Carta Pastoral do Patriarca de Lisboa

«Levanta-te, Igreja de Lisboa, e resplandece em Cristo»
Neste Domingo de Páscoa da Ressurreição do Senhor, dia 5 de abril, foi publicada a Carta Pastoral do Patriarca de Lisboa «Levanta-te, Igreja de Lisboa, e resplandece em Cristo» sobre a missão da Igreja de Lisboa.

Caríssimos diocesanos de Lisboa: «A graça e a paz da parte de Deus, nosso Pai, e do Senhor Jesus Cristo» (Fl 1, 2), nosso redentor, estejam com todos vós!

1. Ao celebrarmos o mistério pascal neste Domingo de Páscoa, inicia-se para nós um itinerário que liga dois grandes eventos: o Jubileu da Encarnação de 2025 e os dois mil anos da Redenção, em 2033[1]. Na presente carta pastoral quero convidar a lançar um olhar renovado sobre a realidade e a encontrar as respostas que são necessárias para sermos Igreja em missão, obediente à voz de Deus e atenta às necessidades da humanidade do nosso tempo. Estas respostas articulam-se em quatro aspetos, que são fundamentais: em primeiro lugar, contemplar Cristo como Salvador e aprofundar a salvação que nos quer oferecer. Em segundo lugar, neste olhar para Cristo, descobrimos a forma como Jesus opera a salvação, em que O conhecemos como sabedoria, justiça, santificação e redenção. O Senhor perpetua a dispensação destes frutos de salvação através da Igreja, que se constitui precisamente na missão que recebe de Cristo: é o terceiro aspeto que quero meditar convosco. Finalmente, em quarto lugar, convido – nesta renovação da missão da Igreja de Lisboa – a focar a nossa atenção naqueles lugares em que hoje, de forma particular, somos convidados a encontrar Cristo vivo.

2.  Este caminho é marcado por um período de grande complexidade no mundo, na sociedade e na Igreja. O Patriarcado de Lisboa, em sintonia com a missão de responder e corresponder ao envio do Senhor, tem trilhado um caminho de presença e anúncio no mundo cuja configuração foi o Congresso Internacional para a Nova Evangelização (2005), a realização do Sínodo de Lisboa (2016), a organização e vivência da Jornada Mundial da Juventude Lisboa 2023, a vivência do Sínodo dos Bispos sobre a sinodalidade e, agora, a sua receção.

Hoje, de forma particular, importa relançar o olhar sobre o ser humano, a quem continuamos a ser enviados como Igreja em missão, portadora de Cristo. Desde logo, pode-se diagnosticar uma crise profunda no coração humano resultante de um vazio interior e de um analfabetismo espiritual: deixou-se de articular a gramática da vida interior e, consequentemente, o ser humano tornou-se para si próprio um desconhecido. Ao mesmo tempo, vive-se uma crise das relações, que, inevitavelmente, conduz o ser humano a fechar-se no seu egocentrismo e individualismo, resultando numa entropia acerca da identidade de cada um; então, procura-se construir uma para si, mas desvinculada da história e da natureza, o que resulta na ideologia de género e noutras propostas similares. Do ponto de vista macro, vive-se a situação da guerra, que se alastra por muitas geografias, o que ativa um clima de insegurança e medo, deixando sempre um rasto de pobreza e crise social, porque o preço da guerra reflete-se no aumento do custo de vida.

Em Portugal, o nosso olhar pastoral não pode deixar de se deter nos desafios sociais que interpelam a consciência de todos. O trabalho, que deveria ser expressão da dignidade da pessoa humana e fundamento de uma vida familiar estável, continua muitas vezes desvalorizado, como o revelam os níveis salariais de tantos trabalhadores. Persistem, por isso, condições de vida marcadas pela precariedade em numerosas famílias, agravadas pelo aumento sensível do custo da alimentação e da energia, bem como pela persistente dificuldade de acesso a uma habitação digna. Ao mesmo tempo, assiste-se ao progressivo envelhecimento da população e ao acentuar das assimetrias territoriais, que fragilizam a coesão social. Cresce também, de modo silencioso, mas real, o fenómeno da solidão: mais visível nos ambientes urbanos, mas já presente, de forma transversal, em toda a sociedade contemporânea.

Finalmente, reconhecemos que se implantou um clima de polarização, que distancia as pessoas e dificulta a aproximação, o entendimento e a colaboração: constatamos que, a muitos níveis, falta disponibilidade para escutar o outro. Aliás, em não poucas circunstâncias, o «outro», mais do que partner, passou a ser visto como adversário, resultando daí uma desconfortável dificuldade em acolher o dom que tem para oferecer. Um dos excessos típicos da nossa sociedade é a articulação da sua convivência quase exclusivamente nas redes sociais, o que obriga, cada um, a uma desenfreada competição, tornando-se difícil reconhecer a validade contida na experiência, nas opiniões, nos percursos dos outros. Por último, nota-se que a natural tendência do ser humano para a verdade vem, hoje, atenuada pela crescente dependência da inteligência artificial.

Todas estas situações exigem dos discípulos de Cristo um olhar crente e renova em todos o compromisso de serem construtores da civilização do amor, pois «as alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos homens de hoje, sobretudo dos pobres e de todos aqueles que sofrem, são também as alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos discípulos de Cristo; e não há realidade alguma verdadeiramente humana que não encontre eco no seu coração»[2].

I. Jesus Cristo, Verbo encarnado e salvador da Humanidade
3. Nos dois marcos que estão diante de nós – 2025 e 2033 –, contemplamos Jesus Cristo, o Verbo feito carne para a salvação da humanidade (cf. Jo 1, 14). Ser salvador é a sua missão central. Mas, ao falar de salvação, devemos considerar dois aspetos complementares: em Cristo somos salvos de algo e salvos para algo. Redenção significa simultaneamente libertação do mal e abertura para uma vida nova. Com efeito, a obra redentora de Cristo visa não somente resgatar-nos do pecado e da morte, mas também elevar-nos para a comunhão com Deus e a plenitude da vida.

4. Mas importa ir um pouco mais longe: de que precisa o homem ser salvo, hoje? E, igualmente importante: para que horizonte positivo somos salvos? Olhando para a condição humana, reconhecemos que o coração humano anseia por libertação, por algo superior a ele. Somos confrontados com diversas formas de escravidão e miséria: o egoísmo e a injustiça que ferem as relações, a violência e a guerra que semeiam a morte, os vícios e o alheamento que aprisionam o espírito, o vazio de sentido e a solidão que angustiam tantas vidas. De tudo isto Cristo nos vem salvar. Ele é «o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo» (Jo 1, 29), libertando-nos do poder do pecado e da morte que entrou no mundo pela desobediência de Adão (cf. Rm 5, 12). Em Cristo, Deus «libertou-nos do poder das trevas e transferiu-nos para o Reino do seu amado Filho» (Cl 1, 13). Somente Ele dá resposta à sede de salvação inscrita na condição humana. Somos seres sedentos de vida eterna: está a manifestar-se nos nossos contemporâneos uma sede que as coisas materiais e os afetos mundanos não conseguem saciar. A sede de infinito, articulada de diversas formas na nossa sociedade, está no coração da humanidade e exige da Igreja uma resposta à altura. Com efeito, as dificuldades e desafios que se colocam ao ser humano têm como contrapartida um aumento da necessidade de plenitude, que nenhuma coisa ou pessoa humana é capaz de oferecer. Como ensina o Concílio Vaticano II, «o mistério do homem só no mistério do Verbo encarnado se esclarece verdadeiramente»[3]. Ou seja, Cristo revela o homem a si mesmo – revela-nos de que males precisamos de ser curados e a dignidade do nosso destino. Sem Cristo, o homem permanece um enigma insondável. Em Cristo, ele encontra a luz para compreender quem é e para que foi criado.

