amigo mais amado em todo momento poss&iacute;vel.<br \/> &Eacute; te confiares a mim olhando para o teu futuro.<br \/> &Eacute; desejares perder-te em mim como meta do teu existir.<\/span><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 6pt; line-height: 13pt; text-align: justify;\">Se voc&ecirc;s acharem, como eu acho, que estamos muito longe dessa situa&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o nos desencorajemos. Temos algu&eacute;m que pode nos ajudar a chegar l&aacute; se pedirmos sua ajuda. Repitamos com f&eacute; ao Esp&iacute;rito Santo: <i>Veni, Sancte Spiritus, reple tuorum corda fidelium et tui amoris in eis ignem accende<\/i>: Vinde, Esp&iacute;rito Santo, enchei os cora&ccedil;&otilde;es dos vossos fi&eacute;is e acendei neles o fogo do vosso amor.<\/span><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 6pt; line-height: 13pt;\"><span style=\"font-size: 8pt;\">[Traduzido do original em italiano por ZENIT]<\/span><\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"margin-bottom: 6pt; line-height: 13pt;\"><b>Notas:<\/span><\/b><\/span><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 6pt; line-height: 13pt;\">(1) Pseudo Dion&iacute;sio Areopagita, <i>Os nomes divinos<\/i>, IV,12 (PG, 3, 709 em diante.)<\/span><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 6pt; line-height: 13pt;\">(2) S. Agostinho, <i>Confiss&otilde;es<\/i> I, 1.<\/span><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 6pt; line-height: 13pt;\">(3) <i>Coment&aacute;rio ao evangelho de Jo&atilde;o<\/i>, 26, 4-5.<\/span><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 6pt; line-height: 13pt;\">(4) Cf. S. Bernardo, <i>De diligendo Deo<\/i>, IX,26 &ndash;X,27.<\/span><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 6pt; line-height: 13pt;\">(5) S. Tom&aacute;s de Aquino, <i>Coment&aacute;rio &agrave; Carta aos Romanos,<\/i> cap. V, li&ccedil;.1, n. 392-293; cf. S. Agostinho, <i>Coment&aacute;rio &agrave; Primeira Carta de Jo&atilde;o<\/i>, 9, 9.<\/span><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 6pt; line-height: 13pt;\">(6) K. Barth, <i>Dogm&aacute;tica eclesial<\/i>, IV, 2, 832-852. <\/span><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 6pt; line-height: 13pt;\">(7) O sentido que os primeiros crist&atilde;os davam &agrave; palavra <i>eros<\/i> se deduz do famoso texto de S. In&aacute;cio de Antioquia,&nbsp; <i>Carta aos Romanos<\/i>, 7,2: &ldquo;O meu amor (<i>eros<\/i>) foi crucificado e n&atilde;o h&aacute; em mim fogo de paix&atilde;o&hellip;n&atilde;o me atraem o nutrir corrup&ccedil;&atilde;o e os prazeres desta vida&rdquo;. &ldquo;O meu eros&rdquo; n&atilde;o indica aqui Jesus crucificado, mas &ldquo;o amor de mim mesmo&rdquo; , o apego aos prazeres terrenos, na linha do paulino &ldquo;Fui crucificado com Cristo, n&atilde;o sou mais eu que vivo&rdquo; (Gal 2, 19 s.). <\/span><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 6pt; line-height: 13pt;\">(8) Cf. G.W.H. Lampe,&nbsp; <i>A Patristic Greek Lexicon<\/i>, Oxford 1961, pp.550.<\/span><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 6pt; line-height: 13pt;\">(9) Guilherme de St. Thierry,<i> Medita&ccedil;&otilde;es<\/i>, XII, 29 (SCh&nbsp; 324, p. 210).<\/span><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 6pt; line-height: 13pt;\">(10 An&oacute;nimo, <i>A nuvem do n&atilde;o conhecimento<\/i>, trad. <\/span>Italiana, Ed. &Aacute;ncora, Mil&atilde;o, 1981, pp. 136.140. <\/span><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 6pt; line-height: 13pt;\">(11) S. Jo&atilde;o Cl&iacute;maco, <i>A escada do para&iacute;so<\/i>, XV,98 (PG 88,880).<\/span><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 6pt; line-height: 13pt;\">(12) N. Cabasilas, <i>Vida em Cristo<\/i>, VI, 4 .<\/span><\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"margin-bottom: 6pt; line-height: 13pt;\"><b>Catequeses Quaresmais <\/span><\/b><b>do P. Raniero Cantalamessa<\/span><\/b><b> &agrave; C&uacute;ria Romana<\/span><\/b><\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 20pt 6pt 0cm; line-height: 13pt; text-align: left;\" align=\"right\">Cidade do Vaticano, 1 de Abril de 2011<br \/><\/span><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 6pt; line-height: 13pt; text-align: center;\"><strong><span style=\"font-size: 8pt;\">Segunda prega&ccedil;&atilde;o quaresmal <\/span><\/strong><\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 6pt; line-height: 13pt; text-align: center;\"><b><span>DEUS &Eacute; AMOR<br \/><\/span><\/b><\/span><\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 6pt; line-height: 13pt; text-align: justify;\">O primeiro e fundamental an&uacute;ncio que a Igreja tem a miss&atilde;o de levar ao mundo, e que o mundo espera da Igreja, &eacute; o amor de Deus. Mas, para terem como transmitir esta certeza, &eacute; preciso que os pr&oacute;prios evangelizadores sejam intimamente permeados por esse amor, que tem que ser a luz da sua vida. &Eacute; para esta meta que, pelo menos em m&iacute;nima parte, a presente medita&ccedil;&atilde;o pretende se dirigir.<\/span><\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 6pt; line-height: 13pt; text-align: justify;\">A express&atilde;o &ldquo;amor de Deus&rdquo; tem duas acep&ccedil;&otilde;es bem diferentes: uma em que Deus &eacute; objeto e a outra em que Deus &eacute; sujeito: uma que indica o nosso amor por Deus e a outra que indica o amor de Deus por n&oacute;s. O homem, mais propenso por natureza a ser activo que passivo, mais a ser credor que devedor, sempre deu preced&ecirc;ncia ao primeiro significado, &agrave;quilo que n&oacute;s fazemos para Deus. A prega&ccedil;&atilde;o crist&atilde; tamb&eacute;m seguiu esse caminho, falando, em certas &eacute;pocas, quase s&oacute; do &ldquo;dever&rdquo; de amar a Deus (&ldquo;De diligendo Deo&rdquo;).<\/span><\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 6pt; line-height: 13pt; text-align: justify;\">Mas a revela&ccedil;&atilde;o b&iacute;blica d&aacute; a preval&ecirc;ncia ao segundo significado: ao amor &ldquo;de&rdquo; Deus, n&atilde;o ao amor &ldquo;por&rdquo; Deus. Arist&oacute;teles dizia que Deus move o mundo &ldquo;porque &eacute; amado&rdquo;, ou seja, &eacute; objeto de amor e causa final de toda criatura [1]. Mas a b&iacute;blia diz exactamente o contr&aacute;rio: Deus cria e move o mundo porque ama o mundo. O mais importante do amor de Deus n&atilde;o &eacute; que o homem ama a Deus, mas que Deus ama o homem e o ama &ldquo;primeiro&rdquo;: &ldquo;Nisso est&aacute; o amor: n&atilde;o fomos n&oacute;s que amamos a Deus, mas Ele quem nos amou&rdquo; (1Jo 4,10). Disso depende todo o resto, inclu&iacute;da a nossa pr&oacute;pria possibilidade de amar a Deus: &ldquo;N&oacute;s amamos porque Ele nos amou primeiro&rdquo; (1Jo 4,19).<\/span><\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 6pt; line-height: 13pt; text-align: justify;\"><b>1. O amor de Deus na eternidade<\/span><\/b><\/span><\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 6pt; line-height: 13pt; text-align: justify;\">Jo&atilde;o &eacute; o homem dos grandes saltos. Ao reconstruir a hist&oacute;ria terrena de Cristo, os outros tinham se atido ao seu nascimento de Maria; ele viaja para muito antes, do tempo para a eternidade. &ldquo;No princ&iacute;pio era o Verbo&rdquo;. E faz o mesmo a respeito do amor. Todos os outros, Paulo inclusive, falaram do amor de Deus manifestado na hist&oacute;ria e culminado na morte de Cristo; Jo&atilde;o vai al&eacute;m da hist&oacute;ria. N&atilde;o nos apresenta s&oacute; um Deus que ama, mas um Deus que &eacute; amor. &ldquo;No princ&iacute;pio era o amor, o amor estava junto de Deus e o amor era Deus&rdquo;: assim podemos destrin&ccedil;ar a sua afirma&ccedil;&atilde;o &ldquo;Deus &eacute; amor&rdquo; (1Jo 4,10).