Celebraremos na próxima sexta-feira, dia 23 de Junho, a Solenidade do Coração de Jesus.
O coração simboliza a pessoa, a sua integridade, a sua personalidade, a riqueza e pobreza do seu interior mais profundo, “o lugar” onde Deus se oferece e de onde brota o nosso amor por Ele e pelos irmãos.
O coração, na Bíblia, é símbolo do amor, da riqueza interior do homem, criado à imagem e semelhança de Deus que é amor (1Jo 4,8). Por isso, o Coração de Cristo é símbolo e imagem expressiva do amor eterno com que Deus amou o mundo, a tal ponto que lhe deu o seu Filho (Jo 3,16).
O símbolo do coração aberto tem sido através dos séculos um continuo convite à conversão interior. Já no Antigo Testamento se afirmava : «Rasgai os vossos corações e não os vossos vestidos.» (Jl 2,3) ). O convite a rasgar os corações continua a soar-nos como um impulso do Espírito Santo a sermos cristãos, homens e mulheres de coração aberto.
A devoção ao Coração de Jesus é assim sinal do amor e escola do amor. Contemplá-l’O, venerá-l’O, ter devoção ao Coração de Cristo deve significar aprender a amar e a viver o que nos ensina S. João: “Nisto conhecemos o amor. Ele deu a sua vida por nós e nós devemos dar a vida pelos nossos irmãos” (1Jo 3,16).
A devoção ao Coração de Jesus tem a sua origem na própria Sagrada Escritura. O coração é um dos modos para falar do infinito amor que Deus tem por cada um de nós. Este amor encontra o seu ponto alto com Jesus Cristo. O gesto de S. João, na última ceia, ao encostar a sua cabeça junto ao peito de Jesus (cf. Jo 13,23); e na cruz, quando o soldado abriu o lado do Senhor com a lança “de onde saiu sangue e água” (cf. Jo 19,34). No primeiro temos o consolo pela dor da véspera da sua morte, e no outro, o sofrimento causado pelos pecados da humanidade.
Estes dois exemplos do Evangelho ajudam-nos a compreender melhor o apelo que Jesus fez, em 1675, a Santa Margarida Maria Alacoque:
«Eis o coração que tanto tem amado os homens e os cumulou de benefícios, e em resposta ao seu amor infinito, em vez de gratidão, não recebo da maior parte senão ingratidões, desprezos, ultrajes, sacrilégios, indiferenças…
Eis que te peço que a primeira sexta-feira, depois da oitava da Solenidade do Santíssimo Sacramento (Corpo de Deus), seja dedicada a uma festa especial para honrar o meu coração, comungando neste dia e dando-lhe a devida reparação por meio de um ato de desagravo, para reparar as indignidades que recebeu durante o tempo em que esteve exposto sobre os altares;
E prometo-te que o Meu Coração se dilatará para derramar com abundância as influências de Seu divino Amor sobre os que tributem esta divina honra e que procurem que ela lhe seja prestada.»
Santa Margarida Maria tornou-se, assim, a primeira mensageira do Coração de Jesus, num tempo em que o Jansenismo do século XVII afastava o povo dos Sacramentos e, desta forma, das experiências concretas para com o Amor de Deus.
Vários Papas, como Leão XIII que consagrou o Mundo ao Sagrado Coração de Jesus, manifestaram-se a favor desta devoção que se resume na oração e reparação.
João Paulo II cultivou sempre esta devoção e a incentivou a todos os que desejavam crescer na amizade com Jesus. Em 1980, no dia do Sagrado Coração, afirmava: «Na solenidade do Sagrado Coração de Jesus, a liturgia da Igreja concentra-se, com adoração e amor especial, em torno do mistério do Coração de Cristo. Quero hoje dirigir juntamente convosco o olhar dos nossos corações para o ministério desse Coração. Ele falou-me desde a minha juventude. Cada ano volto a este mistério no ritmo litúrgico do tempo da Igreja.»