5. Na verdade, Jesus veio «salvar o que estava perdido» (Lc 19, 10). Como Ele mesmo declarou: «Eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância» (Jo 10, 10). A redenção da humanidade foi realizada por Cristo como verdadeira passagem: do distanciamento de Deus para a comunhão com Ele, da instabilidade do homem abandonado a si mesmo para a firmeza da filiação no Pai. Somos salvos de tudo o que nos desumaniza: salvos do pecado, que nos afasta de Deus; salvos do domínio da morte, que é viver longe d’Ele; salvos do egoísmo, que gera aridez e infelicidade. Esta obra não foi fortuita nem apenas simbólica: implicou a dádiva total de Jesus Cristo. Ao entregar a sua vida por nós, oferecendo o que era necessário pela nossa libertação, Ele resgatou-nos da prisão do pecado e fez-nos passar das trevas para a luz. Ao mesmo tempo, Cristo salva-nos para algo maravilhoso: para a liberdade dos filhos de Deus (cf. Gl 5, 1), para a comunhão com a Santíssima Trindade, para a vida eterna e a santidade. Pelo batismo, morremos para o pecado e renascemos para uma vida nova (cf. Rm 6, 4); «se alguém está em Cristo, é uma nova criatura» (2 Cor 5, 17). O desígnio salvador de Deus é transformador: não apenas nos retira do domínio da morte, mas introduz-nos na estabilidade do amor do Pai. Fomos salvos do mundo velho do pecado para participar da novidade de vida do Reino de Deus. Reino que começa hoje, no quotidiano das nossas vidas, na aspiração ao Alto.

6. Esta dupla dimensão – salvos de e salvos para – é claramente evidenciada na própria Páscoa de Cristo. Pela sua paixão e morte, Jesus libertou-nos do domínio do mal; pela sua ressurreição gloriosa, abriu-nos as portas de uma vida nova. Ele morreu pelos nossos pecados e ressuscitou para nossa justificação (cf. Rm 4, 25). Redimido por Cristo, o homem é também por Ele santificado mediante a comunicação da própria santidade de Deus. A salvação tem, assim, um contorno antropológico pleno: ao mesmo tempo que nos afasta do mal e nos liberta do pecado, aproxima-nos de Deus e conforma-nos à Sua glória. No Filho muito amado, Deus desce até nós para Se comunicar; e o que nos comunica é a sua vida santa. Abre-se, desse modo, o caminho da graça que consagra o homem a Jesus Cristo, marcando-o com a pertença exclusiva Àquele que o resgatou. Em Cristo, o homem recebe de volta a sua humanidade, restaurada e elevada, pois Ele revela plenamente o homem ao próprio homem e, assim, descobre-lhe a sua altíssima vocação: tornar-se filho no Filho, partícipe da natureza divina (cf. 2 Pe 1, 4), chamado à santidade e à eternidade bem-aventurada em Deus.

7. Temos aqui, portanto, uma visão esperançosa da condição humana à luz do mistério de Cristo. Se, por um lado, reconhecemos de que abismos o Redentor nos resgatou – do pecado, do absurdo, do desespero –, por outro, exultamos ao descobrir a que altura fomos elevados em Cristo. A salvação de e para são inseparáveis: somos salvos do egoísmo para amar, salvos da condenação para a vida da graça, salvos da morte para a ressurreição em Cristo. Na Encarnação e na Páscoa de Jesus resplandece o mistério do homem renovado: a nossa humanidade ferida é assumida e restaurada n’Ele e a nossa existência ganha um sentido novo «porque Ele nos amou e Se entregou por nós» (cf. Gl 2, 20). Não há, pois, verdadeira antropologia sem Cristo. Ele é o novo Adão (cf. 1 Cor 15, 45) que inaugura uma humanidade redimida. N’Ele encontramos resposta às perguntas mais profundas sobre o ser humano, pois Ele é o Deus connosco. Nesta certeza, avançamos a partir da celebração do Jubileu da Encarnação, certos de que contemplar o Verbo feito carne nos ajudou a compreender quem somos e com que objetivo estamos neste mundo. «Reconhece, ó cristão, a tua dignidade» – exclama São Leão Magno[4] – pois Deus Se fez homem para te salvar e elevar.

8. Jesus Cristo é o nosso Salvador integral. Ele salva-nos de tudo aquilo que desfigura a humanidade e salva-nos para a plenitude da vida em Deus. A história da redenção desdobra-se em etapas salvíficas, tendo na justificação em Cristo um momento central: n’Ele realiza-se plenamente o desígnio originário de Deus para o homem. Cristo é ao mesmo tempo o protótipo e a consumação da humanidade segundo o coração do Pai. Somente n’Ele a humanidade encontra luz e redenção, pois n’Ele se harmonizam a forma primeira do homem pensado por Deus e a sua realização histórica. Podemos dizer, por isso, que o homem justificado é uma verdadeira realização de Cristo: n’Ele e por Ele, a vida humana reencontra a sua identidade mais profunda. «Já não sou eu que vivo, mas Cristo vive em mim» (Gl 2, 20) – esta é a expressão daquele cuja existência tem em Cristo a sua força motriz e a sua sabedoria. Deste modo, num tempo de falsas promessas de salvação, de palavras que ferem a dignidade humana, proclamamos com convicção: só Cristo salva o homem, configurando-o à sua própria vida e abrindo-o à alegria do Evangelho, à Boa Notícia de que Jesus Cristo é Filho de Deus.

II. «Sabedoria, justiça, santificação e redenção»
9. São Paulo, escrevendo aos coríntios, oferece-nos uma síntese poderosa da obra de Cristo: «É por Ele [Deus Pai] que vós estais em Cristo Jesus, o qual Se tornou para nós sabedoria de Deus, justiça, santificação e redenção, para que – como está escrito – “quem se gloria, glorie-se no Senhor”» (1 Cor 1, 30-31). O Apóstolo elenca quatro termos – sabedoria, justiça, santificação e redenção – que iluminam as etapas da nossa salvação em Cristo. Não são palavras lançadas ao acaso. Há nelas uma lógica de caminho espiritual. Afirmar que Cristo «Se tornou para nós redenção, santificação, justiça e sabedoria» equivale a reconhecer um itinerário de graça que tem início na redenção e culmina na união com a sabedoria divina.

10. Em primeiro lugar, Cristo é a nossa redenção. Conforme meditámos, Ele resgatou-nos pagando com Seu sangue o preço da nossa libertação (cf. 1 Pe 1, 18-19). A redenção é o primeiro passo e fundamento de todo o caminho de salvação: Jesus libertou-nos do pecado original e de todos os pecados, reconciliando-nos com o Pai. «Em Cristo, temos a redenção pelo seu sangue, a remissão dos pecados» (Ef 1, 7). Este passo decisivo – sermos redimidos – é obra exclusiva da graça de Cristo, não resultado de méritos humanos (cf. Ef 2, 8-9). É iniciativa gratuita de Deus amoroso, que veio ao nosso encontro quando ainda estávamos perdidos (cf. Rm 5, 8). A redenção, portanto, inaugura o percurso: ela tira-nos da escravidão e coloca-nos em estado de graça, devolvendo-nos a possibilidade de viver como filhos de Deus. A redenção é o ponto de partida para algo maior.

