Na viagem apostólica à Geórgia e Azerbaijão, o Papa Francisco proferiu em Tbilissi (Geórgia), no encontro com agentes de pastoral, palavras sábias sobre o Matrimónio e a Família.
“E agora, Irina, como é a fé no casamento? O casal é a coisa mais linda que Deus criou.
A Bíblia diz-nos que Deus criou o homem e a mulher, criou-os à sua imagem (cf. Gn 1, 27). Ou seja, o homem e a mulher que se tornam uma só carne são imagem de Deus. Eu seguia-te cheio de compreensão, Irina, quando explicavas as dificuldades que muitas vezes acontecem no casal: as incompreensões, as tentações… «Bem, resolvamos a situação pela via do divórcio; deste modo eu procuro outro para mim, ele procura outra, e começamos de novo».
Irina, sabes quem paga os custos do divórcio? Pagam duas pessoas, quem?
[Irina responde: ambos os dois]
Só os dois!? Mais alguém! Paga Deus, porque, quando se separa «uma só carne», mancha-se a imagem de Deus. E pagam as crianças, os filhos. Vós não sabeis, queridos irmãos e irmãs, vós não sabeis quanto sofrem as crianças, os filhos pequenos, quando vêem os litígios e a separação dos pais. Deve-se fazer todo o possível para salvar o casamento.
Mas, é normal litigar no casal? Sim, é normal. Acontece. Às vezes «voam os pratos». Mas, se é amor verdadeiro, então imediatamente se fazem as pazes. O meu conselho para os esposos: litigai quanto quiserdes, litigai enquanto quiserdes, mas não acabeis o dia sem fazer as pazes. Sabeis porquê? Porque a «guerra fria» do dia seguinte é muito perigosa. Quantos casais se salvam, se tiverem a coragem, no final do dia, de fazer não um discurso mas uma carícia e assim… foram feitas as pazes!
É verdade, porém, que existem situações mais complexas, quando o diabo se envolve e coloca diante do homem uma mulher que lhe parece mais bonita do que a sua, ou quando coloca na frente da esposa um homem que lhe parece mais despachado do que o seu. Pedi imediatamente ajuda. Quando vem esta tentação, pedi imediatamente ajuda.
E, com isto, chegamos ao que tu dizias a propósito de ajudar os casais. Como se ajudam os casais? Ajudam-se com o acolhimento, a proximidade, o acompanhamento, o discernimento e a integração no corpo da Igreja. Acolher, acompanhar, discernir e integrar. Na comunidade católica, deve-se ajudar a salvar os casais.
Há três palavras, que são palavras de ouro na vida matrimonial. Eu perguntaria a um casal: «Amais-vos?» – «Sim»: dirão eles. «E quando um faz algo pelo outro, este sabe dizer obrigado? E se um dos dois faz alguma disparate, sabe pedir desculpa? E, se um tem uma ideia em mente, como por exemplo passar um dia fora ou qualquer outra coisa, sabe pedir a opinião do outro?» Três palavras: «Que achas? Posso?»; «obrigado»; «desculpa». Se, nos casais, se usam estas palavras: «Desculpa-me, errei»; «posso fazer isto?»; ou «obrigado pela boa refeição que me preparaste». «Posso?», «obrigado», «desculpa»: se se utilizam estas três palavras, o casal continuará sem dificuldade. É uma ajuda.
Tu, Irina, mencionaste um grande inimigo actual do casamento: a teoria do gender. Hoje está em acto uma guerra mundial para destruir o casamento. Hoje existem colonizações ideológicas que o destroem, não com as armas, mas com as ideias. Por isso, é preciso defender-se das colonizações ideológicas. Se houver problemas, fazei as pazes o mais depressa possível, antes de acabar o dia, e não esqueçais as três palavras: «por favor», «obrigado», «desculpa».”
Papa Francisco,
Viagem Apostólica à Geórgia e Azerbaijão – 30-09 a 02-10-2016
(Palavras proferidas num encontro com agentes de pastoral em Tbilissi, a 01-10-2016)