<\/span><\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 6pt; line-height: 13pt; text-align: justify;\">Sobre ela, Agostinho escreveu: &ldquo;Se n&atilde;o houvesse, em toda esta carta e em todas as p&aacute;ginas da Escritura, nenhum elogio do amor al&eacute;m desta &uacute;nica palavra, que Deus &eacute; amor, n&atilde;o precisar&iacute;amos de nada mais&rdquo; [2]. Toda a b&iacute;blia n&atilde;o faz sen&atilde;o &ldquo;narrar o amor de Deus&rdquo; [3]. Esta &eacute; a not&iacute;cia que sustenta e explica todas as outras. Discute-se, sem fim, e n&atilde;o s&oacute; de hoje, se existe Deus. Mas eu acho que o mais importante n&atilde;o &eacute; saber se Deus existe, mas se Ele &eacute; amor. Se, por hip&oacute;tese [4], Ele existisse mas n&atilde;o fosse amor, ter&iacute;amos mais a temer do que a nos alegrar com a sua exist&ecirc;ncia, como ocorria nos primeiros povos e civiliza&ccedil;&otilde;es. A f&eacute; crist&atilde; nos assegura justo isso: Deus existe e &eacute; amor!<\/span><\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 6pt; line-height: 13pt; text-align: justify;\">O ponto de partida da nossa viagem &eacute; a Trindade. Por que os crist&atilde;os cr&ecirc;em na Trindade? A resposta &eacute;: porque cr&ecirc;em que Deus &eacute; amor. Onde Deus &eacute; concebido como Lei suprema ou Poder supremo, n&atilde;o &eacute; preciso, evidentemente, uma pluralidade de pessoas, e, portanto, n&atilde;o se entende a Trindade. O direito e o poder podem ser exercidos por uma s&oacute; pessoa. O amor n&atilde;o.<\/span><\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 6pt; line-height: 13pt; text-align: justify;\">N&atilde;o h&aacute; amor sem que seja de algo ou de algu&eacute;m, como, segundo o fil&oacute;sofo Husserl, n&atilde;o h&aacute; conhecimento que n&atilde;o seja de algo. Quem &eacute; que Deus ama, para ser definido amor? A humanidade? Mas os homens s&oacute; existem h&aacute; poucos milh&otilde;es de anos! Antes, a quem Deus amava, para ser definido amor? Ele n&atilde;o pode ter come&ccedil;ado a ser amor a um certo ponto do tempo, porque Deus n&atilde;o pode mudar a sua ess&ecirc;ncia. O cosmo? Mas o universo existe faz poucos bilh&otilde;es de anos. Antes, o que Deus amava para poder-se definir amor? N&atilde;o podemos dizer: amava a si mesmo, porque amar a si pr&oacute;prio n&atilde;o &eacute; amor, mas ego&iacute;smo, ou, como dizem os psic&oacute;logos, narcisismo.<\/span><\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 6pt; line-height: 13pt; text-align: justify;\">E eis a resposta da revela&ccedil;&atilde;o crist&atilde; que a Igreja recolheu de Cristo e explicitou no seu credo: Deus &eacute; amor em si mesmo, antes do tempo, porque desde sempre Ele tem em si um Filho, o Verbo, a quem ama com amor infinito, que &eacute; o Esp&iacute;rito Santo. Em todo amor h&aacute; sempre tr&ecirc;s realidades ou sujeitos: um que ama, um que &eacute; amado e o amor que os une.<\/span><\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 6pt; line-height: 13pt; text-align: justify;\"><b>2. O amor de Deus na cria&ccedil;&atilde;o<\/span><\/b><\/span><\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 6pt; line-height: 13pt; text-align: justify;\">Quando este amor-fonte se derrama no tempo, temos a hist&oacute;ria da salva&ccedil;&atilde;o. A primeira etapa &eacute; a cria&ccedil;&atilde;o. O amor &eacute;, por natureza, &ldquo;diffusivum sui&rdquo;, tende a comunicar-se. Como &ldquo;o agir segue o ser&rdquo;, Deus, sendo amor, cria por amor. &ldquo;Por que Deus nos criou?&rdquo;: esta era a segunda pergunta do catecismo de antigamente, e a resposta era: &ldquo;Para conhec&ecirc;-lo, am&aacute;-lo e servi-lo nesta vida e desfrut&aacute;-lo na outra, no para&iacute;so&rdquo;. Resposta parcial. Ela responde &agrave; pergunta sobre a causa final: &ldquo;para qu&ecirc;, com que finalidade fomos criados por Deus&rdquo;; n&atilde;o &agrave; pergunta sobre a causa causante: &ldquo;por qu&ecirc;, por qual motiva&ccedil;&atilde;o, fomos criados por Deus&rdquo;. Esta pergunta n&atilde;o tem como resposta &ldquo;para o amarmos&rdquo;, mas sim &ldquo;porque Ele nos ama&rdquo;.<\/span><\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 6pt; line-height: 13pt; text-align: justify;\">Segundo a teologia rab&iacute;nica, citada pelo Santo Padre no seu &uacute;ltimo livro sobre Jesus, &ldquo;o cosmo &eacute; criado n&atilde;o para existirem m&uacute;ltiplos astros e tantas outras coisas, e sim para haver um espa&ccedil;o para a alian&ccedil;a, o sim do amor entre Deus e o homem que lhe responde&rdquo; [5]. A cria&ccedil;&atilde;o existe para o di&aacute;logo de amor de Deus com as suas criaturas.<\/span><\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 6pt; line-height: 13pt; text-align: justify;\">Como &eacute; distante, neste ponto, a vis&atilde;o crist&atilde; da origem do universo da vis&atilde;o do cientificismo ateu recordado no Advento! Um dos sofrimentos mais profundos para um jovem &eacute; descobrir, um dia, que ele est&aacute; no mundo por acaso, n&atilde;o querido, n&atilde;o esperado, talvez por uma falha dos pais. Um certo cientificismo ateu parece empenhado em infligir esse tipo de sofrimento &agrave; humanidade inteira. Ningu&eacute;m saberia nos convencer melhor que Santa Catarina de Sena de termos sido criados por amor, numa sua fervente prece &agrave; Trindade:<\/span><\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 6pt; line-height: 13pt; text-align: justify;\">&ldquo;Como criaste, ent&atilde;o, &oacute; Pai eterno, esta tua criatura? [&#8230;] O fogo te obrigou. &Oacute; amor inef&aacute;vel! Embora em tua luz previsses toda as iniquidades que a tua criatura cometeria contra a tua bondade infinita, agiste como se n&atilde;o visses, e pousaste a vista na beleza da tua criatura, da qual, como louco e &eacute;brio de amor, te enamoraste e, por amor, a extra&iacute;ste de ti, dando-lhe o ser &agrave; tua imagem e semelhan&ccedil;a! Tu, verdade eterna, declaraste a mim a tua verdade: que o amor te obrigou a cri&aacute;-la&rdquo;.<\/span><\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 6pt; line-height: 13pt; text-align: justify;\">Isto n&atilde;o &eacute; s&oacute; &aacute;gape, amor de miseric&oacute;rdia, de doa&ccedil;&atilde;o e de descida; &eacute; tamb&eacute;m eros em estado puro; &eacute; atrac&ccedil;&atilde;o pelo objecto do pr&oacute;prio amor, estima e fasc&iacute;nio pela sua beleza.<\/span><\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 6pt; line-height: 13pt; text-align: justify;\"><b>3. O amor de Deus na revela&ccedil;&atilde;o<\/span><\/b><\/span><\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 6pt; line-height: 13pt; text-align: justify;\">A segunda etapa do amor de Deus &eacute; a revela&ccedil;&atilde;o, a Escritura. Deus nos fala do seu amor sobretudo nos profetas. Diz em Oseias: &ldquo;Quando Israel era um menino, eu o amei [&#8230;]. Eu ensinei Efraim a caminhar, conduzindo-o pelos bra&ccedil;os [&#8230;]. Eu o atra&iacute;a com la&ccedil;os humanos, com v&iacute;nculos de amor; era, para eles, como quem retira o jugo e lhes dava docemente de comer [&#8230;]. Como poderia abandonar-te, Efraim? [&#8230;] O meu cora&ccedil;&atilde;o se comove inteiro dentro de mim, todas as minhas compaix&otilde;es se acendem&rdquo; (Os 11,1-4).<\/span><\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 6pt; line-height: 13pt; text-align: justify;\">Achamos esta mesma linguagem em Isa&iacute;as: &ldquo;Acaso uma mulher esquece o filho e n&atilde;o se comove pelo fruto do seu ventre?&rdquo; (Is 49,15). E em Jeremias: &ldquo;Efraim &eacute; o filho que amo, meu pequeno, meu encanto! Toda vez que o repreendo recordo-me disso, comove-se o meu &acirc;mago e cedo &agrave; compaix&atilde;o&rdquo; (Jer 31,20).<\/span><\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 6pt; line-height: 13pt; text-align: justify;\">Nestes or&aacute;culos, o amor de Deus se expressa ao mesmo tempo como amor paterno e materno. O amor paterno &eacute; feito de est&iacute;mulo e solicitude; o pai quer o filho crescido e levado &agrave; plena maturidade. Por isso o corrige e dificilmente o louva em sua presen&ccedil;a, por medo que se ache pronto e n&atilde;o progrida mais. J&aacute; o amor materno &eacute; feito de acolhida e de ternura; &eacute; um amor visceral; parte das profundas fibras do ser da m&atilde;e, onde a criatura se formou, e ali enra&iacute;za toda a sua pessoa, fazendo-a &ldquo;estremecer de compaix&atilde;o&rdquo;.