11. Em segundo lugar, São Paulo diz que Cristo é nossa santificação. Com a redenção não permanecemos num «vazio neutro». Pelo contrário, Ele infunde em nós a vida nova do Espírito Santo, consagrando-nos a Deus. Santificar quer dizer «tornar santo», separar do pecado para dedicar ao uso divino. Pois bem, Jesus, após redimir-nos, comunica-nos o Espírito Santificador, aquele que purifica os nossos corações e nos dá a capacidade de amar a Deus e ao próximo. É o Espírito que clama em nós «Abbá, Pai» (Gl 4, 6) e nos vai transformando à imagem de Cristo. A santificação designa esse caminho de configuração a Cristo, que é progressivo e dinâmico. Inicia-se no batismo – quando nos tornamos templos do Espírito Santo – e continua ao longo de toda a vida cristã, através dos sacramentos, da oração e da prática da caridade, sempre inseridos numa comunidade que escuta e anuncia. Ser santo é o destino para o qual a redenção nos encaminha. Como afirma a Escritura, «esta é, na verdade, a vontade de Deus: a vossa santificação» (1 Ts 4, 3). Assim, Cristo não apenas nos resgata do mal, mas comunica-nos a força de viver no bem, de combater o pecado quotidiano e crescer nas virtudes. A santidade não é algo reservado a poucos, mas a meta normal de quem foi salvo[5]. A graça redentora gera necessariamente um processo de santificação nos remidos.

12. Em terceiro lugar, Cristo tornou-Se nossa justiça. «Justiça», aqui, não significa apenas retidão moral, mas está ligada à ideia bíblica de justificação. Ser justificado é ser tornado justo por Deus, isto é, ter restaurada a retidão de nossa relação com Ele. Cristo justificou-nos, obtendo-nos o perdão e restabelecendo-nos na amizade divina (cf. Rm 5, 1). Desta forma, agora podemos viver numa aliança nova, observando a lei de Deus não mais como imposição externa, mas como lei interior de liberdade, escrita pelo Espírito nos corações (cf. Jr 31, 33). Além disso, «justiça» em São Paulo evoca também a ordem de retidão que Cristo veio inaugurar no mundo (cf. Rm 3, 21-22). Ele trouxe o Reino de Deus e a Sua justiça (cf. Mt 6, 33), uma ordem nova onde os pobres são bem-aventurados e os humildes, exaltados. A justiça de Cristo não é mera justiça humana retributiva; é a justiça salvífica de Deus, que resgata o que vivia no erro. Inclui, sim, termos uma fé operante pelas obras de amor – pois «a fé sem obras está morta» (Tg 2, 17) – e lutarmos por um mundo mais justo, mas tudo isso se apoia na graça da justificação: fomos feitos justos em Cristo (cf. 2 Cor 5, 21) para praticarmos obras justas. Em suma, Ele devolveu-nos a retidão original e convoca-nos a manifestá-la em relações justas com o próximo.

13. Por fim, o Apóstolo conclui dizendo que Cristo é sabedoria de Deus para nós. Aqui atingimos o ápice do itinerário espiritual: participar da sabedoria divina, ou seja, conhecer e experimentar a verdade de Deus de modo pleno. A sabedoria, em sentido bíblico, não é erudição intelectual, mas intimidade com Deus, compreensão penetrante de Seus desígnios e comunhão de vida com Ele. Cristo, Verbo eterno do Pai, encarnou a sabedoria divina na nossa carne. Ele transmite-nos essa sabedoria pela Sua Palavra e pelo Seu Espírito, abrindo as nossas mentes para a verdade que liberta (cf. Jo 8, 32). Assim, à medida que caminhamos na graça – redimidos, santificados e justificados –, somos também conduzidos a uma visão sapiente da realidade, vendo o mundo e a nós mesmos com os olhos de Deus. «Já não vos chamo servos […], mas […] amigos, porque vos dei a conhecer tudo quanto ouvi ao meu Pai», diz Jesus (Jo 15, 15). Participar da sabedoria de Cristo significa conhecê-l’O profundamente e, por Ele, conhecer o Pai (cf. Jo 14, 7-9), bem como discernir os caminhos da vida com retidão. É o ponto de chegada: a união com Deus, na mente e no coração, que é prelúdio daquela visão face a face prometida no Céu, quando Deus será «tudo em todos» (1 Cor 15, 28).

14. Vemos, pois, que redenção, santificação, justificação e sabedoria descrevem uma espécie de escada espiritual: Cristo toma-nos pela mão e faz-nos subir degrau a degrau. No primeiro degrau, Ele resgata-nos do abismo (redenção); no segundo, fortalece-nos interiormente na graça (santificação); no terceiro, reordena-nos na justiça e verdade (justificação); no quarto degrau, introduz-nos nos segredos do coração de Deus (sabedoria). Todo este itinerário se dá «por Ele», «n’Ele» e «com Ele», como diz São Paulo: «É por Ele que vós estais em Cristo Jesus» (1 Cor 1, 30). A iniciativa é divina, e a glória é toda do Senhor. Por isso, Paulo conclui: «Aquele que se gloria, glorie-se no Senhor» (1 Cor 1,31; cf. Jr 9, 23-24). Nenhum de nós pode gloriar-se de si mesmo, como se tivesse alcançado a salvação por mérito próprio: tudo é dom. A redenção gratuita de Cristo é que nos coloca no caminho; a santidade é obra do Seu Espírito em nós; a justiça vem-nos da graça e misericórdia divinas; a sabedoria é-nos infundida do Alto. Temos de nos gloriar, sim, mas no Senhor, fonte de todo bem.

15. Estas palavras de São Paulo lançam também uma forte exortação pastoral para a nossa caminhada missionária. Se, no primeiro momento, refletimos sobre uma visão antropológica da salvação (salvos de e para algo), agora contemplamos um itinerário de comunhão com Deus que nos desafia a avançar. Não basta ser «redimido» e cruzar os braços. É preciso caminhar rumo à santidade. Não basta uma santidade intimista; ela deve transbordar em justiça e testemunho coerente. Toda a ação da Igreja – catequese, liturgia, caridade – deve conduzir os fiéis a uma maturidade na fé, a uma fé esclarecida, sapiente. Por outras palavras: somos todos chamados a crescer «à medida completa da plenitude de Cristo» (Ef 4, 13), até termos «os mesmos sentimentos que estão em Cristo Jesus» (Fl 2, 5). O Jubileu da Encarnação e a preparação dos 2000 anos da Redenção convidam-nos a este aprofundamento espiritual. Que ninguém se contente com uma fé superficial ou com uma vida cristã morna. Cristo quer conduzir-nos mais longe: das águas rasas às águas profundas (cf. Lc 5, 4). Cada comunidade é chamada a propor aos fiéis um caminho que leve do primeiro anúncio (redenção acolhida) até à mistagogia (a penetração no mistério de Deus, a sabedoria vivida). Uma fé robusta exige este progresso: crer, celebrar, viver e contemplar.

16. Portanto, deixemo-nos conduzir por Cristo neste itinerário de salvação! Não interrompamos em nós a obra da graça. Pelo contrário, cooperemos: se Ele nos redimiu, vivamos em ação de graças, evitando recaídas no pecado; se Ele nos santifica, busquemos corresponder com vida de oração e virtude; se Ele nos justifica, sejamos construtores de justiça e paz ao nosso redor; se Ele nos quer comunicar a Sua sabedoria, aprofundemos com amor a Palavra de Deus e os ensinamentos da Igreja, e procuremos discernir os sinais dos tempos com fé. O caminho para o qual somos salvos é precisamente este: entrar em comunhão cada vez mais profunda com Deus e irradiar a Sua luz no mundo. Não há maior dignidade para o homem do que tornar-se amigo de Deus e cooperador de Seu Reino. A sabedoria cristã plena – meta da salvação – coincide com a caridade perfeita e a visão de Deus. Enquanto peregrinamos, animemo-nos uns aos outros a prosseguir decididamente, pois Cristo caminha connosco e oferece-Se a nós como caminho, verdade e vida (cf. Jo 14, 6).

