Beatificação de João Paulo II

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O cardeal Silvio Baldini proferiu, no início da celebração, um texto sobre a vida do Papa João Paulo II, morto a 2 de Abril de 2005, após 27 anos de papado. Foram destacadas as virtudes de Karol Wojtyla, como os seus dotes intelectuais, morais e espirituais. Um grande homem de Deus!

Após estaa leitura, ocorreu o principal momento da cerimónia: foi descerrada uma foto em tamanho gigante de João Paulo II, aplaudida pela multidão, onde sobressaíam muitas bandeiras da Polónia, sua terra natal, e a declaração de «beato»: «Concedemos que o venerado servo de Deus João Paulo II, Papa, seja de agora em diante chamado beato», proclamou o papa Bento XVI.

A data escolhida para esta festividade será a 22 de Outubro, dia da primeira missa do seu pontificado.

JPII07aMuitos aplausos e gritos de “Santo súbito!” (Santo já!), como no dia do seu funeral, foram ouvidos na praça de S. Pedro, repleta de pessoas que exibiam bandeiras de muitos países, entre elas a de Portugal.

A religiosa francesa, Marie Simon-Pierre Normand – cuja cura de Parkinson, a mesma doença degenerativa que sofria o papa, em Junho de 2005, é   tida como a primeira graça de João Paulo II – levou ao altar um relicário com uma ampola contendo sangue do Papa, retirado durante a sua última hospitalização e que poderá agora ser venerado pelos fiéis, acompanhada por outra religiosa – a Irmã Tobiana, assistente pessoal de Karol Wojtyla.

Desde as primeiras horas da madrugada centenas de milhares de fiéis, com particular incidência da Polónia, Itália, França, Espanha e Portugal fizeram fila para entrar no recinto da Praça de S. Pedro e Via della Conciliazzione.JPII13

A cerimónia de beatificação de João Paulo II foi presenciada por 86 delegações estrangeiras, incluindo dezasseis chefes de Estado e seis de Governo, bem como representantes das famílias reais de Espanha, Reino Unido, Bélgica, Liechtenstein e Mónaco. A chanceler Angela Merkel, os presidentes mexicano e polaco e o primeiro-ministro húngaro estiveram presentes. Vários presidentes e primeiros-ministros dos Balcãs, os embaixadores dos Estados Unidos e da Rússia representaram os seus países. Também Robert Mugabe, presidente do Zimbabué, participou nas celebrações no Vaticano. O ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Luís Amado, representou o Governo português, acompanhado pelo embaixador de Portugal junto da Santa Sé, Manuel Tomás Fernandes Pereira.JPBeat55

A celebração litúrgica, presidida por Bento XVI, foi concelebrada por 800 padres que deram a comunhão aos milhares de peregrinos na Praça de São Pedro. O recinto foi pequeno para albergar todos os que pretendiam ali ver a cerimónia, apesar das transmissões em directo para todo o mundo. Foram colocados 14 ecrãs gigantes em Roma, para que os que não couberam na Praça pudessem participar.

A beatificação de João Paulo II é uma das maiores da história da Igreja, já que, segundo o governador regional de Roma, Giuseppe Pecoraro, participaram mais de um milhão de pessoas.

Também é um evento histórico sem precedentes, já que nos últimos mil anos da Igreja Católica nenhum papa proclamou seu antecessor como beato, como ocorreu neste Domingo.

 


Site de João Paulo II

 

Por ocasião da beatificação de João Paulo II, o Vaticano criou uma página Web: www.joaopauloii.va/pt/. O site foi realizado privilegiando a força e a espontaneidade das imagens. No site estão presentes 500 fotos, 30 vídeos e 400 frases em seis idiomas, num total de 2400 frases.

Em recordações do pontificado, as imagens estão divididas em temas. Cada tema é apresentado na forma de um ‘livro’ de imagens a ser folheado, e cada imagem é acompanhada por uma frase de João Paulo II.