<\/span><\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 6pt; line-height: 13pt; text-align: justify;\">No &acirc;mbito humano, esse dois tipos de amor &ndash; viril e materno &ndash; s&atilde;o sempre, mais ou menos claramente, repartidos. O fil&oacute;sofo S&eacute;neca dizia: &ldquo;N&atilde;o v&ecirc;s como &eacute; diferente a maneira de amar do pai e da m&atilde;e? Os pais acordam cedo os filhos para estudarem, n&atilde;o os deixam ociosos e os fazem derramar suor e &agrave;s vezes l&aacute;grimas. As m&atilde;es os embalam no colo, querem mant&ecirc;-los por perto e evitam contrari&aacute;-los, faz&ecirc;-los chorar e faz&ecirc;-los cansar-se&rdquo; [6]. Mas enquanto o Deus do fil&oacute;sofo pag&atilde;o s&oacute; tem pelos homens &ldquo;o &acirc;nimo de um pai que ama sem fraqueza&rdquo; (s&atilde;o palavras dele), o Deus b&iacute;blico tem tamb&eacute;m o &acirc;nimo da m&atilde;e que ama &ldquo;com fraqueza&rdquo;.<\/span><\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 6pt; line-height: 13pt; text-align: justify;\">O homem conhece por experi&ecirc;ncia outro tipo de amor, do qual se diz que &eacute; &ldquo;forte como a morte e suas centelhas s&atilde;o centelhas de fogo&rdquo; (cf. Ct 8,6), e tamb&eacute;m a esse tipo de amor Deus recorreu, na b&iacute;blia, para nos dar uma ideia do seu amor apaixonado por n&oacute;s. Todas as fases e vicissitudes do amor esponsal s&atilde;o evocadas e usadas para esse fim: o encanto do amor no estado nascente do namoro (cf. Jer 2,2); a plenitude da alegria do dia do casamento (cf. Is 62,5); o drama do rompimento (cf. Os 2,4) e, por fim, o renascer, cheio de esperan&ccedil;a, do v&iacute;nculo antigo (cf. Os 2,16; Is 54,8).<\/span><\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 6pt; line-height: 13pt; text-align: justify;\">O amor esponsal &eacute;, fundamentalmente, um amor de desejo e de escolha. Se &eacute; verdade, ent&atilde;o, que o homem deseja Deus, &eacute; verdade, misteriosamente, tamb&eacute;m o contr&aacute;rio: que Deus deseja o homem, quer e aprecia o seu amor, se alegra com ele &ldquo;como o esposo se alegra com a esposa&rdquo; (Is 62,5)!<\/span><\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 6pt; line-height: 13pt; text-align: justify;\">Como o Santo Padre real&ccedil;a na <i>Deus caritas est<\/i>, a met&aacute;fora nupcial que atravessa quase toda a b&iacute;blia e inspira a linguagem da &ldquo;alian&ccedil;a&rdquo; &eacute; a melhor prova de que o amor de Deus por n&oacute;s tamb&eacute;m &eacute; eros e &aacute;gape, &eacute; dar e buscar juntos. N&atilde;o pode ser reduzido a pura miseric&oacute;rdia, a um &ldquo;fazer caridade&rdquo; ao homem, no sentido mais diminu&iacute;do da express&atilde;o.<\/span><\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 6pt; line-height: 13pt; text-align: justify;\"><b>4. O amor de Deus na encarna&ccedil;&atilde;o<\/span><\/b><\/span><\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 6pt; line-height: 13pt; text-align: justify;\">Chegamos assim &agrave; etapa culminante do amor de Deus, a encarna&ccedil;&atilde;o: &ldquo;Deus tanto amou o mundo que lhe deu seu unig&eacute;nito&rdquo; (Jo 3,16). Diante da encarna&ccedil;&atilde;o, perguntamos o mesmo que nos perguntamos na cria&ccedil;&atilde;o: por que Deus se fez homem? <i>Cur Deus homo<\/i>? Por muito tempo, a resposta foi: para nos redimir do pecado. Duns Scoto aprofundou esta resposta, fazendo do amor o motivo fundamental da encarna&ccedil;&atilde;o, como de todas as outras obras <i>ad extra<\/i> da Trindade.<\/span><\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 6pt; line-height: 13pt; text-align: justify;\">Deus, conforme Scoto, ama primeiramente a si mesmo; segundo, quer outros seres que o amem (&ldquo;secundo vult alios habere condiligentes&rdquo;). Se Ele decide a encarna&ccedil;&atilde;o, &eacute; para que exista outro ser que o ame com o m&aacute;ximo amor poss&iacute;vel fora dele mesmo [7]. A encarna&ccedil;&atilde;o, portanto, teria ocorrido ainda que Ad&atilde;o n&atilde;o tivesse pecado. Cristo &eacute; o primeiro pensado e o primeiro querido, o &ldquo;primog&eacute;nito da cria&ccedil;&atilde;o&rdquo; (Col 1,15), n&atilde;o a solu&ccedil;&atilde;o para um problema levantado a seguir com o pecado de Ad&atilde;o.<\/span><\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 6pt; line-height: 13pt; text-align: justify;\">Mas a resposta de Scoto tamb&eacute;m &eacute; parcial e precisa do complemento da Escritura quanto ao amor de Deus. Deus quis a encarna&ccedil;&atilde;o do Filho n&atilde;o s&oacute; para ter algu&eacute;m fora de si mesmo que o amasse de maneira digna de si, mas tamb&eacute;m e principalmente para ter fora de si mesmo algu&eacute;m a quem amar de maneira digna de si! E este &eacute; o Filho feito homem, em quem o Pai &ldquo;encontra toda a sua complac&ecirc;ncia&rdquo; e com quem fomos todos feitos &ldquo;filhos no Filho&rdquo;.<\/span><\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 6pt; line-height: 13pt; text-align: justify;\">Cristo &eacute; a prova suprema do amor de Deus pelo homem, n&atilde;o s&oacute; em sentido objectivo, como penhor inanimado do pr&oacute;prio amor dado a outro, mas em sentido tamb&eacute;m subjectivo. Em outras palavras, n&atilde;o &eacute; s&oacute; a prova do amor de Deus, mas &eacute; o pr&oacute;prio amor de Deus que tomou forma humana para pode amar e ser amado a partir de dentro da nossa situa&ccedil;&atilde;o. No princ&iacute;pio era o amor e &ldquo;o amor se fez carne&rdquo;: assim parafraseia um antiqu&iacute;ssimo escrito crist&atilde;o as palavras do pr&oacute;logo de Jo&atilde;o [8].<\/span><\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 6pt; line-height: 13pt; text-align: justify;\">S&atilde;o Paulo cunha uma express&atilde;o sob medida para esta nova modalidade do amor de Deus: &ldquo;o amor de Deus que &eacute; em Cristo Jesus&rdquo; (Rm 8,39). Se, como dizia da vez passada, todo o nosso amor por Deus deve expressar-se concretamente em amor por Cristo, &eacute; porque todo amor de Deus por n&oacute;s foi antes expresso e recolhido em Cristo.<\/span><\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 6pt; line-height: 13pt; text-align: justify;\"><b>5. O amor de Deus infundido nos cora&ccedil;&otilde;es<\/span><\/b><\/span><\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 6pt; line-height: 13pt; text-align: justify;\">A hist&oacute;ria do amor de Deus n&atilde;o acaba na P&aacute;scoa de Cristo, mas se prolonga no Pentecostes que actualiza e mant&eacute;m operante &ldquo;o amor de Deus em Cristo Jesus&rdquo; at&eacute; o fim do mundo. N&atilde;o somos obrigados, portanto, a viver s&oacute; da lembran&ccedil;a do amor de Deus, como de coisa passada. &ldquo;O amor de Deus foi infundido nos nossos cora&ccedil;&otilde;es mediante o Esp&iacute;rito Santo que nos foi dado&rdquo; (Rm 5,5). <\/span><\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 6pt; line-height: 13pt; text-align: justify;\">Mas o que &eacute; esse amor, que foi derramado em nosso cora&ccedil;&atilde;o no baptismo? &Eacute; um sentimento de Deus por n&oacute;s? Uma ben&eacute;vola disposi&ccedil;&atilde;o de Deus a nosso respeito? Uma inclina&ccedil;&atilde;o? Algo, enfim, de intencional? &Eacute; muito mais; &eacute; algo real. &Eacute;, ao p&eacute; da letra, o amor de Deus, o amor que circula na Trindade entre Pai e Filho e que, na encarna&ccedil;&atilde;o, assumiu uma forma humana e agora nos &eacute; participado sob a forma de &ldquo;inabita&ccedil;&atilde;o&rdquo;. &ldquo;O meu Pai o amar&aacute; e a ele n&oacute;s viremos e nele faremos morada&rdquo; (Jo 14,23).<\/span><\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 6pt; line-height: 13pt; text-align: justify;\">Tornamo-nos &ldquo;participes da natureza divina&rdquo; (2Pd 1,4), ou participes do amor divino. Encontramo-nos por gra&ccedil;a, explica S&atilde;o Jo&atilde;o da Cruz, dentro do v&oacute;rtice de amor que flui desde sempre na Trindade entre o Pai e o Filho [9]. Melhor ainda: entre o v&oacute;rtice de amor que agora flui, no c&eacute;u, entre o Pai e o seu Filho Jesus Cristo, ressuscitado da morte, de quem n&oacute;s somos os membros.