17. «Sabedoria, justiça, santificação e redenção». Gravemos estas palavras nos nossos corações durante este percurso. Que elas iluminem a pastoral da nossa diocese de Lisboa nestes anos. Cada paróquia, movimento e família deveria perguntar-se: estamos a ajudar os fiéis a percorrer estas etapas? Anunciamos com clareza a redenção em Cristo? Acompanhamos as pessoas no caminho da santificação e conversão contínua? Promovemos a justiça do Reino de Deus nas nossas obras e estruturas? Conduzimos os fiéis a uma fé adulta e esclarecida, saboreando as razões de crer? Que este tempo reacenda em nós o ardor e a profundidade da vida cristã, para que ninguém permaneça estagnado, perdido ou excluído. Lembremos a exortação do Apóstolo: «Esta é, na verdade, a vontade de Deus: a vossa santificação» (1 Ts 4, 3). E ainda: «Não vos conformeis com este mundo; pelo contrário, transformai-vos pela renovação da vossa mente, para poderdes discernir qual é a vontade de Deus, o que é bom, o que Lhe é agradável, o que é perfeito» (Rm 12, 2). Deus quer-nos santos e sábios no Espírito Santo. Disponhamo-nos, pois, a cooperar com esta graça abundante, para glória de Deus.

III. A Igreja, continuadora da missão de Cristo redentor
18. Do coração aberto de Cristo na cruz nasceu a Igreja, chamada a prolongar no tempo a sua missão salvífica. O Evangelho de São João narra que, após a morte de Jesus, «um soldado perfurou o seu lado com uma lança, e imediatamente saiu sangue e água» (Jo 19, 34). Os Padres da Igreja viram no sangue e na água – símbolos dos sacramentos da Eucaristia e do Batismo – o nascimento da Igreja, esposa de Cristo, tal como Eva foi formada do lado de Adão adormecido. Como poeticamente afirmou Santo Agostinho, «foi do lado de Cristo adormecido na cruz que nasceu o sacramento admirável de toda a Igreja»[6]. Na cruz, do lado aberto de Cristo, jorram sangue e água, sinal do dom total da sua vida e fonte perene dos sacramentos da Igreja. É deste lado trespassado que a Igreja nasce, como esposa amada, formada do coração do seu Senhor. Pela sua paixão e morte, Cristo constitui a Igreja como extensão do seu amor redentor, como presença sua no mundo. A Igreja torna-se, assim, sacramento vivo e eficaz da salvação: sinal visível da graça invisível, lugar onde o encontro entre Deus e a humanidade se torna possível e real. Na sua identidade mais profunda, a Igreja é, em Cristo, sacramento da união com Deus e da unidade do género humano[7].

19. É importante renovar esta consciência: a Igreja não existe para si mesma, mas para continuar a obra de Cristo na Terra. Ela é o Corpo de Cristo que vive e age na história. Como ensina o Concílio Vaticano II, «a Igreja em Cristo é como que o sacramento, ou sinal e instrumento, da íntima união com Deus e da unidade de todo o género humano»[8]. A sua missão é iluminar as nações refletindo a luz de Cristo, assim como a Lua reflete a luz do Sol. Os Padres da Igreja usavam esta imagem da Igreja-lua: ela não tem luz própria, mas brilha no mundo com a luz que recebe de Cristo, «Sol de Justiça». Santo Ambrósio expressou-o de forma bela: «Verdadeiramente como a Lua é a Igreja: […] brilha, não com luz própria, mas com a de Cristo. Recebe o seu próprio esplendor do Sol de Justiça, podendo assim dizer: “Já não sou eu que vivo, mas é Cristo vive em mim”»[9]. Portanto, quando a Igreja realiza a sua missão – evangelizando, celebrando os sacramentos, servindo os pobres –, é Cristo quem atua nela e por meio dela. A missão da Igreja nada mais é do que a fidelidade à missão do seu Senhor. Ser sal da Terra e luz do mundo (cf. Mt 5, 13-16).

20. Contudo, devemos reconhecer com humildade e dor que, nas últimas décadas, muitos se foram afastando da prática regular da fé, fenómeno que a pandemia da covid-19 parece ter tornado ainda mais visível. Muitas comunidades notaram uma diminuição significativa na participação e um certo arrefecimento da vida de fé após os confinamentos pandémicos. Perguntamo-nos: o que afastou tantas pessoas da Igreja? Certamente, a pandemia quebrou hábitos e revelou fragilidades na nossa prática pastoral. Mas há fatores mais profundos: um crescente secularismo na cultura, escândalos que feriram a credibilidade eclesial, ritmos de vida que deixam pouco espaço para Deus e, talvez, uma experiência de fé morna ou pouco significativa, que não convenceu muitas almas. É hora de fazermos uma reflexão profunda e sincera. Precisamos, como comunidade diocesana, de humildade para escutar aqueles que se afastaram, compreender as suas feridas, dúvidas e críticas legítimas, e purificar aquilo que em nós, – ministros e fiéis –, não foi fiel ao Evangelho e acabou por desanimá-los.

21. Mas não basta compreender as causas. Urge ainda discernir como fazê-los regressar, como voltar a fazer sentir que pertencem a uma Igreja viva. Aqui, ecoa o apelo insistente do papa Francisco: é necessária uma Igreja em saída missionária, com ardor renovado. Não podemos ficar de braços cruzados, esperando que os afastados voltem por si mesmos. A Igreja deve ir ao encontro deles. O papa Francisco advertia vigorosamente contra a autocomplacência e o fechamento: «Prefiro uma Igreja acidentada, ferida e enlameada por ter saído pelas estradas, a uma Igreja enferma pelo fechamento e a comodidade de se agarrar às próprias seguranças»[10]. Estas palavras fortes devem ressoar em Lisboa: é melhor arriscar-se e sair ao encontro das pessoas, do que permanecer numa bolha de autopreservação enquanto tantos estão longe de Cristo. Quantos irmãos nossos vivem «sem a força, a luz e a consolação da amizade com Jesus Cristo, sem uma comunidade de fé que os acolha, sem um horizonte de sentido e de vida» – recordava-nos ainda o papa Francisco[11]. Esta realidade deve «santamente inquietar-nos». Mais do que temer falhar nas iniciativas, deveríamos temer ficarmos fechados em estruturas cómodas, enquanto «lá fora há uma multidão faminta» e Jesus nos repete: «Dai-lhes vós mesmos de comer» (Mc 6, 37).

22. Portanto, convoco toda a Igreja de Lisboa para um grande movimento missionário de retorno às fontes e de saída ao encontro de todos. É hora de acender de novo, no coração dos batizados, a paixão por evangelizar. Não se trata de proselitismo forçado, mas de amor genuíno que não se conforma em ver irmãos afastados da fé e privados da alegria de Cristo. Cada paróquia deve tornar-se uma «comunidade em missão», criativa em buscar os distantes: visitas familiares, escuta dos que se sentem magoados ou indiferentes, uma presença mais próxima no mundo digital e nos ambientes da cultura. Precisamos de ir às «periferias existenciais», onde há sede de Deus, mesmo quando não é consciente. Pensemos nos jovens desiludidos, nos lares feridos, nos pobres materiais e espirituais, nos migrantes, nos doentes e nos que estão sós. A todos devemos levar a «voz da esperança que Jesus vivo nos dá», chegando «a todos os lugares onde houver um coração que espera, um coração que procura, um coração que sente necessidade. Sim, até aos confins da Terra, até às fronteiras existenciais onde não há esperança», como exortou o papa Leão XIV[12]. De facto, disse, ainda no mesmo discurso, o Santo Padre aos jovens: «Hoje, talvez mais do que nunca, temos necessidade de discípulos missionários que levem ao mundo o dom do Ressuscitado». Tomemos essas palavras para nós, Igreja de Lisboa!