A secção dedicada ao pontificado ano por ano é composta exclusivamente por vídeos. Também, uma das secções do site é dedicada exclusivamente às orações do Papa João Paulo II.

Clique para aceder a este novo site: http://www.joaopauloii.va/pt/

 


Dia da beatificação, dia da Divina MisericórdiaJPII_45

 

A escolha de Bento XVI para a data da beatificação de João Paulo II, 1 de Maio de 2011, que neste ano coincide com o domingo da Divina Misericórdia, não é por acaso.

Em várias ocasiões, mas em particular no funeral de João Paulo II, o cardeal Joseph Ratzinger mostrou como a herança mais original deste papa à Igreja foi precisamente sua contribuição para a compreensão do mal provocado pelo ser humano à luz do limite colocado pela Divina Misericórdia.

O então decano do colégio cardinalício, diante do corpo de João Paulo II, explicava este legado assim: “Cristo, ao sofrer por todos nós, conferiu um novo sentido ao sofrimento; introduziu aquele amor numa nova dimensão, numa nova ordem… E o sofrimento que queima e consome o mal com o fogo do amor e haure também do pecado um florescimento de bem”.

O mistério do mal ético

Karol Wojtyla sofreu os totalitarismos do século XX, o comunismo e o nazismo, e perguntava-se como foi possível que Deus permitisse dramas tão terríveis.

Muitos utilizaram esses males como razões para negar a existência de Deus, ou inclusive para afirmar que Deus não é bom. João Paulo II, em contrapartida, valeu-se deles para reflectir sobre o que Deus ensina, ao permitir que ocorram tragédias, por causa da livre cooperação dos homens.

E encontrou a resposta para a questão do mal ético na perspectiva da Divina Misericórdia, no ensinamento da religiosa e mística polaca Santa Faustina Kowalska (25-08-1905 / 05-10-1938), que ele beatificou a 30 de Abril de 2000.

Santo Agostinho explica que Deus nunca causa o mal. O mal não é uma coisa. Ao criar o ser humano com liberdade, Deus aceitou a existência do mal.

Teria sido melhor que Deus não criasse o homem? Teria sido melhor não criá-lo livre? Não. Mas, então – questionava-se o jovem polaco –, qual é o limite do mal para que ele não tenha a última palavra?

João Paulo II compreendeu que os limites do mal são delimitados pela Divina Misericórdia. Isso não implica que todo o mundo se salve automaticamente pela Divina Misericórdia, desculpando assim todo pecado, mas que Deus perdoará todo pecador que aceitar ser perdoado. Por isso, o perdão, a superação do mal, passa pelo arrependimento.

Se o perdão constitui o limite para o mal (quantas lições se poderiam tirar desta verdade para superar os conflitos armados!), a liberdade condiciona, de certo modo, a Divina Misericórdia. Deus, com efeito, arriscou muito ao criar o homem livre. Arriscou que ele rejeite seu amor e que seja capaz, negando a verdade mais profunda de sua liberdade, de humilhar e até de matar o irmão. E pagou o preço mais terrível, o sacrifício de seu único Filho. Somos o risco de Deus. Mas um risco que se supera com o poder infinito da Divina Misericórdia.

 


Mensagem póstumaMiseric07a

 

João Paulo II tinha preparado uma alocução para o Domingo da Divina Misericórdia, texto que ele não pôde pronunciar, pois na véspera foi chamado à Casa do Pai.

No entanto, quis que esse texto fosse lido e publicado como sua mensagem póstuma: “À humanidade, que no momento parece desfalecida e dominada pelo poder do mal, do egoísmo e do medo, o Senhor ressuscitado oferece como dom o seu amor que perdoa, reconcilia e abre novamente o ânimo à esperança. Quanta necessidade tem o mundo de compreender e de acolher a Divina Misericórdia!” (Cf. Regina Caeli, 03-04-2005).

Como recordação perene desta mensagem, João Paulo II introduziu no calendário litúrgico a solenidade da Divina Misericórdia, uma semana depois do domingo de Páscoa.

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