<\/span><\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 6pt; line-height: 13pt; text-align: justify;\"><b>6. N&oacute;s acreditamos no amor de Deus!<\/span><\/b><\/span><\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 6pt; line-height: 13pt; text-align: justify;\">Vener&aacute;veis padres, irm&atilde;os e irm&atilde;s, esta que tracei pobremente &eacute; a revela&ccedil;&atilde;o objetiva do amor de Deus na hist&oacute;ria. Agora olhemos para n&oacute;s: o que faremos, o que diremos depois de ter escutado o quanto Deus nos ama? Uma primeira resposta &eacute;: reamar a Deus! N&atilde;o &eacute;, este, o primeiro e o maior dos mandamentos da lei? Sim, mas isto vem depois. Outra resposta poss&iacute;vel: amar-nos como Deus nos amou! N&atilde;o diz o evangelista Jo&atilde;o que, se Deus nos amou, &ldquo;tamb&eacute;m n&oacute;s devemos amar uns aos outros&rdquo; (1Jo 4,11)? Isso tamb&eacute;m vem depois. Primeiro temos outra coisa a fazer. Crer no amor de Deus! Depois de dizer que &ldquo;Deus &eacute; amor&rdquo;, o evangelista Jo&atilde;o exclama: &ldquo;N&oacute;s acreditamos no amor que Deus tem por n&oacute;s!&rdquo; (1Jo 4,16).<\/span><\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 6pt; line-height: 13pt; text-align: justify;\">&Eacute; a f&eacute;. Mas aqui se trata de uma f&eacute; especial: a f&eacute;-espanto, a f&eacute; incr&eacute;dula (um paradoxo, eu sei, mas verdadeiro!), a f&eacute; que n&atilde;o sabe entender daquilo em que cr&ecirc;, mesmo crendo. Como &eacute; poss&iacute;vel que Deus, sumamente feliz na sua quieta eternidade, tenha tido o desejo n&atilde;o s&oacute; de nos criar, mas at&eacute; de vir em pessoa sofrer em meio a n&oacute;s? Como &eacute; que isto &eacute; poss&iacute;vel? Pronto: esta &eacute; a f&eacute;-espanto, a f&eacute; que nos faz felizes.<\/span><\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 6pt; line-height: 13pt; text-align: justify;\">O grande converso e apologeta da f&eacute; Clive Staples Lewis (autor do ciclo narrativo de N&aacute;rnia, recentemente levado ao cinema) escreveu uma obra singular intitulada &ldquo;As Cartas do Coisa-Ruim&rdquo;. S&atilde;o cartas que um diabo velho escreve a um diabinho jovem e inexperiente, que tem a miss&atilde;o na terra de desencaminhar um jovem londrino rec&eacute;m-retornado &agrave; pr&aacute;tica crist&atilde;. A meta &eacute; instruir o diabinho quanto &agrave;s estrat&eacute;gias para atingir o objectivo. Trata-se de um moderno, fin&iacute;ssimo tratado de moral e asc&eacute;tica, a ser lido pelo contr&aacute;rio, fazendo exactamente o oposto do que &eacute; aconselhado.<\/span><\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 6pt; line-height: 13pt; text-align: justify;\">A um certo ponto, o autor nos faz assistir a uma esp&eacute;cie de discuss&atilde;o entre os dem&oacute;nios. Eles n&atilde;o conseguem entender que o Inimigo (&eacute; assim que eles se referem a Deus) ame de verdade &ldquo;os vermes humanos e deseje a liberdade deles&rdquo;. Eles t&ecirc;m certeza de que isso n&atilde;o pode ser. Deve haver, necessariamente, uma farsa, um truque. Estamos nos perguntando isso, dizem eles, desde o dia em que o Nosso Pai (&eacute; assim que eles chamam L&uacute;cifer), justo por este motivo, se afastou dele; ainda n&atilde;o descobrimos, mas um dia descobriremos [10]. O amor de Deus pelas suas criaturas &eacute;, para eles, o mist&eacute;rio dos mist&eacute;rios. E eu acredito que, pelo menos nisso, os dem&oacute;nios t&ecirc;m raz&atilde;o.<\/span><\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 6pt; line-height: 13pt; text-align: justify;\">Pareceria uma f&eacute; f&aacute;cil e agrad&aacute;vel; mas &eacute;, talvez, a coisa mais dif&iacute;cil que exista, at&eacute; para n&oacute;s, criaturas humanas. Acreditamos, n&oacute;s, de verdade mesmo, que Deus nos ama? N&atilde;o &eacute; que n&atilde;o creiamos de verdade, mas pelo menos n&atilde;o cremos o suficiente. Se acredit&aacute;ssemos, a vida, n&oacute;s mesmos, as coisas, os fatos, a pr&oacute;pria dor, tudo se transfiguraria rapidamente diante dos nossos olhos! Hoje mesmo estar&iacute;amos com ele no para&iacute;so, porque o para&iacute;so &eacute; isso: gozar da plenitude do amor de Deus.<\/span><\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 6pt; line-height: 13pt; text-align: justify;\">O mundo sempre foi dificultando mais acreditar no amor. Quem foi tra&iacute;do ou ferido uma vez, tem medo de amar e ser amado, porque sabe o quanto d&oacute;i ver-se enganado. Por isso vai sempre crescendo a fila dos que n&atilde;o conseguem acreditar no amor de Deus; ou pior: em amor nenhum. O desencanto e o cinismo s&atilde;o a moldura da nossa cultura secularizada. No pessoal, temos ainda a experi&ecirc;ncia da nossa pobreza e mis&eacute;ria, que nos faz dizer: &ldquo;Sim, o amor de Deus &eacute; bonito, mas n&atilde;o &eacute; para mim! Eu n&atilde;o sou digno&#8230;&rdquo;.<\/span><\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 6pt; line-height: 13pt; text-align: justify;\">Os homens precisam saber que Deus os ama e ningu&eacute;m melhor que os disc&iacute;pulos de Cristo para lhes dar essa boa not&iacute;cia. Outros, no mundo, compartilham com os crist&atilde;os o temor de Deus, a preocupa&ccedil;&atilde;o com a justi&ccedil;a social e o respeito do homem, com a paz e a toler&acirc;ncia; mas ningu&eacute;m &ndash;ningu&eacute;m! &ndash; entre os fil&oacute;sofos, nem entre as religi&otilde;es, diz ao homem que Deus o ama, o ama primeiro, e o ama com amor de miseric&oacute;rdia e de desejo: com eros e com &aacute;gape.<\/span><\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 6pt; line-height: 13pt; text-align: justify;\">S&atilde;o Paulo nos sugere um m&eacute;todo para aplicar &agrave; nossa exist&ecirc;ncia concreta a luz do amor de Deus. Escreve: &ldquo;Quem nos separar&aacute; do amor de Cristo? Ser&aacute; a tribula&ccedil;&atilde;o, a ang&uacute;stia, a persegui&ccedil;&atilde;o, a fome, a nudez, o perigo, a espada? Mas em todas essas coisas n&oacute;s somos mais que vencedores, em virtude daquele que nos amou&rdquo; (Rm 8, 35-37). Os perigos e os inimigos do amor de Deus que ele enumera s&atilde;o aqueles que, de fato, ele experimentou na vida: ang&uacute;stia, persegui&ccedil;&atilde;o, espada&#8230; (cf. 2 Cor 11,23). Ele os repassa na mente e constata que nenhum deles &eacute; forte o bastante para triunfar quando se pensa no amor de Deus.<\/span><\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 6pt; line-height: 13pt; text-align: justify;\">N&oacute;s estamos convidados a fazer como Ele: olhar para a nossa vida, do jeito que ela se apresenta, e trazer &agrave; tona os medos que se aninham nela, as tristezas, amea&ccedil;as, complexos, aquele defeito f&iacute;sico ou moral, aquela lembran&ccedil;a do&iacute;da que nos humilha, e escancarar tudo &agrave; luz do pensamento de que Deus me ama.<\/span><\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 6pt; line-height: 13pt; text-align: justify;\">Da sua vida pessoal, o Ap&oacute;stolo estende o olhar para o mundo que o circunda. &ldquo;Eu estou certo de que nem a morte, nem a vida; nem anjos nem principados; nem presente nem futuro; nem potestades, nem altura, nem profundidade, nem nenhuma outra criatura poder&aacute; jamais nos separar do amor de Deus, em Cristo Jesus, nosso Senhor&rdquo; (Rm 8, 37-39). Ele observa o seu mundo, com as pot&ecirc;ncias que o tornavam ainda mais amea&ccedil;ador: a morte com o seu mist&eacute;rio, a vida presente com as suas lisonjas, as pot&ecirc;ncias astrais ou infernais que incutiam tanto terror no homem de antigamente.<\/span><\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 6pt; line-height: 13pt; text-align: justify;\">N&oacute;s podemos fazer igual: olhar para o mundo que nos circunda e que nos d&aacute; medo. A altura e a profundidade s&atilde;o hoje, para n&oacute;s, o infinitamente grande e o infinitamente pequeno, o universo e o &aacute;tomo. Tudo est&aacute; pronto para nos esmagar; o homem &eacute; fr&aacute;gil e s&oacute;, num universo tantas e tantas vezes maior do que ele, e que se tornou, al&eacute;m disso, ainda mais amea&ccedil;ador depois das descobertas cient&iacute;ficas que o homem fez e n&atilde;o consegue dominar, como a crise dos reatores nucleares de Fukushima est&aacute; dramaticamente nos demonstrando.