23. Para realizarmos esta «conversão pastoral e missionária», é necessário também revisitar o que na Igreja possa ter afastado as pessoas e corajosamente mudar o que for preciso. O papa Francisco alertava contra certas posturas eclesiais que, em vez de atrair, repelem: a tentação de ser «mera administradora», em vez de mãe acolhedora, o clericalismo que sufoca os carismas laicais, uma liturgia mal preparada ou sem vida, homilias pouco ligadas à vida, uma catequese estéril, ou a falta de calor comunitário. Temos de superar a rigidez e o formalismo que, por vezes, transformam as comunidades cristãs num espaço frio. A Igreja deve ser casa, família, onde se experimenta acolhimento e sentido de pertença. «Lugar de acolhimento e justiça», escrevia Leão XIV, que a Igreja deve ser, como mãe dos pobres[13]. Isso vale para todos: mãe que acolhe pecadores, feridos, buscadores inquietos. Uma Igreja de portas abertas e corações abertos.

24. Também vos exorto, caríssimos diocesanos, a que cada um se sinta responsável pela missão evangelizadora. A obra de reconduzir os afastados não compete só aos sacerdotes ou agentes pastorais oficialmente designados. Cada batizado é um discípulo missionário[14]! Nos vossos ambientes – família, trabalho, escola, círculo de amigos – sede ponte de ligação entre essas pessoas e a comunidade eclesial. Como? Antes de tudo, com o testemunho: uma vida coerente e luminosa, marcada pela alegria, paciência, generosidade, fala por si. Depois, com a proximidade e o diálogo: escutar sem julgar, compartilhar a própria experiência de fé com humildade, convidar para momentos simples (uma conversa, um grupo, uma celebração especial). Muitas vezes, alguém pode reaproximar-se porque encontrou um rosto amigo e acolhedor que lhe mostrou o rosto de Cristo misericordioso. Não subestimemos o poder de uma amizade evangelizadora. Lembremo-nos: «A missão é a nossa vocação: fazer resplandecer a luz de Cristo é o nosso serviço», dizia o papa Francisco[15]. Quantas pessoas esperam de nós este serviço missionário! Deixemos de lado todo o medo ou acanhamento. O Espírito Santo impele-nos com santa ousadia.

25. Por fim, nesta reflexão sobre a missão da Igreja, detenhamo-nos num ponto crucial: a Eucaristia e a missão estão intimamente ligadas. No final de cada Missa, somos enviados com o «Ide em paz», que não é um simples encerramento, mas um envio missionário para levar Cristo ao mundo. A Igreja vive da Eucaristia, e a Eucaristia faz a Igreja[16]. Mas uma autêntica vivência eucarística deve transbordar em caridade e anúncio. São João Paulo II escreveu que «uma fé que não se torna cultura é uma fé não de modo pleno acolhida, não inteiramente pensada e nem com fidelidade vivida»[17], e podemos dizer analogamente: uma Missa que não se prolonga na vida em missão é uma Missa não plenamente vivida. Se nos alimentamos do Corpo de Cristo, tornamo-nos Corpo de Cristo no mundo, prolongando a sua presença junto dos outros. Como nos recorda São João Crisóstomo, não serve de nada adornar o altar com ouro, enquanto lá fora Cristo, presente nos pobres, passa fome e frio[18]. Ou seja, o culto autêntico compromete-nos com o amor concreto ao próximo e com o testemunho corajoso do Evangelho.

26. Voltemos o olhar para a Virgem Maria, modelo da Igreja missionária. Após receber em si o Verbo encarnado, Maria não ficou fechada: partiu apressadamente para servir Isabel, levando em si Jesus e fazendo saltar de alegria João Batista no seio da sua prima (cf. Lc 1, 39-45). Ela foi a primeira «custódia» viva, levando Cristo aos outros. No Cenáculo, após a Ascensão, lá estava Maria orante, no meio dos discípulos aquando do derramamento do Espírito (cf. At 1, 14; 2, 1-4), tornando-se Mãe da Igreja nascente, impulsionada para a missão. Devemos pedir a intercessão de Nossa Senhora para que nos alcance um novo Pentecostes em Lisboa: que o Espírito Santo reavive a fé dos que arrefeceram no ardor, fortaleça os vacilantes e nos guie para além das nossas comodidades, até todas as periferias do coração humano. Sob a sua proteção maternal, não tenhamos medo de inovar na pastoral, de – como dizia o papa Francisco – «fazer barulho»[19] santo nas ruas, de dar testemunho público da fé em todas as circunstâncias da vida. Maria Santíssima, Estrela da Evangelização, ensina-nos a amar a Igreja e cada pessoa como filhos queridos que precisam de se reencontrar com o Pai, que espera de braços abertos e misericordiosos os filhos pródigos (cf. Lc 15, 11-32).

27. A Igreja de Lisboa quer ser, pela graça de Deus, uma Igreja em conversão missionária permanente[20]. Humildemente, reconhecemos as nossas faltas e limites, mas, confiantes, lancemo-nos à missão, pois Cristo assegura-nos: «Eu estarei sempre convosco até ao fim dos tempos» (Mt 28, 20). Não estamos sós neste empreendimento, é Ele quem age em nós. Renovemos, pois, o nosso zelo: reavivemos a pastoral com criatividade; reaproximemo-nos das famílias, especialmente das que se distanciaram da vivência da fé cristã; intensifiquemos a escuta e o diálogo com os jovens, que anseiam por autenticidade; reforcemos a opção pelos pobres e pelos que mais sofrem, onde Cristo nos espera de modo especial. Se assim o fizermos, creio firmemente que veremos muitos regressos, muitos corações iluminados, não por estratégias humanas, mas pela ação do Espírito que recompensa a audácia da caridade. Como nos garante o papa Leão XIV, «Cristo, nossa paz […], continua no mundo [a obra de Deus], tornando-se ainda mais percetível e luminosa na escuridão dos tempos»[21]. Que nós sejamos essas testemunhas vivas aqui e agora.

IV. Renovar a centralidade de Cristo vivo
28. O período que vivemos é providencial: no ano 2025, celebrámos o Jubileu da Encarnação do Senhor, memorial dos 2025 anos do nascimento de Jesus em Belém; e, oito anos depois, em 2033, celebraremos os 2000 anos da Redenção, isto é, da paixão, morte e ressurreição de Cristo. Estes marcos temporais são muito mais do que datas simbólicas; são uma oportunidade de graça para reunirmos novamente toda a vida da Igreja na pessoa viva de Jesus Cristo. Estes momentos fortes devem servir para renovar e aprofundar a centralidade em Cristo vivo – voltarmos ao primeiro amor (cf. Ap 2, 4-5), recentrarmo-nos naquele que é o coração da nossa fé. De facto, é fácil, com o passar do tempo, deixarmo-nos dispersar por tantas atividades e problemas e, sem perceber, perder de vista o essencial. Cristo, às vezes, fica «eclipsado» no quotidiano da Igreja – fazemos muito por Ele, mas corremos o risco de nos esquecer d’Ele. O Jubileu e outros momentos altos da vida da Igreja vêm como que gritar aos nossos ouvidos: «Tende os olhos em Jesus, autor e consumador da fé!» (cf. Heb 12, 2).