<\/span><\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 6pt; line-height: 13pt; text-align: justify;\">Tudo pode ser questionado, todas as certezas podem nos faltar, mas nunca esta: Deus nos ama e &eacute; mais forte do que tudo. &ldquo;O nosso aux&iacute;lio est&aacute; no nome do Senhor que fez o c&eacute;u e a terra&rdquo;.<\/span><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 6pt; line-height: 13pt;\"><span style=\"font-size: 8pt;\">[Traduzido do original em italiano por ZENIT]<\/span><\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 6pt; line-height: 13pt;\"><b>Notas:<\/span><\/b><b><\/span><\/b><\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 6pt; line-height: 13pt;\">(1) Arist&oacute;teles, Metaf&iacute;sica, XII, 7, 1072b.<\/span><\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 6pt; line-height: 13pt;\">(2) S. Agostinho, Tratados sobre a primeira carta de Jo&atilde;o, 7, 4.<\/span><\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 6pt; line-height: 13pt;\">(3) S. Agostinho, De catechizandis rudibus, I, 8, 4: PL 40, 319.<\/span><\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 6pt; line-height: 13pt;\">(4) Cf. S. Kierkegaard, Discursos edificantes&#8230;, 3: O Evangelho dos sofrimentos, IV.<\/span><\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 6pt; line-height: 13pt;\">(5) Bento XVI, Jesus de Nazar&eacute;, II Parte, Livraria Editora Vaticana, 2011, p. 93.<\/span><\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 6pt; line-height: 13pt;\">(6) S&eacute;neca, De Providentia, 2, 5 s.<\/span><\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 6pt; line-height: 13pt;\">(7) Duns Scoto, Opus Oxoniense, I,d.17, q.3, n.31; Rep., II, d.27, q. un., n.3<\/span><\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 6pt; line-height: 13pt;\">(8) Evangelium veritatis (dos C&oacute;digos de Nag-Hammadi).<\/span><\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 6pt; line-height: 13pt;\">(9) Cf. S. Jo&atilde;o da Cruz, C&acirc;ntico espiritual, A, estrofe 38.<\/span><\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 6pt; line-height: 13pt;\">(10) C. S. Lewis, The Screwtape Letters, 1942, cap. <\/span>XIX.<\/span><\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 6pt; line-height: 13pt;\"><span style=\"font-size: 8pt;\">[Traduzido do original italiano por ZENIT]<\/span><\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"margin: 0cm 20pt 6pt 0cm; line-height: 13pt; text-align: left;\" align=\"right\"><b>Catequeses Quaresmais <\/span><\/b><b>do P. Raniero Cantalamessa<\/span><\/b><b> &agrave; C&uacute;ria Romana<\/span><\/b><\/span><\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 20pt 6pt 0cm; line-height: 13pt; text-align: left;\" align=\"right\">Cidade do Vaticano, 8 de Abril de 2011<\/span><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 6pt; line-height: 13pt; text-align: center;\"><span style=\"font-size: 8pt;\"><strong><span>Terceira prega&ccedil;&atilde;o quaresmal <\/span><\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 6pt; line-height: 13pt; text-align: center;\"><b><span>A CARIDADE SEM FINGIMENTO<br \/><\/span><\/b><\/span><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 6pt; line-height: 13pt; text-align: justify;\"><b>1. Amar&aacute;s o teu pr&oacute;ximo como a ti mesmo<\/span><\/b><\/span><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 6pt; line-height: 13pt; text-align: justify;\">Um fato not&aacute;vel: o rio Jord&atilde;o, no seu curso, forma dois mares &ndash; o mar da Galileia e o mar Morto. O mar da Galileia &eacute; borbulhante de vida, com &aacute;guas das mais piscosas da terra. O mar Morto &eacute; precisamente &ldquo;morto&rdquo;: n&atilde;o h&aacute; rastro de vida nem nele nem ao redor; somente sal. E se trata da mesma &aacute;gua do Jord&atilde;o! A explica&ccedil;&atilde;o, pelo menos em parte, &eacute; esta: o mar da Galileia recebe as &aacute;guas do Jord&atilde;o, mas n&atilde;o as ret&eacute;m para si; deixa flu&iacute;rem, para irrigarem todo o vale do Jord&atilde;o. J&aacute; o mar Morto recebe as &aacute;guas e as ret&eacute;m para si, n&atilde;o tem efluentes, dali n&atilde;o sai uma gota. &Eacute; um s&iacute;mbolo. Para receber o amor de Deus, devemos d&aacute;-lo aos irm&atilde;os, e, quanto mais damos, mais recebemos. &Eacute; sobre isto que reflectiremos nesta medita&ccedil;&atilde;o.<\/span><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 6pt; line-height: 13pt; text-align: justify;\">Depois de reflectir nas duas primeiras medita&ccedil;&otilde;es sobre o amor de Deus como dom, &eacute; hora de meditarmos tamb&eacute;m sobre o dever de amar; e, em particular, sobre o dever de amar o pr&oacute;ximo. O v&iacute;nculo entre os dois amores &eacute; exposto de modo program&aacute;tico na palavra de Deus: &ldquo;Se Deus nos amou tanto, n&oacute;s devemos amar-nos uns aos outros&rdquo; (1Jo 4,11).<\/span><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 6pt; line-height: 13pt; text-align: justify;\">&ldquo;Amar&aacute;s o pr&oacute;ximo como a ti mesmo&rdquo; era um mandamento antigo, escrito na lei de Mois&eacute;s (Lev 19,18) e Jesus mesmo o cita como tal (Lc 10,27). Ent&atilde;o como &eacute; que Jesus o chama de &ldquo;seu&rdquo; mandamento e de mandamento &ldquo;novo&rdquo;? A resposta &eacute; que mudaram o sujeito, o objeto e o motivo do amor ao pr&oacute;ximo.<\/span><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 6pt; line-height: 13pt; text-align: justify;\">Mudou antes de tudo o <i>objecto<\/i>: <i>quem<\/i> &eacute; o pr&oacute;ximo que deve ser amado. N&atilde;o &eacute; mais s&oacute; o compatriota, ou o h&oacute;spede que habita em meio a n&oacute;s, mas todos os homens, inclusive o estrangeiro (o samaritano!), inclusive o inimigo! &Eacute; verdade que a segunda parte da frase &ldquo;Amar&aacute;s o teu pr&oacute;ximo e odiar&aacute;s o teu inimigo&rdquo; n&atilde;o se encontra ao p&eacute; da letra no Antigo Testamento, mas assume a sua orienta&ccedil;&atilde;o geral, expressa na lei de tali&atilde;o &ldquo;Olho por olho, dente por dente&rdquo; (Lev 24,20), ainda mais se confrontada com o que Jesus nos exige:<\/span><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 6pt; line-height: 13pt; text-align: justify;\">&ldquo;Mas eu vos digo: amai os vossos inimigos e rezai por quem vos persegue, para serdes filhos do vosso Pai que est&aacute; nos c&eacute;us; pois ele faz nascer o sol sobre maus e bons, e chover sobre justos e injustos. Se amais os que vos amam, que m&eacute;rito tendes? N&atilde;o fazem o mesmo os publicanos? E se saudais somente os vossos irm&atilde;os, que fazeis de extraordin&aacute;rio? Assim n&atilde;o agem tamb&eacute;m os pag&atilde;os?&rdquo; (Mt 5, 44-47).<\/span><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 6pt; line-height: 13pt; text-align: justify;\">Mudou tamb&eacute;m o <i>sujeito<\/i> do amor ao pr&oacute;ximo, o significado da palavra <i>pr&oacute;ximo<\/i>. N&atilde;o &eacute; o outro; sou eu. N&atilde;o &eacute; quem <i>est&aacute; perto<\/i>, mas quem <i>se aproxima<\/i>. Com a par&aacute;bola do bom samaritano, Jesus demonstra que n&atilde;o devemos esperar passivamente que o pr&oacute;ximo surja em nosso caminho, dando seta e de sirene ligada. O pr&oacute;ximo &eacute; voc&ecirc;, ou aquele que voc&ecirc; pode se tornar. O pr&oacute;ximo n&atilde;o existe de cara; s&oacute; temos um pr&oacute;ximo se nos aproximamos de algu&eacute;m.<\/span><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 6pt; line-height: 13pt; text-align: justify;\">E mudou, mais do que tudo, o <i>modelo<\/i> ou a <i>medida<\/i> do amor ao pr&oacute;ximo. Antes de Jesus, o modelo era o amor a si mesmo: &ldquo;como a ti mesmo&rdquo;. Foi dito que Deus n&atilde;o podia amarrar o amor ao pr&oacute;ximo numa estaca melhor que esta; n&atilde;o teria atingido o mesmo resultado nem se tivesse dito &ldquo;Amar&aacute;s o pr&oacute;ximo como ao teu Deus&rdquo;, porque quanto ao amor de Deus, ou seja, quanto ao que &eacute; amar a Deus, o homem ainda pode trapacear, mas quanto ao amor a si mesmo, n&atilde;o. O homem sabe perfeitamente o que significa, em qualquer circunst&acirc;ncia, amar a si mesmo; &eacute; um espelho que est&aacute; sempre diante dele [1].<\/span><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 6pt; line-height: 13pt; text-align: justify;\">Mas &eacute; poss&iacute;vel enxergar mal at&eacute; o amor a si mesmo. Por isso Jesus substitui o modelo e a medida por outro: &ldquo;Este &eacute; o meu mandamento: que vos ameis uns aos outros <i>como eu vos amei<\/i>&rdquo; (Jo 15,12). O homem pode amar a si mesmo do jeito errado, desejando o mal em vez do bem, o v&iacute;cio e n&atilde;o a virtude. Se um homem desses ama o pr&oacute;ximo como a si mesmo e quer para ele o mesmo que quer para si, pobre de quem &eacute; amado! J&aacute; o amor de Jesus, sabemos aonde nos leva: &agrave; verdade, ao bem, ao Pai. Quem o segue &ldquo;n&atilde;o anda nas trevas&rdquo;. Ele nos amou dando a vida por n&oacute;s, quando &eacute;ramos pecadores, ou seja, inimigos (Rom 5,6).<\/span><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 6pt; line-height: 13pt; text-align: justify;\">Entende-se assim o que o evangelista Jo&atilde;o quer dizer com a afirma&ccedil;&atilde;o aparentemente contradit&oacute;ria: &ldquo;Car&iacute;ssimos, n&atilde;o vos escrevo um mandamento novo, mas um mandamento velho, que t&iacute;nheis desde o princ&iacute;pio: o mandamento velho &eacute; a palavra que ouvistes. E &eacute;, no entanto, um mandamento novo o que vos escrevo&rdquo; (1Jo 2, 7-8). O mandamento do amor ao pr&oacute;ximo &eacute; antigo na letra, mas novo pela novidade do evangelho. Novo, explica o papa num cap&iacute;tulo de seu mais recente livro sobre Jesus, porque n&atilde;o &eacute; mais s&oacute; &ldquo;lei&rdquo;, mas tamb&eacute;m, e antes, &ldquo;gra&ccedil;a&rdquo;. Funda-se na comunh&atilde;o com Cristo, poss&iacute;vel pelo dom do Esp&iacute;rito [2].<\/span><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 6pt; line-height: 13pt; text-align: justify;\">Com Jesus, passamos da lei do <i>contrappasso<\/i>, ou entre dois agentes (&ldquo;O que o outro te faz, f&aacute;-lo a ele&rdquo;) para a lei do <i>trapasso<\/i>, entre tr&ecirc;s agentes: &ldquo;O que Deus te fez, f&aacute;-lo ao pr&oacute;ximo&rdquo;, ou, na dire&ccedil;&atilde;o oposta, &ldquo;O que fizeres com o pr&oacute;ximo, Deus far&aacute; contigo&rdquo;. Jesus e os ap&oacute;stolos repetem este conceito: &ldquo;Como Deus vos perdoou, perdoai-vos uns aos outros&rdquo;. &ldquo;Se n&atilde;o perdoardes de cora&ccedil;&atilde;o aos vossos inimigos, nem vosso pai vos perdoar&aacute;&rdquo;. &Eacute; cortada pela raiz a desculpa do &ldquo;mas ele n&atilde;o me ama, me ofende&rdquo;. Isto diz respeito a ele, n&atilde;o a voc&ecirc;. A voc&ecirc; interessa o que voc&ecirc; faz ao outro e como voc&ecirc; se comporta diante do que ele faz a voc&ecirc;.<\/span><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 6pt; line-height: 13pt; text-align: justify;\">Resta a principal pergunta: por que esta singular mudan&ccedil;a de rota do amor de Deus ao pr&oacute;ximo? N&atilde;o seria mais l&oacute;gico &ldquo;Como eu vos amei, amai a mim&rdquo; em vez de &ldquo;Como eu vos amei, amai-vos uns aos outros&rdquo;? Pois esta &eacute; a diferen&ccedil;a entre o amor puramente <i>eros<\/i> e o amor que &eacute; <i>eros<\/i> e <i>&aacute;gape<\/i> juntos. O amor puramente er&oacute;tico &eacute; um circuito fechado: &ldquo;Ama-me, Alfredo, ama-me como eu te amo&rdquo;, canta Violeta na Traviata de Verdi: eu te amo, tu me amas. O amor de &aacute;gape &eacute; um circuito aberto: vem de Deus e volta a ele, mas passando pelo pr&oacute;ximo. Jesus inaugurou ele pr&oacute;prio esse novo tipo de amor: &ldquo;Como o Pai me amou, eu amei a v&oacute;s&rdquo; (Jo 15,9).<\/span><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 6pt; line-height: 13pt; text-align: justify;\">Santa Catarina de Sena deu sobre o motivo disto a explica&ccedil;&atilde;o mais simples e convincente. Ela escreve o que considera que Deus quer:<\/span><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 6pt; line-height: 13pt; text-align: justify;\">&ldquo;Eu vos pe&ccedil;o amar-me com o mesmo amor com que vos amo. Mas n&atilde;o podeis, j&aacute; que vos amei sem ser amado. Todo o amor que me tendes &eacute; de d&iacute;vida, n&atilde;o de gra&ccedil;a, porque devestes amar-me, enquanto eu vos amo com amor de gra&ccedil;a, e n&atilde;o de d&iacute;vida. N&atilde;o podeis, pois, dar a mim o amor que vos pe&ccedil;o. Eis por que vos pus ao lado o vosso pr&oacute;ximo: para lhe fazerdes o que a mim n&atilde;o podeis, que &eacute; am&aacute;-lo sem considera&ccedil;&atilde;o de m&eacute;rito nem &agrave; espera de utilidade. E considero que fazeis a mim o que fizerdes a ele&rdquo; [3].<\/span><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 6pt; line-height: 13pt; text-align: justify;\"><b>2. Amai-vos de cora&ccedil;&atilde;o sincero<\/span><\/b><\/span><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 6pt; line-height: 13pt; text-align: justify;\">Depois destas reflex&otilde;es gerais sobre o mandamento do amor ao pr&oacute;ximo, &eacute; hora de falar das qualidades que devem revestir esse amor. S&atilde;o fundamentalmente duas: deve ser um amor sincero e um amor de fato, um amor do cora&ccedil;&atilde;o e das m&atilde;os. Desta vez nos ateremos &agrave; primeira qualidade, deixando-nos guiar pelo grande cantor da caridade, que &eacute; Paulo.<\/span><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 6pt; line-height: 13pt; text-align: justify;\">A segunda parte da Carta as Romanos &eacute; um subseguir-se de recomenda&ccedil;&otilde;es sobre o amor rec&iacute;proco na comunidade crist&atilde;. &ldquo;A caridade n&atilde;o seja fingida [&#8230;]; amai-vos uns aos outros com afecto fraterno, esfor&ccedil;ai-vos no rec&iacute;proco estimar-se&#8230;&rdquo; (Rm 12, 9). &ldquo;N&atilde;o devais a ningu&eacute;m, sen&atilde;o um amor m&uacute;tuo, porque quem ama seu semelhante cumpriu a lei&rdquo; (Rm 13,8).<\/span><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 6pt; line-height: 13pt; text-align: justify;\">Para captar a alma unificante destas recomenda&ccedil;&otilde;es, a ideia de fundo, ou melhor, o &ldquo;sentimento&rdquo; que Paulo tem da caridade, temos que partir da palavra inicial: &ldquo;A caridade n&atilde;o seja fingida!&rdquo;. Esta n&atilde;o &eacute; uma das muitas exorta&ccedil;&otilde;es, mas a matriz de que derivam todas as outras. Cont&eacute;m o segredo da caridade. Procuremos captar, com a ajuda do Esp&iacute;rito, esse segredo.<\/span><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 6pt; line-height: 13pt; text-align: justify;\">O termo original usado por S&atilde;o Paulo, e traduzido como &ldquo;sem fingimento&rdquo;, &eacute; <i>an-hyp&ograve;kritos<\/i>: &ldquo;sem hipocrisia&rdquo;. Este voc&aacute;bulo &eacute; uma esp&eacute;cie de luz indicadora; &eacute; um termo raro, que achamos no Novo Testamento quase exclusivamente para definir o amor crist&atilde;o. A express&atilde;o &ldquo;amor sincero&rdquo; (an-hyp&ograve;kritos) volta em 2 Cor 6,6 e em 1Pd 1,22. Este &uacute;ltimo texto permite notar, com toda a certeza, o significado do termo em quest&atilde;o, porque o explica com uma per&iacute;frase: o amor sincero, diz, consiste no amar-se intensamente com sincero cora&ccedil;&atilde;o.<\/span><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 6pt; line-height: 13pt; text-align: justify;\">S&atilde;o Paulo, ent&atilde;o, com aquela simples afirma&ccedil;&atilde;o, &ldquo;a caridade n&atilde;o seja fingida&rdquo;, leva o tema at&eacute; a pr&oacute;pria raiz da caridade: o cora&ccedil;&atilde;o. O que se pede do amor &eacute; que seja verdadeiro, aut&ecirc;ntico, n&atilde;o fict&iacute;cio. Como o vinho, para ser &ldquo;sincero&rdquo;, precisa ser espremido da uva, assim o amor precisa vir do cora&ccedil;&atilde;o. Tamb&eacute;m nisso o Ap&oacute;stolo &eacute; o eco fiel do pensamento de Jesus, que indicou o cora&ccedil;&atilde;o, repetidamente e com for&ccedil;a, como o &ldquo;lugar&rdquo; em que se determina o valor do que o homem faz, o que &eacute; puro ou impuro, na vida de uma pessoa (Mt 15,19).