29. Uma das prioridades que se impõe é realizar uma catequese séria e profunda sobre os «lugares» onde Cristo está vivo entre nós. Ou seja, ajudar cada fiel a redescobrir que Jesus não é uma figura do passado, nem uma ideia distante, mas uma pessoa viva que nos encontra, hoje, pelos diversos instrumentos da graça, na comunidade dos discípulos de Cristo. Gostaria de sublinhar cinco formas de presença privilegiada de Cristo e que encontramos na tradição da Igreja: na Eucaristia[22], na Palavra[23], nos sacramentos (em especial na Reconciliação[24]), através da Virgem Maria[25] e nos pobres[26]. Precisamos de fazer sentir às pessoas esta realidade consoladora e exigente: participar da vida eclesial é encontrar-se, real e verdadeiramente, com Cristo vivo, pois, como o próprio Senhor garantiu, «onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, Eu estou no meio deles» (Mt 18, 20).

30. Em primeiro lugar, urge renovar a fé eucarística nas nossas comunidades. Muitos católicos participam da Missa dominical talvez de modo habitual, como quem cumpre um rito de tradição, sem se darem plenamente conta de que ali acontece um encontro vivo com Jesus ressuscitado. É preciso redescobrir, com o espanto dos discípulos, aquilo que São João proclamou: «É o Senhor!» (cf. Jo 21, 7). Na Santa Missa, não assistimos a uma simples cerimónia humana: somos conduzidos ao mistério do Calvário e do Cenáculo, onde se torna presente o sacrifício redentor de Cristo e o Ressuscitado se oferece a nós como alimento de vida eterna. Como salientou o papa Francisco, «a Missa não é um espetáculo: significa ir encontrar a paixão e a ressurreição do Senhor»[27]. Pela mesma razão, a todos aqueles que, por diversos motivos, se afastaram da celebração dominical, queremos dirigir também um convite fraterno: aproximem-se, venham ver e descobrir de novo o que é a Missa, porque nela o Senhor continua a encontrar-Se com o seu povo e a oferecer a sua vida para o mundo. De facto, «a Eucaristia é um acontecimento maravilhoso no qual Jesus Cristo, nossa vida, se faz presente. Participar na Missa “é viver outra vez a paixão e a morte redentora do Senhor. É uma teofania: o Senhor torna-se presente no altar da comunhão para ser oferecido ao Pai pela salvação do mundo”»[28]. Por isso, deve-se participar com fé viva, atenção, escuta e devoção. Precisamos testemunhar isto às crianças, aos jovens, a todos: que na Missa «o Senhor está ali connosco, presente», que não vamos à igreja para um ato social ou por hábito, mas para nos encontrarmos com Ele, ouvi-l’O, recebê-l’O, adorá-l’O. Se essa convicção se aprofunda, a Eucaristia deixará de ser «entediante» – como alguns alegam – para se revelar em toda a sua maravilha. Os santos mostram-nos isso: viviam da Missa, porque nela se encontravam e amavam a Jesus. As paróquias devem empenhar-se na iniciação eucarística: melhorar a catequese sobre a Missa, cuidar da beleza das celebrações, favorecer momentos de adoração que levem a um encontro de coração a coração com Cristo. «Reconhece, ó cristão, a tua dignidade» – poderíamos parafrasear: «Reconhece, ó cristão, Quem vem a ti na Missa!» Se cada fiel redescobrir que a Missa é o encontro por excelência com Cristo, então a comunidade renovar-se-á na fé, na caridade e na unidade.

31. Em segundo lugar, Cristo está vivo na Sua Palavra. Ele mesmo é o Verbo eterno que se fez carne e as Escrituras Sagradas são Palavra de Deus viva e eficaz (cf. Heb 4, 12). Quando o Evangelho é proclamado na assembleia, é o próprio Cristo que nos fala. Recordemos o encontro do Ressuscitado com os discípulos de Emaús: Jesus caminha com eles e explica-lhes as Escrituras, e os seus corações ardem (cf. Lc 24, 27.32). Depois reconhecem-n’O ao partir o pão – uma clara alusão à Eucaristia. Palavra e Pão, Escritura e Eucaristia, Cristo presente de duas formas complementares. É preciso reacender o amor à Palavra de Deus: ler, meditar, estudar, partilhar. Que em cada casa haja uma Bíblia, lida em família. Que a Lectio Divina seja prática difundida. Que se criem círculos bíblicos, grupos de reflexão, homilias mais bíblicas. São Jerónimo dizia que «a ignorância das Escrituras é ignorância de Cristo»[29]. Inversamente, conhecer as Escrituras é encontrar Cristo, pois nelas não temos apenas letras mortas de um livro antigo; temos o próprio Senhor comunicando-nos o seu Coração. Quanta consolação, quanta orientação e sabedoria encontramos, quando abrimos o Evangelho com fé! Não há situação humana que a Palavra de Deus não ilumine. Uma Igreja alimentada diariamente pela Palavra será uma Igreja mais forte e viva em Cristo.

32. Em terceiro lugar, não podemos esquecer que Cristo está vivo e atuante no sacramento da Reconciliação. Na Confissão, encontramos Jesus como misericórdia que cura e perdoa. Cada absolvição sacramental é um encontro direto com Cristo que nos diz, como outrora à pecadora: «Os teus pecados estão perdoados. […] Vai em paz» (Lc 7, 48-50). Infelizmente, muitos católicos abandonaram este sacramento, seja por uma visão deturpada a seu respeito, seja por vergonha, seja por o acharem desnecessário. Precisamos de mudar esta mentalidade. O papa Francisco lembra-nos: «O confessionário não deve ser uma câmara de tortura, mas o lugar da misericórdia do Senhor»[30]. Isto é fundamental: na Confissão não encontramos um juiz severo, mas o próprio Cristo, o Bom Pastor, que nos carrega aos ombros. O sacerdote age in persona Christi, portanto, é Jesus quem escuta, perdoa e aconselha através dele. Que grande graça ter acesso a esse abraço do Pai misericordioso! Será importante recordar o lugar da confissão na vida pastoral das paróquias e comunidades. Importa que sejam oferecidos horários generosos para o sacramento da Confissão, que não se devem confundir com os horários de genérico atendimento pastoral. Neste sentido, o confessionário tem um lugar importante na vida da Igreja: sentado nele, o padre recorda que está disponível para a confissão e não está ocupado com mais nada senão com isso. Como a vida e o exemplo de vários santos recordam: um sacerdote disponível para confessar atrai os penitentes. Além desta disponibilidade de horários de confissão, não deixem de se organizar momentos públicos e litúrgicos de penitência, como vigílias e outras celebrações, que, depois, conduzem à confissão sacramental individual. Quando experimentamos o perdão de Cristo, renasce a alma, reacende-se a alegria da salvação (cf. Sl 51, 14). Quantos afastados poderiam retornar a Jesus se redescobrissem na Igreja o lugar onde podem recomeçar sem julgamentos, purificados pela graça! Enfim, a confissão regular é fonte de santificação, porque é encontro com Cristo: Ele é nossa santificação (cf. 1 Cor 1, 30) e quer santificar-nos também através desse remédio generoso para os fracos. Não tenhamos medo do sacramento da Reconciliação: Jesus espera-nos ali para sarar as nossas feridas.