<\/span><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 6pt; line-height: 13pt; text-align: justify;\">Podemos falar de uma intui&ccedil;&atilde;o Paulina a respeito da caridade; ela consiste em revelar, por tr&aacute;s do universo vis&iacute;vel e exterior da caridade, feito de obras e palavras, outro universo todo interior, que &eacute;, em compara&ccedil;&atilde;o com o primeiro, o que a alma &eacute; para o corpo. Revemos esta intui&ccedil;&atilde;o no outro grande texto sobre a caridade, que &eacute; 1Cor 13. S&atilde;o Paulo, se observamos bem, est&aacute; falando da caridade interior, das disposi&ccedil;&otilde;es e sentimentos de caridade: a caridade &eacute; paciente, &eacute; benigna, n&atilde;o &eacute; invejosa, n&atilde;o se irrita, tudo releva, tudo cr&ecirc;, tudo espera&#8230; Nada que se refira, em si e diretamente, ao <i>fazer<\/i> o bem, ou &agrave;s obras de caridade, mas &agrave; raiz do <i>querer<\/i> bem. A benevol&ecirc;ncia vem antes da benefic&ecirc;ncia. <\/span><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 6pt; line-height: 13pt; text-align: justify;\">&Eacute; o Ap&oacute;stolo mesmo quem explicita a diferen&ccedil;a entre as duas esferas da caridade, dizendo que o maior ato de caridade exterior &ndash; o de repartir com os pobres todos os pr&oacute;prios bens &ndash; n&atilde;o serviria de nada sem a caridade interior (cf. 1Cor 13,3). Seria o oposto da caridade &ldquo;sincera&rdquo;. A caridade hip&oacute;crita, de fato, &eacute; justo a que faz coisas boas sem querer bem; que mostra por fora o que n&atilde;o tem correspond&ecirc;ncia no cora&ccedil;&atilde;o. Neste caso, temos uma pequenez da caridade, que no fim pode ser disfarce de ego&iacute;smo, da busca de si mesmo, instrumentaliza&ccedil;&atilde;o do irm&atilde;o ou simples remorso de consci&ecirc;ncia.<\/span><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 6pt; line-height: 13pt; text-align: justify;\">Seria um erro fatal contrapor a caridade do cora&ccedil;&atilde;o &agrave; dos fatos, ou refugiar-se na caridade interior para achar nela uma esp&eacute;cie de &aacute;libi da falta de caridade nas obras. No mais, dizer que, sem a caridade, &ldquo;nada adianta dar tudo aos pobres&rdquo; n&atilde;o significa que isto n&atilde;o sirva para ningu&eacute;m e seja in&uacute;til. Significa, sim, que n&atilde;o serve de nada &ldquo;para mim&rdquo;, mas pode ajudar o pobre que a recebe. N&atilde;o se trata, portanto, de atenuar a import&acirc;ncia das obras de caridade (veremos isto na pr&oacute;xima vez), mas de garantir que elas tenham fundamento firme contra o ego&iacute;smo e as suas ast&uacute;cias infinitas. S&atilde;o Paulo quer que os crist&atilde;os sejam &ldquo;enraizados e fundados na caridade&rdquo; (Ef 3,17): que o amor seja a raiz e o fundamento de tudo.<\/span><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 6pt; line-height: 13pt; text-align: justify;\">Amar sinceramente quer dizer amar com esta profundidade, num grau em que voc&ecirc; n&atilde;o pode mentir, porque est&aacute; sozinho diante de si mesmo, do espelho da sua consci&ecirc;ncia, sob o olhar de Deus. &ldquo;Ama o irm&atilde;o&rdquo;, escreve Agostinho, &ldquo;aquele que, perante Deus, onde s&oacute; ele v&ecirc;, confirma o seu cora&ccedil;&atilde;o e se pergunta no &iacute;ntimo se em verdade age por amor do irm&atilde;o; e o olhar que penetra o cora&ccedil;&atilde;o, onde o homem n&atilde;o consegue enxergar, lhe rende testemunho&rdquo; [4]. Era sincero, portanto, o amor de Paulo pelos hebreus se ele podia dizer: &ldquo;Eu digo a verdade em Cristo, n&atilde;o minto; pois a minha consci&ecirc;ncia o confirma por meio do Esp&iacute;rito Santo; trago no peito grande tristeza e sofrimento cont&iacute;nuo; quisera eu mesmo ser an&aacute;tema, separado de Cristo, por amor de meus irm&atilde;os, meus parentes segundo a carne&rdquo; (Rm 9, 1-3).<\/span><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 6pt; line-height: 13pt; text-align: justify;\">Para ser genu&iacute;na, a caridade crist&atilde; deve partir de dentro, do cora&ccedil;&atilde;o. E as obras de miseric&oacute;rdia, &ldquo;das v&iacute;sceras da miseric&oacute;rdia&rdquo; (Col 3,12). Devemos, por&eacute;m, precisar que se trata aqui de algo bem mais radical que a simples &ldquo;interioriza&ccedil;&atilde;o&rdquo;, que um mero acentuar mais a pr&aacute;tica interna da caridade do que a externa. Este &eacute; s&oacute; o primeiro passo. A interioriza&ccedil;&atilde;o se aproxima da diviniza&ccedil;&atilde;o! O crist&atilde;o, dizia S&atilde;o Pedro, &eacute; quem ama &ldquo;de cora&ccedil;&atilde;o sincero&rdquo;. Mas com que cora&ccedil;&atilde;o? Com &ldquo;o cora&ccedil;&atilde;o novo e o Esp&iacute;rito novo&rdquo; recebidos no baptismo.<\/span><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 6pt; line-height: 13pt; text-align: justify;\">Quando um crist&atilde;o ama assim, &eacute; Deus quem ama atrav&eacute;s dele; ele se torna um canal do amor de Deus. Acontece como pela consola&ccedil;&atilde;o, que n&atilde;o &eacute; mais que uma modalidade do amor: &ldquo;Deus nos consola em toda nossa tribula&ccedil;&atilde;o para podermos n&oacute;s tamb&eacute;m consolar os que sofrem todo tipo de afli&ccedil;&atilde;o com a mesma consola&ccedil;&atilde;o com que somos consolados por Deus&rdquo; (2 Cor 1,4). N&oacute;s consolamos com a consola&ccedil;&atilde;o com que somos consolados por Deus, amamos com o amor com que somos amados por Deus. N&atilde;o com outro. Isto explica a resson&acirc;ncia, aparentemente desproporcionada, de simpl&iacute;ssimos actos de amor, tantas vezes at&eacute; escondidos, e toda a esperan&ccedil;a e luz que eles criam ao seu redor.<\/span><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 6pt; line-height: 13pt; text-align: justify;\"><b>3. A caridade edifica<\/span><\/b><\/span><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 6pt; line-height: 13pt; text-align: justify;\">Quando se fala da caridade nos escritos apost&oacute;licos, nunca se fala em abstracto, de modo gen&eacute;rico. O fundo &eacute; sempre a edifica&ccedil;&atilde;o da comunidade crist&atilde;. Em outras palavras, o primeiro &acirc;mbito de exerc&iacute;cio da caridade tem que ser a Igreja e, mais concretamente, a comunidade em que se vive, as pessoas com que se t&ecirc;m rela&ccedil;&otilde;es quotidianas. Assim deve ser hoje ainda, em particular no cora&ccedil;&atilde;o da Igreja, entre os que trabalham em contacto estreito com o Sumo Pont&iacute;fice.<\/span><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 6pt; line-height: 13pt; text-align: justify;\">Durante certo tempo, na antiguidade, designou-se com o termo caridade, <i>&aacute;gape<\/i>, n&atilde;o s&oacute; a refei&ccedil;&atilde;o fraterna que os crist&atilde;os faziam juntos, mas tamb&eacute;m a Igreja inteira [5]. O m&aacute;rtir Santo In&aacute;cio de Antioquia sa&uacute;da a Igreja de Roma como a que &ldquo;preside a caridade (<i>&aacute;gape<\/i>)&rdquo;, ou seja, a &ldquo;fraternidade crist&atilde;&rdquo;, no conjunto de todas as igrejas [6]. Esta frase n&atilde;o afirma s&oacute; o <i>fato<\/i> do primado, mas tamb&eacute;m a sua <i>natureza<\/i>, o modo de exerc&ecirc;-lo: na caridade.<\/span><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 6pt; line-height: 13pt; text-align: justify;\">A Igreja tem necessidade urgente de uma camada de caridade que restaure as suas fraturas. Paulo VI dizia num discurso: &ldquo;A Igreja precisa sentir refluir por todas as suas faculdades humanas a onda do amor, daquele amor que se chama caridade, e que se difunde em nossos corpos por obra do Esp&iacute;rito Santo dado a n&oacute;s&rdquo; [7].&nbsp; S&oacute; o amor cura. &Eacute; o &oacute;leo do samaritano. &Oacute;leo tamb&eacute;m porque tem que flutuar acima de tudo, como o &oacute;leo sobre os l&iacute;quidos. &ldquo;Acima de tudo esteja a caridade, v&iacute;nculo da perfei&ccedil;&atilde;o&rdquo; (Col 3,14). Acima de tudo, <i>super omnia<\/i>. Portanto, acima da f&eacute; e da esperan&ccedil;a, da disciplina, da autoridade, ainda que, evidentemente, as pr&oacute;prias disciplina e autoridade podem ser uma express&atilde;o da caridade. N&atilde;o h&aacute; unidade sem caridade, e, se houvesse, seria uma unidade de pouco valor para Deus.<\/span><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 6pt; line-height: 13pt; text-align: justify;\">Um &acirc;mbito importante em que trabalhar &eacute; o dos julgamentos m&uacute;tuos. Paulo escrevia aos Romanos: &ldquo;Por que julgas o teu irm&atilde;o? Por que desprezas o teu irm&atilde;o? Deixemos de julgar-nos uns aos outros&rdquo; (Rm 14, 10.13). Antes dele, Jesus tinha dito: &ldquo;N&atilde;o julgueis, para n&atilde;o serdes julgados. [&#8230;] Por que observas o cisco no olho do teu irm&atilde;o e n&atilde;o v&ecirc;s a trave no teu?&rdquo; (Mt 7, 1-3). Compara o pecado do pr&oacute;ximo (o pecado julgado), seja qual for, a um cisco, diante do pecado de quem julga (o pecado de julgar), que &eacute; uma trave. A trave &eacute; o pr&oacute;prio fato de julgar, t&atilde;o grave ele &eacute; perante Deus.<\/span><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 6pt; line-height: 13pt; text-align: justify;\">O discurso sobre julgamentos &eacute; delicado e complexo. Se ficar pela metade, parece pouco realista. Como &eacute; que se pode viver sem julgar nunca? O ju&iacute;zo &eacute; impl&iacute;cito em n&oacute;s at&eacute; num olhar. N&atilde;o podemos observar, escutar, viver, sem fazer avalia&ccedil;&otilde;es, ou seja, sem julgar. Um pai, um superior, um confessor, um juiz, qualquer um que tenha responsabilidade sobre outros, precisa julgar. &Agrave;s vezes, at&eacute;, como &eacute; o caso de muitos aqui na c&uacute;ria, o julgar &eacute;, precisamente, o tipo de servi&ccedil;o que se &eacute; chamado a prestar &agrave; sociedade ou &agrave; Igreja.<\/span><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 6pt; line-height: 13pt; text-align: justify;\">Realmente, n&atilde;o &eacute; tanto o julgar que deve ser extirpado do nosso cora&ccedil;&atilde;o, mas o veneno do nosso julgar! O rancor, a condena&ccedil;&atilde;o. Na redac&ccedil;&atilde;o de Lucas, o mandado de Jesus &ldquo;N&atilde;o julgueis e n&atilde;o sereis julgados&rdquo; &eacute; seguido imediatamente, como para explicitar o sentido destas palavras, pelo mandado &ldquo;N&atilde;o condeneis e n&atilde;o sereis condenados&rdquo; (Lc 6,37). Em si, julgar &eacute; uma ac&ccedil;&atilde;o neutra. O ju&iacute;zo pode terminar tanto em condena&ccedil;&atilde;o quanto em absolvi&ccedil;&atilde;o e justifica&ccedil;&atilde;o. S&atilde;o os ju&iacute;zos negativos os que a palavra de Deus reprime e elimina, aqueles que condenam o pecador junto com o pecado, aqueles que olham mais para a puni&ccedil;&atilde;o do que para a correc&ccedil;&atilde;o do irm&atilde;o.<\/span><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 6pt; line-height: 13pt; text-align: justify;\">Outro ponto qualificador da caridade sincera &eacute; a estima: &ldquo;Lutai para vos estimardes mutuamente&rdquo; (Rm 12,10). Para estimar o irm&atilde;o, &eacute; preciso n&atilde;o estimar demais a si mesmo, n&atilde;o ser sempre seguro de si. &Eacute; preciso, diz o Ap&oacute;stolo, &ldquo;n&atilde;o ter uma vis&atilde;o alta demais de si pr&oacute;prio&rdquo; (Rm 12,3). Quem tem uma ideia muito alta de si mesmo &eacute; como um homem que, &agrave; noite, tem diante dos olhos uma fonte de luz intensa: n&atilde;o consegue ver nada al&eacute;m dela; n&atilde;o consegue ver a luz dos irm&atilde;os, seus dotes e seus valores.<\/span><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 6pt; line-height: 13pt; text-align: justify;\">&ldquo;Minimizar&rdquo; deve se tornar o nosso verbo preferido nas rela&ccedil;&otilde;es com os outros: minimizar os nossos destaques e minimizar os defeitos alheios. N&atilde;o minimizar os nossos defeitos e os destaques alheios, como somos tantas vezes levados a fazer; &eacute; diametralmente o oposto! H&aacute; uma f&aacute;bula de Esopo a este respeito; reelaborada por La Fontaine, ela diz assim:<\/span><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 6pt; line-height: 13pt; text-align: justify;\">&ldquo;Ao chegar a este vale, cada um traz ao ombro um duplo embornal. Dentro do embornal dianteiro, lan&ccedil;a prazenteiro os defeitos do pr&oacute;ximo, enquanto no outro lan&ccedil;a os pr&oacute;prios&rdquo; [8].<\/span><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 6pt; line-height: 13pt; text-align: justify;\">Dever&iacute;amos inverter: lan&ccedil;ar os nossos pr&oacute;prios defeitos na sacola que temos &agrave; nossa frente, e os defeitos dos outros deix&aacute;-los na sacola que fica para tr&aacute;s. S&atilde;o Tiago admoesta: &ldquo;N&atilde;o faleis mal uns dos outros&rdquo; (Tg 4,11). A fofoca parece ter virado coisa inocente, mas &eacute; uma das que mais poluem a vida em grupo. N&atilde;o basta n&atilde;o falar mal dos outros; precisamos tamb&eacute;m impedir que os outros o fa&ccedil;am em nossa presen&ccedil;a; faz&ecirc;-los notar, mesmo que silenciosamente, que n&atilde;o estamos de acordo. Como &eacute; diferente o ar que respiramos num ambiente de trabalho ou numa comunidade quando levamos a s&eacute;rio a admoesta&ccedil;&atilde;o de S&atilde;o Tiago! Em muitos locais p&uacute;blicos est&aacute; escrito &ldquo;Aqui n&atilde;o se fuma&rdquo;. Antigamente havia at&eacute; alguns avisos de &ldquo;Aqui n&atilde;o se blasfema&rdquo;. N&atilde;o faria mal acrescentar, em alguns casos, &ldquo;Aqui n&atilde;o se fofoca&rdquo;.<\/span><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 6pt; line-height: 13pt; text-align: justify;\">Terminemos ouvindo como dirigida a n&oacute;s mesmos a exorta&ccedil;&atilde;o do Ap&oacute;stolo &agrave; comunidade dos filipenses, t&atilde;o amada por ele: &ldquo;Tornai plena a minha alegria cultivando um s&oacute; pensar, um mesmo amor, sendo un&acirc;nimes e nutrindo um s&oacute; sentimento. Nada fa&ccedil;ais por esp&iacute;rito de separa&ccedil;&atilde;o ou por vangl&oacute;ria, mas, com humildade, cada um repute os outros superiores a si mesmo, procurando n&atilde;o o pr&oacute;prio interesse, mas o do pr&oacute;ximo. Tende em v&oacute;s os mesmos sentimentos de Cristo Jesus&rdquo; (Fil 2, 2-5).<\/span><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 6pt; line-height: 13pt;\"><span style=\"font-size: 8pt;\">[Traduzido do original italiano por ZENIT]<\/span><\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"margin-bottom: 6pt; line-height: 13pt;\"><b>Notas:<\/span><\/b><\/span><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 6pt; line-height: 13pt;\">(1) Cf. S. Kierkegaard, <i>Os atos do amor<\/i>, vers&atilde;o italiana, Mil&atilde;o, Rusconi, 1983, p. 163.<\/span><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 6pt; line-height: 13pt;\">(2) Bento XVI, <i>Jesus de Nazar&eacute;<\/i>, II Parte, Livraria Editora Vaticana, 2011, p. 76.<\/span><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 6pt; line-height: 13pt;\">(3) S. Catarina de Sena,<i> Di&aacute;logo<\/i> 64.<\/span><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 6pt; line-height: 13pt;\">(4) S. Agostinho, <i>Coment&aacute;rio &agrave; Primeira Carta de Jo&atilde;o<\/i>, 6,2 (PL 35, 2020).<\/span><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 6pt; line-height: 13pt;\">(5) Lampe, <i>A Patristic Greek Lexicon<\/i>, Oxford 1961, p. 8<\/span><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 6pt; line-height: 13pt;\">(6) S. In&aacute;cio de Antioquia, <i>Carta aos Romanos,<\/i> sauda&ccedil;&atilde;o.<\/span><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 6pt; line-height: 13pt;\">(7) Audi&ecirc;ncia geral de 29 de Novembro de 1972 (<i>Insegnamenti di Paolo VI<\/i>, Tipografia Poliglotta Vaticana, X, pp. 1210).<\/span><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 6pt; line-height: 13pt;\">(8) J. de La Fontaine, <i>F&aacute;bulas<\/i>, I, 7<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Catequeses Quaresmais do P. 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