33. Em quarto lugar, importa reconhecer a presença e missão da Virgem Maria na Igreja. Maria é nossa Mãe na fé e discípula de seu Filho, Jesus Cristo. Nela, pela escuta disponível da Palavra do Pai (cf. Lc 8, 21), o Verbo fez-se carne, e, no seu «sim» incondicional, a humanidade aproximou-se salvificamente de Deus, acolhendo-O para construir nova vida e transformar o mundo. Ela é, por isso, a terna mão que conduz a Jesus Cristo. Cooperadora na obra da redenção, no seu seio virginal foi gerada a Cabeça da Igreja, e n’Ela são gerados os membros do Seu Corpo, que somos nós. De forma particular, em Portugal, sabemos como a Mãe de Jesus ocupa um lugar importantíssimo na pastoral, quer seja pela longa tradição de espiritualidade mariana – que remonta ao início da nacionalidade –, quer seja pela configuração da devoção do nosso povo. Maria «cooperou de modo singular, com a sua fé, esperança e ardente caridade, na obra do Salvador, para restaurar nas almas a vida sobrenatural»[31]. Deste modo, também na missão que se abre diante de nós, e que devemos assumir em cada instante da vida da Igreja, a Virgem Maria exerce a sua maternidade espiritual. É necessário que a espiritualidade mariana não seja apenas um apêndice da vida pastoral, mas lhe ofereça o ritmo e o estilo próprios do que significa ser discípulo de Cristo. Assim, procure-se conhecer melhor a doutrina sobre a Virgem Maria; promovam-se momentos sérios e profundos de oração à Mãe de Jesus; e como a Senhora da Visitação, recebamos a sua visita e sejamos, cada um de nós, como ela, portadores da presença de Deus indo ao encontro dos outros, de forma especial de todos aqueles que vivem alguma forma de pobreza.

34. Em quinto lugar, Cristo está presente nos pobres, nos pequeninos, nos sofredores. Esta é uma verdade central do Evangelho: «Tive fome e destes-me de comer, […] estava nu e destes-me que vestir […]. Em verdade vos digo: sempre que fizestes isto a um destes meus irmãos mais pequeninos, a Mim mesmo o fizestes» (Mt 25, 35-40). Aqui não se trata de uma metáfora. Jesus identifica-Se realmente com os pobres. Encontrar-se com o pobre é encontrar-se com Cristo de forma mística e desafiante. O papa Leão XIV, na sua primeira exortação Dilexi Te sobre o amor aos pobres, frisou que «não estamos no horizonte da beneficência, mas no da Revelação: o contacto com quem não tem poder nem grandeza é um modo fundamental de encontro com o Senhor da História»[32]. Ou seja, servir o pobre não é só filantropia opcional, solidariedade social, mas parte integrante do encontro com Deus revelado em Cristo. Para este encontro com os pobres, seguindo o ensinamento do papa Leão XIV, é necessário atender a todas as formas de pobreza, sem exceção: «Existem muitas formas de pobreza: a daqueles que não têm meios de subsistência material; a pobreza de quem é marginalizado socialmente e não possui instrumentos para dar voz à sua dignidade e capacidades; a pobreza moral e espiritual; a pobreza cultural; aquela de quem se encontra em condições de fraqueza ou fragilidade seja pessoal seja social; a pobreza de quem não tem direitos, nem lugar, nem liberdade»[33]. Deve ser claro para todos nós que não podemos amar a Deus sem amar aqueles que Ele ama de modo especial: os pequenos, os excluídos e os sofredores. Como ensina São João, «aquele que não ama o seu irmão, a quem vê, não pode amar a Deus, a quem não vê» (1 Jo 4, 20).

35. Em resumo, quero convidar todos a redescobrir Cristo vivo entre nós: no altar, nas Escrituras, no confessionário, através da Virgem Maria e no irmão necessitado. Renovar a centralidade de Cristo implica reviver estas dimensões: celebração, escuta, reconciliação, oração, serviço. Se cuidarmos delas, experimentaremos um profundo renovamento espiritual pessoal e comunitário. Esta renovada centralidade de Cristo dar-nos-á novo fervor vocacional, missionário e caritativo. Foi sempre assim na história: cada renovação autêntica da Igreja passou por retomar seriamente o Evangelho, procurando mesmo vivê-lo à letra – pensemos, por exemplo, em São Francisco de Assis e no seu testemunho de pobreza, fraternidade e evangelização. É, pois, sempre necessário colocar Cristo de novo no centro. O papa Bento XVI certa vez escrevia: «Ao início do ser cristão, não há uma decisão ética ou uma grande ideia, mas o encontro com um acontecimento, com uma Pessoa que dá à vida um novo horizonte e, desta forma, o rumo decisivo»[34]. Retornemos à Pessoa de Jesus em tudo. Ele é nosso programa vivo!

36. Neste caminho, seria bom que se procurassem promover, a nível comunitário, paroquial e vicarial, iniciativas de evangelização. A organização das visitas pastorais às vigararias tem procurado priorizar essas ações como grandes momentos de renovação comunitária. Seria importante que se promovessem momentos fortes de ação evangelizadora, como as missões populares – seja por altura das visitas pastorais, seja noutras ocasiões, como visitas da imagem peregrina de Nossa Senhora de Fátima, nos círios tradicionais, ou nas festas e solenidades dos padroeiros locais. Também momentos de peregrinação a algum santuário são oportunidades de fazer ressoar o chamamento à vida divina. Tudo isto deverá ser pensado com o foco de se renovar o encontro com Jesus. Não esqueçamos, também, a dimensão ecuménica deste caminho: em 2033 celebraremos 2000 anos da redenção de todos os cristãos. Seria bom promover celebrações e gestos de caridade ativa em conjunto com irmãos de outras Igreja e comunidades eclesiais, testemunhando a unidade essencial em Cristo redentor. Também o diálogo com crentes de outras religiões deve ser promovido. Mostremos a todos o tesouro que levamos em vasos de barro (cf. 2 Cor 4, 7), que é o próprio Cristo. Com criatividade e coragem, deixemos o Espírito inspirar-nos.

Conclusão
37. Chegando ao termo desta carta pastoral, o meu coração enche-se de esperança ao imaginar os frutos que o Senhor deseja realizar na nossa Igreja de Lisboa. No centro de tudo está a Eucaristia, onde encontramos Cristo e Cristo encontra a nossa vida. Nunca percamos esta conexão fundamental: a nossa união com o Senhor na mesa eucarística deve desaguar no testemunho missionário no dia a dia. «A Missa termina, mas a missão começa» – costuma-se dizer. De facto, ao ouvirmos «Ide em paz e o Senhor vos acompanhe», recebemos um envio: «Ite, missa est» – «Ide, sois enviados». A Eucaristia impulsiona-nos a ir ao mundo levar a paz e a caridade de Cristo. Se meditarmos bem, todo o dinamismo da vida cristã está contido na Missa: nela recebemos o amor que devemos depois partilhar. Celebrar sem evangelizar não cumpre o mandato do Senhor. Evangelizar sem voltar à fonte eucarística far-nos-ia secar espiritualmente.

38. Ao longo destes parágrafos, refletimos sobre Jesus Salvador e a salvação do homem; sobre o caminho espiritual em Cristo; sobre a missão da Igreja, especialmente num contexto pós-pandemia; e sobre a centralidade de Cristo vivo nos lugares onde Ele se deixa encontrar. Tudo converge para uma ideia-chave: precisamos de ser uma Igreja vocacionada para a santidade e para a missão. Cada batizado tem uma vocação única no desígnio de Deus – seja no sacerdócio ministerial, na vida consagrada, no matrimónio ou no laicado celibatário –, mas toda a vocação autêntica é, em última análise, chamamento à santidade e ao serviço. «Em virtude do Batismo recebido, cada membro do povo de Deus tornou-se discípulo missionário»[35]. Gostaria de sublinhar a dimensão vocacional da vida: ninguém está neste mundo por acaso; cada vida é chamada por Deus a refletir um aspeto do Seu amor e a cumprir uma missão insubstituível. Jovem: Deus tem um sonho para ti! Família: Deus conta contigo como «Igreja doméstica»! Padre: sê sinal de Cristo Bom Pastor! Diácono: testemunha o amor de Jesus no serviço aos últimos! Consagrado ou consagrada: lembra a todos o destino transcendente! Trabalhador: faz do teu ofício um apostolado! Idoso ou doente: a tua oração e oferta escondida sustentam a Igreja! Enfim, todos têm um lugar. Que neste itinerário muitos redescubram ou confirmem a sua vocação. Rezemos por novas vocações sacerdotais e consagradas, frutos de uma Igreja viva. Valorizemos, igualmente, a vocação laical: os fiéis leigos são chamados a animar cristãmente as realidades temporais, levando Cristo à família, à educação, à economia, à cultura, à política, como fermento no mundo. Sois parte essencial da missão da Igreja.

39. Confio todos estes propósitos à intercessão amorosa de Nossa Senhora, Estrela da Evangelização, Padroeira de Portugal sob o título de Imaculada Conceição. Que ela, que gerou o Salvador no seu seio e o ofereceu ao mundo, nos ajude a gerar Jesus no coração de muitos e a oferecê-l’O de novo a esta terra que tantas vezes já experimentou a graça de Deus. Olhamos também para os santos e beatos da nossa diocese, e para tantos missionários e mártires que partiram daqui, ao longo dos séculos: que o seu exemplo nos estimule a sair do nosso comodismo e gastar a vida pelo Evangelho.

40. A todos vós, queridos diocesanos – fiéis leigos, consagrados, diáconos, padres – e a todas as pessoas de boa vontade que vivem neste Patriarcado de Lisboa, endereço o meu apelo final: abri de par em par as portas do vosso coração a Cristo. Não temais! Ele não tira nada, Ele dá tudo. Renovai hoje o vosso sim ao Senhor. Recebei o fogo do Seu amor e levai-o aos outros. Fazei da vossa vida uma Eucaristia viva, um louvor contínuo a Deus e um dom generoso aos irmãos. Que possamos, no Domingo de Páscoa e em cada domingo, sair das nossas igrejas, dizendo intimamente, como os discípulos de Emaús: «Não ardia o nosso coração quando Ele nos falava pelo caminho?» (Lc 24, 32). Sim, que os nossos corações ardentes façam arder de amor as nossas cidades, vilas e aldeias e este tempo presente! Cristo vive, Cristo reina, Cristo impera – e nós somos suas testemunhas. Continuemos a caminhar juntos, em comunhão com Cristo e uns com os outros, para participarmos na missão evangelizadora da Igreja. Que continuemos a ser uma Igreja sinodal missionária, nesta amada diocese de Lisboa.

41. Depois de concluído o Jubileu de 2025 e, desde já, antegozando as alegrias de 2033, convoco-vos a todos para este grande recomeço espiritual e pastoral. Não importa quão desafiador seja o contexto secularizado: com Cristo no centro, a alegria do Senhor será a vossa força (cf. Ne 8, 10). Ele prometeu estar connosco todos os dias. Confiemos nessa promessa. Como vosso pastor, asseguro a minha oração por cada um, especialmente pelos que estão mais afastados ou mais feridos – esta carta também é para vós. Levanta-te, Igreja de Lisboa, e resplandece, porque chegou a tua luz (cf. Is 60, 1)! Cristo é a nossa luz!

Lisboa, 5 de abril de 2026, Páscoa da Ressurreição do Senhor
† Rui, Patriarca de Lisboa

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[1] «Este Ano Santo [de 2025] orientará o caminho rumo a outra data fundamental para todos os cristãos: de facto, em 2033, celebrar-se-ão os dois mil anos da Redenção, realizada por meio da paixão, morte e ressurreição do Senhor Jesus. Abre-se, assim, diante de nós um percurso marcado por grandes etapas, nas quais a graça de Deus precede e acompanha o povo que caminha zeloso na fé, diligente na caridade e perseverante na esperança (cf. 1 Ts 1, 3)» (Francisco, Bula Spes non confundit, n. 6).
[2] Concílio Ecuménico Vaticano II, Constituição pastoral Gaudium et spes, n. 1.
[3] Concílio Ecuménico Vaticano II, Constituição pastoral Gaudium et spes, n. 22.
[4] Leão Magno, Sermo 1 in Nativitate Domini, 3.
[5] Cf. Concílio Ecuménico Vaticano II, Constituição dogmática Lumen gentium, n. 41.
[6] Cf. Santo Agostinho, Enarr. in Ps. CXXXVIII, 2
[7] Cf. Concílio Ecuménico Vaticano II, Constituição dogmática Lumen gentium, n. 1.
[8] Concílio Ecuménico Vaticano II, Constituição dogmática Lumen gentium, n. 1.
[9] Santo Ambrósio, Exameron, IV, 8, 32.
[10] Francisco, Exortação apostólica Evangelii gaudium, n. 49.
[11] Francisco, Exortação apostólica Evangelii gaudium, n. 49.
[12] Leão XIV, Saudação aos influenciadores católicos e missionários digitais, 29 de julho de 2025.
[13] Leão XIV, Exortação apostólica Dilexi te, n. 39.
[14] Cf. Francisco, Exortação apostólica Evangelii gaudium, n. 120.
[15] Francisco, Homilia na Santa Missa da Solenidade da Epifania do Senhor, 6 de janeiro de 2016.
[16] Cf. João Paulo II, Encíclica Ecclesia de Eucharistia, n. 1.
[17] João Paulo II, Discurso, 16 de janeiro de 1982, n. 2.
[18] Cf. Leão XIV, Exortação apostólica Dilexi te, n. 41.
[19] Francisco, Encontro com os jovens argentinos por ocasião da XXVIII Jornada Mundial da Juventude, 25 de julho de 2013.
[20] Cf. Constituição Sinodal de Lisboa, n. 1.
[21] Leão XIV, Mensagem para o LIX Dia Mundial da Paz, 1 de janeiro de 2026.
[22] Cf. Catecismo da Igreja Católica, n. 1373.
[23] Sobre a Eucaristia e a Palavra, o Concílio Vaticano II recordou que, na sagrada Liturgia, Cristo está presente «sobretudo sob as espécies eucarísticas, mas também na sua palavra, pois é Ele que fala quando se leem as Escrituras na Igreja; está presente na pessoa do sacerdote e está presente na assembleia reunida em seu nome» (cf. Concílio Ecuménico Vaticano II, Constituição conciliar Sacrosanctum Concilium, n. 7).
[24] Na confissão, «o sacramento da reconciliação com Deus leva a uma verdadeira “ressurreição espiritual”, à restituição da dignidade e dos bens próprios da vida dos filhos de Deus, o mais precioso dos quais é a amizade do mesmo Deus» (Catecismo da Igreja Católica, n. 1468).
[25] A Virgem Maria, «a Mãe de Jesus, assim como, glorificada já em corpo e alma, é imagem e início da Igreja que se há de consumar no século futuro, assim também, na terra, brilha como sinal de esperança segura e de consolação, para o Povo de Deus ainda peregrinante» (Concílio Ecuménico Vaticano II, Constituição dogmática Lumen gentium, n. 68).
[26] Cristo está presente de modo místico em cada pessoa necessitada (cf. Mt 25, 40). Como lembrava o Papa Leão XIV: «o pobre não é apenas alguém a quem se presta auxílio, mas é presença sacramental do Senhor» (Leão XIV, Exortação Apostólica Dilexi Te, n. 44).
[27] Francisco, Audiência geral, 8 de novembro de 2017.
[28] Francisco, Audiência geral, 8 de novembro de 2017.
[29] São Jerónimo, Comm. in Is, Prol.
[30] Francisco, Exortação Apostólica Evangelii gaudium, n. 44.
[31] Concílio Ecuménico Vaticano II, Constituição dogmática Lumen gentium, n. 61.
[32] Leão XIV, Exortação Apostólica Dilexi Te, n. 5.
[33] Leão XIV, Exortação Apostólica Dilexi Te, n. 9.
[34] Bento XVI, Encíclica Deus Caritas Est, n. 1.
[35] Francisco, Exortação Apostólica Evangelii gaudium, n. 120.

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